a dona desse blog
é de uma teimosia absurda. além de ser psicóloga, é leitora, aspirante à escritora, filha, irmã, tia e amiga, é indecisa por natureza, não sabe fazer planos e deixa sua vida ser dominada por uma ansiedade que ela sempre achou que disfarçava bem. acha que todo dia é ideal pra questionar se suas ações estão certas, se está sendo justa consigo, se faz o que gosta (e por enquanto faz). é uma dessas pessoas que gosta da solidão da própria companhia mas não dispensa uma cervejinha com aquelas pessoas que sabem conversar, de preferência em um boteco bem boteco, porque estes servem as mais geladas.

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  quinta-feira, 30 de setembro de 2010
Sobre balanço

É por causa do meu aniversário que tá chegando. É por isso que eu comecei a achar que o ano já está no fim. É que o meu está acabando e meu ano vinte e seis começa nesse domingo. Eu vou ficar com saudades desse ano vinte e cinco.

Me disseram que a partir dos vinte e seis não dá mais para dizer que se tem "vinte e poucos anos", porque agora a proximidade etária é a dos trinta anos, certo? Eu não tô onde achei que estaria com essa idade. Achava que seria independente, estaria casada, teria filhos. Isso ainda não aconteceu, mas mesmo não sendo mais novinha, não vejo muitos problemas nisso.

Mas é claro que quero mais, que às vezes eu fico pensando que fiz pouco, que poderia ser e ter mais. Mas é verdade também é que foram tantos os vieses e agora eu preciso arrematá-los. Três anos depois, a pós de São Paulo está quase terminando. Ano passado, por essa mesma época, eu terminava a da PUC e fazia minha inscrição no mestrado, tendo a certeza que não passaria. E passei e terminei um namoro e mudei de cidade e fiz novos amigos e fiquei mais feliz com tudo isso, mais feliz comigo. Quanta diferença isso fez.

Nunca tive muita paciência, nunca soube esperar e todo mundo sabe disso. Mas exercícios diários eu tenho feito nesse sentido. Acho que já é muita coisa saber o que eu quero. E depois que terminar o mestrado, quem sabe até antes (nunca se sabe), eu volte a dar aulas. Quem sabe eu comece a atender aqui em Curitiba se tudo der certo...

Quem sabe tantas outras coisas que estão marcando o fim do meu ano vinte e cinco e prometem serem temas do vinte e seis, assim como sair da faculdade, deixar o hospital, tentar o mestrado e vontade de crescer profissionalmente eram questões minhas há um ano.

Enfim, eu continuo seguindo sozinha e feliz, cada dia mais com isso tudo que aconteceu. Pode ser sorte, mas também pode ter a ver com aquela sensação indescritível de quando o que a gente faz e quer tem conformidade com o que a gente deseja.


I noticed tonight that the world has been turning
While I've been stood here, dithering around
Though I know I said I'd wait around 'til you need me
I have to go, I hate to let you down

But I can't stop now
I've got troubles of my own
'cause I'm short on time
I'm lonely and I'm
Too tired to talk

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  terça-feira, 28 de setembro de 2010
Sobre amor

Sabe que ontem, depois que minhas amigas foram embora, lavei a louça, arrumei tudo e fui deitar no sofá. Meu pai assistia ao Fantástico e eu fiquei rindo com ele dos pernas de pau que mandam vídeos de suas peladas de fim de semana para serem tristemente comentadas. Quando ele foi dormir, mudei de canal e tive uma dessas surpresas que só sente quem tem filme preferido.

Como tenho alguns, e como é muito minha essa coisa de assistir filmes vezes sem conta (e que o diga "Dez coisas que eu odeio em você"), não são raras as vezes em que paro o que estou fazendo para uma história que não sem razão foi importante. Esse filme que me fez parar domingo à noite, não entrar na internet, não ir dormir, não ir ler um livro, enfim, não procurar coisa melhor, foi "Peixe Grande".

