a dona desse blog
é de uma teimosia absurda. além de ser psicóloga, é leitora, aspirante à escritora, filha, irmã, tia e amiga, é indecisa por natureza, não sabe fazer planos e deixa sua vida ser dominada por uma ansiedade que ela sempre achou que disfarçava bem. acha que todo dia é ideal pra questionar se suas ações estão certas, se está sendo justa consigo, se faz o que gosta (e por enquanto faz). é uma dessas pessoas que gosta da solidão da própria companhia mas não dispensa uma cervejinha com aquelas pessoas que sabem conversar, de preferência em um boteco bem boteco, porque estes servem as mais geladas.

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  quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
Sobre marcas do machismo

Quando você se depara com essa notícia, o que você pensa? Eu fico profundamente triste. Eu também fico revoltada, claro. Daí, alguém poderia me dizer que um cara desses merece apodrecer na cadeia, merece ser capado, enfim, merece muita coisa ruim, porque ele é a transfiguração humana da maldade. Certo?

Pois é. Se você me dizer isso, vou ser obrigada a discordar. Pelo menos em partes. E se eu sou obrigada a discordar é porque esse cara não veio trazido por um disco-voador que pousou aqui no nosso lindo e florido planetinha, todo cheio de pessoas boas, e largou o sujeito para matar uma moça que resolveu dizer pra ele que ele não tinha direito algum sobre ela.

Não, não. Esse homem, ele nasceu e cresceu aqui mesmo, sendo inundado pelos valores que eu e você também fomos. Aí, você pode me dizer que esse cara não tem nada a ver com você. Que você jamais mataria uma moça, que você, se homem for, sequer assediou uma mulher na rua, imagina, isso é coisa de homem tarado.

Então, eu te pergunto se algum dia você assobiou para uma mulher. Se algum dia, em uma balada, você, chateado, chamou uma moça com palavras não elogiosas porque ela não quis ficar com você, ou ainda, se você se aproximou dela por causa do tipo de roupa que ela usava. Algum dia na sua vida você conversou com seus amigos sobre mulheres e disse que pegou ou deixou de pegar? Como quem pega alguma coisa numa prateleira do supermercado? E se você for mulher, alguma vez você julgou uma amiga, ou não tão amiga assim, por causa da quantidade de caras com quem ela ficou, dos copos de cerveja que ela bebeu, ou ainda pelo comprimento da saia e profundidade do decote? Alguma vez você, sendo mulher, usou palavras pejorativas pra se referir a uma outra mulher?

Se você respondeu sim a alguma dessas perguntas (e eu garanto que eu também respondi),  você foi criado a partir dos mesmíssimos valores dessa pessoa que, diante da negativa e da frustração de alguém que se recusou a se deixar objetificar, se acha no direito de matá-la. Se você acredita que quem estava nas ruas no carnaval estava sujeito ao assédio e que mulher tem que ouvir, ignorar e ficar quieta, então, sinto dizer, parceiro, mas você ajudou esse cara a matar a moça. Uma moça de 21 anos, uma menina que foi capaz de se posicionar diante de alguém que pensava poder dominá-la. 

O problema, gente, é que ele pode. Pode porque a gente deixa. Porque é impossível que ninguém saiba quem é essa pessoa. E cadê as denúncias? Ele matou uma pessoa e a gente ajudou. A gente ajuda todo dia. Vamos ter que dormir com esse e com outros crimes do mesmo pacote. Mas esse pensamento de que mulher é coisa tá arraigado.

Pra mudar isso, leva tempo e mais gente vai perder a vida. Mas acho que tem um jeito de começar isso, devagar e sempre que eu deixar de julgar uma mulher, de usar termos pejorativos pra me referir a ela, independente se eu penso que o que ela faz é certo ou errado, a gente não tá nessa vida pra julgar ninguém. De valores morais o inferno está cheio. Sabe o que seria ótimo? Os pais pararem de ensinar meninos de 3 anos de idade a julgar mulheres na rua e as mães pararem de ensinar seus filhos e filhas que existem lugares de meninas e lugares de meninos. Deixem que cada um descubra o seu lugar.

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