a dona desse blog
é de uma teimosia absurda. além de ser psicóloga, é leitora, aspirante à escritora, filha, irmã, tia e amiga, é indecisa por natureza, não sabe fazer planos e deixa sua vida ser dominada por uma ansiedade que ela sempre achou que disfarçava bem. acha que todo dia é ideal pra questionar se suas ações estão certas, se está sendo justa consigo, se faz o que gosta (e por enquanto faz). é uma dessas pessoas que gosta da solidão da própria companhia mas não dispensa uma cervejinha com aquelas pessoas que sabem conversar, de preferência em um boteco bem boteco, porque estes servem as mais geladas.

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  quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
Sobre 2010

2010 começou pra mim quando eu passei no mestrado, no finalzinho de 2009, em dezembro. Lembro da minha felicidade, felicidade de verdade, dessas que faz a gente chorar porque uma coisa muito boa aconteceu de verdade. Sei que isso não faz sentido pra todo mundo porque não é muita gente que considera importante para si ou para os outros isso de ser professor. Pra mim sempre foi. Poderia dizer que foi desde quando quis ser monitora na faculdade, ou quando decidi fazer iniciação científica. Mas foi antes, bem antes, quando eu era muito criança e passava minhas noites, quase todas elas na Universidade com meu pai. Tomava litros de café, entrava e saía da biblioteca e criava histórias bem incríveis na minha cabeça, que só terminavam na hora de voltar pra casa.

Professora foi o primeiro emprego que eu tive depois que me formei. E gostei. Dei aula por um ano e meio antes de passar no mestrado. Gostava de dar aulas da mesma forma que gostava de trabalhar na psiquiatria. Duas coisas diferentes que na prática, se complementavam.

Quando me formei e desisti do mestrado em Buenos Aires, achei que tinha me desviado do caminho. Passei a faculdade dizendo que faria mestrado logo em seguida, o que só aconteceu dois anos depois. Agora sei que aconteceu na hora certa. Quando eu me formei eu não tinha idéia do que eu queria estudar, e eu não tinha nem consciência que um percurso acadêmico te acompanha pra sempre, então é bom ser bem apaixonado pelo o que você decidiu estudar. E eu tive que trabalhar para me apaixonar. Descobri que eu gosto mais da loucura e que a psicanálise tem a ver com ela. E então, só então, pude passar no mestrado.

Meu pai é uma pessoa muito boa, muito boa mesmo. Ele é honesto e sempre ensinou as coisas do jeito correto. Minha mãe diz que de tão honesto, ele, às vezes, é ingênuo, porque pensa que as pessoas todas agirão como ele. Só que eu sou muito parecida e quando comecei a trabalhar e quando fui colocada em um lugar com um destaque maior do que possivelmente eu estivesse preparada, caí do cavalo. Nem uma, nem duas, mas várias vezes. Aprendi do jeito mais difícil a confiar desconfiando, a ter pés atrás (quer dizer, aprendi mais ou menos).

Ter decidido fazer o mestrado também teve a ver com essas quedas. Nunca fui acomodada e percebi que se continuasse onde estava eu ia acostumar com o salário melhor, comodidade da casa da minha mãe, tudo fácil. Ir para fora e fazer o mestrado seria abrir mão disso e de outras coisas. Entendi que também tinha feito uma escolha difícil em relação ao meu namoro. É que quando você namora à distância, o momento da encruzilhada chega. E nessas horas, ou os dois seguem pelo mesmo caminho, e aí sacrifícios de todos os lados são feitos, ou os dois vão por caminhos diferentes. Algumas coisas são feitas para serem lembradas com alegria, com a nostalgia boa do que terminou como um ciclo que se fecha.

Mudar para Curitiba foi surpreendentemente fácil. Tenho muitos anjos ao meu redor. Esses que Deus colocou no meu caminho à medida que eu fui crescendo, esses que eu soube encontrar e manter na minha vida. Sei que tudo foi mais fácil porque eu não sou sozinha. E uma vez, uma pessoa que eu julguei que poderia gostar muito me disse isso: "você nunca vai ficar sozinha, porque você não é sozinha, você tem muita gente". E eu tenho mesmo.

Fora isso, o "destino" sempre foi simpático pra mim. As coisas pareciam se encaixar magicamente, como um plano muito bem traçado. O emprego veio e foi na hora certa; o apartamento ideal surgiu sem eu sair de casa, novos amigos chegaram à minha vida com mala e cuia, pedindo espaço pros outros. Nesse ano, eu saí bastante, bebi mais do que devia e descobri coisas importantes. Descobri que existe uma fé em mim inabalável em algo maior que eu, por menos religiosa que eu seja.

Antes de 2010 eu aprendi que antes planejava muito e me frustrava mais. Agora fica mais fácil esperar quietinha pelo que vai acontecendo e a tomar as decisões na hora que as escolhas se fazem, e não na hora que as possibilidades se apresentam. O que não faz de mim mais madura, porque nem sempre eu consigo. Só que fico feliz por conseguir mais do que antes.

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