a dona desse blog
é de uma teimosia absurda. além de ser psicóloga, é leitora, aspirante à escritora, filha, irmã, tia e amiga, é indecisa por natureza, não sabe fazer planos e deixa sua vida ser dominada por uma ansiedade que ela sempre achou que disfarçava bem. acha que todo dia é ideal pra questionar se suas ações estão certas, se está sendo justa consigo, se faz o que gosta (e por enquanto faz). é uma dessas pessoas que gosta da solidão da própria companhia mas não dispensa uma cervejinha com aquelas pessoas que sabem conversar, de preferência em um boteco bem boteco, porque estes servem as mais geladas.

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  sábado, 5 de julho de 2008
Sobre felicidade e baldinhos de praia

Existe uma coisa que não me cansa nunca: descobrir algo novo que me deixe um pouquinho mais feliz. Um filme, uma música, um livro, um show, uma roupa nova.

Ontem comecei a escrever a respeito desse tipo de felicidade mas parei, porque comecei a lembrar de uma menininha de uns sete anos que eu vi descendo do ônibus sem sapatos, num dia incrivelmente frio em que cheguei na rodoviária cinco horas da manhã. Esse é um dos exemplo de coisas que não têm que ser. Chego à conclusão que dois dos jeitos de se conviver com isso são: (1) ser completamente egoísta e não se comover mesmo, ou (2) viver uma realidade psicótica, em que a culpa aparece de vez em quando e você doa um agasalho e quinze reais para o Criança-Esperança.

A vida toda eu me inclui na segunda categoria. Porque é mais fácil sentir-se incrivelmente satisfeito ao chegar em casa, comer um macarrão à bolognesa, tomando coca-cola e assistindo à série preferida, esquecendo de tudo que acontece da porta pra fora. Problema mesmo é achar que não tenho nada a ver com isso. Algumas pessoas se enfiam na selva, na favela, na guerra e tentam fazer alguma coisa. O mais engraçado é que esses chamamos de loucos, justo os que têm noção de responsabilidade e tentam mudar o que for possível.

Isso tem me incomodado muito. A tal ponto que é difícil escrever sobre o que me faz sorrir, pular e cantar. Me sinto fútil e inútil. Eu nunca fui uma grande fã de ONGs e já tive contato direto com várias e experiência de estágio em duas. Elas me fazem lembrar, muitas vezes, uma história, pela qual vocês já devem ter passado.

Quando eu era criança, o que eu mais gostava de fazer na praia era brincar na areia. Eu lembro bem, fazia aquele buraco enorme que seria a minha piscina (hoje os pais levam piscinas pros filhos, porque eles podem se contaminar, sabem como é). Depois do buraco pronto, hora de reunir baldinhos e garrafinhas para enchê-lo. Despejava a água e ia correndo buscar mais. Que decepção! Quando eu voltava, cadê a água?

Há algumas semanas eu fui convidada para trabalhar em uma ONG. Ela existe há catorze anos, e é um centro de nutrição infantil. E eles gostariam que eu fizesse um trabalho com os pais, fazê-los pensar sobre a infância, o cuidado, alimentação. E aí eu fico pensando que, se de um lado, tenho me sentido muito incomodada e responsável, poderia começar pela minha cidade, por outro , eu tenho medo de me ver na mesma situação do buraco e do baldinho de água, porque eu, com toda a minha formação clínica, não sei onde é que entra a psicologia quando o maior problema das pessoas é fome.

A solução do problema do buraco foi pedir para a minha irmã, meu primo e meu pai me ajudarem e pegar água; nós despejávamos ao mesmo tempo o suficiente para encher a piscina. É verdade que se não continuássemos o abastecimento, o buraco secava, então, apenas um poderia aproveitar para ficar ali por vez, enquanto os outros corriam para o mar, baldinhos em mãos. Talvez seja esse o diferencial de uma ONG e outra: a quantidade de pessoas que não se importam em correr pro mar para trazer mais água.

O que me entristece é que a criança que tem a piscininha inflável (que a mãe enche com água mineral), nunca vai chegar à conclusão que eu cheguei.

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