a dona desse blog
é de uma teimosia absurda. além de ser psicóloga, é leitora, aspirante à escritora, filha, irmã, tia e amiga, é indecisa por natureza, não sabe fazer planos e deixa sua vida ser dominada por uma ansiedade que ela sempre achou que disfarçava bem. acha que todo dia é ideal pra questionar se suas ações estão certas, se está sendo justa consigo, se faz o que gosta (e por enquanto faz). é uma dessas pessoas que gosta da solidão da própria companhia mas não dispensa uma cervejinha com aquelas pessoas que sabem conversar, de preferência em um boteco bem boteco, porque estes servem as mais geladas.

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  segunda-feira, 25 de abril de 2011
Sobre as coisas que me incomodam PROFUNDAMENTE

Hoje vou escrever sobre algumas coisas que me incomodam. Vamos lá:

1. Gente sem fronteira: os países têm fronteiras. Estados têm fronteiras. O que representam portas, muros e grades senão fronteiras? E gente também tem fronteira, ou deveria ter. Só que essa nossa fronteira, ela é invisível e eu vou dizer, ela NÃO é a nossa pele. Ela se evidencia através de uma permissão ou de um recuo. De um conforto ou desconforto. Se as suas fronteiras são maleáveis, parabéns! Faça bom proveito. Mas por favor, tente, pelo menos tente, entender que nem todas as fronteiras são iguais e que, por isso, um pouco de reflexão é necessária antes de você impor o teu gesto ao gesto da outra pessoa. Isso é uma invasão, e eu não suporto.

2. Gente que não se coloca no lugar do outro: esse tipo de situação acontece entre pessoas que têm livre circulação de fronteiras, o que só torna a situação mais desconfortável, porque você permitiu que a pessoa fizesse parte da sua vida e ela começa a se sentir no direito de julgar suas atitudes e, o que eu mais detesto, de dizer o que você tem ou não tem que fazer. Quer dizer, você quem sabe onde aperta o seu sapato, mas vem alguém e te diz que você deve colocar o band-aid em outro lugar.

3. A frase "você perdeu": poucas coisas me irritam mais do que essa frase. Especialmente quando ela é proferida depois de ter acontecido alguma coisa que eu nunca quis ganhar. Como você pode perder uma coisa que você nunca quis? Exemplo: eu te convido pra passar a tarde comigo na biblioteca estudando. Você diz que não tá a fim, que quer ver "O clone". Quando eu volto pra casa eu te ligo e te digo que você perdeu. Nessas situações minha reação automática é fazer cara de bunda para controlar a vontade de gritar que quem perdeu o capítulo de "O clone" foi você.

4. Psiquiatrismo: não é a psiquiatria que me incomoda, não mesmo. Mas o psiquiatrismo me incomoda demais. E por mais que eu veja psiquiatras cometendo o psiquiatrismo, eu vejo psicólogas, psicopedagogas (dá pra fazer um post sobre coisas que incomodam em psicopedagogas) e pessoas que não tem nada a ver com a área psi (dizer "área psi" também me incomoda). Nessa última categoria me incomoda mais ainda quando a pessoa usa o psiquiatrismo como bandeira. Eu sei que as coisas não são favoráveis pra que a gente jogue a bandeira fora, mas quando as pessoas usam um rótulo como uma sentença de morte, me incomoda demais.

E por último, só pra concluir a lista das coisas que me incomodaram HOJE:

5. Parar na porta do ônibus: é a lei da física, gente. Dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço. Então, se você se coloca na porta do ônibus quando as pessoas estão tentando sair dele, só para garantir que você vai ser o primeiro a entrar e sentar, independente dos idosos, deficientes e senhoras com crianças no colo que entrem depois de você, você é burro.

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  terça-feira, 12 de abril de 2011
Sobre uma simplicidade que salva vidas

Uma das primeiras coisas que faço de manhã é acompanhar as atualizações dos blogs que sigo. Costumo ir um por um porque, ainda que minha querida Simone (@smncrstn) tenha me ensinado como o usar o google reader (sim, eu sou esse tanto devagar), gosto de entrar só naqueles que lembro de ver. Porque se lembro é que gosto mesmo e aquela leitura faz falta.

A mesma Simone uma vez compartilhou um post desse blog. Logo vi que seria um desses que eu entraria diariamente, porque fui apertando no botão "postagens mais antigas" sem me dar conta que passei horas fazendo isso.

Foi no meio da minha peregrinação matinal pelos blogs que me deparei com esse post. Escrevi um comentário gigante que, por alguma razão, não pôde ser postado. Então, deixei um comentário bem menor para Chu, a dona do blog, dizendo que as palavras dela me evocaram tantas outras e eu precisava escrever sobre isso aqui.

Lembrei que durante muitos anos minha mãe tinha o hábito de se reunir com as amigas dela para tomar café. Até hoje, às vezes, elas ainda fazem isso, mas é raro. Na minha infância isso acontecia direto, talvez pelo fato de existirem crianças para brincar e fazer bagunça em volta delas. Minha mãe até tentou levar meu sobrinho para um desses cafés da tarde na casa de uma amiga que tem um netinho da mesma idade, mas os dois não se deram muito bem e ela acabou levando para casa um menininho chateado por não ter conseguido fazer amizade com o outro.

