a dona desse blog
é de uma teimosia absurda. além de ser psicóloga, é leitora, aspirante à escritora, filha, irmã, tia e amiga, é indecisa por natureza, não sabe fazer planos e deixa sua vida ser dominada por uma ansiedade que ela sempre achou que disfarçava bem. acha que todo dia é ideal pra questionar se suas ações estão certas, se está sendo justa consigo, se faz o que gosta (e por enquanto faz). é uma dessas pessoas que gosta da solidão da própria companhia mas não dispensa uma cervejinha com aquelas pessoas que sabem conversar, de preferência em um boteco bem boteco, porque estes servem as mais geladas.

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  quarta-feira, 23 de junho de 2010
Sobre cavalos de batalha

Eu desconfio muito de pessoas que atacam. Aliás, desde que comecei a trabalhar diretamente com órgãos públicos, aka escolas, conselho tutelar, CRAS (Centro de referência de assistência social), secretarias municipais, enfim, percebi que o ataque costuma ser a melhor defesa. É um tal de jogar a responsabilidade que me deixa atordoada.

Hoje eu fui em uma escola X perguntar porque a aluna Y, que é atendida no programa onde eu trabalho, não tem ido à aula e porque o CRAS não ficou sabendo disso e tampouco o conselho tutelar. Mais tarde, uma estagiária me liga e conta que uma pedagoga da escola X ligou indignada dizendo que a criança não estava numa situação de perder o ano e que a minha "cobrança" era indevida. Bom, então a lógica é avisar a rede de serviços de proteção quando Y estourasse em faltas e perdesse o ano? Não entendi. A pedagoga da escola também disse nunca ter ficado sabendo que a aluna foi alvo de chacota por causa de um problema físico. Não entendi como ela alegou ignorância para se defender. Afinal, será mesmo que não saber de alguma coisa retira a responsabilidade? Acho que não.

Esse é o tipo de coisa que me irrita em trabalhar em um órgão público. Você acaba dependendo de um monte de gente que tem um monte de gente pra cuidar. Eu entendo isso. Só não concebo como você pode achar que o problema é a pessoa que apontou o problema. Isso não entendo. Agressividade só um jeito frágil de mostrar que você sabe que a responsabilidade era sua. Por isso, planejo voltar nessa escola para perguntar quanto tempo que eles iam esperar para se dar conta que uma criança de 12 anos ia perder o ano.

Isso de tirar o corpo fora, tenho experimentado diariamente. Falta de vontade, de ânimo, corpo mole. Isso me irrita porque atrapalha o trabalho de quem quer trabalhar. E aí você tem que lembrar a pessoa que as coisas são mais fáceis de resolver do que parecem e que fazer um cavalo de batalha por tudo só faz a gente cair no lugar comum do funcionário público: isso não é do meu setor, isso não é minha responsabilidade. Depois as pessoas ficam pensando porque a confiança é tão frágil. Porque as pessoas não confiam mais naqueles órgãos que foram criados para "ampará-las".

Eu não sei se nasci pra isso. Mas acredito fortemente que não. Por isso que eu estudo tanto. Se os medos são o que fazem o mundo andar, o que faz andar o meu mundo é isso: o medo de ser infeliz aí. Nessa comodidade castradora de desejo, de vontade, de tesão de fazer o que você gosta. E o que eu gosto tem a ver com autonomia, não com tutela e dependência.


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