a dona desse blog
é de uma teimosia absurda. além de ser psicóloga, é leitora, aspirante à escritora, filha, irmã, tia e amiga, é indecisa por natureza, não sabe fazer planos e deixa sua vida ser dominada por uma ansiedade que ela sempre achou que disfarçava bem. acha que todo dia é ideal pra questionar se suas ações estão certas, se está sendo justa consigo, se faz o que gosta (e por enquanto faz). é uma dessas pessoas que gosta da solidão da própria companhia mas não dispensa uma cervejinha com aquelas pessoas que sabem conversar, de preferência em um boteco bem boteco, porque estes servem as mais geladas.

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  quarta-feira, 25 de agosto de 2010
Sobre o limbo da amizade

Mi-nha mãe man-dou eu es-co-lher es-te da-qui.
Mas co-mo eu sou tei-mo-sa, eu vou es-co-lher es-te da-qui.

Toda menina que se preze cantou essa música um dia. E quando crescemos, nós menininhas continuamos cantando, de outro jeito, é verdade, para outras coisas, isso é certo. Mas continuamos escolhendo.

Não lembro quando foi a última vez que me senti como me sinto hoje. Angustiada define. Eu que aprendi a ser durona, a ter resposta pra tudo, a saber pra onde ir. De repente, não sei mais, e não é geograficamente que falo. Tô dizendo de não saber pra onde ir com meus sentimentos, com esse peito apertado, com essa vontade de saber e ao mesmo tempo com a sensação de que, nessas horas, paciência é uma grande amiga e conselheira.

Saber se esse sentimento é recíproco, se tem chances de ser mais do que meu, se posso dividir e se posso esgotá-lo é o que queria hoje. Eu achava mesmo que não ia me apaixonar de novo. Eu, tão exigente com tudo e com todos, de repente encontro uma pessoa que parece que apreende uma dimensão de mim que eu não sabia que ainda existia. Ou até sabia, mas que não queria, que não aceitava mais.

Falo dessa dimensão absurda de querer dividir, mesmo quando as "contingências" não permitem. E são justamente elas que me fazem dormir pensando que murro em ponta de faca é coisa de meninas bobas. E sou uma menina boba que gosta da atenção que recebe, que gosta das conversas, que gosta dessa companhia da qual não deveria, não poderia, não queria. Gosta.

Tô com muito medo de cair no limbo da amizade. Esse lugar, eu dispenso. Amigos tenho e eles têm me amparado nesse absurdo. O que eu quero agora é alguém que goste de mim. Porque eu também sou do tipo que gosta de quem gosta de mim.

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  segunda-feira, 23 de agosto de 2010
Sobre a origem do meu feminismo.


Quando eu era criança conheci uma menininha. Nós estávamos com uns cinco anos e era o primeiro dia da pré-escola. Para que nossa amizade começasse bastou que ela apontasse para a cadeira ao lado pedindo que eu me sentasse. Até hoje apontamos para cadeira ao lado, como quem diz uma à outra "senta aqui, me fala sobre você".

Ela fazia ballet. E nas nossas brincadeiras em que Ken e Barbie tinham muitos filhos, um dia perguntei quantos ela queria ter. Que menininha de cinco anos não pensa nos filhos que terá? Ela não. Respondeu que não teria nenhum, porque bailarinas não podiam ser mães. Inclusive, bailarinas não podiam fazer nada que estragasse o corpo, porque precisavam ser magras. Bailarinas, inclusive, nem poderiam casar, porque o marido poderia atrapalhar a carreira. Só a bailarina que não pode.

Fiquei chocada. Eu que tinha sete bonecas, cada qual com seu nome, seu berço, sua roupa de dormir. Eu que tinha devaneios com o dia em que aquelas bonecas seriam substituídas por bebês de verdade, que pensava quem seria o moço que cuidaria destes pretensos bebês junto de mim. Eu e minha amiga éramos e somos bem diferentes, e continuamos durante algum tempo brincando com barbies, bonecas, amarelinhas e tudo aquilo que existia para se fazer de conta alguma coisa.

Crescemos amigas, mas ela cresceu mais rápido. Eu queria ficar criança por mais tempo, ela começou a namorar e não continuou bailarina. E durante muito tempo, eu continuei querendo muitos filhos, casar aos 24 anos e ser veterinária.

Hoje eu tenho vinte e cinco e daqui a dois meses, faço vinte e seis e a origem do meu feminismo começou há tão pouco tempo que tenho vergonha de contar.

