a dona desse blog
é de uma teimosia absurda. além de ser psicóloga, é leitora, aspirante à escritora, filha, irmã, tia e amiga, é indecisa por natureza, não sabe fazer planos e deixa sua vida ser dominada por uma ansiedade que ela sempre achou que disfarçava bem. acha que todo dia é ideal pra questionar se suas ações estão certas, se está sendo justa consigo, se faz o que gosta (e por enquanto faz). é uma dessas pessoas que gosta da solidão da própria companhia mas não dispensa uma cervejinha com aquelas pessoas que sabem conversar, de preferência em um boteco bem boteco, porque estes servem as mais geladas.

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  quinta-feira, 23 de junho de 2011
Sobre o que é dolorido

Dias atrás, compartilhei no facebook o link dessa reportagem. Uma pessoa que eu sigo no twitter retuitou, eu postei no facebook e um amigo compartilhou. Algumas pessoas comentaram no meu perfil, mas nada que tenha incitado uma discussão, já que, quem comentou se posicionou a partir do ponto de vista que, para mim, é o único possível: o do patético, o do absurdo.

Mas aí, hoje eu reparei que o meu amigo que compartilhou o link contava com mais de 30 comentários e, curiosa que sou, resolvi ler. E aí que minha boca abriu e até agora não fechou mais. Eu fiquei assustada. E quando eu decidi escrever sobre isso pensei: por que ficar assustada, se esse é um posicionamento que eu venho escutando desde que eu me entendo por gente?

Pois é, mas eu fico. E faço questão de ficar e de comentar e de brigar. Porque caso contrário, eu vou me sentir numa posição de estar dando aval para um monte de absurdos do tipo que a mulher precisa se dar o respeito, porque a mulher sabe a condição do mundo em que a gente vive, um mundo em que a gente corre o risco de ser estuprada. E se eu, sabendo que vivo nesse mundo, continuo a me "portar de tal forma", sei lá, vestir uma roupa que indique que eu "não me dou o respeito" é sinal de que eu praticamente estou pedindo para ser estuprada (uma das pessoas que comentou o link do meu amigo utilizou essas palavras). E aí esse tipo de raciocínio ainda é seguida com algo do tipo que cada um tem o direito de ter um ponto de vista.

É o seguinte: se o seu ponto de vista é esse, não, você não tem o direito de tê-lo, porque o seu ponto de vista fere a liberdade sobre um corpo que vem em frente ao seu direito deturpado de falar bobagens sobre assuntos sobre os quais não entende. Não, esse bispo não tem o direito de falar um absurdo desses, não, ele não pode dizer que o estupro é uma maneira que a vítima utiliza para se eximir de responsabilidade sobre o fato de ser vítima. Ela não é responsável pela violência sofrida e se essa violência resulta numa gravidez, não é com prazer que se recorre ao aborto. Eu nunca vou esquecer aquele caso de uma criança, sim, uma criança de nove anos que engravidou de gêmeos do pai ou padrastro e a igreja tentou de todas as maneiras convencer a mãe e a criança a impedir o aborto. Uma criança grávida de nove anos. Por causa de estupro.

E aí, como eu também compartilhei o link no meu perfil, um colega veio falar que havia, antigamente, uma doutrina de acordo com a qual a negativa precisava ser barulhenta, que a negativa tímida ou silêncio descaracterizariam o estupro. Isso não é mais válido, segundo os universitários consultados, ainda bem! No entanto, esse não é o tipo de pensamento que a gente vê a todo instante? Um pensamento que ignora que silêncio e negativa tímida têm a ver com uma coerção de gênero que é tão velha quanto cultural?

Pois bem. Por mais que depois eu tenha sabido que a pessoa que disse todas as baboseiras descritas acima ainda é um moleque que nem tem 18 anos eu pensei que a gente tem que ser um pouco compasivo e que muita gente simplesmente nunca parou para pensar no assunto sob outro ponto de vista, outros argumentos, enfim, sob uma realidade que é de violência. Um adolescente que pode nunca ter parado para pensar, que pode nunca ter tentado, ao menos tentado, se colocar no lugar do outro.

Mas aí uma outra pessoa nesse mesmo post, primeiro timidamente e depois ostensivamente, toma o partido do bispo. Primeiro fala que a manchete foi "manipulada" pelo repórter. Que o bispo não disse que o estupro é possível apenas com o consentimento da mulher. E depois fala que foi omitida da reportagem uma parte em que o mesmo bispo diz que a pessoa que "se julga vítima" (vejam, ela não é vítima, ela julga-se vítima), deve fazer um boletim de ocorrência e apontar o nome do agressor. E que se ela não tem esse nome, ela pode fazer um exame de espermatozóide (que eu suponho que seja DNA), para descobrir quem é e a justiça poder ir atrás.

Percebam a IGNORÂNCIA, o PRECONCEITO. Em primeiro lugar, o judiciário não é CSI. Quando a gente nasce, não coletam amostras de cabelo, sangue, ou sei lá o que, para que se, um dia fizerem um exame de DNA, ou eu cometer um crime, a justiça vai descobrir que fui eu. E se essa pessoa diz isso, ela demonstra não saber, em primeiro lugar, que o exame de DNA é comparativo. Burrice. Ignorância. Fique quieto, se é besteira que vai sair da sua boca. Em segundo lugar, grande parte dos estupros não é denunciada justamente pela histórica coerção de gênero que a gente vive. E quando os estupros acontecem dentro de casa, os motivos para não denunciar aumentam.

Você pode dizer que eu não estou contando nenhuma novidade. Mas olha, quando eu descubro que quem faz esse tipo de comentário, quem se posiciona dessa maneira pretende um dia se tornar um psicólogo, eu me encho de dor. De dor sim. Porque o que essa pessoa pode fazer a partir do uso da profissão dela é ASSUSTADOR. Isso me deprime de tal forma que eu não consigo descrever. E ainda ontem eu conversava sobre isso com uma amiga. Os assuntos se repetem. E parece que em todos os lugares movimentos reacionários como esse se insinuam. E isso é muito dolorido.

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