a dona desse blog
é de uma teimosia absurda. além de ser psicóloga, é leitora, aspirante à escritora, filha, irmã, tia e amiga, é indecisa por natureza, não sabe fazer planos e deixa sua vida ser dominada por uma ansiedade que ela sempre achou que disfarçava bem. acha que todo dia é ideal pra questionar se suas ações estão certas, se está sendo justa consigo, se faz o que gosta (e por enquanto faz). é uma dessas pessoas que gosta da solidão da própria companhia mas não dispensa uma cervejinha com aquelas pessoas que sabem conversar, de preferência em um boteco bem boteco, porque estes servem as mais geladas.

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  terça-feira, 11 de novembro de 2008
Sobre gente importante

Algumas pessoas são tão importantes que podem fumar em banheiros de ônibus em uma viagem de 9 horas; podem tirar seus sapatos e empestear o ambiente. Eu fico indignada. Mais do que indignada. Eu não posso julgar uma pessoa que não pode tomar banho todos os dias. Eu sei que muito mais gente do que penso não têm chuveiro, água quente e sabonetes da natura. Mas eu posso, ah posso, falar das pessoas que, não tendo tomado banho, não tendo trocado as meias por vários dias, tiram seus sapatos dentro do ônibus.

Não me importa se seus pés estão cansados. Eu estou cansada de um dia cheio de metrô, trem, van, aula, sono, refeições incompletas, gente mal educada. E eu uso talco anti chulé nas minhas sapatilhas, de modo que, não me sinto mal em tirá-las quando entro no ônibus. Agora, se eu imaginasse que meu pé estava fedendo, eu não tiraria, porque eu não me acho tão importante a ponto de fazer trinta pesoas conviveram com meu chulé.

Semana passada, na volta de São Paulo pra casa, o ônibus fedia tanto, mas tanto, que acordei. E pior: O fedor estava sentado do outro lado do corredor, quase ao meu lado. Ah, não tive dúvida. Na hora de parar para comer, cerca de 3 horas depois de sair de São Paulo, peguei meu celular, programei para tocar dentro de um minuto.

Quando tocou, fingi uma conversa pelo telefone em que alguém me perguntava onde eu estava, o que fazia e essas coisas. E eu contei que estava no ônibus, mas que a viagem estava péssima, porque um chulezento sem noção tirou os sapatos e empesteou tudo, e isso sem contar o cheiro de asa, contra o qual, não havia nada que pudesse ser feito (diferente da possibilidade de calçar os sapatos).

Foi uma idéia idiota. Mas surtiu efeito. Eu que tenho ódio de quem conversa ao telefone muito alto dentro do ônibus fiz exatamente isso. Em todo o restante da viagem, o ônibus ainda tinha cheiro de asa, mas de chulé não.

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