a dona desse blog
é de uma teimosia absurda. além de ser psicóloga, é leitora, aspirante à escritora, filha, irmã, tia e amiga, é indecisa por natureza, não sabe fazer planos e deixa sua vida ser dominada por uma ansiedade que ela sempre achou que disfarçava bem. acha que todo dia é ideal pra questionar se suas ações estão certas, se está sendo justa consigo, se faz o que gosta (e por enquanto faz). é uma dessas pessoas que gosta da solidão da própria companhia mas não dispensa uma cervejinha com aquelas pessoas que sabem conversar, de preferência em um boteco bem boteco, porque estes servem as mais geladas.

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  segunda-feira, 6 de abril de 2009
Sobre a Luciana

"Era uma vez uma psicóloga chamada Luciana que queria escrever um livro". Foi assim, por causa do livro, que eu a conheci. E começou outra história.

Era uma vez uma estudante de Psicologia chamada Angela, certo dia ela foi assistir a uma palestra de uma psicóloga chamada Luciana, que havia escrito um livro. Se restava alguma dúvida sobre essa profissão que havia escolhido lá pelos seus quinze anos, nesse dia, não sobrou nenhuma, aliás, o que sobrou desse encontro foi muito, muito mesmo, por exemplo, a certeza de uma escolha acertada e a dedicatória do livro:

Angela,

venha comigo viver os sonhos que sonhei e viver as histórias que vivi. Espero que você encontre no seu trabalho a mesma paixão que eu encontrei no meu. Um abraço,

Luciana

O que eu chamei de palestra, foi na verdade um testemunho de um trabalho árduo de verdade, fascinante e amendrontador, sacrificante e satisfatório. A Luciana conta no livro três histórias de três crianças que viviam no seu universo particular, esse mesmo universo que, tantas vezes na vida, todo mundo que se acha "normal" gostaria que se materializasse para poder fugir de tudo, das responsabilidades, do sofrimento, da dor, da dor do amor.

A dor do amor não é a dor de cotovelo. A dor de amor é a dor de ódio, essa dor de existir (que as pessoas pensam que podem evitar se anestesiando). De tão absurda, nem todos a suportam. E, diante disso, uma das alternativas é o auto-exílio mental, afetivo, psíquico, cujo preço é cobrado de uma forma tão cruel por todos os outros que acabam suportando bem ou mal: o preço é ser considerado louco e sofrer as consequências bem árduas da loucura.

Por sorte, descobri que eu conseguia conviver com ela, a loucura dos outros, que me relembra todos dias da minha própria. Ela abate, dá um cansaço mental que de tão grande, derruba fisicamente, é como se você tivesse levado uma surra. A loucura abala suas estruturas porque faz você sentir, sem nem saber o que está sentindo, que você também pode sucumbir à dor.

Lembro todos os dias de uma paciente querida que, mesmo eu dizendo que não seria mais a psicóloga dela, me dizia em cada sessão: "Ano que vem você vai ser minha psicóloga outra vez." Falta de contato com a realidade? Confusão mental, violência, palavras desconexas, repetições? São a marca de um limite que não foi atravessado. Limite árduo de atravessar e por isso, ninguém se lembra dele. O problema de quem é louco vai além de lembrar o que aconteceu, porque o que vem do real do inconsciente continua sendo presenciado, indefinidamente, todos os dias.

Se um dia eu encontrar a Luciana, pretendo dizer a ela que sim, eu encontrei muita paixão no meu trabalho. E também agradecê-la pelo livro com relatos tão bonitos do que é ser psicóloga, do que é ajudar alguém a encontrar uma forma de atravessar aquele o limite muito tênue entre a invasão do real na realidade. Não posso me cobrar demais, mas espero conseguir sentir a satisfação que ela sentiu em cada um dos casos.

Se eu deixar de pensar...
E tu deixares de pensar...
Então encontraremos a lógica.

Se eu deixar de defender-me...
E tu deixares de defender-te...
Então seremos fortes.

Se eu me perder em ti...
E tu te perderes em mim...
Então nos encontraremos.
(Luciana Gentilezza)

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