a dona desse blog
é de uma teimosia absurda. além de ser psicóloga, é leitora, aspirante à escritora, filha, irmã, tia e amiga, é indecisa por natureza, não sabe fazer planos e deixa sua vida ser dominada por uma ansiedade que ela sempre achou que disfarçava bem. acha que todo dia é ideal pra questionar se suas ações estão certas, se está sendo justa consigo, se faz o que gosta (e por enquanto faz). é uma dessas pessoas que gosta da solidão da própria companhia mas não dispensa uma cervejinha com aquelas pessoas que sabem conversar, de preferência em um boteco bem boteco, porque estes servem as mais geladas.

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  segunda-feira, 8 de agosto de 2011
Sobre chover no molhado

Pode ser que seja chover no molhado. Já escrevi aqui sobre o que eu vou falar hoje, mas tenho uma boa razão. É que tenho por regra escrever sobre o que me esbofeteia. Eu sei que parece confuso, mas é que algumas situações que a gente vive, e mesmo aquelas que a gente apenas testemunha, têm esse poder de nos esmurrar. Sei que peco em meus textos pela quantidade de metáforas, mas é que não sei falar diferente. Então, quando digo que algumas situações e palavras me esbofeteiam é porque elas me deixam completamente sem condições de ter nenhuma reação, exatamente como se eu tivesse sido literalmente esbofeteada.

Isso é uma grande ironia se eu pensar que o título do meu blog, inspirado em uma música que adoro, fala sobre uma moça que sabe ver as coisas pelo ângulo mais bonito. Muitas vezes, as palavras que me trouxeram até aqui não têm nada de belas. Inúmeras as situações bem feias que serviram de inspiração. Por quanto tempo escrevi sobre tristezas? Quantos foram os textos sobre desesperança? Sobre solidão nem se fala. Ainda assim, tenho pra mim, bem no meu íntimo, justamente que escrever essas palavras me dão um pouco de fôlego. Acho que escrever sobre o que me incomoda me permite, depois de ver o texto escrito, ter alguma possibilidade de ver aquelas palavras que batem, que derrubam, por uma outra visão.

Gosto de pensar em mim como a moça da música, ainda que nem tudo sobre o que diz a letra me traduz. Eu não sei tocar piano e violão. Cortar cabelo tampouco. Nunca fui à Índia nem ao Japão, não ando de bicicleta dentro de casa, aliás, quantos anos faz mesmo que sequer ando de bicicleta? Enfim, são vários os trechos da música que não dizem nada sobre mim, quem me conhece sabe. Mas têm alguns, bem específicos que eu acho que dizem sim. Eu, por exemplo, despreocupo-me e penso no essencial. Vou ao teatro, mas prefiro cinema. Tenho lençóis (e adoro lençóis) e tenho irmãs. Adoro eletrodomésticos, aliás, sou fascinada por eles. Procuro o amor, mas não sei se quero ser mãe. Mas de tudo o que eu mais me identifico é com a parte que diz que a moça aprende e continua aprendiz.

Se eu falo tudo isso sobre o porquê do título do meu blog, é porque nos últimos tempos eu venho me incomodando muito com algumas coisas específicas. E eu acho que esse incômodo vem crescendo à medida que continuo aprendendo muito, que continuo sendo aprendiz. Aliás, acho que só esse estado de espírito, o de aprendiz, pode permitir que alguém realmente se preocupe com o essencial. Eu só posso crer que algumas pessoas não têm bons motivos com que se preocupar em suas vidas, se tudo o que elas fazem é pensar em intolerância e em ódio. Ou ainda, se elas realmente acreditam que suas opiniões reacionárias podem ser compartilhadas sem maiores consequências. E o pior das consequências do compartilhamento de opiniões aleatórias é que elas atingem alguém. E podem atingir tanto de uma maneira receptiva como com muita tristeza.

