a dona desse blog
é de uma teimosia absurda. além de ser psicóloga, é leitora, aspirante à escritora, filha, irmã, tia e amiga, é indecisa por natureza, não sabe fazer planos e deixa sua vida ser dominada por uma ansiedade que ela sempre achou que disfarçava bem. acha que todo dia é ideal pra questionar se suas ações estão certas, se está sendo justa consigo, se faz o que gosta (e por enquanto faz). é uma dessas pessoas que gosta da solidão da própria companhia mas não dispensa uma cervejinha com aquelas pessoas que sabem conversar, de preferência em um boteco bem boteco, porque estes servem as mais geladas.

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  sábado, 9 de maio de 2009
Sobre balas de caramelo

Recentemente eu descobri que esqueci de coisas importantes sobre a minha infância. Esqueci do tempo em que a minha avó morou na minha casa. Em todas as lembranças que eu tenho dela, na casa que morei antes dos 6 anos, ela estava sempre visitando, mas na verdade, a maior parte desses anos, ela morou lá.

Minha irmã disse que no dia que a levamos para morar com a minha tia, eu e ela voltamos chorando no carro, agarradas a uma blusa da vó por uns cem quilômetros. Disso eu também esqueci. Do que eu lembro, e disso lembro muito bem, é do nó da garganta que formava na hora de ir embora todas as vezes que eu ia visitá-la, ou que ela vinha. Lembro também de que alguns minutos antes, ela desaparecia, e que muito cedo eu entendi que esse sumiço repentino servia para que algumas lágrimas caíssem sem que ninguém as visse.

Eu também lembro de que minha avó costumava ter sempre na bolsa um pacote de balas de caramelo. Daquelas com a embalagem transparente no meio e com as bordas listradas em azul e branco. Essas balas ela costumava chupar na cama, até pegar no sono. De tão doces que elas eram, às vezes, ela precisava levantar para buscar um copo de refrigerante.

Minha avó usava brincos de pressão porque tinha um lóbulo rasgado por causa de um brinco pesado demais. Eu gostava de brincar com as bijuterias dela. Usava broches, colares e anéis. Gostava de comprar roupas e de usar as coisas novas logo. Eu me pareço com ela nisso. Gostava de ser "a velha mais velha" e já não se indignava com as coisas da vida, aceitava com naturalidade o que alguém nascido em 1914 não precisaria aceitar.

Minha avó tinha um cheirinho bom, um cheirinho de vó. Eu não sei se ela entendeu que eu estava lá, mas quando eu fui me despedir dela, eu disse que a amava muito, passei creme nas mãozinhas dela, já bem magrinhas, e disse pra ela ir e que tudo ia ficar bem. Desse nó na garganta eu também nunca vou esquecer e sempre que eu vir as balas de caramelo, vou lembrar dela.




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