Há dois anos e meio eu saí da faculdade de psicologia pronta para ir morar em Buenos Aires, onde eu faria um mestrado. Meu então namorado foi comigo. Lá havia alguma coisa muito errada, que me causava tal desconforto que não parecia certo eu permanecer por lá. Estava triste e com a sensação de que ali eu não cresceria, continuaria uma criança e brincaria de casinha com ele. Comecei a não botar mais fé no namoro e comecei a pensar no que eu poderia fazer para que a minha vida tomasse um rumo diferente daquele. Eu queria trabalhar.

Voltei pro Brasil chateada. Não queria tê-lo deixado para trás, mas o que aconteceu no decorrer do tempo é hoje mais que suficiente para mostrar que foi uma escolha acertada. Continuei gostando muito dele e namoramos durante um bom período, todo o que ele ficou lá, já que resolveu ficar. E nesse tempo eu cresci. A despeito do que eu tinha pensado que seria a minha vida, comecei a me notar mais companheira de mim mesma. E mais fazendo o possível para não ir contra o que eu queria, o que acreditava. E por isso consegui pelo menos uma parte do que busquei quando decidi deixar aquele que tinha sido o amor da minha vida pra trás.

Durante muito tempo, comer sozinha era penoso. Hoje eu faço uma refeição para mim mesma e como com o mesmo prazer que comeria se estivesse com outras pessoas. Notar que estar com uma pessoa em quem você não pode apostar a sua coleção de papéis de carta, fez a diferença nesse sentido. Notar que posso sim esperar e esperar enquanto seja necessário por aquele que nunca tentaria que eu fosse outra coisa que não eu, também fez a diferença. Não sentir medo durante esse tempo, tem a ver com a origem do meu feminismo: essa vontade de ser mulher a despeito de ter ao meu lado quem me afirme isso. Aliás, hoje tenho pra mim, que prefiro mesmo um homem que se sinta atraído por uma dessas que já são mulheres antes que eles lhes contem esse grande segredo.


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  segunda-feira, 16 de agosto de 2010
Sobre leveza

Até hoje, o momento mais difícil da minha vida foi me despedir da minha avó. Chorei muito ao vê-la na cama, esquecida pela vida, esquecida de quem foi. Ela não lembrava mais muitas coisas, incluindo como falar português. Fiquei pensando que nessas horas o que sobra é o que há de mais arcaico, e as primeiras palavras ensinadas talvez façam mais sentido, sejam o que fica.

Foi um dia estranho esse de me despedir de alguém que não parecia estar mais lá. Mas eu consegui, eu penso ter conseguido em algum momento fazer ela saber que era eu dizendo pra ela ir embora, pra ela ficar tranquila e que ela tinha sido minha pessoa preferida.

Quando falo isso, é sem exagero. Ela foi a pessoa com quem eu aprendi a ter bom humor, doçura e com quem eu aprendi a não compreender tudo. Ela se surpreendia honestamente com a vida, sem disfarces. Ela se surpreendia até com o fato de a irmã mais nova ter cabelos tão brancos, esquecendo que os dela eram pintados, assim como as unhas, sempre compridas e vermelhas. Cantava todos os dias, quase o tempo todo e chupava balas de caramelo. Levava um copo de refrigerante para a cama, onde ouvia radio até dormir.

Se me fosse permitido escolher só uma palavra para descrevê-la, seria leveza. E levar a vida com leveza não é para todo mundo. Já falei sobre cavalos de batalha e o quanto eles me incomodam. Nunca na minha vida, vi minha avó fazer um cavalho de batalha. Ela aceitava. E é preciso entender que a delicadeza em aceitar é fugir da passividade que esse verbo pode incitar em algumas cabeças.

Quando a sua pessoa preferida vai embora, você obrigatoriamente tem que aprender a lidar com isso. E eu aprendi a lidar com isso ficando feliz, porque tristeza mesmo era a tristeza dela por não saber o nome dos filhos. Mas acho que ela soube que eu estive lá naquele dia. Ela tentou dizer alguma coisa para a minha mãe, mas não conseguiu. E ela não reconhecia direito mais ninguém.

No fim das contas, a minha pessoa preferida foi embora, e foi embora a pessoa para quem eu também fui a preferida. Ela nunca escondeu isso a vida toda. Se eu fui a pessoa preferida de alguém, foi dela.

