a dona desse blog
é de uma teimosia absurda. além de ser psicóloga, é leitora, aspirante à escritora, filha, irmã, tia e amiga, é indecisa por natureza, não sabe fazer planos e deixa sua vida ser dominada por uma ansiedade que ela sempre achou que disfarçava bem. acha que todo dia é ideal pra questionar se suas ações estão certas, se está sendo justa consigo, se faz o que gosta (e por enquanto faz). é uma dessas pessoas que gosta da solidão da própria companhia mas não dispensa uma cervejinha com aquelas pessoas que sabem conversar, de preferência em um boteco bem boteco, porque estes servem as mais geladas.

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  domingo, 2 de fevereiro de 2014
Sobre o fim

Me despedindo de você, bloguinho. Considero o último post daqui o primeiro do novo: http://quenemlimao.blogspot.com.br/


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  domingo, 1 de dezembro de 2013
Sobre zica

"Vá se benzer" é uma frase que tenho ouvido bastante. Incidentes com o carro e incidentes domésticos estão virando coisa corriqueira. Choraminguei me sentindo azarada, confesso. Cogitei até que maldade pega, assim como inveja.

Ontem, me disseram que as pessoas podem, sem intenção, não desejar o mal, mas questionar a validade das nossas conquistas. Os dois últimos anos trouxeram coisas boas. Mas não apenas boas, lógico. Tenho terminado os anos com saldo positivo e, nesse ano, apesar dos ditos incidentes, se a zica for efeito de maldade, digo mostrando a língua: não pegou.

Termino o ano não tendo, de novo, passado no doutorado. Há um ano, o sentimento era de tristeza profunda. Nesse ano, lamentei não ter passado, mas nem tive que engolir o choro. Ano que vem ainda não chegou e nem esse ano terminou. E a cada dia eu entendo que os incidentes acontecem, bons ou ruins. Podem trazer tristeza ou alegria. E eles não necessariamente tem a ver com sorte ou azar. Tem a ver com a gente colocar a cara a tapa. 

Em relação ao doutorado, ouvi muitos 'nãos' polidos. Ouvi alguns bem truncados. Recebi reticências e fui até ignorada. Mas continuo pesando um ensinamento antigo: perguntar não ofende. E enquanto perguntar não ofender, vou continuar perguntando: quer me orientar? Vamos ver onde isso me leva. Não há benzedeira que me ajude nisso, infelizmente.

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  quinta-feira, 28 de novembro de 2013
Sobre o sentido de uma despedida.

O fim do ano sempre me invade com uma melancolia que explico pela lembrança de outra que não eu que, há um ano, planejou e esperou que coisas boas viessem. Há um ano, disse que essa história de que de quando Deus fecha uma porta, ele abre uma janela, era besteira. Que essa janela só servia para a gente ficar olhando quem passou pela porta. Esse sentimento é comum quando as coisas dão errado, ou seguem de um jeito diferente do que se concebia como o melhor.

Eu, que sempre fujo de despedidas, acabo dando aos encontros uma relevância menor do que eles teriam caso eu tivesse respeitado o fato de que eles não duram para sempre. Hoje, me despedi dos alunos que me fizeram uma baita homenagem. Eles me escolheram como nome de turma e isso é bonito demais. Especialmente em um momento que, assim como eles, eu também estou de saída, para outras histórias, sem menosprezar nenhum passo que eu dei nestes cinco anos de trabalho.

Se o meu nome é aquele pelo qual esses alunos e alunas querem ser chamados, eu preciso respeitar esse nome tanto quanto eles, ao fazer essa homenagem. Eu preciso pagar a dívida por ter sido reconhecida por eles como a professora que os nomeia. 

Queria dizer que se eu não gosto de me despedir, não é por descaso: é porque eu não gosto de chorar. Porque quando choro, não consigo falar. E eu gosto de falar sobre o que é importante. E é importante, para mim, me despedir deles que me receberam como a professora que eu me autorizei em ser.

