a dona desse blog
é de uma teimosia absurda. além de ser psicóloga, é leitora, aspirante à escritora, filha, irmã, tia e amiga, é indecisa por natureza, não sabe fazer planos e deixa sua vida ser dominada por uma ansiedade que ela sempre achou que disfarçava bem. acha que todo dia é ideal pra questionar se suas ações estão certas, se está sendo justa consigo, se faz o que gosta (e por enquanto faz). é uma dessas pessoas que gosta da solidão da própria companhia mas não dispensa uma cervejinha com aquelas pessoas que sabem conversar, de preferência em um boteco bem boteco, porque estes servem as mais geladas.

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  quinta-feira, 22 de abril de 2010
Sobre o que não depende da gente

Crise de angústia, taquicardia, perda do sono, falta de fome, boca seca. Sintomas de uma pessoa dominada por uma necessidade absurda que as coisas aconteçam conforme o planejado. Canso de falar sobre expectativas e sobre o quanto as minhas são elevadas e acabam comigo. Por isso, quando a resolução dos problemas não depende exclusivamente de mim parece que as coisas ficam muito fora de sentido, porque eu preciso esperar. Na realidade, ficar a mercê dos outros não é fácil. Frustrante, eu diria.

Essa história de mudança tem me colocado num plano de realidade que eu detesto, que é quando eu preciso admitir que não posso fazer algumas coisas, que não dou conta de tudo ao mesmo tempo e que as coisas precisam ser feitas num ritmo mais devagar. Isso parece óbvio. É claro que eu SEI disso, mas entre saber e conseguir mudar a minha forma de me relacionar com a idéia imaginária de poder que eu tenho, o caminho é longo e pontuado pelas sensações enumeradas no começo deste post.

Nas últimas semanas eu comecei a perceber uma importante presença na minha vida. Presença que eu teimei em ignorar nos últimos anos, escondida atrás de uma falsa descrença em relação ao que não se explica. Mas hoje, quando o ônibus se materializou ao meu lado na hora que eu mais precisava, e quando o tempo passou devagar o suficiente para eu atravessar a cidade e conseguir chegar na Copel dez minutos antes de fechar e conseguir pedir para religar a energia do apartamento em que eu vou morar, não parei mais de agradecer. Também não consigo parar de agradecer o fato de o temporal que caiu hoje em Curitiba só ter acontecido depois que estava em casa, segura.

Aliás, em casa não. Na casa de uma das minhas amigas, que tem sido uma irmã de tão acolhedora, pronta pra ajudar, contente com a minha presença. Aliás, não consigo parar de pensar na sorte que eu tenho não só pelas minhas amigas que, cada uma a sua maneira, tem me ajudado nessa mudança, mas pelos meus pais que estão lá longe resolvendo minha declaração de renda, minha mudança, as próprias questões pessoais em perder duas filhas de uma vez, sem deixar nenhuma das duas sentindo-se culpada por estar saindo de casa.

Eu não sei o que faria sem meus pais. Não sei o que faria sem minhas irmãs. Não sei o que faria sem as minhas amigas. Também não sei se um dia vou consegui agradecer o bastante a cada um deles. Saí uma vez de casa pra estudar, mãe e pai levaram, alugaram apartamento, ajudaram. Saí agora por conta e risco, mas não sem apoio.

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