a dona desse blog
é de uma teimosia absurda. além de ser psicóloga, é leitora, aspirante à escritora, filha, irmã, tia e amiga, é indecisa por natureza, não sabe fazer planos e deixa sua vida ser dominada por uma ansiedade que ela sempre achou que disfarçava bem. acha que todo dia é ideal pra questionar se suas ações estão certas, se está sendo justa consigo, se faz o que gosta (e por enquanto faz). é uma dessas pessoas que gosta da solidão da própria companhia mas não dispensa uma cervejinha com aquelas pessoas que sabem conversar, de preferência em um boteco bem boteco, porque estes servem as mais geladas.

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  quinta-feira, 29 de setembro de 2011
Sobre presentes

Dias atrás passei por uma situação que me fez pensar em algumas coisas que não têm diretamente a ver com o que eu resolvi escrever hoje mas, de alguma forma, se parecem. Na tal situação que eu tive que resolver, alguém me disse "você não pode pedir de volta alguma coisa que você deu".

Essa frase ficou ecoando por vários dias (e talvez o objetivo desse dito tenha sido esse mesmo). É porque é muito difícil, depois que a gente entrega algo, manter essa decisão. Freud tem um texto em que ele fala que um verdadeiro presente só é dado se você se sente penalizado em entregá-lo, ou seja, um bom presente é aquele que a gente não quer dar.

Sempre aproveito minhas viagens para pensar na vida. Quando ando a pé por aí, quando poderia pegar um ônibus e fazer tudo mais rápido, faço pelo mesmo motivo. Nesses momentos aparecem coisas que normalmente me causam a ponto de eu vir escrever aqui.

Ano passado, passei por uns momentos difíceis que tinham a ver com uma coisa que eu chamei de troco. O que eu pensei ser troco era o que sobrava de um sentimento que não poderia ser correspondido da mesma forma. Mas eu tava muito enganada. Porque não há troco. Antes houvesse. Quando você dá alguma coisa de seu para uma pessoa, mesmo que o que ela tenha a oferecer a você seja menos, não sobra nada. Ela pode ficar com aquilo que você ofereceu, ou não, mas a gente não pode nem pedir o troco e muito menos pedir de volta.

E claro que eu tô falando de amor, claro que eu tô falando de alguma coisa que a gente investe quando gosta de alguém. Qualquer alguém. Veja, tem uma frase do Pequeno Príncipe que é muito conhecida de a gente se tornar responsável por aquilo que cativa. Só que, por mais que eu goste dos conselhos do Pequeno Príncipe, quanto mais o tempo passa, menos essa frase me faz sentido. Não que eu acredite que seja válido as pessoas não se importarem com alguém que cativaram. Mas é que pode ser que elas não tivessem a menor intenção de nos cativar.

Acho que isso de colocar a responsabilidade no outro tira um pouco da nossa responsabilidade com uma coisa que precisa ser cativada antes de tudo. Isso vai soar auto-ajuda e lugar comum, mas tô falando do fato de a gente se cativar, sabe como? De você saber que é alguém cativante, e não apenas 'cativável' (não sei se existe essa palavra, por isso as aspas). Quando a gente só é 'cativável' fica sempre nas mãos dos outros. Só que o problema é que não tem muito como escapar disso, por essas e outras que auto-ajuda não funciona.

Mas o que eu tô querendo dizer com toda essa enrolação é que quando a gente gosta de alguém e essa pessoa deixa de gostar da gente, ou não gosta de volta, não tem como pegar esse 'gostar', ou esse 'amar', ou esse 'apaixonar' de volta. É presente. E você deu porque queria um igual para você. Não queria se desfazer. Mas se desfez e entregou nas mãos de outra pessoa. E nunca vai conseguir ter de novo isso que foi perdido.

Por isso que, quando acontece alguma coisa assim, é tão ruim e a gente se sente tão pobre. Pobre do sentimento que entregou numa caixa bem linda com um laço de fita por cima. E aí, o que resta é começar a construir a partir de um lugar que para mim é um grande mistério, um novo sentimento. Um novo sentimento que só pode ser entregue para outra pessoa se for reconstruído. Nunca se for tomado ou realocado de alguém para outro alguém. Essa construção leva tempo. E esse tempo se chama luto.

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