Neste fim de semana, dei uma aula e numa das avaliações que eu recebi sobre essa aula, alguém me deu a nota mais baixa em todos os quesitos. Quando eu vi a fichinha, eu ri. Eu poderia ter me preocupado - "que péssima professora eu sou". Ou eu poderia ter sido prepotente - "eles não souberam reconhecer meu talento". Mas eu ri. Não por descaso, mas pelo reconhecimento de que ensinar é mesmo impossível. Impossível no sentido freudiano que encerra a incompletude constitutiva desse ato.

Hoje não faço mais a leitura de que a janela serve pra gente ficar olhando quem passou pela porta. A janela serve para emoldurar sonhos e é bom que eles não morram. Mas pode ser que mudem, porque ninguém disse que eles são eternos da forma como nasceram. A beleza da vida é que a gente muda muito conforme cresce - e essa lógica também vale para sonhos.  


Tem gente que chega pra ficar
Tem gente que vai pra nunca mais
Tem gente que vem e quer voltar
Tem gente que vai e quer ficar
Tem gente que veio só olhar
Tem gente a sorrir e a chorar
E assim, chegar e partir
São só dois lados da mesma viagem.

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  terça-feira, 15 de outubro de 2013
Sobre ser professora

Vi algumas pessoas dizendo que não há o que se comemorar hoje. Que o professor não tem o reconhecimento que merece, e eu concordo que não tem. Às vezes, ouço aluno falar mal de professor por causa de nota baixa. Sabem, queridos, por mais que a gente reconheça o esforço - e pode apostar, que reconhecemos - que vocês fazem em estudar e trabalhar, o ensino não pode ser avaliado por isso. 

Esses dias, conversando com alunas angustiadas com uma prova, contei pra elas que, no último ano da faculdade, tive que aprender uma teoria totalmente nova pra mim. E que, por mais difícil que tenha sido, o esforço pra aprender foi grande porque eu gostava da professora. Aprender se transformou em uma dívida com ela, que dava tanto. 

E parte do que a gente ensina é isso. Damos o que somos. Freud dizia que educar estava entre as profissões impossíveis. Impossíveis quanto à certeza dos resultados insatisfatórios. Então, por que a gente quer ser professor? 

Sei a minha resposta. Parte dela diz respeito aos alunos que chegam e dizem que gostam da minha aula. Isso é bom de ouvir. Mas parte dela diz respeito à uma mudança produzida. Sempre que eu vejo mudança do posicionamento arraigado para uma de reflexão, penso que cumpri o dever. Não quer dizer que o resultado vai ser uma extensão de mim no aluno. Mas indica que a minha experiência tocou algum construto que precisava ser mudado.

Por que mudar os construtos? Porque esse é o único jeito que uma sociedade pode ser mudada. Edgar Morin diz que o professor ensina a compreensão entre as pessoas como condição e garantia da solidariedade moral e intelectual da humanidade. Lajonquière acha que o professor é um devedor, ao ensinar, paga a dívida assumida quando aprendeu.

Gosto muito das duas perspectivas. Sou uma devedora porque tive mais que um bom professor. Os meus foram duros lá em casa. Minha mãe escolhia feijão e tomava a matéria, exigindo a resposta certa. Meu pai, me ensinava matemática de um jeito simplificado, diferente da escola e me confundia (e professor tem que confundir mesmo). Minha irmã mais velha me ensinou o caminho da biblioteca. E a do meio mostrou que professor tem que ser bravo e competente. Devo à professora que me disse que eu sei escrever. Hoje, isso é parte de quem eu sou.

Há que se comemorar porque a gente resiste, como disse um amigo. Se você saiu da educação do mesmo jeito que entrou, que pena. Ou não teve bons professores, ou não os extorquiu como devia. Não assumiu dívidas impagáveis.

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  quarta-feira, 25 de setembro de 2013
Sobre o primeiro mês

"Mas três meses passam rápido". Essa é a frase que eu uso para tranquilizar as pessoas quando elas me perguntam onde eu estou morando e a resposta é: "ah, humm, então...". Esta é minha quarta semana nessa nova rotina que eu escolhi viver até o final do ano.