Já falei sobre como me comove o gesto de roubar os sapatos de quem chega, como se assim fosse possível segurar por perto quem a gente gosta (como se não desse para ir embora descalço, sem roupa, sem nada, quando existe desejo). Já falei sobre a condição de olhar para vida a partir de toda a grandiosidade que ela pode alcançar e não da dificuldade em sonhar mais. Já falei do quanto, desde criança, sou fascinada por tudo o que é inventivo e mágico. E tem tanta magia em tirar grandes histórias das mesmices de sempre.

Bom, pensei nisso tudo mais uma vez, mas também em outras coisas. Como sempre, chorei no fim, e especialmente dessa vez, olhei pra esse fim mais de perto. E olhei porque tinham acabado de deixar a minha casa pessoas que realmente importam muito. E chorei porque eu estava em casa num dia em que realmente precisei estar lá, mesmo estando com preguiça da viagem, mesmo achando mais cômodo passar o fim de semana aqui em Curitiba. Eu havia decidido não ir, e muito de repente, mudei de idéia, fiz uma mala em dois minutos e fui.

E que fim de semana bom. Bom para dormir, bom para sair, conversar, olhar fotografias, contar histórias, ouvi-las. Sentar com o pai e a mãe e tomar chimarrão no fim de tarde, tomar de novo pela manhã. Deitar no sofá com a Lola no colo, dengosa, fofa, querida, com todo aquele carinho gratuito. Dormir na cama da minha infância, com edredon de bailarina e cortina de babado. Poder saber que as minhas histórias têm a graça que têm por causa disso tudo, por causa deles todos.

Hoje eu tive uma notícia atordoante e maravilhosa que me deixou literalmente tonta. E me deixou tonta porque o filme de uma vida toda veio à cabeça em turbilhão. E como são muitas histórias, como é muita coisa compartilhada, é louco, mas também é lindo. As histórias continuam andando e que bom que é saber quem a gente tem: as nossas pessoas. Todas muito importantes e que me ajudam a continuar a história sempre, praticamente adivinhando, prevendo e acolhendo o que acontece depois. Ainda bem que eles existem.

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  terça-feira, 21 de setembro de 2010
Sobre medo



Sei que o fim do ano não está tão perto, mas já começo a pensar e fazer balanços desses meses que passaram. Sem querer agourar (ando ouvindo muito falar em agouro nos últimos dias), mas tem sido um bom ano. Tem sido um ano particularmente surpreendente por vários aspectos e, definitivamente, nada tenho a reclamar.

Depois que meu namoro terminou, fiquei sozinha durante muito tempo. E mais importante do que isso: eu quis ficar sozinha durante muito tempo. Isso quer dizer que nestes meses fiquei tão voltada para o que acontecia comigo, com a minha vida, com as escolhas que só dependiam de mim, com a realização de meus gostos e meus desejos que pude me reencontrar.

Com isso não quero dizer que durante meu namoro eu me perdi de mim, ao menos não completamente. Uma das coisas que eu mais gostava no meu namoro era a possibilidade de ser, e esse é realmente um saldo positivo que vou continuar buscando quando eu for me envolver de forma séria com alguém.

Quando falo em possibilidade de ser, falo da condição que você tem ou não de se assumir apesar de. Apesar da distância, das diferenças, das opiniões, dos manejos que a gente acaba fazendo com o outro, enfim, do curso natural de relacionamentos que, inevitavelmente, nos tiram coisas à medida em que nos dão.

Esses meses foram tão necessários que, pra mim, sempre é difícil entender como uma relação pode emendar na outra. Não é um julgamento, só uma dificuldade de compreensão. Mesmo. Porque eu me perco um tanto nos relacionamentos e para poder começar outro, preciso reencontrar onde ficou esse tanto.

O último mês tem sido bem surpreendente em vários sentidos. O principal deles é que me levou para uma direção para qual eu realmente me sentia incapaz. É que eu achava que a gente se apaixonava de verdade só uma vez na vida. Eu achava que o peito só apertava daquele jeito com uma única pessoa, que a fome ia embora e que o frio na barriga só eram permitidos uma vezinha de nada.

