a dona desse blog
é de uma teimosia absurda. além de ser psicóloga, é leitora, aspirante à escritora, filha, irmã, tia e amiga, é indecisa por natureza, não sabe fazer planos e deixa sua vida ser dominada por uma ansiedade que ela sempre achou que disfarçava bem. acha que todo dia é ideal pra questionar se suas ações estão certas, se está sendo justa consigo, se faz o que gosta (e por enquanto faz). é uma dessas pessoas que gosta da solidão da própria companhia mas não dispensa uma cervejinha com aquelas pessoas que sabem conversar, de preferência em um boteco bem boteco, porque estes servem as mais geladas.

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  terça-feira, 28 de dezembro de 2010
Sobre o que pedir para 2011

Nunca lembro dos meus pedidos. Eu pulo as ondas, como as uvas, as sementes de romã e o todo o resto, faço os pedidos. Mas nunca lembro deles, nem uma vaga lembrança, não sei o que quis. Fico aqui imaginando. Acho que esqueço porque não gosto da época, essas festas me desagradam, desde pequena eu sinto uma tristeza e uma vontade grande que acabe rápido, que os beijos sejam dados em todos ao redor, os votos idem. Quero ir pra casa e ler um livro, quietinha, porque isso sim me deixa feliz.

Gosto de comemorar aniversários, gosto de sair, gosto de fazer festa. Mas natal e ano novo me deprimem demais e não adianta onde eu esteja e com quem. Quero que acabe pra que a gente pare de pensar no que passou e no que está por vir e comece a viver logo, não com ansiedade, não com pressa, mas com a condição necessária para dar conta da vida. Só isso que eu quero.

Eu fiquei muito feliz em 2011 por ter descoberto que dá pra se apaixonar de novo. Eu que achava que aquela coisa toda a gente sente só uma vez na vida, estava enganada. Por isso, acho que se uma lista eu fosse fazer, colocaria em primeiro lugar um grande amor. É que eu aprendi que é tão gostoso isso de estar sozinha que acho que tá na hora de eu voltar a dividir a minha solidão. E ter um pouco mais da solidão de outra pessoa. Sinto falta disso.

A segunda coisa seria passar no doutorado. Eu que nem qualifiquei minha dissertação ainda tô pensando longe. Mas são planos, vamos ver o que vai acontecer. E na lista seguem várias outras coisas. Quero trabalhar, voltar a fazer francês, começar um curso de corte e costura e sossegar das viagens, o que sei que não vai rolar porque tenho programado Fortaleza e Rio. Quero estudar e escrever bastante. Quero ler mais livros de bobagens, ir mais ao cinema e comer mais frutas. Quero ir à feira que tem perto da minha casa. Quero dar pulos de alegria por bobagens, porque eu sou desse jeito. Quero ver mais aquelas amigas que vejo pouco e que estão tão perto. Quero me apaixonar. De novo, porque eu não desisto, eu sou aquela menina que dá murros em pontas de facas.

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  segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
Sobre assentos preferenciais

Nos três anos em que passei viajando para São Paulo uma das coisas que mais me incomodava era pegar o metrô. Veja bem, ônibus lotado também é muito ruim e eu não acho que em São Paulo haja mais desrespeito por parte das companhias de transporte do que nas outras cidades. Se você precisa usar um ônibus em horário de pico, sinto muito.

Só que, na minha opinião, nada se compara ao metrô lotado. Lembro que na época da campanha, o Serra costumava falar muito sobre a ampliação da malha do metrô em São Paulo (o que eu acho muito bacana). A economia de tempo que um metrô possibilita, quando comparado a andar de ônibus em uma cidade em que o trânsito na superfície é bem complicado, faz uma boa diferença. No entanto, todas as semanas, quando eu tinha que, lá pelas 17h30, trocar de trem na estação Paraíso, pensava: "ainda bem que eu não tenho que enfrentar isso todo dia".

