a dona desse blog
é de uma teimosia absurda. além de ser psicóloga, é leitora, aspirante à escritora, filha, irmã, tia e amiga, é indecisa por natureza, não sabe fazer planos e deixa sua vida ser dominada por uma ansiedade que ela sempre achou que disfarçava bem. acha que todo dia é ideal pra questionar se suas ações estão certas, se está sendo justa consigo, se faz o que gosta (e por enquanto faz). é uma dessas pessoas que gosta da solidão da própria companhia mas não dispensa uma cervejinha com aquelas pessoas que sabem conversar, de preferência em um boteco bem boteco, porque estes servem as mais geladas.

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  quarta-feira, 24 de março de 2010
Escolhas difíceis

Confesso, foi mais difícil sair da psiquiatria do que da faculdade. Adoro ser professora, não faria mestrado por nenhuma outra razão. Já faz muito tempo que sei disso. Quando me formei ser professora foi a primeira porta aberta na minha vida profissional. Ser professor é uma segunda natureza, mais que uma profissão. É um gostar que não se explica, gostar de apresentar coisas sobre as quais antes não se pensou, ou que se pensou de uma forma diferente. É complementar, e pode ser confundir também. Pode ser levar as pessoas à dúvida, ajudá-las pensar.

Hoje encontrei na rua minha professora de português da sexta e da sétima séries. Ela pegava no meu pé, dizia que eu falava muito e trabalhava pouco, meu mal era a língua, mas que uma tesoura resolveria o problema. Uma professora bem old school, dessas que jogam giz e não viram notícia por causa disso. Não era particularmente uma boa professora, mas exigente. Sempre cobrou muito, criticava minha escrita, minha falta de coesão.

Na sétima série, entreguei uma redação. Ela leu e disse "Finalmente você escreveu alguma coisa que preste". Alguns anos mais tarde, a encontrei na rua e ela falou que até aquele dia tinha guardado meu texto sobre o cachorrinho, a primeira boa coisa que eu teria escrito. Hoje ela não me reconheceu, mas eu demorei meia fração de segundo para saber quem era ela. De como era o nome dela lembrei escrevendo esse post, que começou sobre outra coisa: sobre a difícil escolha de, para ser professora universitária, eu ter que abandonar a psiquiatria.

Gosto de lá. Não tem nada a ver com o salário. Tem a ver com a possibilidade de ser psicóloga na concepção que eu faço desta profissão. Tem a ver com o aprendizado que tive em trabalhar em equipe e com a "doença" mental, esse fenômeno que me ajudou a construir um artigo para a pós, depois um projeto de mestrado e que vai se transformar numa dissertação.

Algumas pessoas têm medo, outras acham graça dos meus pacientes, eu vejo todos com uma parcela grande de sabedoria que a gente não entende porque vive um mundo da repressão, em que abafamos bem nosso inconsciente maluco. Lá no hospital eles não gostam do termo "louco". Eu falo que louco é quem rasga dinheiro. E eles riem quando eu falo isso e pergunto de volta se alguém ali rasga. Todos dizem não.

Hoje um dos médicos me falou que sentia muito a minha saída. "Fiquei muito triste", ele disse. "Tu não devias sair (gaúcho, gente)...quer dizer, devias sim. Tu tens outras coisas esperando por ti." Tenho. E sei que essa escolha vai fazer a diferença como professora e psicóloga, e só espero de verdade que, além disso, essa escolha não me mantenha por muito tempo afastada destes que fazem a gente enxergar a vida, a sanidade e especialmente a subjetividade de outro jeito, outro bem melhor, bem menos limitado.