Faço parte da segunda categoria de pessoas e, por isso, recebo alguns poscionamentos com tristeza. Mesmo que ninguém leia esse texto grande demais que eu decidi escrever, eu adianto que estou escrevendo para que, no mínimo, daqui a uns anos, eu lembre desses tempos e da tristeza que senti. Não porque eu gosto de me agarrar à tristeza, mas porque eu sou uma adepta do não esquecimento. O não esquecimento não significa guardar mágoas, mas indica que você, esse ser racional provido de memória, não vai se deixar levar por discursos que se repetem a esmo, sem muito ou nenhum discernimento. Discursos de ódio, discursos de agressão travestidos de constitucionalidade, como se isso servisse de indicativo de apoio.

Hoje, quando eu lia a coluna da Eliane Brum, em que ela fala sobre o dia do Orgulho Hétero, deparei com uma frase em que ela cita um professor de Direito Constitucional que, sobre a tal votação, reafirma que, ainda que a lei seja constitucional, ela vai contra a paz e indica uma atitude beligerante. E sabem, eu acho que de atitudes beligerantes a gente não precisa mais. Eu vejo e ouço pessoas que em tese deveriam ter um papel social relevante, não pela profissão que exercem, mas pelo fato de terem se formado às custas de uma ideologia que faz com que elas e os seus continuem numa posição superior, uma situação de agentes de opressão, de desigualdade.

O que a gente precisa começar a admitir é que a nossa formação, nós que nos formamos em períodos anteriores ao que a gente vive em que existem benefícios como cotas e financiamentos àqueles que durante anos sustentaram a base de uma pirâmide na qual nós, se não estávamos no topo, estávamos em uma situação bem confortável, nós que nos formamos em universidades públicas ou privadas, nós nos formamos sim às custas do trabalho de milhões de homens e mulheres que lavaram nossas privadas. E se eu estiver falando com reacionários que vão me dizer que essas pessoas não pagaram os impostos dedicados a bancar os professores, as universidades, eu digo que quem ganha decentemente paga imposto.

Se eu comecei a falar em dia do orgulho hétero e agora falo disso é porque eu não vejo os dois temas com muita diferença. Empresto da Eliane Brum as palavras, que são bem melhores que as minhas: "Datas como o 'Dia do Orgulho Gay' ou o 'Dia da Mulher' ou o 'Dia da Consciência Negra' fazem parte da luta pelos direitos básicos de parcelas da população que historicamente sofreram - e ainda sofrem - as consequências da discriminação e do preconceito por aquilo que são".

Então, diante dessa frase tão conclusiva e que ao mesmo tempo suscita em mim tantos outros pensamentos em cadeia, eu só posso me sentir esbofeteada quando alguém tenta comparar os meus direitos, garantidos desde que botaram essa pele branca e estes olhos azuis em mim, deste que eu sou heterossexual, desde que eu tenho casa, carro, televisão e um computador onde eu descubro o ângulo mais feio que pode haver no ser humano.

E sabe o que me dói, mas dói fundo? É que algumas das pessoas que se posicionam a partir de tanto ódio contra aqueles que são homossexuais, não compreendem que não é por escolha mas por condição. Não compreendem que se escolha fosse, a mais fácil não seria essa. Tampouco compreendem que, ainda que não seja escolha, não é doença, como heterossexualidade não é saúde. Eu, bem como a Eliane evitou fazer, também não vou dizer que as pessoas com condutas homofóbicas estão no armário. Mas eu vou dizer que tanto ódio assim só pode ser medo de um ódio maior que habita dentro de si.

Nessas situações de intolerância aqueles que eu vejo darem as mãos são os colegas mais impensados. Vejo radicais ateus dando a mão a religiosos cuja fé deveria unir em vez de separar. Vejo o ódio gratuito misturado a um ódio que em tese está balizado pela figura de um deus. Vejo argumentos falhos, comparações indevidas de gente lá do alto da zona de conforto. Vejo, e isso vejo muito, gente formada em Psicologia, o que me envergonha, esquecendo que as pessoas acreditam nas bobagens que os psicólogos falam e por isso que aquilo que a gente fala e como a gente se posiciona precisa ser alvo de muito cuidado.

All you need is love.

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