Mas olhando pro rosto das pessoas cansadas, voltando do trabalho, depois de muito provavelmente terem acordado bem cedo, eu sempre pensava que elas tinham que enfrentar aquilo todo dia. É a realidade delas. A passagem custa R$ 2,65 e ano que vem vai aumentar. No entanto, se você precisa usar o metrô em horário de pico, as chances de você estar a uma distância desconfortável, para não dizer vexativa e inconveniente da pessoa ao lado são grandes.

E aí existem os assentos preferenciais. Oito por vagão, segundo essa reportagem que relata um incidente entre duas mulheres porque uma delas recusou-se a sair do assento preferencial. Veja, esse nome "preferencial", indica que ele não é obrigatoriamente destinado a determinadas pessoas, idosos, deficientes, gestantes, pessoas com crianças no colo, mas, no caso de entrarem pessoas com essas características no vagão, o assento é destinado a elas.

Esse assunto é batido, o Fantástico já fez reportagem mostrando como os paulistanos levantam para dar lugar para os outros. Mas eu aposto que quem anda diariamente nos metrôs de São Paulo presencia o contrário constantemente, assim como vivencia o calor, o desconforto e muitas vezes o constrangimento. E aí eu fico pensando o seguinte: "Por que os assentos preferenciais?". E o meu ponto de vista é que eles não PRECISARIAM existir.

Os assentos com cor diferenciada destinados às pessoas com as qualidades que eu falei acima existem para garantir o que a boa educação ensina; que se você é jovem, anda com suas duas pernas, enxerga com seus dois olhos, não carrega um bebê nos braços, você pode sim ficar durante 20 minutos em pé. Quem não fica muito mais quando vai a um show, quando bate perna no shopping, quando vai ao estádio? Assim, eles existem e devem ser respeitados, mas a gente não deveria ceder o lugar por princípio? É bom senso, respeito? Educação? Mas é aí mesmo que está o problema? Só nas pessoas?

O contra-argumento vem à minha cabeça: essas pessoas que usam o metrô trabalharam o dia inteiro, acordam cedo, provavelmente têm outra condução para enfrentar antes de chegar em casa. Elas não merecem ir sentadas, assim como aqueles para os quais os assentos com cor diferenciada foram destinados? Claro que merecem.

E aí, eu só consigo pensar naquilo que eu já pensava quando tinha que pegar o metrô sentido Tucuruvi só uma vez por semana: é falta de respeito com as pessoas, é falta de respeito com o dinheiro que as pessoas e empresas pagam pelas passagens. É exemplo de má administração e descaso.

PS: Para os maus entendedores, eu não acho que a mulher que não levantou estava certa, mas continuo achando a quantidade de pessoas por vagão um desrespeito com ela e com todos ali presentes.

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  quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
Sobre 2010

2010 começou pra mim quando eu passei no mestrado, no finalzinho de 2009, em dezembro. Lembro da minha felicidade, felicidade de verdade, dessas que faz a gente chorar porque uma coisa muito boa aconteceu de verdade. Sei que isso não faz sentido pra todo mundo porque não é muita gente que considera importante para si ou para os outros isso de ser professor. Pra mim sempre foi. Poderia dizer que foi desde quando quis ser monitora na faculdade, ou quando decidi fazer iniciação científica. Mas foi antes, bem antes, quando eu era muito criança e passava minhas noites, quase todas elas na Universidade com meu pai. Tomava litros de café, entrava e saía da biblioteca e criava histórias bem incríveis na minha cabeça, que só terminavam na hora de voltar pra casa.

Professora foi o primeiro emprego que eu tive depois que me formei. E gostei. Dei aula por um ano e meio antes de passar no mestrado. Gostava de dar aulas da mesma forma que gostava de trabalhar na psiquiatria. Duas coisas diferentes que na prática, se complementavam.

Quando me formei e desisti do mestrado em Buenos Aires, achei que tinha me desviado do caminho. Passei a faculdade dizendo que faria mestrado logo em seguida, o que só aconteceu dois anos depois. Agora sei que aconteceu na hora certa. Quando eu me formei eu não tinha idéia do que eu queria estudar, e eu não tinha nem consciência que um percurso acadêmico te acompanha pra sempre, então é bom ser bem apaixonado pelo o que você decidiu estudar. E eu tive que trabalhar para me apaixonar. Descobri que eu gosto mais da loucura e que a psicanálise tem a ver com ela. E então, só então, pude passar no mestrado.