Para os interessados, explico: assumi como professora em um teste seletivo. Como não tinha garantias de que seria chamada esse ano, mantive o compromisso (comigo mesma) de que, caso fosse chamada antes, levaria os dois empregos até o final do ano. Aí você pode me perguntar o que tem de mais manter dois empregos, ainda mais que não é trabalho, né, é dar aula (risos, só que não). Mas é que são duas cidades separadas por uns cento e poucos quilômetros. E eu trabalho quatro dias em uma cidade e três na outra.

Então, é por causa disso que eu uso a frase tranquilizadora. Que também é um jeito de eu tranquilizar a mim mesma. E até que funciona, embora as pessoas fiquem confusas com a minha rotina que começa com eu saindo de carro cedinho para Irati na segunda feira. Roupa de cama, mala, livros, textos e um pouco de comida de emergência. Dou três aulas de manhã, faço meu horário de atendimento à tarde, tomo um banho e pego uma van pra Guarapuava. Dou quatro aulas, pego a van para voltar, durmo, dou aula terça o dia todo e aí, oba, sem viagens na terça. Descanso.

Quarta feira, aula de manhã, horários de atendimento, reunião de departamento. Van pra ir, quatro aulas, van pra voltar. Dormir. Quinta feira, atendimento, aula, carro carregado pra voltar, quatro aulas à noite. Sexta, sábado, domingo para descansar. Segunda, saio cedinho pra Irati. 

Uma amiga me disse que esse é meu normal, estranho é eu parar. Acho que ela tá certa, embora os dois últimos anos caseiros e enraizados tenham tido seus efeitos. Eu demoro pra chegar em um lugar, tomar posse dele. Essa experiência passei algumas vezes e olha, é difícil. É aquela procura por rostos conhecidos e familiaridades. É o conforto de uma casa que é mais que casa, é abrigo, consolo, cantinho mais gostoso.

Escolhi não me mudar esse ano. Escolhi gastar mais do que gastaria se encontrasse um apartamento pra alugar. Encontrei uma pensão na beira da rodovia, em frente ao novo trabalho, em que a rotina é curta, as distâncias breves e o cheiro de mato. Tenho colegas felinos com quem estabeleci um convívio aceitável. Um deles se chama Hitler (gato com mancha que parece bigode e outra que parece o cabelo repartido ao meio), o outro Fubá (ele é amarelo) e outro eu não lembro. Eles me encaram quando eu chego e, às vezes, se jogam contra a minha porta e eu me assusto. Fizeram xixi no guarda-chuva que deixei pra fora um dia.

Esses dias eu tava pensando sobre as coisas que eu imaginava que seria. Elas seguiram um rumo um pouco diferente do planejado. Quando eu lembro de mim antes, reconheço muitas coisas e muitas não. Quando penso no passado, ele me parece tão estranho que essa estranheza é a prova contundente das mudanças. Me reconheço no caminho que eu fiz, mas reconheço o que não é mais meu. E é boa a sensação.


Dois meses passam rápido.

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  terça-feira, 27 de agosto de 2013
Sobre 27 de agosto.

Há alguns anos, cheguei à conclusão que a vida vive a gente e que não é a gente que vive ela. Questão de análise essa daí. Um dia cheguei pra analista dizendo isso e vocês podem imaginar o tanto de pano pra manga que deu. Tive que entender de onde essa frase tinha surgido e, mais do que isso, que efeitos ela operava sobre mim.

Não sou a única pessoa do mundo que se percebe vivendo a vida que é consequência de uma decisão que se toma perto dos dezoito anos. Claro que falo do alto da condição que me permitiu, aos dezoito anos, fazer uma faculdade, ser sustentada por papai e mamãe até me formar e só depois descobrir o significado da palavra trabalho. Sei muito bem que o nome disso é privilégio e que eu não posso me envaidecer dessa condição que me antecede.

Esses dias ouvi que a coisa mais natural do mundo é que aquilo que sonhávamos ser aos dezoito anos, não se concretizar. Que é claro que aqueles planos e aquela vida eram obra de uma fantasia (coisa boa da fantasia é que ela é maravilhosa e ninguém quer acordar de sonho bom). Mas, à medida que aqueles planos e aqueles sonhos não se realizaram, outros vieram.

