a dona desse blog
é de uma teimosia absurda. além de ser psicóloga, é leitora, aspirante à escritora, filha, irmã, tia e amiga, é indecisa por natureza, não sabe fazer planos e deixa sua vida ser dominada por uma ansiedade que ela sempre achou que disfarçava bem. acha que todo dia é ideal pra questionar se suas ações estão certas, se está sendo justa consigo, se faz o que gosta (e por enquanto faz). é uma dessas pessoas que gosta da solidão da própria companhia mas não dispensa uma cervejinha com aquelas pessoas que sabem conversar, de preferência em um boteco bem boteco, porque estes servem as mais geladas.

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  terça-feira, 30 de novembro de 2010
Sobre gente interessante

Essa semana é minha última viagem pra São Paulo. Não que eu nunca mais vá pra lá, não é isso. É que depois de três anos viajando todas as semanas por causa da especialização, quinta feira será memorável. Mas sobre esses três anos eu vou escrever só depois de sexta. Hoje eu quero falar sobre outra coisa. No metrô, na van, no trem, no ônibus, no ponto, na rodoviária, encontrei muita gente interessante.

Eu tenho um problema de ter um ouvido muito grande. Eu gosto de ouvir as pessoas, e isso não tem a ver com eu ser psicóloga, mas com o fato de eu gostar das pessoas e achar que elas valem a pena uma conversa. Tanto que, quando elas não conversam comigo, eu observo e imagino, reparo na roupa, no olhar que elas carregam. Se elas falam no celular (e eu não quero dormir), me divirto. Numa dessas, presenciei parte da história da moça mais ou menos da minha idade com dois filhos pequenos. Ela pegou os dois, entrou no ônibus e voltou pra casa fugindo do marido que batia nos três. Acho bonitos esses movimentos que as pessoas fazem para mudar. Queria ter dito pra ela ser bem forte e se apoiar em quem gosta dela, mas não é de bom tom se intrometer na conversa alheia.

Na fila da van que ligava a Vila Madalena à Barra Funda, conheci um doutor em Sociologia publicado. Não lembro o nome dele, mas pesquisei no google na época e encontrei vários livros. Foi quando eu entendi que, se eu quiser me enveredar por essa vida acadêmica, vou viver com a mala semi-pronta, por mais que eu deteste isso, acho que vou ter que me acostumar.

Também lembro do casal, numa segunda feira de manhã, quando eu pegava o trem da Barra Funda até a cidade universitária (péssima escolha de transporte, fica a dica). Eles beiravam os cinquenta anos e estavam abraçados, com os rostos próximos, a mulher chorava silenciosamente, ele não falava nada e, às vezes, passava as mãos no rosto dela, enxugando as lágrimas. O silêncio dos dois me inquietou demais. Não era uma briga, era uma tristeza grande, dessas que dispensam qualquer palavra.

Teve momentos de alegria também. Como a da sacoleira que estando no inferno, abraçou o capeta e resolveu dar uns pegas no cara que sentou ao lado dela no ônibus, numa viagem de quinze horas. Fiquei pensando que a idéia era péssima, porque comofás para se livrar de um cara num ônibus? Não resolve dizer que vai ao banheiro e já volta, porque, né? Fiquei bem chocada, gente.

Por falar em gente que acha transportes coletivos podem ser maneiras de o destino agir nas nossas vidas. Um cara uma vez sentou ao meu lado, puxou assunto, conversamos sobre o trem lotado e afins. Descemos na mesma estação e ele me puxou pelo braço e pediu meu telefone. Eu ri e respondi que se a gente se encontrasse numa próxima vez, eu daria (o telefone, veja bem). Porque daí sim era destino, né? Nunca encontrei de novo, mas eu sou uma péssima fisionomista, vai saber.

Houve algumas coincidências também. De novo na fila da van, conheci um cara que trabalhava com outro que eu ficava numa época dessa quebradas da vida. Num outro dia, eu ia encontrar uma amiga no ônibus de volta pra casa. Mas eu e ela descemos na Sé, às 18h, olha só, e nos encontramos saindo do mesmo vagão. Naquele dia, ela me apresentou os oito pães de queijo por 1 real e as lojas de lingerie da Barra Funda, muito fino.

