a dona desse blog
é de uma teimosia absurda. além de ser psicóloga, é leitora, aspirante à escritora, filha, irmã, tia e amiga, é indecisa por natureza, não sabe fazer planos e deixa sua vida ser dominada por uma ansiedade que ela sempre achou que disfarçava bem. acha que todo dia é ideal pra questionar se suas ações estão certas, se está sendo justa consigo, se faz o que gosta (e por enquanto faz). é uma dessas pessoas que gosta da solidão da própria companhia mas não dispensa uma cervejinha com aquelas pessoas que sabem conversar, de preferência em um boteco bem boteco, porque estes servem as mais geladas.

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  quarta-feira, 17 de agosto de 2011
Sobre o que eu queria ter dito

Hoje sentei em minha cadeira florida para escrever uma carta. Então, se você é do tipo de pessoa que se constrange com gente que não tem vergonha de expor os próprios sentimentos, melhor ir embora. Essa aqui é a minha própria praia de nudismo (medo das pesquisas que trarão visitantes para o meu blog por causa dessa frase). Como é particular, posso mesmo tirar todas as peças. Como sou um pouco exibicionista, aqui dou licença para os outros me olharem. Mas não olhar pro meu corpo. Isso não diz nada sobre mim. É olhar pro tutano dos meus ossos, pro recheio mesmo. O que existe de mais meu. Se você não aguenta, vai embora. Se, em vez disso, você imagina que esse blog pode ser lido por quem não gosta de mim, não se preocupe. Só me lêem os que estão acostumados ao fato de eu ser um pouquinho melodramática. Então, vamos à carta:

Para você:

Oi, você. Já faz um tempo desde que você me deixou aqui sem entender nada. Já faz também um tempo, ainda que menor, desde a última vez que eu dormi encolhida e pensando em tudo o que aconteceu. Ou, então, em tudo o que não aconteceu. É que eu sou dessas que fica pensando no que poderia ter sido. Deve ser por isso que eu me martirizo. Mas você não saberia disso. É que não deu tempo de você me conhecer. Não, por mais que eu tenha mostrado muito do que eu sou para você, como eu faço com todos aqueles em quem confio, não deu pra você apreender tudo. É que nunca dá, e isso a gente sabe, eu e você.

Essa noite eu tive um sonho. Não foi propriamente com você, mas você foi a primeira pessoa em quem eu pensei quando acordei. E nós dois também sabemos que isso deve ter alguma importância. Eu não vou entrar em detalhes, porque eu não acho que você se interesse por eles, mas foi um sonho que denunciou a violência que você fez comigo. Violência sim. Essa por trás de quando não são ditas as palavras.

Você não sabe, mas uma vez, há muitos anos, eu ouvi alguém me dizer com toda a sinceridade que meu problema era que eu pego as palavras que as pessoas me disseram e as tomo como um contrato. E por isso é tão dolorido quando as pessoas não me querem mais por perto. Sim, você não imagina quantas vezes diálogos se repetiram em minha cabeça. Conversas nossas, daquelas longas, daquelas que chegaram a durar muitas e muitas e horas. Não sei se foram bem conversas. Talvez tenham sido monólogos. Meus, é claro. Porque foi por causa das minhas palavras que você aprendeu a ler o que eu pensava.

Eu acho que as palavras são valiosas. Você não sabe a falta que elas me fizeram e fazem. Não é só com você que eu reclamo das palavras. Acho falta de educação não responder e-mail, mensagem, não retornar ligação. Acho que as pessoas merecem que a gente pergunte para elas o que elas desejam falar. É porque às vezes, as pessoas se arrependem do que dizem e do que fazem e, por essa razão, elas precisam das palavras para se fazer entender melhor.

Quando eu falo em violência é a essa violência que me refiro: a da falta da palavra. Ah, eu achei que você soubesse do meu apreço por elas! Falha minha, como foram tantas outras. A principal dela foi deixar de ler o que eu sentia. E sabe, não pense você que eu saio falando que você me enganou. Não, não. Acho que nesse ponto você foi muito decente. A mea culpa eu faço nessa outra parte da história. A parte que achou que aguentaria as suas reticências. Bobagem a minha, eu não sei lidar com elas. Incrivelmente, eu sei lidar com pontos finais. Mas tenho bastante dificuldade com as interrogações. Mas isso você sabe, não sabe? Acho que te contei algumas vezes o quanto me apóio nas minhas certezas.

Sabe do que eu te acuso? Eu acuso você de ter me feito acreditar que gostava de mim. Não como eu gostei de você. Não tem nada a ver. É que eu realmente acreditei que você gostasse de mim e pronto, como a gente gosta de qualquer pessoa com quem passa muito tempo e têm bastante coisa em comum. Tipo alguém que a gente admira. Que pode até ser que não dê para ser amigo, mas poxa, alguém por quem você tem consideração. É desse tipo de gostar que eu achei que você tinha por mim. E por isso foi tão dolorido quando eu percebi que me enganei.

Eu já disse antes, embora não para você, que eu sou uma péssima fazedora de lutos. Mas esse é um que eu venho adiando. Adio todas as vezes em que me nego a dizer seu nome. Você existe, e isso é fato. Na última semana fui bombardeada com provas das sua existência. Aí alguém me disse com a maior sinceridade: "será que não é um jeito de você dar uma volta nisso tudo?".

Sabe, eu acho que sim. Isso não significa que eu vou te procurar. Mas eu não vou mais evitar o confronto com seu desprezo que apenas pude sentir no silêncio. Um silêncio que feriu a alma, vou te dizer. Eu não sei se você é merecedor disso que eu tô falando. Mas como eu sei que essa carta é só para eu imaginar o que eu diria para você e que ela não chegará em suas mãos, me deixe aqui com ela.

Não vou terminar dizendo que desejo felicidades a você. Essas eu desejo a mim. De todo o coração.

Eu.

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