a dona desse blog
é de uma teimosia absurda. além de ser psicóloga, é leitora, aspirante à escritora, filha, irmã, tia e amiga, é indecisa por natureza, não sabe fazer planos e deixa sua vida ser dominada por uma ansiedade que ela sempre achou que disfarçava bem. acha que todo dia é ideal pra questionar se suas ações estão certas, se está sendo justa consigo, se faz o que gosta (e por enquanto faz). é uma dessas pessoas que gosta da solidão da própria companhia mas não dispensa uma cervejinha com aquelas pessoas que sabem conversar, de preferência em um boteco bem boteco, porque estes servem as mais geladas.

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  quinta-feira, 11 de junho de 2009
Sobre o dia dos namorados

Eros e Psiquê não deveriam ter se encontrado e muito menos se apaixonado. Ele, deus do Amor, filho de Afrodite, a deusa das vicissitudes da paixão, a mais linda das deusas, mas também a mais caprichosa, como costumam ser mulheres bonitas demais. Psiquê era a personificação da Alma, sopro de vida, tão bela que provocou a ira de Afrodite, que mandou o filho matá-la.

Mas quem escolhe por quem se apaixona? Atingido pela própria flecha, Eros se entrega a Psiquê e ela a ele. Movidos por essa paixão, casam-se sem a autorização dos deuses e vivem um cego amor. Psiquê, sendo mortal, não pode ver Eros e assim eles vivem o amor guiado pela emoção, como costuma ser quando nos apaixonamos e é impossível encontrar os defeitos.

Passado o tempo e dominada pela curiosidade humana, demasiado humana, Psiquê decide conhecer o rosto do seu amor enquanto ele dorme. Ao acordar, Eros é tomado pela raiva e vai embora, deixando Psiquê em sofrimento profundo, por ter desejado através dos sentidos conhecer aquele que já conhecia tão bem através das emoções.

Abandonada e culpada, Psiquê procura ajuda dos deuses. Afrodite promete que, se ela cumprir quatro tarefas, terá Eros novamente. As tarefas eram difíceis o bastante para uma mortal não poder realizá-las, mas Psiquê consegue com ajuda dos deuses, e justamente na última e mais difícil delas seu lado humano a trai novamente e ela cai no sono profundo da morte. Eros, que já sentia saudades, fica mobilizado e, num ato heróico, tão comum aos homens, resgata a sua princesa, pede piedade aos deuses, abandona a passividade diante da mãe, casa-se novamente com Psiquê: o amor volta a se realizar.

Os gregos sabiam explicar as coisas simples e difíceis da vida através do mito e esse é um dos meus preferidos. O amor para se realizar precisa percorrer um caminho que muitas vezes é difícil. Quando a gente se apaixona, começa a viver em uma redoma onde ninguém mais entra, é quando o amor é propriamente cego. Não há necessidade de se enxergar, porque nos enxergamos através dos olhos do outro. Mas nós temos muitas fraquezas. Gostamos de ter certezas, do preto no branco, de números, datas, valores. Gostamos de fazer que o outro se encaixe nas nossas expectativas custe o que custar. E acontece muito de o custo ser justamente o fim do amor.

Mas a parte boa é que a vida costuma nos oferecer segundas chances. Chances de crescer e amadurecer no amor e perseguir objetivos diferentes. O objetivo é a transformação, a mudança, a individualidade. Não é a toa que Psiquê é representada por uma menina com asas de borboleta, esse ser que se transforma. A alma tem uma capacidade enorme de transformação. A transformação do amor não ocorre sem dor, sem sofrimento, sem que as pessoas percorram um caminho difícil, aquele em que a gente segue sozinho, justamente pra poder ficar junto de alguém.

Eu vou esquecer que o dia dos namorados é uma data comercial. E eu vou pensar nessa história de transformação que nos torna pessoas melhores que antes, que nos torna capazes de olhar para a direção certa e, quem sabe, renovar hoje a escolha de ontem. Eu tenho renovado a minha, apesar de todas as difíceis tarefas que sempre se apresentam. Mas tenho aprendido a confiar novamente nas emoções, por isso, eu aposto.

Um feliz dia dos namorados para todos, inclusive para aqueles que ainda percorrem o caminho solitário da transformação!

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