Eu tenho uma irritação muito grande com gente velha, de verdade. Mas não com qualquer velho. Só com os folgados, coisa que nem todos são. Tem velho que se enfia na sua frente do nada, tem velho que demora séculos pra escolher o que quer comer e atrasa a fila do caixa, tem velho que compra coxinha, marmita e afins leva pra dentro do ônibus mesmo tendo vinte minutos pra comer no restaurante, enfim. Mas tem os velhos fofos, gente. Eu conheci dois deles. A primeira foi há dois anos, eu acho, quando concordei em comprar a passagem ao lado dela já no guichê depois que ela soltou, "Eu comprei a 01, você compra a 02 e a gente vai conversando". A mulher era muito interessante, cheia de histórias que começavam com ela tendo sido lavradora e hoje tendo filho que trabalha na microsoft em Seatle, e não na linha de produção.

Há algumas semanas, um piloto aposentado da Vasp sentou na mesma mesa que eu na rodoviária. Quando ele disse, "Prometo que não vou conversar", e deu uma risada, eu sabia que não era verdade. Ele devia ter uns quase setenta anos e tinha barba igual do Papai Noel. Eu podia imaginar ele com aquele chapéu de piloto. Conversamos sobre viagens, sobre São Paulo, Curitiba, Buenos Aires. Essa conversa durou uns 45 minutos e fez passar voando o tempo que eu ia esperar pelo meu ônibus.

Outro dia, contando essa história, uma amiga minha perguntou se eu também falo sobre coisas minhas. Claro que eu falo, se não eu estaria entrevistando elas, né? Eu converso realmente, e dependendo do assunto, coisas minhas vão pra elas também e a vida é assim. Claro que eu poderia não conversar. Tem gente que compra uma revista pra passar o tempo, e às vezes eu compro. As pessoas precisam de dedicação e se você não tá com o humor pra elas, melhor nem conversar mesmo.

Essas pessoas foram bem importantes e deixaram essas viagens infindáveis um pouco mais interessantes, com certeza. Tem muitas outras histórias, mas lembrei dessas.

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  terça-feira, 23 de novembro de 2010
Sobre o show

Eu tinha uns 12 ou 13 anos, eu acho, quando me interessei por Beatles. É bem pouco provável que com essa idade eu nunca antes tivesse ouvido qualquer música deles. Minha irmã tinha um namorado que gostava muito. Um dia, ele levou um cd pra escutar lá em casa e eu ouvi e gostei. Ele trouxe todos os cds dos Beatles que tinha e falou pra eu ouvir e fazer uma seleção do que eu gostava mais e ele gravou uma fita pra mim (velhos tempos).

A tal da seleção dos treze anos incluía praticamente só as baladinhas românticas. All my loving e She loves you, Help, Yesterday e Let it be. Eu não lembro das outras, mas fiquei chateada quando a minha irmã deu um sumiço na fita quando o namoro terminou. Mais ou menos na mesma época, eu descobri que o namorado da minha outra irmã tinha Anthology 1, e eu peguei pra mim assim que ouvi as primeiras batidas de Free as a bird.

Quando eu já tinha uns 15, 16 anos, assisti I am Sam e conheci outra fase dos Beatles que me encantou demais. Versões de Blackbird, I'm looking through you, Across the universe e muitas outras. Não tem como não gostar da trilha sonora desse filme. E claro que continuei ouvindo Beatles e uma hora eu gostava mais de uma música, outra hora mais de outra. Na faculdade, ouvia alto no carro Back in the USSR, Here comes de sun e Hello Goodbye.

Eu poderia lembrar de tantos momentos que Beatles me ajudou a ficar mais feliz. Afinal, You and I have memories longer that the road that stretches out ahead.

Eu não tinha planos de ver Paul Mccartney. Não tinha me preparado, não vi quando os ingressos começaram a ser vendidos e pensei que eles seriam caros demais e eu pobre demais. Por isso que esse ingresso foi um dos melhores presentes. E só me dei conta disso quando cheguei lá. As minhas pernas estão doendo até agora, . Well, I didn't know what I would find there.

Acho que música boa é a que faz a gente entrar em contato com o que tem de mais íntimo. São aquelas horas que você olha pra dentro e vê. E as músicas dos Beatles sempre fizeram isso, many times I've been alone and many times I've cried, anyway you'll never know, the many ways I've tried.

Lá no show quando olhei ao redor, besta, percebi que muita gente filmava músicas inteiras. Teve um cara perto de mim que filmou o show inteiro. Acho que as pessoas têm medo de esquecer. Eu também tenho e por isso escrevo, mas rever as músicas nos vídeos no youtube não me aproxima da noite de ontem. Acho que por causa disso que shows são especiais, insubstituíveis e o que quer que a gente tenha sentido na hora, não volta. As dores físicas tem a ver com isso também.

