a dona desse blog
é de uma teimosia absurda. além de ser psicóloga, é leitora, aspirante à escritora, filha, irmã, tia e amiga, é indecisa por natureza, não sabe fazer planos e deixa sua vida ser dominada por uma ansiedade que ela sempre achou que disfarçava bem. acha que todo dia é ideal pra questionar se suas ações estão certas, se está sendo justa consigo, se faz o que gosta (e por enquanto faz). é uma dessas pessoas que gosta da solidão da própria companhia mas não dispensa uma cervejinha com aquelas pessoas que sabem conversar, de preferência em um boteco bem boteco, porque estes servem as mais geladas.

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  terça-feira, 22 de março de 2011
Sobre o segundo dia de outono

Calma, não é uma série que vai se estender por todo o outono. É que ontem foi um dia importante porque era a véspera da minha qualificação. Toda ansiedade, expectativas envolvidas. Então, dá pra entender porque hoje é mais importante ainda. Nunca havia passado por coisa parecida. Talvez o mais próximo tenha sido a apresentação do artigo da pós, mas infinitamente menos importante, até pelo tanto que eu me dediquei à pós e ao artigo, em relação ao que eu me dediquei ao mestrado.

Deixa eu explicar: pra poder fazer mestrado eu mudei de vida. Não mudei de cidade simplesmente. Mudei de vida. E esse foi um lapso que apareceu várias vezes na minha escrita nos primeiros meses do mestrado. Em vez de escrever a palavra 'cidade', eu escrevia 'vida' e pra mim esse tropeço fala muito. Enfim, não vou falar de cada uma das coisas que ficaram em suspenso quando decidi fazer o mestrado. Até porque, eu as vejo mais como aquela parte de uma receita meio complicada, uma receita com várias partes e que você tem que seguir a seguinte instrução: reserve. Quando falam para você reservar você já sabe, vai precisar depois, vai fazer a diferença no final.

Hoje eu ouvi muitas coisas bonitas. Hoje eu ouvi com atenção aquilo que pessoas mais experientes do que eu me sugeriam. Eu que tenho tanta dificuldade em ouvir críticas negativas, tive sorte, não ouvi nenhuma. Ouvi elogios e ouvi ressalvas importantes. Ouvi conselhos. Coisas do tipo que servem para mostrar que se você puder ouvir não vai se desesperar diante de um mundo de coisas que não pode abraçar. Pesquisar é isso, me disse a convidada de Minas, é abrir mão, porque senão, o salto que a gente tem que dar para alcançar um objetivo fica muito grande, fica forçado, fica como uma costura de um saco de lona, dá pra notar.

Ouvi que meu trabalho vai ser uma grande contribuição pra psicanálise. Ouvi que isso que eu fiz não tem sido feito. Que isso que eu me proponho a fazer é um diferencial que não se vê em nenhuma pesquisa de psicanálise dita aplicada. Eu sei que é a opinião de duas pessoas. Só duas num vasto mundo. Mas ouvir isso me faz pensar coisas que pra mim sempre foram difíceis: então, quer dizer que no fim das contas eu consegui pensar de uma forma singular num tema tão pão-com-ovo? Ah, tão de brincadeira, né?

Um dos meus problemas deve ser que eu nunca acredito. Não acreditava que passaria no mestrado, por exemplo. Não acreditava que o que eu tinha escrito tinha grande valor. Não acreditava sequer que estava bem escrito. E não se trata de falsa modéstia. Ontem, relendo, pensei: tá medíocre. Essa foi a palavra que me veio à mente. Aí, hoje cedo, eu recebi um e-mail do professor que mandou a qualificação por relatório. No texto do e-mail ela dizia assim: "Segue meu parecer sobre o belo trabalho de Angela". Acontece que hoje de manhã, eu não li a palavra "belo". Li só agora.

O dia começou tão feio, tão esquisito. Aquela garoa absurda que você não sabe se abre o guarda-chuva ou não, porque ela vem de todos os lados. Tava tão parecido como eu me sentia. Incômoda. Esperando a professora que veio de Belo Horizonte pra minha banca, com uma plaquinha em mãos eu pensava: "Será que vou simpatizar com ela?". Porque se eu não simpatizar, vai ser tão difícil ouvir o que ela tem a dizer. Eu sou muito desse jeito. Enfim, não tem muito como não simpatizar com uma desavisada que vem para Curitiba de shorts e bota, no maior estilo editorial de moda. Uma fofa que fala "ocê" e que tem o sotaque mais gostoso de ouvir. Começou a me perguntar ali mesmo coisas sobre a dissertação, começou a dizer coisas que tinha pensado. Sem protocolo, sem formalidade. Entendi logo que ela tinha gostado. E ela me disse no caminho entre o aeroporto e a universidade: Você tem uma escrita muito madura.

E depois ela disse que eu interpreto Freud com elegância, com beleza e com delicadeza. E isso foi tão, mas tão bonito de se ouvir, sabe? Porque eu realmente tenho cuidado com Freud. Um cuidado de quem gosta muito, respeita muito, de quem tem muito medo de deturpar Freud. E ela captou esse meu cuidado. E me deu contribuições tão valiosas que eu tinha vontade de abraçar ela forte e agradecer muito mais do que agradeci. Porque agradeci e muito. Agradeço aos dois, que entenderam exatamente o ponto fraco do meu texto mas o entenderam não como um ponto negativo, mas como uma promessa. Uma promessa do que a minha dissertação pode vir a ser.

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