a dona desse blog
é de uma teimosia absurda. além de ser psicóloga, é leitora, aspirante à escritora, filha, irmã, tia e amiga, é indecisa por natureza, não sabe fazer planos e deixa sua vida ser dominada por uma ansiedade que ela sempre achou que disfarçava bem. acha que todo dia é ideal pra questionar se suas ações estão certas, se está sendo justa consigo, se faz o que gosta (e por enquanto faz). é uma dessas pessoas que gosta da solidão da própria companhia mas não dispensa uma cervejinha com aquelas pessoas que sabem conversar, de preferência em um boteco bem boteco, porque estes servem as mais geladas.

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  sexta-feira, 11 de julho de 2008
Sobre o primeiro

O primeiro a gente nunca esquece.

Deve ser verdade, porque hoje, mais de dez anos depois, vi um moleque no supermercado e a primeira coisa que lembrei foi: este é meu primeiro beijo. Não que eu o tenha reduzido a um beijo, até porque, na verdade, foram dois. Era maio, um frio absurdo, nós dois numa churrasqueira aberta no clube, sentados no chão, estava tocando "Preciso de você" do Netinho (que na época fazia sucessso com Mila). Demos um beijo, não trocamos uma só palavra durante uns 10 minutos, quando ele quebrou o silêncio e disse: Quer dar mais um beijo?

Eu morria de vergonha, assim como morria de vergonha de contar que tinha "virado mocinha". Odiava essa expressão e ainda acho ridícula. Fui a última da turma, tinha quase 14 anos e me sentia um ET por causa disso. Lembro o primeiro dia com data e tudo: 21 de abril de 1998. Não é difícil, ainda mais por ser uma data comemorativa (Tiradentes, gente). Mas o que eu não esqueço mesmo é a vergonha que eu senti. Para contar pra minha mãe levei uns três dias. Não reunindo coragem suficiente, escrevi um bilhete, pedindo pra ela não contar pra minha irmã do meio (que tornou a minha infância e pré-adolescência mais constrangedoras do que poderiam ter sido). Minha mãe chorou com a tal cartinha. Por carta, contei também para as amigas. Uma delas disse que foi a carta mais misteriosa que ela leu, e que teve que adivinhar a que eu me referia.

Eu poderia escrever um livro sobre as minhas primeiras vezes. Esse ano tem sido o ano delas . A primeira vez que eu fui pra São Paulo, a primeira vez que eu pintei uma parede, a primeira vez que eu tive que fazer escolhas como adulta, arcando com as consequências, e sofrendo na pele o que é isso. Eu fico pensando que se eu tiver filhos não vou deixar a vida deles ser tão fácil como foi a minha. Talvez por meus pais terem tido vidas difíceis facilitaram comigo e com as minhas irmãs e criaram três filhas que tem uma certa dificuldade para crescer. Ou talvez isso seja típico da nossa geração.

Esse é o ano em que eu decidi que precisava começar a viver a minha vida e a ser responsável por ela. Esperar o próximo, seria a mesma coisa que dizer que semana que vem eu começo o regime, nunca dá certo. Não acredito nessa história que recém-formado tem que fazer o que aparecer. Em qualquer momento da vida, temos que fazer o que nos move de verdade em alguma direção, caso contrário, é uma enganação dupla. Você se engana e engana os outros.

Nessa semana eu consegui meu primeiro emprego. Hoje, pela primeira vez fui chamada (seriamente) de professora. Também hoje, minha cabeleireira encontrou em mim um fio de cabelo branco, arrancou e me deu. Eu fiquei olhando pra ele estarrecida e disse pra ela que ele era descolorido e não branco. Como nessa vida alguém sempre precisa devolver o nosso senso de realidade, ela me mostrou como ele era branco desde a raiz, e que os descoloridos, não. Guardei esse fiozinho, ele é bem curto. Vai ver porque tem mais ou menos a idade da minha vida adulta. Acho que não esquecerei dele também.

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