Sabe, quando eu cresci, comecei a gostar muito, muito, muito de Blackbird. Eu disse pra algumas amigas que estava indo para o show só por causa dela. Sempre que tô triste com a vida e duvidando de que é bom, os versos me vêm à cabeça: Blackbird singing in the dead of night, take these broken wings and learn to fly. Todo mundo tá aqui tentando voar com asas quebradas.

E quando o Paul tocou All my loving, eu era aquela menininha de treze anos que começou a gostar de Beatles por causa das musiquinhas de amor: All my loving, I will send to you, all my loving, darling, I'll be true. E, apesar de eu ter crescido e de ter começado a gostar mais de outras músicas, continuo acreditando que ser verdadeiro no amor é essencial. Mas depois que a gente cresce, aprende que às vezes gosta das pessoas e elas vão embora, e elas podem ir embora mesmo estando aqui do lado. But I still remember how it was before, and I'm holding back the tears no more. E eu não segurei as minhas quando ouvi as minhas músicas queridas tocadas por um Beatle, inesquecível.

Hoje fiquei pensando que fotografar e filmar tem a ver com a solidão. E a gente gostaria de mostrar pros amigos como foi legal, e com certeza a gente falha nisso. É que a gente é sozinho. E é disso que a gente trata, solidão: All the lonely people, where do they all belong? Eu acho que todas as pessoas pertencem à solidão. Cada um sabe onde habita a sua e tenta preenchê-la com tanta coisa, né?

Obladi, oblada, life goes on. E eu continuo acordando, estudando, trabalhando e agora, por uns dias, com o coração um tantinho mais leve, taking a sad song and making it better, pensando sobre uma grande verdade com que Paul McCartney encerrou o show: the love you take is equal to the love you make.

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  segunda-feira, 8 de novembro de 2010
Sobre coração livre

Dar-se enfim (Clarice Lispector)

O prazer é abrir as mãos e deixar escorrer sem avareza o vazio-pleno que se estava encarniçadamente prendendo. E de súbito o sobressalto: ah, abri as mãos e o coração, e não estou perdendo nada. E o susto: acorde, pois há o perigo do coração estar livre! Até que se percebe que nesse espraiar-se está o prazer muito perigoso de ser. Mas vem uma segurança estranha: sempre ter-se-á o que gastar. Não ter pois avareza com esse vazio pleno: gastá-lo.

Pois bem, há alguns meses comprei na rodoviária esse livro com textos selecionados que a Clarice escreveu no Jornal do Brasil entre 67 e 74. Eu li inteiro no tempo que esperava o ônibus. Os textos são relativamente curtos e é esse livro que hoje eu vou abandonar em um lugar público. Ainda não decidi onde.

Vou almoçar no restaurante universitário, e pensei em deixar em cima de uma cadeira. Mas fico pensando que num lugar cheio assim, alguém pode ver e dizer "Moça, você esqueceu seu livro". Eu não tenho planos de andar de ônibus hoje, mas o banco do ônibus seria um bom lugar. É que as pessoas dos ônibus não prestam muito atenção umas às outras. Quer dizer, eu presto. Fico reparando nelas, e fico com vergonha quando elas percebem, mas é que eu sempre gostei de observar as pessoas, de entreouvir conversas. Na verdade eu acho as pessoas muito interessantes.

Aqui perto de casa tem uma pracinha que é uma graça. Aliás, o meu bairro é uma graça. Tem quitanda, lavanderia, mercadinho, padaria, salão de beleza, papelaria, lojas de pijamas, cartório, mecânica, brechós (vários deles), lanchonetes, assistência técnica da máquina de lavar roupas, e vários outros serviços, todos a menos de um quarteirão. Eu me sinto numa cidade bem pequena. Mas eu ia dizendo que aqui perto de casa tem uma pracinha que é uma graça. Fica ao lado de uma quadra pública. Apesar de eu não praticar esportes, adoro que em Curitiba, são muitos esses espaços com quadras, pistas de skate e banquinhos simpáticos. Pensei em deixar o livro num desses bancos, porque facilmente ninguém veria quando eu o deixasse e facilmente ele seria encontrado, porque a pracinha é um lugar onde pessoas levam seus cachorrinhos sempre muito bonitos e bem tratados para passear.

Tem um texto do Freud em que ele fala que um presente só é bom quando a gente não gostaria de livrar-se dele. É por isso que eu escolhi para deixar um livro que gosto muito. Um livro que peguei hoje para ler mais uma vez os meus textos preferidos, dentre os quais esse que eu escolhi para o começo do post, e que eu penso que tem a ver com o que quero dizer. E eu não quero dizer só sobre o desapego com um livro que a gente pode deixar em algum lugar para uma pessoa encontrar. Eu quero dizer do que a gente pode dar sempre. O que de nós que podemos dar sempre. Dar-se enfim, diz a Clarice.

