a dona desse blog
é de uma teimosia absurda. além de ser psicóloga, é leitora, aspirante à escritora, filha, irmã, tia e amiga, é indecisa por natureza, não sabe fazer planos e deixa sua vida ser dominada por uma ansiedade que ela sempre achou que disfarçava bem. acha que todo dia é ideal pra questionar se suas ações estão certas, se está sendo justa consigo, se faz o que gosta (e por enquanto faz). é uma dessas pessoas que gosta da solidão da própria companhia mas não dispensa uma cervejinha com aquelas pessoas que sabem conversar, de preferência em um boteco bem boteco, porque estes servem as mais geladas.

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  quinta-feira, 10 de março de 2011
Sobre parar, olhar e escutar.

Pare, olhe, escute, tá escrito na placa da linha do trem. Quase tudo o que eu faço está para o lado de cá da linha: padaria, manicure, ponto do ônibus que pego sempre. Mas, de vez em quando, eu preciso ir para o lado de lá, porque é onde estão o cartório, a quitanda, o técnico da máquina de lavar. Morar onde eu moro implica em se acostumar ao barulho do trem e à inconveniência de, às vezes, ter que esperá-lo passar para fazer alguma dessas coisas.

Acontece muito de me perguntarem como é conviver com o barulho do trem. Respondo, que da minha casa o barulho não é tão alto, ele existe, mas não me atrapalha. Não me acorda, nem me impede de continuar fazendo o que eu estou fazendo. Ele simplesmente está ali. Na vida não é muito diferente, porque é justamente quando as coisas não funcionam bem que a gente precisa parar, olhar e escutar, igualzinho diz na placa, se não, o trem passa por cima.

Ontem eu não conseguia dormir, pensando em um monte de coisas que não posso resolver agora, que não posso sequer resolver sozinha e que afetam outras pessoas de um jeito que eu não gostaria que afetassem nunca. Fiquei angustiada e comecei a desejar que fosse possível voltar atrás, como se isso me redimisse de uma culpa que é quase tão antiga quanto eu. Descobri, tem algum tempo, que quando me sinto assim eu não quero falar, eu não quero contar, não quero passar relatos detalhados, esses que eu sou especialista em dar, cheios de diálogos, descrições e parênteses. Não, nessas situações, eu quero ser deixada quieta até que as coisas se resolvam dentro de mim. Já aconteceu antes e tá acontecendo agora. É o meu momento de parar, olhar e escutar.

Parar: com a correria e a ansiedade porque nem toda situação se resolve no capricho da minha pressa. Ora, eu já sei que quando não parei as consequências foram duras e prolongadas, ou seja, não dá pra fugir de si mesmo. Olhar: pra dentro, para os próprios tropeços e procurar neles algumas coisas que façam com que eles tenham relação entre si. Porque, normalmente, eles têm. Normalmente essa relação que existe entre eles é que faz com que os caminhos que a gente toma em situações diferentes sejam tão próximos. Escutar: o barulho que a situação faz dentro da gente, tentar ouvir porque a existência desse trem causa tanta dor, enfim, escutar quais são os jeitos que a angústia usa pra falar.

Um trem é uma coisa grande, pesada e extremamente barulhenta. Não dá pra ignorar que ele tá ali, chegando e fazendo você parar com alguma coisa que estava fazendo e esperar. A gente precisa se dar esse "luxo" de esperá-lo passar. E sabe, esperá-lo é só respeitar um tempo. Não é ignorar a existência dele passivamente, mas entender que, de vez em quando, as coisas não acontecem do jeito como você imaginava e você precisa lidar com isso. Quer dizer, eu preciso lidar com isso, porque é sobre mim e sobre o meu trem que eu tô falando.

É engraçado que eu notei que nessas situações que um trem passa pela minha vida, minha reação automática nunca é esperar. Pelo contrário, eu acabo optando por fazer uma volta muito grande para chegar até onde eu precisava. O problema é que a linha do trem cruza a cidade. E mesmo andando pra muito longe, lá na frente, eu vou encontrar o trem de novo e ele vai zombar de mim, que não esperei pacientemente lá atrás, não parei, nem olhei e nem escutei. Simplesmente saí andando e tomando caminhos alternativos só pra fazer de conta que eu não preciso mais daquilo que tá do outro lado da linha.

Hoje, eu conversava com uma amiga sobre um desses meus desvios e quando ela me perguntou por que eu ia fazer isso, eu não tinha boas razões. Eu tinha desculpas. Então, eu resolvi parar. Primeiro passo. Daqui pra frente, a tentativa vai ser de olhar e escutar.

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