Por causa disso, e pela felicidade em descobrir que eu estive redondamente enganada, eu tenho medo. Mas mesmo assim, repito o que disse na primeira vez que isso aconteceu, há alguns anos: pode ser que o tombo seja grande, mas enquanto me for permitido, eu vou subir mais um pouco. E quando escrevi isso, pensei em Up, e no quanto perceber a importância da causalidade dos encontros podem nos fazer subir alto. Tenho medo porque sei que da delicadeza da situação. Mas a angústia já passou. Agora dá pra respirar.


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  terça-feira, 14 de setembro de 2010
Sobre angústia

Não acho nada bonito quando a angústia chega. Parece aquela pessoa que vai te visitar e em cada cômodo da sua casa deixa uma mala, uma roupa, uma forma de te lembrar que está ali e que, por isso, quando vai embora, deixa vestígios e nunca lembra de voltar buscar. É porque ela não trouxe tantas coisas porque precisava delas, ou porque ficaria muito tempo, mas porque não quer ser esquecida.

Angústia é assim, dorme e acorda junto, enche os sonhos, vai deixando pistas, resquícios. Como incomoda. Angústia tem muito a ver com o não saber, e esse não saber vai bem além daquilo que a gente pode obter com a resposta a uma pergunta. Mas não se trata disso, porque, se fosse, seria simples, eu perguntaria na lata: "Vem cá, me diz uma coisa, o que você quer? O que você não quer? É porque eu quero ter a opção de saltar desse barco antes que encha demais de água, tem jeito?".

Então, não sei se tem jeito, mas acho que não. Aí fico lembrando sobre paciência, sobre esperar o açúcar derreter, sobre como não resolve a situação quando me coloco no lugar de quem espera. Que falácia! Como se fosse possível não esperar algo das pessoas, das situações. Espero, claro que espero, só não sei por quanto tempo, só não sei a que custo.



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  quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Sobre um outro tipo de urgência

Hoje eu tô precisando de mim. Preciso ficar comigo e só comigo, sem compartilhar meus pensamentos, sentimentos, angústias, urgências.

E hoje tenho tantas urgências...

O que eu devo fazer com elas? Colocar dentro de um buraco escuro e empurrar uma cômoda bem pesada? Não tem mais como.

Por isso preciso ficar sozinha. Preciso colocar uma roupa que eu gosto e que me faça sentir bonita, passar um corretivo nas olheiras e ir ao cinema assistir a um filme qualquer. Não é pra esquecer dos meus colapsos que faço isso, mas porque não quero esquecer que sou boa companhia.

Comecei a perceber que sempre que chego no meu apartamento eu me sinto em casa. Ando descalça e troco as flores porque eu gosto das flores bonitas, mesmo que ninguém venha me visitar. São flores minhas, que eu compro pra mim, porque eu sou o tipo que gosta de ganhar flores, esse um hábito tão esquecido.

Aliás, uma das coisas que eu mais gosto da minha outra casa, aquela que está onde estão aqueles que eu mais amo, é o cheiro das flores que a minha mãe sempre planta. Lá tem flores no inverno e tem flores no verão e a minha casa cheira bem. Da última vez cheguei antes das 6 horas da manhã, quando saí do carro senti o cheiro de casa, cheiro de flores molhadas pelo orvalho, o cheiro de um lugar que está sempre lá.

Quando eu era criança, a minha própria companhia já era uma das minhas preferidas, e eu podia passar horas sozinha, perdida em fantasias. Isso tem tanto a ver com o que eu sou hoje que acho bonito o quanto eu fui uma criança que ficava feliz em poder ficar só imaginando as coisas mais bonitas. Lembro que meus sonhos eram lindos, jardins maravilhosos, com fontes de água clara e não dava nunca vontade de sair lá de dentro.

É mais ou menos o que eu sinto quando eu tô na minha casa, com a televisão desligada, sem ouvir música. É aquela sensação de paz, que eu vinha buscando desde sempre. Desejo dos bem antigos esse. É pra que eu não esqueça de nada disso que eu vou ao cinema agora. Só eu. Hoje eu tenho urgência em ficar comigo.

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