Meu pai é uma pessoa muito boa, muito boa mesmo. Ele é honesto e sempre ensinou as coisas do jeito correto. Minha mãe diz que de tão honesto, ele, às vezes, é ingênuo, porque pensa que as pessoas todas agirão como ele. Só que eu sou muito parecida e quando comecei a trabalhar e quando fui colocada em um lugar com um destaque maior do que possivelmente eu estivesse preparada, caí do cavalo. Nem uma, nem duas, mas várias vezes. Aprendi do jeito mais difícil a confiar desconfiando, a ter pés atrás (quer dizer, aprendi mais ou menos).

Ter decidido fazer o mestrado também teve a ver com essas quedas. Nunca fui acomodada e percebi que se continuasse onde estava eu ia acostumar com o salário melhor, comodidade da casa da minha mãe, tudo fácil. Ir para fora e fazer o mestrado seria abrir mão disso e de outras coisas. Entendi que também tinha feito uma escolha difícil em relação ao meu namoro. É que quando você namora à distância, o momento da encruzilhada chega. E nessas horas, ou os dois seguem pelo mesmo caminho, e aí sacrifícios de todos os lados são feitos, ou os dois vão por caminhos diferentes. Algumas coisas são feitas para serem lembradas com alegria, com a nostalgia boa do que terminou como um ciclo que se fecha.

Mudar para Curitiba foi surpreendentemente fácil. Tenho muitos anjos ao meu redor. Esses que Deus colocou no meu caminho à medida que eu fui crescendo, esses que eu soube encontrar e manter na minha vida. Sei que tudo foi mais fácil porque eu não sou sozinha. E uma vez, uma pessoa que eu julguei que poderia gostar muito me disse isso: "você nunca vai ficar sozinha, porque você não é sozinha, você tem muita gente". E eu tenho mesmo.

Fora isso, o "destino" sempre foi simpático pra mim. As coisas pareciam se encaixar magicamente, como um plano muito bem traçado. O emprego veio e foi na hora certa; o apartamento ideal surgiu sem eu sair de casa, novos amigos chegaram à minha vida com mala e cuia, pedindo espaço pros outros. Nesse ano, eu saí bastante, bebi mais do que devia e descobri coisas importantes. Descobri que existe uma fé em mim inabalável em algo maior que eu, por menos religiosa que eu seja.

Antes de 2010 eu aprendi que antes planejava muito e me frustrava mais. Agora fica mais fácil esperar quietinha pelo que vai acontecendo e a tomar as decisões na hora que as escolhas se fazem, e não na hora que as possibilidades se apresentam. O que não faz de mim mais madura, porque nem sempre eu consigo. Só que fico feliz por conseguir mais do que antes.

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  domingo, 5 de dezembro de 2010
Sobre três anos

Já escrevi muitas vezes sobre esses três anos. Já contei muitas histórias e nos dois últimos posts, os dois que escrevi na semana que foi a última da especialização, comecei a falar sobre o fim. É que o fim não é algo que chega do nada e ponto. Ele começa a marcar no antes e no depois, e deve ser por isso que pode ser bem dolorido.

Ainda que a duras penas, tenho aprendido algumas coisas na vida. Uma muito importante é: em momentos de crise, nunca tome decisões cujas conseqüências serão a longo prazo se você puder evitar, especialmente se uma de suas principais características é levar suas escolhas até o fim. E assim sou eu, eu encaro as dores, os tropeções, o arrependimento, mas é muito difícil, pra mim, voltar atrás numa decisão.