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  segunda-feira, 22 de março de 2010
Sobre cuidado

Ano passado, uma das disciplinas que eu dava na faculdade chamava-se Processo de Cuidar. Eu a considerava uma das mais importantes na formação de um profissional, não só da área da saúde, mas de todas as áreas. Todas as profissões estão ligadas ao cuidado, mesmo que não diretamente ao ser humano, de forma indireta, todas as profissões implicam numa forma de favorecer a sociedade humana. Essa é inclusive uma das queixas dos ambientalistas, que acreditam que o ser humano investiu tanto em prol do desenvolvimento da sua sociedade que atrapalhou a continuidade de outros grupos animais e vegetais.

Podemos destruir o mundo que nos cerca, o que faz oposição ao cuidado. Um dos autores que eu pesquisei foi um teólogo chamado Leonardo Boff. O livro Saber cuidar: ética do humano, compaixão pela terra aborda o ponto de vista ontológico do cuidado, a partir da teoria de Heidegger, de acordo com a qual a característica constitucional ao ser humano é a capacidade de cuidar do outro.

Nessa minha pesquisa encontrei também dissertações de mestrado e teses de doutorado sobre o assunto, que contam pra gente que as ações humanas partem da emoção que as motivaram, incluindo o cuidado, motivado pelo amor, fundamental na socialização. Esse amor, não é o das poesia, das músicas, dos filmes, mas algo biológico: a aceitação do outro.

Para esses autores o cuidado não se originou por causa das doenças, mas pelas necessidades relacionadas à vida: alimento e proteção, princípio básicos do cuidado e do afeto, atitude fundamental de relacionamento, que requer atenção e envolvimento entre quem cuida e o que/quem é cuidado. Assim, o cuidado acompanha o ser humano enquanto existe amor, desvelo e a capacidade de se preocupar com alguém.

Esse ponto de vista é o de Heidegger, para quem ser-no-mundo é mais que a existência física, mas a co-existência no relacionamento com as coisas do mundo que possibilita formação autoconsciência e identidade humana. Ele fala ainda que a gente pode ser-no-mundo pelo trabalho, em que a natureza e o próximo são explorados, ou pode ser-no-mundo pelo cuidado, em que respeitamos os limites do próximo e do planeta. Se a gente vive hoje um momento de afastamento com o outro, em que absurdos de gente contra gente começam a fazer parte no nosso cotidiano, a filosofia do Heidegger nos ajuda a entender, em partes, o porquê. A parte boa é que há algum tempo começamos a perceber esse caos e há tentativas de reverter, porque podemos ficar sem nada. Sem amor, sem casa.

O Outro pode nos destruir sim. O Outro é aquele nos causa profundas inquietações, dúvidas, aquele de quem não podemos nunca ter certeza do que esperar, é nosso buraco. Mas é o Outro que nos tornou humanos no seu cuidado, olhar, desvelo, palavra, que podem ser afetos que acariciam ou que ferem.


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  domingo, 21 de março de 2010
Reminiscências

Digo sempre: a solidão, sentimos sempre porque é impossível ser junto o tempo todo. Você pode achar por alguns momentos que uma pessoa te completa e que te entende por inteiro, que seus pensamentos são continuação dos dela. Isso pode ser verdadeiro por um tempo, mas logo você percebe que não é bem assim.

Sei de tudo isso e de outras coisas. Sei, por exemplo, que não suporto quem vive de paixão. Quem vive de paixão é volúvel e incapaz de amar. Quem vive de paixão não consegue nunca compreender a graça de conhecer alguém profundamente, incluindo as partes menos atraentes. Aquelas que não mostramos imediatamente ao conhecermos alguém, porque é preciso nos amar para poder conviver com elas.

A minha parte menos atraente é que eu sou carente. Gosto de atenção, gosto de companhia. Gosto de alguém que dedica cinco minutos para perguntar como eu estou. Deve ser por isso que converso com as pessoas desconhecidas. Para mim, amor é isso. É saber dessas coisas e levar em frente. Se apaixonar é fácil. Difícil é amar os dias de mau humor, as implicâncias, os costumes diferentes.