Na escola, eu e as minhas amigas, em todo trabalho nos reuníamos. Não sei como é isso hoje em dia, mas desde meus 10, 11 anos comecei a acostumar com esses encontros que acontecem até hoje. Só que hoje a gente se reúne mais para jantar do que para tomar um café da tarde gostoso. E as duas coisas são bem diferentes, eu acho.

Logo que eu mudei para Curitiba, ouvi falar que curitibano te convida para tomar café, mas não passa o endereço. Num dos primeiros finais de semana que passei na minha casinha, conversando com uma então colega do mestrado, nascida paulistana, mas curitibana até a raiz dos cabelos, minha surpresa foi que diante do meu convite em ela vir conhecer minha casa, ela perguntou onde eu morava. Combinamos um café pro dia seguinte, um domingo. Achei engraçado porque coisa de uma hora antes do horário que a gente combinou, ela liga um pouco receosa, tentando descobrir ser era pra ela vir mesmo. Eu ri e disse que estava esperando.

Foi o primeiro de muitos cafés da tarde, que se repetem quase toda semana. Nessa primeira vez ela trouxe um bolinho simples, como esse que a Chu fala no post, e tava chateada porque ele tinha rachado quando ela desenformou, ainda quente demais. Mas o bonito dos bolos simples é que até os farelos são gostosos e não tem muita importância se eles tem uma boa aparência.

Até porque, quem disse que a nossa aparência, por dentro ou por fora, está das melhores quando a gente vai tomar café na casa de uma amiga? Quando muitas vezes essas poucas horas são tudo o que você precisa pra contar que tá um caos, que sua vida não está tão boa quanto você gostaria e que você cansa. Não é reclamar. Meu blog tá aqui pra não me deixar mentir o quanto eu não gosto de reclamações à toa. Mas também tá aqui pra contar o quanto eu acho importantes esses lugares que a gente tem pra se despir da pessoa que desfila por aí.

Gosto muito desses cafés-da-tarde. Gosto muito quando minha mãe faz um desses bolinhos simples. O meu preferido é um branquinho, mesclado com chocolate. Sem cobertura, sem frescuras, mas extremamente gostoso. Como às vezes eu ouço a Flávia dizer, esses momentos são como abraços por dentro. E, de vez em quando, eles salvam vidas.

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  sexta-feira, 8 de abril de 2011
Sobre o que não temos pra hoje

Anotação mental: tudo o que você se propõe a fazer na vida tem ônus e tem bônus. Se você não consegue lidar com um, ou com outro, essa não é sua praia.

Não entro em confrontos gratuitos, não entro em disputa de poder, não discuto com quem é incapaz de se perceber em algum momento equivocado. É perda de tempo e é entrar em loucura neurótica (e essas são as piores).

Já trabalhei em vários lugares e em todos eles, mas em todos eles mesmo, em algum momento parei e pensei: estudei tanto pra ouvir isso? Chego em casa e uma amiga relembra uma frase que eu costumava dizer: vejo de tudo e não morro.

É que vivemos um tempo de falta, minha gente: de educação, gentileza, vergonha na cara, limite, respeito...A lista é longa, poderíamos brincar de adicionar coisas eternamente. Mas ultimamente tenho sentido falta da compreensão. Compreensão tem vários tipos e para todos os gostos, a que eu estou falando especificamente é a compreensão da importância daquilo que você socialmente se propõe a fazer na sua vida.

Sabe, quando você é dono de uma construtora e um prédio desaba, a sociedade vai cobrar de você. Quando você é um médico e esquece uma pinça dentro do estômago alheio, a sociedade vai cobrar de você. Quando você é um jornalista e distorce os fatos, a sociedade DEVERIA cobrar de você. Quando você é um professor de português (e do meu ponto de vista, de qualquer outra disciplina) fala "pra mim fazer tal coisa", idem. Mais uma vez, a lista é gigante e poderíamos brincar de adicionar coisas eternamente.

Mas quando acontece uma tragédia, como a que aconteceu hoje em Realengo, e psicólogas e psiquiatras aparecem falando baboseiras, repetindo lugares comuns, quem cobra? E isso porque eu tô falando do que aparece na mídia. Imagina que a maioria das coisas a gente não sabe, nem fica sabendo, porque acontece quando a porta está fechada. E muita barbaridade acontece aí, muita mesmo. E tanta coisa eu escuto no meu dia a dia, convivendo com psicólogos, que só me resta fazer a Regina Duarte: eu tenho medo.

Só que acontece que eu sou professora. Que eu ajudo a formar psicólogos. E que toda vez que eu ouço barbaridades ou repetições papagaidas de conceitos e termos, eu lembro que elas passaram anos se "dedicando" para estarem ali. E aí eu repito a mim mesma como um mantra: é de formação que a gente trata, é esse o nosso negócio. Não tem a ver com diploma, esse é um bônus, tem a ver com FORMAÇÃO, essa sim, tem um ônus que não é pra todos, e que pode ser um bônus para alguns: respeito por quem vai recorrer à sua profissão.