Claro que já voltei atrás de algumas, ainda bem que não sou tão engessada assim. Com dezessete anos, desisti de uma faculdade e com 23 de um mestrado que nem tinha começado. Só que essa última desistência foi como um soco no estômago, e socos no estômago normalmente exigem uma reação rápida e a minha foi ter decidido fazer uma especialização de três anos em São Paulo. E as aulas dessa especialização seriam semanais. Bom, acontece que eu morava em Guarapuava, que fica a quase 700 km de distância. Mas tudo bem, porque eu era uma psicóloga recém-formada, desempregada e com os pais com a maior boa vontade do mundo para bancar essa loucura. Eu tinha tempo e eu tinha apoio. O que mais uma pessoa pode desejar?

Lembro até hoje da primeira vez que fui pra lá. Morrendo de medo, liguei pra uma amiga que conhecia melhor. Além de ter me explicado como eu fazia para sair da rodoviária, ela pediu pra irmã dela me ajudar quando eu chegasse lá. Por muita sorte, os lugares onde eu tinha que ir eram próximos um do outro e de onde ela estava morando, ela me levou almoçar e aos lugares onde eu precisava ir, me deu tchau e benção e tudo deu certo. Ela riu de mim quando eu contei que a irmã dela e meu ex namorado me alertaram para eu me cuidar, pra eu não olhar pra cima, pra eu não andar devagar demais, nem rápido demais, pra eu não falar no celular na rua, enfim. Todos ajudaram pra caramba, e como eu nunca antes agradeci, faço isso agora, muito obrigada aos três. Na semana seguinte as aulas começaram. Lá fui eu de mala, cuia e salto alto, que com o passar do tempo foram sendo abandonados. Só que agora eu precisava ir pra USP.

Aí a coisa complicou, porque eu tinha que pegar ou ônibus ou trem, e eu tinha MEDO de pegar ônibus em São Paulo, porque achava que sempre ia ficar presa no trânsito, e que não poderia prever a hora que ia chegar, e sempre foi difícil lidar com a imprevisibilidade das coisas. Quem me ajudou foi o Ale. Ele bem me avisou que trem era uma merda, mas pelo menos eu sabia que em mais ou menos uma hora eu chegaria, e foi de trem que eu fui pra aula durante um ano e meio. Não desejo nem pro meu pior inimigo.

Como eu disse antes, no começo eu ia muito carregada. Travesseiro, blusa, cobertor, notebook. Chegava na aula cansada, ia embora exausta e voltava pra casa só o pó. Como autoflagelo pouco é bobagem, eu resolvi começar também uma especialização em Curitiba, que fica a 250 km de Guarapuava, e era de 15 em 15 dias. Então, em várias semanas do ano eu transitei por três cidades relativamente distantes umas das outras.

O segundo ano foi punk demais. Porque eu tive aulas em Curitiba até maio e trabalhava de manhã no hospital, à tarde no consultório e na faculdade e à noite idem. Não consigo me lembrar do quanto foi foda, deve ser tipo mãe que só lembra de como era bom quando os filhos eram bebês e deleta as noites sem dormir e as choradeiras. O que eu sei é que por mais que às vezes eu reclamasse, não era tão ruim assim e me incomodava muito quando as pessoas se referiam a isso como se fosse uma grande coisa. Era uma coisa que eu tinha assumido, não era? Então eu dava conta e não se fala mais nisso. Foi o ano que mais trabalhei, que mais cresci profissionalmente. Pode ser que eu não tenha aproveitado tanto as aulas. Pode ser que eu sentisse muito sono, ainda assim, foi.

Esse ano foi de longe o mais difícil. A especialização daqui de Curitiba tinha terminado, mas eu resolvi me mudar pra cá pra fazer o mestrado. Coincidentemente, fui chamada pra um teste seletivo que tinha feito em 2009. Era ideal, porque o trabalho era de vinte horas por semana, o que dava pra conciliar com o mestrado. Assim, eu trabalhava segunda, terça e quinta. Ia pro mestrado quarta o dia todo e quinta à noite pegava o ônibus pra São Paulo. Seis horas e meia depois, lá estava eu, não muito bonita e nem muito formosa, para passar 12 horas naquela cidade, já que 18h10, eu pegava o ônibus de volta pra casa.

