a dona desse blog
é de uma teimosia absurda. além de ser psicóloga, é leitora, aspirante à escritora, filha, irmã, tia e amiga, é indecisa por natureza, não sabe fazer planos e deixa sua vida ser dominada por uma ansiedade que ela sempre achou que disfarçava bem. acha que todo dia é ideal pra questionar se suas ações estão certas, se está sendo justa consigo, se faz o que gosta (e por enquanto faz). é uma dessas pessoas que gosta da solidão da própria companhia mas não dispensa uma cervejinha com aquelas pessoas que sabem conversar, de preferência em um boteco bem boteco, porque estes servem as mais geladas.

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  sábado, 19 de fevereiro de 2011
Sobre quando a gente cresce

Nessa semana, quando cheguei em casa, meu pai pediu pra eu ir na concessionária com ele. É que ele comprou um carro, um carro que ele passou anos querendo e aí , finalmente, comprou. Lembro que ele sempre levava eu, minhas irmãs e minha mãe nessas ocasiões. Com o tempo, minha mãe parou de se importar com isso e a gente cresceu e não tava mais em casa pra ir junto.

Só que agora eu tô em casa e, depois de muito tempo comprando carros mais populares, com menos opcionais, menos confortáveis, por causa de uma economia que ele achava necessária porque sempre foi precavido e porque tinha três filhas pra educar (e educar bem), meu pai resolveu comprar um mais caro, que ainda não é o SONHO dele, que é uma daquelas camionetes que tiozões donos de rua adoram ter. Mas enfim, ainda que ele não tenha a dita camionete gigante, ele é um tiozão dono de rua.

E eu acho engraçado. E aí eu entendo a diferença de quando a gente é criança e acha o pai a pessoa mais importante do mundo, aquele que pode tanta coisa, que trabalha, ganha dinheiro, leva a gente pra viajar nas férias. E nessa época, eu era colada no meu pai. Ia com ele pra dia de campo, ia pra chácara, pra lavoura. Queria aprender a ordenhar vaca, andava de trator e dizia que queria ser veterinária, o que era mais próximo do que ele fazia. Um dia foi um veterinário na chácara inseminar uma vaca. E meu pai me mostrou. Nada agradável, luva até o ombro, enfiar a mão...enfim. Numa outra vez, ele tentou me explicar que precisava sacrificar um terneiro que nasceu sem língua e por isso não conseguia mamar. Eu chorei, não achei justo, falei que a gente tinha que dar mamadeira, ele me mostrou que o leite escorria pelos lados da boca do bezerrinho por causa da má formação. Eu devia ter uns 12 anos e entendi que não, não ia rolar essa vida pra mim. Mas acho que ele entendeu muito antes.

Mas eu também ia praticamente todo dia com ele pra universidade onde ele dá aula até hoje. E ficava por lá até a hora de ele ir embora, quase onze da noite. Acho que foi lá pelos 13 anos, talvez um pouco antes, que eu parei. Não sentia mais vontade, nem de ir pra chácara, nem de ir junto pra universidade. Eu tava crescendo. Muita coisa no meu pai (e na minha mãe também) começou a me incomodar. Antes de ele sair, eu dava uma geral na roupa dele, porque ele simplesmente não sabia (e não sabe até hoje) combinar roupa. Era camisa xadrez com paletó quadriculado, calça preta com sapato marrom e lá ia eu dizer que não tava bom. Meu pai sempre ria e trocava de roupa. Sempre.

Nessa época, eu ficava brava que ele dirigia devagar, achava que ele não sabia coisa nenhuma e a gente discutia por tudo. Me irritava com o quanto ele era perdido no trânsito, desligado com as coisas, muitas vezes ingênuo demais, pão duro em algumas ocasiões, gastador em outras. Às vezes ele se irritava e daí sim a gente aprendia quem mandava, porque daí ele ficava bravo, dizia que sabia o que tava fazendo. Mas com a mesma rapidez com que ele se enfurecia, ele se apaziguava. E acho que por causa disso, que eu aprendi que ele era mais fácil de lidar do que minha mãe. Rancor não existe no vocabulário do meu pai.

Ontem, quando ele me levou na concessionária pro cara explicar (pra mim) as funções do carro, ele tava de calça de moleton, sandália olympikus e uma camiseta, juro por Deus, de propaganda do Banco do Brasil. E eu achei engraçado, engraçado de verdade o quanto ele não se importa, o quanto ele não deve nada pra ninguém e nem pra mim. Pessoa com consciência tranquila em relação a tudo o que fez na vida, e ele fez muita coisa. Quando a gente tava lá, chegou um outro tiozão dono de rua, mas todo trabalhado na camisa Polo, calça bem passada, sapato de sola de couro. Cumprimentou meu pai e falou pra ele comprar um outro carro que tinha lá de tiozão dono de rua. Meu pai apontou todo orgulhoso o carro que ele tava levando.

Quando a gente saiu da concessionária eu falei pra ele "Quanta função, né, pai?", daí ele deu uma risada e falou "Não vou lembrar nem da metade". E eu ri, achando toda a situação ótima, engraçada no sentido de que este é meu pai e ele é uma figura e que hoje eu também não ligo mais se ele vai comprar carro de calça de moleton. Volta e meia eu, minha mãe e minhas irmãs falamos que deve ser muito bom viver nesse mundo em que ele vive. Mas quanto mais o tempo passa, mas eu percebo que meu destino certo é esse mundinho.

