a dona desse blog
é de uma teimosia absurda. além de ser psicóloga, é leitora, aspirante à escritora, filha, irmã, tia e amiga, é indecisa por natureza, não sabe fazer planos e deixa sua vida ser dominada por uma ansiedade que ela sempre achou que disfarçava bem. acha que todo dia é ideal pra questionar se suas ações estão certas, se está sendo justa consigo, se faz o que gosta (e por enquanto faz). é uma dessas pessoas que gosta da solidão da própria companhia mas não dispensa uma cervejinha com aquelas pessoas que sabem conversar, de preferência em um boteco bem boteco, porque estes servem as mais geladas.

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  segunda-feira, 24 de outubro de 2011
Sobre sinceridade, sobre tranquilidade

sin.ce.ri.da.de
sf (lat sinceritate) 1 Qualidade de sincero. 2 Franqueza, lealdade; ausência de dobrez ou de hipocrisia; lisura de caráter. 3 Palavras ou observações sinceras.

Existe essa coisa, essa coisa que todo mundo pode esperar de mim, menos eu. É da sinceridade que eu falo. Deve ser por isso que sempre me surpreendo quando alguém me faz um elogio, seja ele qual for. Pode ser que a pessoa diga que eu sou competente. É mentira. Pode ser que a pessoa diga que eu sou esforçada. Outra mentira. É mentira porque ela não sabe que custa muito, mas muito mesmo, manter isso.

Daí que eu concluo que venho sendo incoerente comigo mesma e isso faz tempo. É incoerência quando eu espero dos outros, que os outros façam coisas que eu não faço para mim mesma, mesmo quando poderia, quando deveria. Posso, devo, quero? Três perguntas que são fáceis de ser respondidas, mas nem por isso fáceis de ser encaradas.

Ser coerente é quando você sabe que precisa poder, dever e querer para que uma coisa seja possível. Não possível no sentido de existir e pronto. Muita coisa acontece por aí sem poder, sem dever e sem querer. Mas possível no sentido de não fazer mal. De não fazer a gente ir dormir com uma dor que quando a gente é criança não sabe o que é, então chora e busca colo, bico, cheiro. E quando a gente cresce, descobre que chama angústia, mas nem por isso deixa de desejar o colo, o bico e o cheiro.

Se eu pudesse fazer um pedido hoje, seria o seguinte: eu quero um pouco de tranquilidade. Não na vida, não na correria do dia a dia, que isso eu já entendi que não foi feito pra mim. Mas eu queria um pouco mais de tranquilidade de mim para comigo mesma. Ficar tranquila. Pedido que tem se demonstrado mais difícil que o último que fiz, aquele de me apaixonar de novo.

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  domingo, 9 de outubro de 2011
Sobre se a vida é isso mesmo

Outro dia, alguém chegou aqui pesquisando por "a vida é isso mesmo?". Olha, acho que o blog não responde a essa pergunta. Mas de tempos em tempos, realmente me questiono sobre algumas coisas que se relacionam com ela. Volta e meia me pergunto se tudo o que eu tenho feito, eu faço porque quero ou para não ficar parada. Essa é uma dúvida muito importante.

Quando digo que, às vezes, a gente faz coisas para não ficar parada, tem a ver com aquela coisa de que, sem saber para onde ir, qualquer lugar serve. Realmente acho que, às vezes, parece que a vida tem certa autonomia sobre nós. O que pode parecer um posicionamento de passividade, na verdade é uma maneira que eu uso para negar a parte que me cabe em tudo isso. Por exemplo, quando falo que acabo sempre voltando para Guarapuava, preciso me perguntar o que faço de verdade para sair de lá. E acho que sair para estudar não conta, porque eu já entendi que na cabeça das pessoas, e na minha cabeça, sair para estudar é sempre um período transitório, alguma coisa que você faz antes de voltar a ter um lugar.