O que atrapalhava era que no sábado eu tinha que ir pra uma especialização que eu era obrigada a fazer para continuar no meu trabalho. E eu odiava. O tema não me interessava, eu não gostava das aulas e eu estava profundamente cansada. Além disso, eu tinha minha casa pra cuidar, minhas contas pra deixar em dia, meu salário pra organizar, e ele não era muito. Quando chegou agosto, eu senti que eu tava perdendo o rumo. Eu não aguentava mais de verdade. O trabalho parecia custoso demais, acordar cedo começou a parecer um sacrifício enorme, e as aulas lá em São Paulo definitivamente contavam só com a presença do meu corpo. Como eu tinha pouco tempo pra estudar, eu levava meus textos pra ler durante aulas. Tudo o que eu pensava era: é só mais esse ano.

Mas foi em agosto mesmo que as coisas melhoraram bastante. Ou eu tenho muita sorte ou Deus é muito meu parceiro, porque minha bolsa do mestrado chegou. Eu pude parar de trabalhar. No dia que a secretária do mestrado mandou um e-mail contando sobre a bolsa, eu chorei de verdade. Uma amiga minha tinha vindo passar o dia comigo e depois outra chegou pra gente ir ao cinema. E as duas são testemunhas da minha alegria, que era muito, muito genuína.

Enfim, de lá pra cá, ainda que faltasse pouco tempo, eu comecei uma contagem regressiva do número de vezes que eu tinha que ir pra São Paulo. Em agosto, esse número era dezessete. E a cada semana eu riscava do calendário. Na correria com as coisas do mestrado, minha dissertação, e alguns percalços que eu preferia não ter passado, o tempo passou muito rápido. Foi eu piscar e novembro tinha chegado. De repente, estávamos combinando festa de encerramento. Eu pisquei de novo e dezembro chegou. Chegou junto o último dia. Finalmente.

Quando a minha supervisora preferida levantou e disse que eu seria a primeira a ganhar um abraço, senti a primeira vontade de chorar. Realmente, não pensei que fosse ser difícil, porque todo o processo tinha sido tão complicado que o fim poderia ser só alívio, né? Que nada. Fiquei triste que não consegui me despedir da tia do carrinho de lanche onde eu sempre almoçava, na correria entre atendimento de paciente e a supervisão. Onde eu aprendi que o sanduíche de carne louca é muito gostoso. Aliás, essa é a especiaria paulistana que eu mais gosto.

Enfim, sábado foi a festa de encerramento. E eu chorava como uma criança. Sabe quando as lágrimas rolam e não tem jeito nem de engolir o choro? Sabe quando o sentimento de perda chega com tudo? E você tem que se despedir de pessoas que você gostou e que você não sabe quando/se vai reencontrar. O que você sabe é que essas pessoas, mesmo que você não tenha sido melhor amigo delas, vivenciaram coisas muito parecidas, de formas diferentes, mas enfim, estavam lá. E foi difícil pra todo mundo, porque foi um aprendizado cheio de angústia. Mas assim é a psicanálise.

Eu fiz bons amigos nesses três anos e espero de coração que as nossas vontades ajudem a gente a não se perder um do outro. Eu não sei quais são meus planos a partir de agora. Sei que quero continuar morando em Curitiba, quero fazer doutorado, quero começar minha formação no ano que vem. Sei disso tudo. Mas outra coisa que aprendi em decorrência dessa especialização é que quando a gente planeja demais, as chances de a coisa descambar pra outro lado são grandes. Por isso, ano que vem, eu não sei o que vai ser. Posso dizer que não quero viajar de ônibus nem daqui à Campo Largo. Mas não vou falar muito alto, porque o acaso da vida pode ouvir e me dizer o contrário.

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  sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
Sobre vontades

Quando o chega o fim do ano quase todo mundo fica nostálgico. O tempo mais quente, a chuva que deixa os dias um pouco mais frescos e o sol que volta logo depois que passa a chuva, só pra contar que fica mais bonito quando é assim que acontece. Eu, particularmente, fico muito saudosa nessa época, especialmente porque os fins de ano tem marcado algumas despedidas. Em 2007, foi o fim da faculdade, em 2009, terminei uma especialização e nesse ano estou terminando outra. E hoje, conversando com uma querida que fez essa pós comigo, eu comemorava a última viagem depois de três anos.

