a dona desse blog
é de uma teimosia absurda. além de ser psicóloga, é leitora, aspirante à escritora, filha, irmã, tia e amiga, é indecisa por natureza, não sabe fazer planos e deixa sua vida ser dominada por uma ansiedade que ela sempre achou que disfarçava bem. acha que todo dia é ideal pra questionar se suas ações estão certas, se está sendo justa consigo, se faz o que gosta (e por enquanto faz). é uma dessas pessoas que gosta da solidão da própria companhia mas não dispensa uma cervejinha com aquelas pessoas que sabem conversar, de preferência em um boteco bem boteco, porque estes servem as mais geladas.

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  quinta-feira, 14 de outubro de 2010
Sobre tristeza

O desejo se alimenta de devaneios, mas desejar é também correr o risco de não seguir o roteiro de nosso devaneios (Contardo Calligaris)

Fiquei triste e nunca me envergonhei da tristeza. Há alguns dias não durmo bem, perseguida por um inconsciente que sempre é duro comigo. Outra noite sonhei com a única pessoa que eu gostaria de ver atropelada por um ônibus sentido Barreirinha. Na mesma noite, com medo de ser baleada, saí da cama de joelhos e acordei já na porta, fugindo. Perseguida.

Não lembro o que sonhei noite passada (talvez por sorte). Mas sei que custei a dormir. Um pouco teve a ver com a quantidade de café ingerida, mas outro tanto com pensar demais. Com tentar entender e não conseguir e me ver perdida no que não foi dito. E como os não ditos fazem buraco, é duro lidar com eles.

É exagero. Claro que é. A história é tão recente e eu fui alertada de saída. Mas vivo de expectativas, já disse, sou só uma menina boba. Boba e louca para ter alguém mais perto, alguém pra ficar bem perto. Porque eu aprendi que carinho é bom. Que abraço deixa a gente mais feliz e que beijo assopra as dores.

É que eu nunca tinha conhecido alguém que também achava Olhai os lírios do campo um dos melhores da literatura brasileira. Nem que tivesse lido O tempo e o vento porque quis e que achasse o Érico Veríssimo melhor que o Luiz Fernando. É que eu nunca tinha encontrado alguém que batesse o olho na minha casa preferida e falasse o quanto ela é linda. E nem nunca tinha encontrado um cara que me fizesse ficar sem ter o que dizer ao mesmo tempo em que fosse capaz de passar muitas horas conversando, gostando da minha companhia e tivesse percebido o quanto eu gosto de galinhas da angola, de sorvete e de ouvir Burning Love como se não houvesse amanhã. É que eu nunca tinha conhecido um homem que afirmasse ter chorado quando viu Peixe Grande e I am Sam, e que ficasse tocado com a trilha sonora deste último. É que eu nunca tinha encontrado alguém que não fizesse exatamente aquilo que eu queria e ainda assim mexesse tanto comigo, a ponto de eu aceitar essa "desobediência".

Eu poderia falar sobre um monte de defeitos, mas pra quê? Falar a respeito vai me ajudar a dormir melhor à noite? A pegar rapidamente no sono sem pensar no que será que aconteceu? O que é isso que ficou para mim como um hiato? Justo eu que prefiro sempre a dureza, a aspereza da verdade e das palavras mais duras do que o vácuo que um silêncio provoca, tô aqui, sem saber.

Sou só uma menina boba. Uma menina boba que fez do pouco tempo e dos pequenos gestos grandes expectativas e que acreditou de tal forma nelas que quando elas caíram, foi junto. E sentiu-se mal como se tivesse perdido alguém muito caro, alguém que estava ali há muito tempo, alguém de quem vai sentir falta. É que vai mesmo sentir falta. É que faz sentido. É que acontecem coisas no dia que ela queria ligar pra contar. Mas ele não atende mais.

"Vida que segue", eu digo. Digo para mim como uma mãe diz pra uma filha cujo coração foi partido pela primeira vez. "Vai passar", eu repito (mesmo secretamente sabendo que não passa nunca, que essas histórias são marcas que retornam e retornam e retornam), "dê tempo ao tempo, saia com tuas amigas, deixa eu fazer um chá para você". E me repito tudo isso tentando cuidar de mim, pegando aquilo que eu consegui, pegando aquele meu troco de volta, o troco da diferença entre o que eu queria e o que ele podia e queria me dar. Enfio o troco em algum lugar e volta e meia sinto o peso dele no meu bolso.

Mas eu tenho um projeto de mestrado pra terminar. Tenho 40549 textos do Freud pra ler e explicar no meu trabalho o que é sofrimento. E depois de ler o que eu escrevi e entreguei pro meu orientador, pensei que não deve ter sido à toa que a palavra sofrimento aparecia tantas vezes no meu texto. E sofrimento pra psicanálise é o quê senão falta? E tem a ver com falta meu ato falho de escrever morrendo em vez de morando. Sei que é exagero. Sei que não é pra tanto. E sei que não estou morrendo, mas algo morreu. Morreu uma idéia bonita e a morte de uma idéia bonita é o que eu posso chamar de tristeza.

E quem quiser me chamar de exagerada, à vontade. Nunca tentei convencer ninguém do contrário.

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