Acho que é de ética que eu tô falando. Ou de bom senso? É o que não temos pra hoje.

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  quinta-feira, 7 de abril de 2011
Sobre o que resta

Hoje uma pessoa me pediu emprestados dois livros que eu mencionei numa conversa. Como sei que sou esquecida, quando cheguei em casa, tirei os dois da estante e deixei em cima da mesa. Lembrei de ver se eu tinha anotado meu nome neles e, quando abri a capa do primeiro, encontrei várias coisas escritas. E então lembrei exatamente do dia em que eu escrevi essas coisas.

Quando você escreve e descreve as formas como as coisas estão por dentro, o jeito caótico delas, as maneiras doidas que encontra para pensar em outros assuntos que não aquele, fica mais fácil ver como elas mudam. E aí eu percebo muito bem a diferença que existe entre mudar e passar.

Logo depois do meu aniversário, uns três dias depois, eu acho, talvez até mais, não sei dizer porque não consigo lembrar muito bem, aqueles dias foram meio nebulosos e carregados de um sentimento que eu só sei descrever, embora não saiba nomear. Ele significa que eu não valia nenhuma palavra, nem dessas que você dispensa para o cara do telemarketing quando responde que não está interessado antes de desligar na cara dele, sabe? Então, era assim que eu me sentia. Aí, fui ao cinema e assisti esse filme. Anotei algumas frases, aquelas que tinham a ver comigo naquele dia tão triste.

Você conhece alguma coisa mais real do que um fantasma?

Essa era uma delas. E ela descreve tanto. Fala tanto sobre o que resta. E o que resta é tão espectral quando um fantasma. Vaga pela sua casa e você sente o cheiro dele quando abre o armário e encontra um pacote que evoca uma lembrança. Vaga pelo bar que você gostou de ir e que agora prefere evitar. Circula por relações que você tinha e que não pode abrir mão, porque não quer.

Fantasmas e mais fantasmas que vão se juntando e tomando os pensamentos, os sentimentos e tudo o que você tinha de leveza. E no seu olhar, ali bem superficialmente, não precisa olhar muito fundo, paira uma sombra de tristeza. Sombra que fala de sobras, de restos, do que fica, disso que se transforma em companhia quando um pouco do seu eu se perde numa experiência. É quando o que a gente vive, se transforma no que a gente é.

"Não depender mais do coração alheio".

Outra de minhas notas. Juro que ri quando li isso hoje. Ora, que bobagem, apesar de que a gente fala essas coisas em momentos de puro desespero, e fala não acreditando. Mas o que a gente fala é importante. E por isso vendo essas frases escritas na contra-capa de um livro, eu rememoro uma tristeza grande, uma tristeza que mudou.

Agora, quando eu entregar o livro, será que vou ter que explicar tudo isso? Será necessário? Acho que não. Aquelas frases são algumas das coisas que ficaram misturados ao que restou. E o que restou só me diz respeito. E isso que me diz respeito tem a ver com os nomes que eu dou pra uma das perguntas do filme: o que será que é o contrário do amor?

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  segunda-feira, 4 de abril de 2011
Em-si-mesmada

Hoje foi bem difícil levantar da cama. Fui dormir tarde porque acordei muito tarde domingo, dia que não rendeu nada do que prometia. Descobri que tenho vários canais da net na minha televisão e eu sei que deve ser coisa passageira, mas foi a desculpa que eu precisava.

Aí que hoje eu tinha médico às 11h. E tinha que limpar a casa e lavar roupa. Ok, eu não TINHA que fazer isso hoje, mas é que quando o meu tempo tá tão apertado, eu preciso me organizar. Aí decidi que a limpeza não seria grande coisa, o necessário mesmo, o que desse tempo. Coisa boa é saber que hoje eu sou mais auto-indulgente.

Na médica descobri que não tem muita coisa a respeito pra fazer. A mesma cirurgia que o outro médico já havia recomendado. Não sei se faço, é meio caro, o plano não cobre e eu não preciso tanto assim. Coisa pra se pensar. Fui almoçar, voltei pra casa e fiz uma torta salgada com coisas que precisavam ser usadas logo, antes que estragassem.

Na faculdade, a falta de dinheiro no fim do mês me obrigava à dieta do pão com ovo. É muito simples: você compra um pacote de pão de forma e uma dúzia de ovos. E esse é seu jantar até o mês começar. Agora a dieta é a da torta salgada, especialmente quando não tenho tempo (e dinheiro também). Dificilmente a gente não tem cebola, tomate e uma lata de atum em casa. Eu vario o recheio, uso também frango e carne moída e hoje coloquei abobrinha. Mas é uma torta ideal para você não jogar alimentos fora.

Eu continuo aqui, meio dentro de mim, meio fora. Não sabendo quando tô me sentindo bem, quando tô me sentindo mal. Em-si-mesmada, é esse o termo? Acho que ele é bem bom pra me definir nos últimos meses. Só que eu não tô achando ruim. Na verdade, são nesses momentos da vida que a gente normalmente se conhece mais. Então, continuo tentando.

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