Enquanto eu dava pulos de alegria, ela disse: "Mas você vai sumir". Eu perguntei: "Mas como assim?", e ela respondeu, "Uai, eu não vou mais ver você". Eu ri, e disse que isso não dava pra prever. É que nem eu e nem ela temos certeza se esse laço vai se manter daqui pra frente.

Aí eu disse uma coisa que eu percebi nos últimos anos. Quando penso em algumas pessoas que foram muito importantes para mim em uma época da vida mas que, quando chegou um momento de decisão, os caminhos ficaram tão paralelos, vejo que a gente se perdeu. Então, eu disse que o que eu percebi nesses anos em que mudei de cidade algumas vezes - Guarapuava, Ponta Grossa, Maringá, Guarapuava, Curitiba, sem contar o pulo em Buenos Aires - é que é preciso sempre duas vontades para duas pessoas não se separarem. Se forem três pessoas, três vontades, e assim por diante.

Quando eu cheguei em Curitiba, entrei em contato pelo orkut com uma amiga que havia sido muito importante e com quem eu não falava fazia muitos anos. Mandei um scrap, ela respondeu, contei que estava morando aqui, ela disse que queria me ver. Mandei um depoimento com meu telefone, que ela não apagou até hoje. Isso foi em abril. E ela não me ligou. Se fosse há dez anos, há cinco anos que seja, isso me deixaria profundamente triste. Não fiquei indiferente, não se trata disso, mas é que eu entendo que às vezes a vontade não é forte o suficiente para, do nada, você deixar entrar de novo na sua vida uma pessoa do passado. Tanto passou, não é? Tanto mudou. Será que a gente ainda se conhece. Acho que não.

Bom, algumas pessoas entendem mais de reunir as vontades do que as outras. Algumas pessoas estão dispostas a pagar o esforço, porque é bem trabalhoso manter as pessoas por perto. Eu tenho a sorte de ter encontrado várias que tem vontades que combinam com a minha. Uma delas faz aniversário hoje e, ainda que eu quisesse muito tomar uma heineken com ela pra comemorar essa data (que eu tenho certeza que nesse ano é diferente das outras, porque nesse ano ela terminou a faculdade e só Deus sabe o quanto ela queria terminar a faculdade), eu não posso, porque hoje estou em São Paulo, também comemorando.

Antes de viajar, eu pensei que precisava contar pra essa minha querida o quanto ela é importante pra mim e o quanto eu penso nela nos meus dias. Especialmente, o quanto ela faz falta. E aí, a conversa que eu tive com a minha amiga da pós me fez lembrar dela. É que MUITO do que eu aprendi sobre vontade, foi com ela.

Quando eu me formei e fui embora, ela ficou. E outras ficaram e eu perdi a vontade. Eu não quis fazer o esforço. Ainda assim, um dia, me sentindo muito injustiçada, mandei um e-mail para várias pessoas querendo saber porque ninguém mais me dava bola. Eu recebi várias respostas. Todas as que eu precisava e sei que todas muito sinceras. E acho que a primeira foi a dela. E o que ela me disse colocou os pingos nos is, e me mostrou, sem agressividade, que quem não teve vontade tinha sido eu. Esse e-mail não foi escrito em tom de cobrança, não. Mas de constatação. E o fato de ela ter me respondido dessa maneira deixou as portas abertas, ou pelo menos destrancadas e, quando depois de entender que eram necessárias a minha vontade e a dela para a gente continuar existindo uma na vida da outra e não sumir, eu percebi que podia ter colocado a perder muitas preciosidades da minha vida, incluindo ela.

