a dona desse blog
é de uma teimosia absurda. além de ser psicóloga, é leitora, aspirante à escritora, filha, irmã, tia e amiga, é indecisa por natureza, não sabe fazer planos e deixa sua vida ser dominada por uma ansiedade que ela sempre achou que disfarçava bem. acha que todo dia é ideal pra questionar se suas ações estão certas, se está sendo justa consigo, se faz o que gosta (e por enquanto faz). é uma dessas pessoas que gosta da solidão da própria companhia mas não dispensa uma cervejinha com aquelas pessoas que sabem conversar, de preferência em um boteco bem boteco, porque estes servem as mais geladas.

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  segunda-feira, 27 de julho de 2009
Sobre o fim de uma era

O Marega era aquele tipo de restaurante que eu tinha medo de entrar. Ficava em um prédio já bem antigo e com aparência não muito boa. As mesas eram cobertas por uma toalha de plástico, dessas que a gordura impregna. Os vidros de vinagre, azeite e sal também pareciam ter sido atingidos por uma camada irremovível de óleo, como se há anos estivessem ali, sem serem incomodados.

Um dia, a Bianca chegou em casa e disse que alguém falou que a comida era ótima. Ela almoçou lá e confirmou: a comida era muito boa! E foi aí que passamos a frequentar o lugar, praticamente todos os dias.

O feijão tinha um caldo grosso, servido em uma cumbuquinha de barro, junto com uma conchinha pequena, com o cabinho torto, a "concha da vó do Fabiano". O arroz era quentinho e solto, a batata frita, embebida em gordura, uma delícia, como também eram o bolinho de arroz, a farofa a e a polenta.

Agora a estrela do almoço, insubstituível, que eu nunca consegui encontrar um que chegasse a altura, era o bife acebolado. Servido em um prato cheio, com muitas e muitas rodelinhas de cebola, todas moreninhas e saborosas, provavelmente por causa da frigideira usada há anos para o mesmo fim.

Nós costumávamos imaginar que aquela comida, para ser tão boa como era, só poderia ser feita a base de muita banha. Fantasiávamos que a cozinheira era uma tiazona bem generosa e sorridente, provavelmente esposa do seu Marega, e tão simpática quanto ele.

Eu uso o plural porque era impossível comer sozinho no Marega. Nós costumávamos ir em bando. As pessoas que não conheciam achavam engraçado e ficavam curiosas pra experimentar aquela comidinha caseira, saborosa, e cheirosa, e quando experimentavam, reconheciam o quanto era boa. Mas talvez, o que nos atraía no Marega não era tanto a comida. Era mais a possibilidade que a gente tinha em, longe de casa, poder comer algo feito com um afeto que dava pra sentir em cada coisinha daquele lugar. Era o lugar em que conversávamos sobre tudo, por muito tempo até depois do almoço, em que um era a família do outro.

Nessa minha visita à Maringá, soube que o Marega mudou de lugar. Encontramos o novo restaurante, lugar amplo, claro, extremamente limpo. As mesas bambas de mandeira foram substituídas por mesas tubulares brancas com granito por cima. As cumbucas de barro e conchas da tortas da vó, foram deixadas de lado para uma bancada self-service. O bife acebolado é frito na chapa na hora, e a cozinha não tem uma cozinheira, mas várias uniformizadas, com toucas e aventais brancos. Agora, até cartão de débito e crédito o Marega aceita.

Eu não gosto de parecer aqueles tiozões saudosistas, mas realmente fiquei triste. Parece que a Maringá que eu vivi durante 5 anos realmente não existe mais. Nem os fregueses do Marega são os mesmos, nem eu sou a mesma. Por sorte, na memória e no coração, o Marega, e tudo o que está relacionado a ele, não podem sair nunca. O que eu senti hoje na hora do almoço, é o que eu posso chamar de o fim de uma era. É o que eu chamo de saudade.

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