a dona desse blog
é de uma teimosia absurda. além de ser psicóloga, é leitora, aspirante à escritora, filha, irmã, tia e amiga, é indecisa por natureza, não sabe fazer planos e deixa sua vida ser dominada por uma ansiedade que ela sempre achou que disfarçava bem. acha que todo dia é ideal pra questionar se suas ações estão certas, se está sendo justa consigo, se faz o que gosta (e por enquanto faz). é uma dessas pessoas que gosta da solidão da própria companhia mas não dispensa uma cervejinha com aquelas pessoas que sabem conversar, de preferência em um boteco bem boteco, porque estes servem as mais geladas.

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  quinta-feira, 4 de novembro de 2010
Sobre de onde vem a dor


Outro dia ouvi por acaso no rádio uma música que eu gostava e que não ouvia há muito tempo. Não dei muita bola, mas uma das frases chamou a minha atenção: "E toda dor vem do desejo de não sentirmos dor". Em nem gosto de Renato Russo, nunca gostei de Legião Urbana e se tiver alguém para reclamar, gosto menos ainda de fãs exaltados de qualquer banda, mas simpatizo com algumas músicas isoladas de alguns artistas, e essa é uma dessas exceções.

Minha dissertação do mestrado tem a ver com dor e tem a ver com sofrimento. Mais ainda, tem a ver com as formas que a gente usa para evitar essas duas coisas e que acabam sendo um péssimo negócio. Tem vezes na vida que a forma que a gente encontra para se defender é um tiro no pé. A minha dissertação também tem a ver com diversas formas que prometem "exterminar" um sofrimento ou nos "elevar" a alguma condição "ideal" (mesmo que esse ideal nem seja o nosso). Um pouco mais além eu vou falar sobre a importância de ouvir essas dores que chegam para que não sintamos outras dores. Na verdade, eu quero falar sobre a importância dessas dores primeiras, essas que nos fizeram recorrer às tais defesas. Enfim, falo da possibilidade de a gente assumir algumas coisas, falo de responsabilidade, mas também falo da autonomia que a responsabilização permite: falo aqui de desejo.

É tão engraçado estudar, escrever e especialmente falar sobre dores num momento em que sinto uma dor constante. Uma ferida aberta, eu diria. Eu juro que sinto vergonha por algumas coisas que foram ditas. Fico lembrando de conversas que não existiram e tentando encontrar o prumo, e pensar no momento em que se perdeu o que não tinha. Todo mundo tem seu(s) sofrimento(s). Isso não faz da psicanálise apegada a um niilismo, pelo contrário, a psicanálise ajuda a gente a lutar contra esses sofrimentos, a buscar os nossos próprios ideais.

Volta e meia acontecem determinadas situações que tiram a gente da rota. Da minha, eu costumo sair sempre que existem silêncios barulhentos. Sempre que as palavras não são feitas para dizer. Isso me aflige de tal maneira que faz dias que normal é aquela sensação de peito apertado, aquela sensação que provoca uma dor de fato, dor física, dor afetiva. Quem já sentiu sabe. Enquanto isso, escrevo sobre dor.

Mas mais do que isso, escrevo sobre a importância dessas dores, e a condição que a gente tem de chegar ao fundo delas e a partir disso construir alguma coisa boa. Fico pensando que somos como cidades enterradas. Quando as ruínas são encontradas encontram também os cemitérios, os resquícios de belezas que existiram. Quando essas ruínas são descobertas, ficam abertas. Mas elas nunca serão inteiramente decifradas. E outras catacumbas vão aparecer ora ou outra. E tudo bem.

Quase toda dor vem daquilo que a gente não sabe. Essa que eu sigo vivendo também vem. E por isso que ela dói tanto. Porque tudo que eu quero agora é uma palavra que diga.

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