Já faz algum tempo isso e eu sei que essa minha amiga, essa querida, ela não é de melodramas como eu, e que por isso eu não preciso agradecer por aquele e-mail. Eu sei que não preciso agradecer pela porta ter ficado destrancada. E eu sei porque ela me conta isso todo dia sendo minha amiga. Por isso, dona Simone, não vou agradecer, sei que tinha a tua vontade falando alto também, como ela existe até hoje. Mas vou desejar toda a felicidade do mundo e muito, muito sucesso nesse teu novo ano, porque não é todo ano que a gente se forma em engenharia, nem que a gente tem que sair por aí dando a cara a tapa pra procurar emprego. Então, aproveita esse teu rostinho bonito, teu diploma em mãos e vaza! Aqui tem cama pra você sempre!

Ah, e me faz um favor: coloca Spaceman pra tocar, canta e dança bem alto. Porque foi você que me mostrou que Killers era legal, e essa música é a que eu mais gosto!

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  quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Sobre dores

É sempre assim, a pior dor é aquela que pega a gente desprevenido. Um exemplo igual, só que ao contrário: Eu limpava meu fogão quando derrubei uma das tampinhas das bocas no chão. Eu estava de chinelo e meus reflexos não foram rápidos o suficiente e a tampinha caiu em cima de um dedo meu. Mas antes de ela cair, eu já sabia que ia bater no dedo, só que eu não tive tempo de tirar o pé, então, soltei um "filhodaputa" e segui limpando o fogão.

Só que nem sempre é assim, gente. Nem sempre, em pensamento, a gente já prevê que vai doer. Às vezes você entra no seu orkut, que você entra há cinco anos - tendo até ganhado um selo por isso, olha que parabéns - e o bonitinho do orkut faz o quê? Te sugere um amigo. Pior do que isso, ele sugere que você CONVIDE um determinado amigo para entrar no orkut. E você não estava preparado para duas coisas:

A primeira: ver aquele nome por escrito. Porque ver ele por escrito dói também. É claro que não dói tanto quanto encontrar na rua, no bar, na praça, mas DÓI. E você não tava esperando ver aquele nome ali, você espera ver em outros lugares, tanto que esses você tem evitado, você nunca mais abriu aquela revista em que invariavelmente vai ver o nome que não quer ver. Nem o dele e nem os nomes relativos a ele, porque é difícil pra caralho pensar que aquelas pessoas que você nem chegou a conhecer direito sabem mais do que você sobre o que te aflige.

A segunda: saber que aquela pessoa antes tinha orkut e por isso, agora que o mesmo sugeriu que você a convidasse para entrar, você vai ficar imaginando porque não tem mais. E como existem outras redes sociais no universo, você vai precisar ficar mordendo os nós dos dedos várias vezes, lembrando sempre que, se foi difícil ler aquele NOME, escrito em letras garrafais, imagina o dia que você trombar por acaso? Ou o dia que você ficar sabendo alguma coisa via redes sociais? Tudo tão difícil...

E sabe, não é que eu ainda esteja me corroendo de dor. Nem a raiva que eu senti eu sinto mais. E a angústia, pfff, essa atingiu níveis mínimos. Acredita que agora eu até consigo escrever? Ler, pensar, me concentrar? E o mais foda é que toda vez que eu penso sobre esse assunto, ou que alguém me pergunta, meu primeiro pensamento é "Amiga, não é pra tanto. Segue tua vida, tu já passou por piores".

E é verdade. Gente, né? Eu lembro de uma vez que eu acordei tão inchada de chorar que meu rosto estava deformado, sem exagero, eu não conseguia abrir mais que uma fenda dos olhos. Ok, eu derramei umas lágrimas por causa dessa história que eu tô contando, mas, mais uma vez, pfff. Daí eu me pergunto: "É, bonitinha?! Então, por que dói?". E respondo: "Porque é rejeição".

E nesse maravilhoso acordo, o que entra com a bunda sempre, sempre vai sofrer. Se não sofreu, é que a bunda nem estava mais lá à disposição do pé chutador. Faz dois meses que uma história que não durou dois meses terminou. E sim, tá passando, mas orkut, amigo, não faz mais isso comigo.

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