Não me considero particularmente apaixonável, até porque, pessoas retraídas dificilmente são. Mas acho que sou amável, por causa das outras coisas, aquelas que aparecem depois de um tempo, que nem precisa ser tão longo. Ando me sentindo sozinha. Precisando de alguém pra conversar. Sobre nada, sobre o filme, sobre a música, sobre a notícia, sobre os planos. Essas coisas que eu fazia quando namorava e agora não faço mais porque o tempo precisa de um pouco da nossa generosidade e paciência, e por isso, melhor não forçar nada. O que as pessoas precisam mesmo é de alguém para mandar uma mensagem ou fazer uma ligação de madrugada, independente da hora sem sentir que está incomodando, sem se sentir patético por isso. Como eu não tenho, escrevo.

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  quinta-feira, 18 de março de 2010
Sobre gente que sabe tudo

Poucas coisas irritam mais do que gente que sabe tudo. Hoje um caso em particular me incomodou muito. Eu não sei o que me irritou mais, se foi a forma como a questão foi divulgada ou a infeliz da psicóloga que deu uma declaração a respeito.

Vira e mexe, aparece alguma notícia polêmica e os jornalistas correm entrevistar uma psicóloga, porque afinal psicólogas entenderiam tudo sobre o comportamento humano, donas da verdade sobre o que diga respeito a crianças, pais, mães, professores, crimes, enfim.

A guarda que retirou a criança do colo da mãe, bem como o que a ajudou não machucaram ninguém fisicamente. A mulher estava cumprindo uma ordem judicial, se ela não tivesse pegado a criança, estaria sendo criticada por isso. Ela deu uma entrevista em que foi extremamente coerente, falando que é lógico que aquela criança iria chorar, uma vez que ela estava sendo tirada da única referência que ela tem, independente se aquela fosse uma boa ou uma má mãe.

Não sei também se a acusação sobre a mãe procede, o que eu sei é que quando uma criança pode estar ameaçada ela precisa ser retirada dos pais para averiguação, até aqui, tudo foi feito dentro dos conformes. Se a psicóloga que deu a entrevista realmente acredita que a mãe ia se acalmar se visitasse o local em que a criança ficaria, ela deveria fazer essa pergunta pra si mesma. Se ela tem tanta sensibilidade, ela poderia se candidatar a retirar crianças de mães desesperadas pela pobreza. E até onde eu entendo a criança merece que a mãe prove que não a usava para sensibilizar pessoas, pedindo esmolas.

Só que é mais fácil não pensar nisso e ignorar ou sentir repulsa por essas mulheres e essas crianças na rua.


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  domingo, 14 de março de 2010
Sobre o que faz falta

A questão não é se fazer de forte, nem fingir que está tudo bem. A questão é que não dá para viver pensando no que poderia ter sido ou em como era. Quando digo que estou bem, falo a verdade. Quando digo que sinto falta de muita coisa, também é verdade. Essas duas informações, no meu ponto de vista, não são incompatíveis.

Essa semana um paciente disse que o medo dele diz respeito aos fins dos ciclos e que a expressão máxima disso é a morte. Pois bem, difícil encontrar alguém que não tenha medo dos fins dos ciclos, mesmo tendo a certeza da necessidade do fim. Tive medo e durante muito tempo, mas quando consegui impedir que esse medo me dominasse, consegui sentir o alívio que a gente sente quando fez a escolha certa.

Só que ainda assim, as pessoas em volta não conseguem compreender o que passou. Claro que eu preciso de um tempo para me acostumar com o que está começando agora. A despeito do que qualquer um pensa, incluindo pessoas que estão ou que estiveram envolvidas na minha vida, sou eu quem decido quando e como vou recomeçar. E eu não vou permitir que nenhuma dívida emocional se intrometa nisso.

Eu tenho meus momentos de fraqueza. É porque eu sinto saudades do que foi importante. Eu tenho meus momentos de arrependimento. É porque eu sou humana, e por isso sou feita de incertezas. Eu tenho meus momentos de tristeza. É porque meu coração, apesar de mais duro, ainda bate forte. Eu tenho meus momentos de lágrimas. É porque às vezes elas são tudo o que me resta para dizer que caminhos diferentes foram tomados e que isso é bom.

