a dona desse blog
é de uma teimosia absurda. além de ser psicóloga, é leitora, aspirante à escritora, filha, irmã, tia e amiga, é indecisa por natureza, não sabe fazer planos e deixa sua vida ser dominada por uma ansiedade que ela sempre achou que disfarçava bem. acha que todo dia é ideal pra questionar se suas ações estão certas, se está sendo justa consigo, se faz o que gosta (e por enquanto faz). é uma dessas pessoas que gosta da solidão da própria companhia mas não dispensa uma cervejinha com aquelas pessoas que sabem conversar, de preferência em um boteco bem boteco, porque estes servem as mais geladas.

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  quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
Sobre "uma cena dessas"

Peguei um circular para vir do shopping até a casa da minha amiga, no caminho, vi um rapaz com um bebê recém-nascido no colo, coisinha pequena, delicada, enrolada em montes de cobertores, bem quando o tempo em Curitiba abriu e o sol abafou, num dia que começou tão fresco. A uns três passos atrás estava a mãe, ou assim eu supus, que não deveria ter nem dezoito anos. O que chamou a atenção foi a expressão no rosto dela, séria, compenetrada. Fiquei curiosa para saber o que ela pensava naquele momento, e a expressão do rosto dela me deixou triste.

Eu nunca saberei o que ela pensava, mesmo que eu tivesse descido do ônibus e perguntado, porque o pensamento define a barreira do inatingível e do que é solitário por excelência. Ninguém, por maior que seja a afinidade, vai nos acompanhar aí. Logo depois, chegando no prédio, minha amiga tinha saído e esqueceu de deixar a chave. Desci para esperá-la na recepção e encontrei um chaveiro no elevador. Eu não pensei nada sobre aquele chaveiro, eu mal olhei para ele. Mas chegamos lá embaixo junto com uma ambulância do SAMU, e eu não tinha reparado que o chaveiro estava perplexo, até que ele falou para o porteiro que era muito difícil ver "uma cena dessas".

Depois que rapaz saiu o porteiro disse que um dos moradores, se trancou por dentro e a pessoa com quem ele morava, não conseguiu entrar, chamou um chaveiro e os dois encontraram o sujeito ensanguentado no quarto (o que o chaveiro chamou de "uma cena dessas"). Imediatemente fiquei abatida. Não com o pessoal do SAMU levando a pessoa na maca, porque quando isso aconteceu, eu já tinha subido e estava em casa, mas pelos pensamentos do protagonista de "uma cena dessas". Quais foram os pensamentos dele alguns segundos antes do que quer que tenha feito? A Simone de Beauvoir fala que o que mais nos incomoda diante do suicídio é justamente o que passou naquele coração logo antes. E o que me choca mais é o ponto de solidão em que aquela pessoa se encontrava.

Antes de tudo isso acontecer, andando no shopping sozinha, eu pensava no quanto é estranho não ter mais por perto uma pessoa com quem a gente se acostumou a conversar. E escrevendo aqui agora, pensei que essas coisas que me aconteceram hoje, eu teria com quem dividir, incluindo as reminiscências. Não é saudade, nem sentir uma falta específica e pontual, caso contrário, eu pegaria o telefone e resolveria o problema, mas é a brevidade da vida, a delicadeza dos laços e a realidade do fim que insiste em se impor diante de nós que gostamos de nos considerar imortais. É um tipo de nostalgia de alguma coisa que eu não sei o quê.

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