a dona desse blog
é de uma teimosia absurda. além de ser psicóloga, é leitora, aspirante à escritora, filha, irmã, tia e amiga, é indecisa por natureza, não sabe fazer planos e deixa sua vida ser dominada por uma ansiedade que ela sempre achou que disfarçava bem. acha que todo dia é ideal pra questionar se suas ações estão certas, se está sendo justa consigo, se faz o que gosta (e por enquanto faz). é uma dessas pessoas que gosta da solidão da própria companhia mas não dispensa uma cervejinha com aquelas pessoas que sabem conversar, de preferência em um boteco bem boteco, porque estes servem as mais geladas.

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  domingo, 9 de outubro de 2011
Sobre se a vida é isso mesmo

Outro dia, alguém chegou aqui pesquisando por "a vida é isso mesmo?". Olha, acho que o blog não responde a essa pergunta. Mas de tempos em tempos, realmente me questiono sobre algumas coisas que se relacionam com ela. Volta e meia me pergunto se tudo o que eu tenho feito, eu faço porque quero ou para não ficar parada. Essa é uma dúvida muito importante.

Quando digo que, às vezes, a gente faz coisas para não ficar parada, tem a ver com aquela coisa de que, sem saber para onde ir, qualquer lugar serve. Realmente acho que, às vezes, parece que a vida tem certa autonomia sobre nós. O que pode parecer um posicionamento de passividade, na verdade é uma maneira que eu uso para negar a parte que me cabe em tudo isso. Por exemplo, quando falo que acabo sempre voltando para Guarapuava, preciso me perguntar o que faço de verdade para sair de lá. E acho que sair para estudar não conta, porque eu já entendi que na cabeça das pessoas, e na minha cabeça, sair para estudar é sempre um período transitório, alguma coisa que você faz antes de voltar a ter um lugar.

Toda vez que eu me pergunto se a vida é isso mesmo, acabo pensando sobre esse lugar que eu não sei se é meu. Exatamente por isso que eu não gosto de dizer que esse lugar é Guarapuava. Talvez isso tenha a ver com o fato de eu esperar que, depois que eu terminar o mestrado e começar a fazer o doutorado em algum lugar novo, em que nunca morei, eu tenha mais uma chance de descobrir se não existe no mundo um outro lugar pra mim. Só que isso sempre me dá a impressão de que eu espero ser magicamente atraída pelos lugares. E por essa razão, gosto dos lugares onde fui feliz.

Durante cinco anos, achei que Maringá era o meu lugar. Hoje tenho certeza que não é. Quando mudei para Curitiba, gostei tanto daqui que queria ficar. Mas que tipo de esforço eu fiz? Nenhum. Então, se a gente se pergunta se a vida é isso mesmo, talvez um esforço necessário seja olhar pra dentro e perguntar se você que é isso mesmo e se o problema não está justamente no fato de procurar demais pelo milagre da vida, quando ele já é tão próprio do fato de a gente existir.

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