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  segunda-feira, 8 de março de 2010
Sobre o que é bom

Para alguns programas não é fácil encontrar companhia. Ir ao museu é um desses programas. A maioria das pessoas até gosta de obras específicas, reconhece a beleza, conhece algo sobre o artista, mas quando você convida para a ir a um museu ver uma exposição pouco reconhecida, às vezes até bem conhecida, encontrar alguém disposto são outros quinhentos.

Não é todo mundo que contempla, compreende, realmente admira esse tipo de produção. Para muitos, é mais fácil se deixar tocar por uma música ou um filme, acho muito compreensível. Mas eu gosto de museus e fico contente em encontrar quem goste. Se eu recebo um convite, acho a coisa mais gostosa do mundo.

Domingo meu dia começou assim, saindo para tomar café da manhã com uma amiga com quem a amizade é simples e honesta. Jogando conversa fora sobre a profissão, sobre a vida pessoal, sobre as viagens, enfim, sobre coisas da vida, para depois ir ver a exposição linda do Vik Muniz, no Oscar Niemeyer. De todas as obras, o "Narciso" me emocionou diante da capacidade humana de criar beleza e expressão a partir do nada. O de Caravaggio é maravilhoso, e o do Vik Muniz conquista pela capacidade expressiva e pela grandiosidade.

A manhã terminou num café e na certeza que vai haver próximas vezes sem ter que esperar ou cobrar por ela. Isso é bom.

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Sobre uma senhora

Recomeçam as viagens e, com elas, as anedotas das quais participam pessoas que encontro, cenas inusitadas que vejo e pensamentos esquisitos que são mais comuns quando estou sozinha.

Conheci uma senhora interessante e atirada e deve ter sido por isso que ao invés de dizer que meu nome é Mariana e que eu faço letras, eu disse que meu nome é Angela, sou psicóloga e viajo semanalmente de Guarapuava para São Paulo para fazer uma especialização. Essas informações foram dadas na fila da passagem e me renderam uma companheira de viagem e a impossibilidade em dizer "não" quando ela pediu para eu comprar a passagem ao lado (logicamente, a poltrona de número dois).

Normalmente eu sou evasiva nessas situações, mas algo nela me fez dar uma atenção fora do padrão e depois, foi impossível não responder às perguntas dela e pior, não fazer perguntas a ela, porque as histórias eram realmente interessantes, além de ela ser um doce! Esperou eu ir ao banheiro, foi lanchar comigo, ofereceu o celular para eu avisar minha amiga que estava a caminho e me cobriu com o cobertor dela, apesar de eu ter meu próprio cobertor.

Ela trabalhava na roça, em uma cidadezinha aqui perto, casou e trabalhou fazendo bolos, doces e salgados, carpindo terrenos, limpando casas, para ajudar o marido a se formar e depois para ajudá-lo a formar os filhos. Um deles trabalha hoje como chefe de uma equipe da Microsoft em Seatle e o outro na Itaipu. Agora que ela não precisa mais trabalhar, é voluntária num hospital para pacientes com câncer e vai todo mês para São Paulo abrir e limpar o apartamento do filho.

Ela tem uma casa que ela e o marido fizeram sozinhos. Apesar de hoje morarem em outro lugar, não consegue se desfazer dessa primeira, pelo valor sentimental e talvez, penso eu, por ser o resultado concreto de muito trabalho. Nessas situações, eu fico feliz por ter dado trela a essa senhora e fico pensando nas coisas que ela me disse sobre a importância de insistir em conseguir, especialmente se o que queremos é o que desejamos. Ela não disse com essas palavras, mas gosto dessas pessoas que entendem a sutil diferença entre essas duas coisas.

