a dona desse blog
é de uma teimosia absurda. além de ser psicóloga, é leitora, aspirante à escritora, filha, irmã, tia e amiga, é indecisa por natureza, não sabe fazer planos e deixa sua vida ser dominada por uma ansiedade que ela sempre achou que disfarçava bem. acha que todo dia é ideal pra questionar se suas ações estão certas, se está sendo justa consigo, se faz o que gosta (e por enquanto faz). é uma dessas pessoas que gosta da solidão da própria companhia mas não dispensa uma cervejinha com aquelas pessoas que sabem conversar, de preferência em um boteco bem boteco, porque estes servem as mais geladas.

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  segunda-feira, 2 de março de 2009
Sobre "Nunca te vi, sempre te amei"


"84 Charing Croos Road" é o título original do filme traduzido em português para "Nunca te vi,sempre te amei". É também o nome de uma livraria especializada em livros e outros materiais difíceis de encontrar que existia em Londres. O filme ambienta-se entre Estados Unidos e Inglaterra, em 1951, ano da coroação da Rainha Elizabeth II e momento em que a Inglaterra ainda se recuperava da II Guerra Mundial. Foi lançado em 1986, em que eu tinha 2 anos, e com certeza ainda não sabia quem era Anthony Hopkins (um dos protagonistas) e Judi Dench (coadjuvante), hoje uma das minhas atrizes favoritas.

A história é a de uma escritora que recorre a uma livraria na Inglaterra para encontrar algumas preciosidades. O que eu achei engraçado é que essas preciosidades custam coisa em torno de 4, 6 dólares, e eu fiquei imaginando que a Inglaterra deveria estar enfrentando uma recessão enorme. Como em 1951 não havia sites de busca e nem e-mail, todo esse contato é feito por cartas, que demoram aproximadamente uma semana para chegar. O interessante é que as cartas que a escritora manda não são apenas expressando seus pedidos. Ela conta o que achou do livro, pede indicações, coloca a própria revolta e começa a tratar o funcionário da livraria com a intimidade de amigos muito próximos. As cartas dela são tão esperadas, que logo todos os funcionários começam a escrever para ela.

Ela começa a mandar presentes, cestas com enlatados e afins, porque descobre que os ingleses não têm acesso a muitas dessas coisas, devido a essa recessão. Manda presentes para a esposa do funcionário - uma irreconhecível e jovem Judi Dench - e para as filhas dele.

A história é simplesmente essa, não tem um grande desfecho, nem uma reviravolta, mas é muito interessante mesmo assim, especialmente quando eu sou o tipo de pessoa que acredita que a literatura é uma das formas de fazer nascer amizades com gente que você nunca viu ou nunca conversou. Em uma das cenas, a personagem fala que o que mais gosta dos livros usados é abrir o livro e deixar ele cair na página que o dono anterior mais lia. Que prefere os livros com dedicatórias e aqueles cujas margens estão anotadas. Só por essa carta, o filme ganhou meu coração, porque eu também prefiro os mais usados, os anotados, os que receberam dedicatória.

Uma vez uma amiga comprou um livro que eu indiquei num sebo virtual. Quando o livro chegou tinha uma dedicatória feita no dia, mês e ano que ela nasceu. Se não se tratasse de "A insustentável leveza do ser" ficaria mais admirada. Mas de qualquer forma, 20 e poucos anos antes, no dia que ela nascia, alguém recebia um presente que mais tarde, viria parar nas mãos dela.

Isso explica o que é nunca ver uma pessoa e ainda assim sempre amá-la. Acontece muito quando a conexão é invisível, quando ela acontece por causa das palavras bem escritas de uma carta vinda de alguém que não te conhece e ainda assim pensa em você, ou por uma paixão em comum como é essa pelos livros.

Quando compro um livro pela internet,a menos que seja nos sebos, recebo no e-mail de confirmação uma variação da frase: "Essa é uma mensagem automática, não responda". No filme, a livraria mandava o livro e a conta. Com a certeza que receberia. Hoje a gente paga a conta e recebe o livro. E não adianta chacoalhar a caixa, lá de dentro não vai cair nada além da nota fiscal.

Eu sou uma romântica mesmo. Nasci no ano errado.

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