Sabe que eu tenho estado bem chateada com algumas coisas específicas...Um coração partido aqui, uma decepçãozinha ali. Tudo coisa que acontece quando a gente deixa o coração livre (livre para os outros entrarem). E quando fazemos isso, nesses momentos em nos damos enfim, verdadeiramente somos. Isso tem riscos. Mas pensando bem, tem muito mais de onde veio todo esse afeto. De verdade, a fonte parece infindável, porque eu continuo com essa disponibilidade, sem avareza alguma.

Sempre fui da opinião que uma das coisas fundamentais para uma amizade dar certo é a possibilidade nossa de abrir mão de quem a gente gosta. Não abrir mão no sentido de desistirmos. Abrir mão da presença constante, da atenção diária. Odeio cobrança de amizade, de amor, de presença. Mas falta de reciprocidade acaba comigo. Falta de disponibilidade e de honestidade também. Tenho amigas, a quem eu posso dizer "Olha, hoje eu não quero conversar", e assunto encerrado. Mas me dói o coração quando as minhas tentativas morrem no vácuo, me sinto desse tamanhinho.

Por isso, o livro que vou abandonar hoje, livrar-me sem apego é este: "Crônicas para jovens de amor e amizade". E espero que quem encontrá-lo goste como eu gosto dele, e se precisar dessas palavras como eu precisei, que faça bom proveito, e que se não, passe adiante, porque tem gente que precisa.

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  quinta-feira, 4 de novembro de 2010
Sobre de onde vem a dor


Outro dia ouvi por acaso no rádio uma música que eu gostava e que não ouvia há muito tempo. Não dei muita bola, mas uma das frases chamou a minha atenção: "E toda dor vem do desejo de não sentirmos dor". Em nem gosto de Renato Russo, nunca gostei de Legião Urbana e se tiver alguém para reclamar, gosto menos ainda de fãs exaltados de qualquer banda, mas simpatizo com algumas músicas isoladas de alguns artistas, e essa é uma dessas exceções.

Minha dissertação do mestrado tem a ver com dor e tem a ver com sofrimento. Mais ainda, tem a ver com as formas que a gente usa para evitar essas duas coisas e que acabam sendo um péssimo negócio. Tem vezes na vida que a forma que a gente encontra para se defender é um tiro no pé. A minha dissertação também tem a ver com diversas formas que prometem "exterminar" um sofrimento ou nos "elevar" a alguma condição "ideal" (mesmo que esse ideal nem seja o nosso). Um pouco mais além eu vou falar sobre a importância de ouvir essas dores que chegam para que não sintamos outras dores. Na verdade, eu quero falar sobre a importância dessas dores primeiras, essas que nos fizeram recorrer às tais defesas. Enfim, falo da possibilidade de a gente assumir algumas coisas, falo de responsabilidade, mas também falo da autonomia que a responsabilização permite: falo aqui de desejo.

É tão engraçado estudar, escrever e especialmente falar sobre dores num momento em que sinto uma dor constante. Uma ferida aberta, eu diria. Eu juro que sinto vergonha por algumas coisas que foram ditas. Fico lembrando de conversas que não existiram e tentando encontrar o prumo, e pensar no momento em que se perdeu o que não tinha. Todo mundo tem seu(s) sofrimento(s). Isso não faz da psicanálise apegada a um niilismo, pelo contrário, a psicanálise ajuda a gente a lutar contra esses sofrimentos, a buscar os nossos próprios ideais.

Volta e meia acontecem determinadas situações que tiram a gente da rota. Da minha, eu costumo sair sempre que existem silêncios barulhentos. Sempre que as palavras não são feitas para dizer. Isso me aflige de tal maneira que faz dias que normal é aquela sensação de peito apertado, aquela sensação que provoca uma dor de fato, dor física, dor afetiva. Quem já sentiu sabe. Enquanto isso, escrevo sobre dor.

Mas mais do que isso, escrevo sobre a importância dessas dores, e a condição que a gente tem de chegar ao fundo delas e a partir disso construir alguma coisa boa. Fico pensando que somos como cidades enterradas. Quando as ruínas são encontradas encontram também os cemitérios, os resquícios de belezas que existiram. Quando essas ruínas são descobertas, ficam abertas. Mas elas nunca serão inteiramente decifradas. E outras catacumbas vão aparecer ora ou outra. E tudo bem.

Quase toda dor vem daquilo que a gente não sabe. Essa que eu sigo vivendo também vem. E por isso que ela dói tanto. Porque tudo que eu quero agora é uma palavra que diga.

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