Essa noite foi a primeira vez que sonhei com ela. E ela estava bem, saudável e linda como eu lembrava dela na minha infância, com cara de vó, unhas feitas e cabelos enrolados, pintados de loiro. Os olhos azuis sempre brilhando porque se emocionava sempre. Ela sempre chorava na hora se despedir. Morreu dormindo. É bom saber que minha pessoa preferida morreu da maneira que eu desejei que fosse. Porque ela merecia fechar os olhos e descansar. E dessa vez, foi a vez de chorarem os que se despediram dela.

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  quinta-feira, 12 de agosto de 2010
Sobre a urgência

Muito queria ser dessas pessoas decididas, mas não sou. Pessoal que curte signos costuma pensar que isso é mal de librianos em suas eternas indecisões. Não sei se é mal de libriano, não. Acho mesmo que é um dos males mais comuns, isso da dificuldade em escolher, porque isso implica em perder alguma coisa. Apesar disso, penso que tenho muita sorte. E olhando pra trás com quase nenhum cuidado, concluo que a vida tem sido bem generosa nesse sentido.

Além de indecisa, sou ansiosa. E odeio ficar com pendências. Essas pendências vão de contas a pagar, ligações a fazer, e-mails a responder, roupa por lavar, palavras por dizer. Nessas horas ansiosas acabo metendo os pés pelas mãos e tomo a decisão errada. Por isso, exercício PRA VIDA é esperar passarem vinte e quatro horas (se possível isso for) depois de receber uma notícia que implica a tomada de uma decisão. E como não gosto de pendências, pago a conta até o fim, não sem sofrimento, não sem dor. Mas pago.

Apesar disso, a decisão de fazer mestrado foi um pouco impulsiva. Claro que fazia muito tempo que eu pensava nisso. Mas a parte do impulsivo tem a ver com eu não ter me preparado para as provas, para o projeto, para a entrevista e, ainda assim, ter passado. Pode ter sido sorte, pode ter sido um bom senso de oportunidade e de momento. Seja já o que tenha sido, a cada dia fico mais feliz com a decisão. Encontrei meu lugar, minha vida.

OBS: Eu queria ter escrito "encontrei meu lugar, minha cidade", mas pela terceira vez consecutiva no dia, cometi o lapso de digitar vida em vez de cidade. Então, deixemos a frase dessa forma, assim, talvez ela diga mais de mim.

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  quinta-feira, 5 de agosto de 2010
Sobre viver

This little girl she grew up and moved away and she
She lived her life full of risk and full of play and she
She lived her life, with so much to say, and
Her flowers they grow more beautiful everyday


Dormir, acordar, tomar café da manhã, trabalhar, almoçar, trabalhar um pouco mais, voltar para casa, estudar, tomar banho, conversar com as pessoas da sua vida, sair, se divertir, rir das besteiras sérias, das divertidas, rir das próprias misérias, acudir, abraçar, sorrir, chorar, tomar café, jantar com as amigas de uma vida inteira e rir outra vez, sair com os amigos que agora fazem parte, passar os domingos conversando com quem nunca imaginou que poderia ser uma das suas pessoas, ir ao cinema assistir bobagens e coisas sérias, oferecer macarronadas, canjas. Dar e pedir colo. Dar e pedir carinho, beijo, abraço, conversa. Isso é seguir vivendo.

Não somos nós quem vamos até os lugares, mas eles que chegam trazendo um pacote de ventura. Ventura é sorte, boa ou má. Impossível a vida ser perfeita o tempo todo. Impossível ser imperfeita o tempo todo também. Trata-se mais de receber com muita delicadeza o que começa a acontecer, o que a vida traz, sem saber ao certo porque você gosta de uma pessoa, porque não gosta de outra. Para que perder o tempo pensando nisso se isso é seguir vivendo?

E seguir vivendo é diferente de existir num lugar, é bem ao contrário de estar numa cidade, num trabalho, num mestrado, numa profissão. Seguir vivendo é aceitar o que é oferecido, e aceitar não quer dizer receber passivamente, como se não dependesse também de muita boa vontade e capacidade de amar as cores, as formas, os cheiros, as pessoas de antes, as pessoas de agora, as pessoas de sempre.

Confesso: Tenho medo. Tenho medo porque o que chega rápido pode muito bem ir embora bem depressa. Mas sei que isso não é regra mesmo. Tantas coisas duradouras também escoam pelos dedos sem você ter a menor chance de apanhar, porque não há movimento reflexo capaz de captar o que evapora. Isso sou eu vivendo, vivendo e contando da felicidade imensa que os encontros e os reencontros tem trazido.

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