Toda vez que eu me pergunto se a vida é isso mesmo, acabo pensando sobre esse lugar que eu não sei se é meu. Exatamente por isso que eu não gosto de dizer que esse lugar é Guarapuava. Talvez isso tenha a ver com o fato de eu esperar que, depois que eu terminar o mestrado e começar a fazer o doutorado em algum lugar novo, em que nunca morei, eu tenha mais uma chance de descobrir se não existe no mundo um outro lugar pra mim. Só que isso sempre me dá a impressão de que eu espero ser magicamente atraída pelos lugares. E por essa razão, gosto dos lugares onde fui feliz.

Durante cinco anos, achei que Maringá era o meu lugar. Hoje tenho certeza que não é. Quando mudei para Curitiba, gostei tanto daqui que queria ficar. Mas que tipo de esforço eu fiz? Nenhum. Então, se a gente se pergunta se a vida é isso mesmo, talvez um esforço necessário seja olhar pra dentro e perguntar se você que é isso mesmo e se o problema não está justamente no fato de procurar demais pelo milagre da vida, quando ele já é tão próprio do fato de a gente existir.

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  quinta-feira, 6 de outubro de 2011
Sobre leveza

Leveza, palavra bonita. Pensei nela hoje. Objetivo de vida é ter um pouco dela, e te conto que não é fácil. Mas muita gente leva tudo a sério demais, leva tudo ao pé da letra, e eu acho que isso é bem ruim. É o perigo de começar a dividir os outros em bons e ruins, os acontecimentos em sorte e azar, as oportunidades em boas ou más. A gente se torna desconfiado, sabe? E é aí que mora o perigo, porque é quando a gente começa a pesar.

Tem várias outras coisas que me remetem à falta de leveza. No dia do meu aniversário, fui comemorar em um boteco. Boteco com todas as letras. Daí um cara resolve que ali é um lugar excelente para comer croquete e ler um dos Seminários do Lacan. Você pode argumentar dizendo que cada um faz o que quer e lê o que quer, onde bem entender. Mas de verdade, se eu faço questão de mostrar ao redor da sala que é Lacan que eu estou tirando da mochila e se, enquanto eu "leio", fico olhando ao redor para averiguar se os outros estão prestando atenção na minha erudição, sou um baita de um panaca. Minha dica? Se você quer comer croquete no boteco, leia um gibi do Chico Bento.

Outra coisa sobre leveza é que gosto de contar causos e ilustrar histórias. Sou exagerada em detalhes e falo demais, e sei bem que esse pode ser meu pecado. Mas sabe, metade das coisas que eu falo, não é a sério. E isso quer dizer não que eu sou uma brincalhona, comediante, piadista e que stand up comedy perde um talento. Quero dizer é que não me levo a sério e que quando a gente conversa, é de bom tom que colocar um pouco de leveza no factual. É muito chato quando a gente fica se prendendo às coisas como elas são. E veja, não ser nem oito e nem oitenta só melhora o dia da gente.

Nesse dia do aniversário, tava com preguiça de caminhar e pensei em ir pra Universidade de ônibus. Eu virei a esquina e vi dois ônibus saindo do ponto ao mesmo tempo. "Nossa, que cagada de corvo que eu sou, que droga, nem no meu aniversário as coisas dão certo, dois ônibus, dois, não podia ser um, tinham que ser dois. Agora vou andando até lá e vou chegar cansada". Eu pensei isso? Não. Pensei: "Droga, perdi, mas azar, vou andando e aproveito pra ouvir música mais tempo". Não é ser insuportavelmente positiva. É que simplesmente não dá pra fazer de cada coisinha da nossa vida uma sangria desatada.

Em vez disso, fica muito mais fácil a gente se preocupar com coisas que realmente são ruins, sabe? E tentar resolver, o que é mais importante. De verdade, é muito pouca gente que se importa com o quanto a minha, a sua, a nossa vida é fodida. Enquanto a gente se preocupa em achar as pessoas ruins, elas não sabem quem a gente é. Por isso, acho que é bem mais importante acrescentar um pouco de leveza, porque preciso dizer, é muito simples e faz os dias ficarem melhores. Mesmo que quando a gente chegue em casa, só reste é chorar como criança, com lágrimas rolando pelo rosto sem a gente fazer esforço.

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