a dona desse blog
é de uma teimosia absurda. além de ser psicóloga, é leitora, aspirante à escritora, filha, irmã, tia e amiga, é indecisa por natureza, não sabe fazer planos e deixa sua vida ser dominada por uma ansiedade que ela sempre achou que disfarçava bem. acha que todo dia é ideal pra questionar se suas ações estão certas, se está sendo justa consigo, se faz o que gosta (e por enquanto faz). é uma dessas pessoas que gosta da solidão da própria companhia mas não dispensa uma cervejinha com aquelas pessoas que sabem conversar, de preferência em um boteco bem boteco, porque estes servem as mais geladas.

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  domingo, 14 de agosto de 2011
Sobre o que acontece enquanto a gente vive

Hoje, na viagem, fiquei pensando o que eu fazia ontem às 16h20. Acho que estava comprando tomilho e cebola. Um pouco antes de eu sair de casa para fazer isso, combinei com minha mãe que ela iria junto comigo ao outro supermercado.

Minha mãe estava fazendo um bolo, uma cuca de goiabada. Eu disse pra ela "oba, amanhã vai ter cuca pra eu levar pra Curitiba". Ela disse que a receita que ela tinha feito era outra, uma que minha tia havia passado, e que ela queria ver se ficava boa. Provavelmente, às 16h20, minha mãe já tinha colocado a cuca dentro do forno e estava me esperando voltar.

Às 16h20, minha irmã ainda estava na rua, provavelmente tomando a soda italiana que ela me disse que tomou com a sogra dela, e poucos minutos depois, me ligou para confirmar o jantar. Fui à casa dela para buscar uma panela e ela decidiu ir comigo para casa e me ajudar a fazer o jantar, quando chegamos, meu pai estava pra fora, sem ter como entrar e minha mãe havia saído novamente.

Comecei a arrumar os ingredientes, quando o telefone tocou. Minha irmã atendeu e voltou falando que não entendeu nada e que era para eu atender. E tudo o que eu ouvi foi uma voz muito parecida com a da minha mãe, me chamando pelo nome da minha irmã, e gritando um outro nome, o do meu primo. Alguém toma o telefone das mãos de quem eu já tinha compreendido ser minha tia e essa pessoa me avisa: o filho dela morreu, ela quis ligar, quer que vocês avisem a família. Eu desligo o telefone, aviso minha irmã e meu pai. E as notícias começam a correr e o telefone recomeça a tocar toda vez que é desligado. Quando minha mãe chegou, dei a notícia, eles foram fazer as malas e saíram. Seis horas de viagem. Até a Lola percebeu que alguma coisa tinha acontecido, foi se esconder embaixo da estante.

Eu e meu primo dividíamos, além do sangue, algumas memórias. Lembranças infantis que não cresceram e nem se multiplicaram junto com a gente. Nos encontrávamos mais quando crianças, uma vez por ano, na praia. Nunca tivemos muita coisa em comum, além de nossas mães serem irmãs. Elas sim, muito próximas. Não posso dizer que vou sentir falta dele. Mas posso dizer que fico triste pela minha tia. Esse acontecimento, dizem, faz uma marca profunda demais nas pessoas. Minha mãe vai sentir falta de quem era e de como era a irmã dela.

Em poucos minutos, você faz parte da história da manchete que narra um acidente sem muitos detalhes. Em poucos minutos você entende que enquanto a sua vida acontece, a muitos quilômetros de distância, a vida de alguém que nasceu fazendo parte da sua desprendeu-se. Muito provavelmente enquanto eu pesava as cebolas, enquanto minha mãe fazia um bolo, que ainda morno foi embalado para ser servido no velório, enquanto minha irmã tomava uma soda italiana e enquanto minha tia atendia na loja dela. E foi uma cliente que falou comigo ao telefone e pediu para eu dar a notícia.

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