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  domingo, 6 de fevereiro de 2011
Sobre vida que vive

Take only what you need, my love
And leave the rest behind
Don’t be afraid of where we go, my love
I promise we'll be fine

Em dezembro, quando a especialização de São Paulo terminou eu disse o seguinte: [...] ano que vem, eu não sei o que vai ser. Posso dizer que não quero viajar de ônibus nem daqui à Campo Largo. Mas não vou falar muito alto, porque o acaso da vida pode ouvir e me dizer o contrário.

Pois é. A cada dia chego mais à conclusão que a minha vida vai acontecendo e eu tenho que sair correndo pra acompanhar. É como se eu estivesse sempre um passo atrás, como se a minha vida que me vivesse, e não o contrário. Algumas pessoas conseguem a constância, sabe? Conseguem imaginar tudo o que vai acontecer nos próximos meses, anos, décadas. Por exemplo, meus pais e minha irmã do meio. Morando há muito tempo na mesma cidade, na mesma casa, fazendo as mesmas coisas e parecendo satisfeitos com isso. Pensando que mudar é doloroso.

Já a minha irmã mais velha aprendeu a se desapegar, porque se ela ficar triste cada vez que deixa uma casa pra trás, e se pensar nos móveis que se estragam a cada mudança, possivelmente o tempo entre uma cidade e outra seria pouco para recomeçar, porque perde-se muito tempo pensando no que ficou. Acho que ela aprendeu que o que importa é ter a família dela e dinheiro pra viajar e ver os outros que ficaram. E se os guarda-roupas não duram nada porque estão sempre sendo desmontados, deixa pra lá. Não faz mal.

E eu? Quanto mais a minha vida passa, mais parece que eu não tenho lugar. Quando eu cheguei numa cidade, montei a minha casa do meu jeito, adorei pintar parede, fazer almofada, comprar porta-retratos e enfeites, foi como se eu tivesse encontrado. Foi como se morar sozinha fosse realmente o que faltava pra eu me tornar melhor, menos irritável, menos cínica. Ao mesmo tempo em que eu sentia que poderia também ficar cheia de hábitos de pessoas que têm tudo do seu jeito.

Gosto tanto de Curitiba. Ter vindo não poderia ter sido decisão mais acertada. Mas quando a insônia chega, um alarme antigo começa a disparar. Sou eu querendo me contar alguma coisa, sou eu querendo abrir uns lugares que educadamente deixei fechados (como quando o quarto tá bagunçado e a gente fecha a porta se a visita chega). Só que a visita também era eu querendo saber porque caralhos eu não consigo dormir, mais exigente do que nunca, sem me contentar com qualquer resposta e com muitas dificuldades de encontrar as que procura.

Enfim, pra que algumas dessas portas voltassem a ser abertas eu precisava estabelecer algumas prioridades. E voltar pra análise era a primeira. E eu percebi isso quando, na última segunda feira, virando de um lado pro outro na cama, falei em voz alta: preciso voltar a trabalhar. E não é que eu não tenha tentado. Distribuí currículos, falei com pessoas e...cri, cri, cri. E aquele incômodo crescendo, aquele "algo" errado que eu sabia o que era me incomodando. Depois desse pensamento dito em voz alta pra mim mesma, quando no dia seguinte eu recebi uma ligação, não tive dúvida da resposta. Não pensei porque já estava pensado e a resposta foi sim.

Não, não dá pra virar as costas para uma vida que despenca na sua frente. Isso me lembra A insustentável leveza do ser, quando Tereza chega à casa de Tomás, ensopada e doente. E ele sabe que aceitar que ela entre é um caminho sem volta. Acho que existem muitas situações exatamente desse jeito. Dessas que não podem ser ignoradas quando chegam, porque chegam exatamente quando você precisa e, talvez, porque você precisa. Precisa de um monte de coisa que poderia colocar numa lista em que a primeira resume as outras e basta: existir.

E nisso de existir eu tô voltando. Vai ser devagar e eu não sei se definitivamente. Mas 500 km serão percorridos por semana daqui para frente. Não vou voltar de vez porque aqui eu tenho uma pendência, uma pendência com a minha formação que é muito difícil explicar, mas que se resumiria bem em desejo. E se existe esse desejo, não tem problema viajar. Porque junto com ele, outro se realiza que é trabalhar, voltar a dar aulas, voltar a ser professora, que eu gosto tanto.

E sabe qual é a outra novidade boa? Que uma das disciplinas que eu vou dar é Psicologia Social! E mal posso esperar para começar e falar sobre o que é ideologia, sobre Marx e Hegel, sobre Revolução dos Bichos e Mal estar na civilização e mais um monte de coisas que eu consigo pensar pra mostrar o quanto essa parte da psicologia é MUITO legal, porque é uma entre muitas oportunidades de a gente começar a pensar um tantinho, mas sem papagaiar, que isso é muito chato.

Let’s sail away
With a whisper and a kiss
Or vanish from a road somewhere
Like Tereza and Tomas
Suspended in this bliss
(Tereza and Tomas, Bright Eyes)

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