a dona desse blog
é de uma teimosia absurda. além de ser psicóloga, é leitora, aspirante à escritora, filha, irmã, tia e amiga, é indecisa por natureza, não sabe fazer planos e deixa sua vida ser dominada por uma ansiedade que ela sempre achou que disfarçava bem. acha que todo dia é ideal pra questionar se suas ações estão certas, se está sendo justa consigo, se faz o que gosta (e por enquanto faz). é uma dessas pessoas que gosta da solidão da própria companhia mas não dispensa uma cervejinha com aquelas pessoas que sabem conversar, de preferência em um boteco bem boteco, porque estes servem as mais geladas.

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  segunda-feira, 16 de agosto de 2010
Sobre leveza

Até hoje, o momento mais difícil da minha vida foi me despedir da minha avó. Chorei muito ao vê-la na cama, esquecida pela vida, esquecida de quem foi. Ela não lembrava mais muitas coisas, incluindo como falar português. Fiquei pensando que nessas horas o que sobra é o que há de mais arcaico, e as primeiras palavras ensinadas talvez façam mais sentido, sejam o que fica.

Foi um dia estranho esse de me despedir de alguém que não parecia estar mais lá. Mas eu consegui, eu penso ter conseguido em algum momento fazer ela saber que era eu dizendo pra ela ir embora, pra ela ficar tranquila e que ela tinha sido minha pessoa preferida.

Quando falo isso, é sem exagero. Ela foi a pessoa com quem eu aprendi a ter bom humor, doçura e com quem eu aprendi a não compreender tudo. Ela se surpreendia honestamente com a vida, sem disfarces. Ela se surpreendia até com o fato de a irmã mais nova ter cabelos tão brancos, esquecendo que os dela eram pintados, assim como as unhas, sempre compridas e vermelhas. Cantava todos os dias, quase o tempo todo e chupava balas de caramelo. Levava um copo de refrigerante para a cama, onde ouvia radio até dormir.

Se me fosse permitido escolher só uma palavra para descrevê-la, seria leveza. E levar a vida com leveza não é para todo mundo. Já falei sobre cavalos de batalha e o quanto eles me incomodam. Nunca na minha vida, vi minha avó fazer um cavalho de batalha. Ela aceitava. E é preciso entender que a delicadeza em aceitar é fugir da passividade que esse verbo pode incitar em algumas cabeças.

Quando a sua pessoa preferida vai embora, você obrigatoriamente tem que aprender a lidar com isso. E eu aprendi a lidar com isso ficando feliz, porque tristeza mesmo era a tristeza dela por não saber o nome dos filhos. Mas acho que ela soube que eu estive lá naquele dia. Ela tentou dizer alguma coisa para a minha mãe, mas não conseguiu. E ela não reconhecia direito mais ninguém.

No fim das contas, a minha pessoa preferida foi embora, e foi embora a pessoa para quem eu também fui a preferida. Ela nunca escondeu isso a vida toda. Se eu fui a pessoa preferida de alguém, foi dela.

Essa noite foi a primeira vez que sonhei com ela. E ela estava bem, saudável e linda como eu lembrava dela na minha infância, com cara de vó, unhas feitas e cabelos enrolados, pintados de loiro. Os olhos azuis sempre brilhando porque se emocionava sempre. Ela sempre chorava na hora se despedir. Morreu dormindo. É bom saber que minha pessoa preferida morreu da maneira que eu desejei que fosse. Porque ela merecia fechar os olhos e descansar. E dessa vez, foi a vez de chorarem os que se despediram dela.

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