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  quarta-feira, 3 de março de 2010
Sobre o novo ano

Não tirei grandes férias no fim do ano e estou trabalhando desde começo de janeiro. Ainda assim, não consigo sentir como se esse ano tivesse realmente começado. Agora com o mestrado começando só em abril eu estou novamente em stand by, o que sempre me causa incômodo.

Depois de ter trabalhado por mais de um ano durante a maior parte do meu dia, ficar o dia inteiro em casa sem fazer nada, sem nem ter que pensar em aulas para preparar, me inquieta. Ontem eu comecei a ler alguns artigos sobre a pesquisa em Psicanálise, já pensando no mestrado, para ver se me sentia melhor. Ajudou.

Nessa sexta feira, começam as aulas da USP. É o último ano de uma escolha precipitada. Viajar toda a semana para São Paulo não custa só dinheiro. Custa uma energia emocional enorme. Só que ficar reclamando disso não torna as viagens nem um pouco melhores e por isso eu armazeno meu mp3 com as músicas que podem torná-las um pouco melhores. Aproveito o tempo para pensar na vida e, quando tudo dá certo, eu durmo.

Decidi que esse ano vou aproveitar São Paulo. Já que toda sexta feira estarei lá, vou reservar alguns fins de semana para efetivamente conhecer uma cidade que está lá, e que eu deixei passar ao meu lado para chegar mais cedo na rodoviária, só para não enfrentrar o metrô lotado. Preciso de dicas de lugares, boas sugestões. E se alguém quiser me acompanhar, só avisar!

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  segunda-feira, 1 de março de 2010
Sobre o que não muda

Ano retrasado e ano passado aconteceram coisas na minha vida que me deixaram magoada, incomodada, culpada, ressentida. Eu não consegui expressar nem aqui, em lugar nenhum e para ninguém. Tentei, mas o sofrimento era tanto que a busca por coisas para ocupar a mente era maior do que a tentativa de refletir e de buscar refúgio nos outros. Para fugir, resolvi fazer duas pós-graduações em cidades diferentes. Uma delas me rende viagens semanais de mais de nove horas há dois anos (e estou indo para o terceiro). Eu precisava não pensar, então eu me ocupei.

Em 2009 as coisas melhoraram muito. Comecei a trabalhar no que eu gostava, me aventurei com o consultório, tive excesso de trabalho na faculdade e ainda fazia aquelas duas especializações. Eu não tinha tempo ano passado, essa que é a verdade. Não era eu quem procurava o que fazer, as coisas por fazer me encontravam e sempre que eu pensava a respeito dos problemas relacionados às mudanças, às minhas amigas, ao meu então namoro, eu pensava "agora não dá pra resolver isso", deitava a cabeça no travesseiro e dormia.

Coisas difíceis de escutar foram ditas, cobranças difíceis de engolir foram feitas. E eu não me eximo de nenhuma delas, apenas questiono onde esteve a franqueza na hora certa. E aí eu pensei nas minhas amigas e na capacidade que elas têm (e eu me incluo aí) em deixar para lá e abrir os braços. Em receber o filho pródigo.

Ainda essa semana rolou uma conversa sobre o assunto, e eu fiquei feliz em ter ouvido a afirmação unânime de que, mesmo diante de um afastamento por razões geográficas ou emocionais de alguém, quando essa pessoa perceber seu erro, admiti-lo e pedir desculpas, a porta está aberta, porque é isso que amigas fazem. E aí me lembro que mesmo vindo muito pouco para casa e mesmo tendo me afastado durante a faculdade, nunca fui tão bem recebida em um lugar do que quando voltei pra cá.

Eu só espero continuar tendo a habilidade de fazer isso. E torço ainda para que aquilo que se perdeu, se restabeleça um dia novamente. Porque admitir erros e pedir desculpas, isso eu já fiz. Eu só não sei se vou ser bem recebida. Se a porta tá aberta ou se os ressentimentos persistem. E aí eu me calo.

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