E é isso, não é? É por isso que eu me irrito tanto com mimimi (também conhecido como peninha de si). A minha questão com essa posição é bem simples: não resolve. Um monte de coisa resolve. Dar a cara a tapa, começar ganhando pouco, trabalhar em coisa que você nunca pensou que fosse trabalhar, aprender coisas novas, mudar de rumo. Tudo isso resolve. O que não resolve é acusar pela sua frustração uma profissão inteira. No fim, sobra a possibilidade difícil de você não ter nascido pra coisa.

Eu sou feliz todo dia por ser psicóloga. Levo calote, não estou milionária, mas pago minhas contas. Gostaria de mais tranquilidade financeira. Mas o caminho é esse. Todo mundo sabe que coragem, cérebro, coração e casa, a gente encontra no caminho. Oz é um lugar que não existe. E eu vou lembrar sempre do ensinamento que ouvi em um bar: você pode comer feijão e arroz todo dia, mas não pode ter feijão e arroz na cabeça. Feliz dia do psicólogo pra você que não é um psicólogo feijão com arroz!

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  terça-feira, 25 de junho de 2013
Sobre o projeto que deve sim ser chamado de "cura gay'

Em 2011, numa época em que eu ainda usava o twitter, uma amiga me falou pra eu dar uma olhada na página de uma psicóloga chamada Marisa Lobo. Entre uma bateção de boca  apropriada em uma pessoa com uns onze anos, li e reli vários posicionamentos equivocados. O primeiro deles dizia respeito  à apresentação: psicóloga cristã. Daí para frente, outras tantas colocações indevidas. Eu dei print em algumas delas e encaminhei uma denúncia formal ao Conselho Regional de Psicologia. Daí pra frente, não posso falar mais nada, porque trata-se de um processo ético no qual eu estou envolvida como denunciante.

É importante dizer que não sou a única. E claro que isso me alivia. É importante dizer também que não sou cristofóbica e nem anti-religiosa. Como a maioria das pessoas que eu conheço, fui criada cristã. Tenho um tipo de fé que me desafia sempre e hoje não me sinto ligada a nenhuma religião. Minha criação priorizou duas coisas: educação e honestidade. A religião vinha depois. 

Meus pais são extremamente conservadores. Admiro os dois apesar de, na maioria dos assuntos, ocuparmos posições muito diferentes. E admiro até pelo fato de eles me ouvirem e refletirem sobre minhas posições, coisa que, do meu lado, fiz também a vida toda. A verdade é que esses dois valores são responsáveis inclusive por eu ser de esquerda. 

Quando eu decidi fazer Psicologia, eu não tinha a menor ideia do que isso representava. Outro dia, eu falava para os meus alunos que, embora eu não pudesse dizer com certeza porque eu resolvi ser psicóloga, eu posso dizer porque eu concluí o curso e porque todos os dias eu continuo tendo a certeza de continuar sendo.

Um jeito de explicar isso é contando uma história. Eu dirigia em direção ao trabalho quando  me deparei com um homem, de talvez uns quarenta e poucos anos, muito alinhado. Terno cinza escuro, justo, parecia costurado nele. Sapatos de verniz brilhando tanto quanto os cabelos, sem um fio fora do lugar. Gravata fininha, colarinho duro, parecia que ia a uma festa. Eram oito horas da manhã e ele andava na rua como se estivesse em musical. Gesticulava e andava em passos largos, quase como se ali fosse um palco e os transeuntes, o público. E ele também falava, e a fala parecia articulada. Uma pena que eu não pude ouvi-lo. Ao passar por ele eu sorri.

E eu sempre sorrio quando vejo algo que é do humano e que demonstra a diferença dele. Sorrio quando vejo as soluções que as pessoas encontram para viver nesse mundo absurdo. Sorrio por causa dessa variedade maravilhosa. E isso, isso eu aprendi enquanto me tornava psicóloga. É isso que tento transmitir quando ensino. Porque como psicóloga, ocupo uma posição perigosa: eu sou professora.

Essa anedota me faz pensar na resolução 001/99 e do quanto ela é bonita. Foi na faculdade que desconstruí meus preconceitos em relação à homossexualidade e tantos outras coisas. Para muito além do "tenho até amigos que são", eu comecei a perceber que vivemos em mundo cheio de variedade. O bonito da resolução é que ela estabelece as normas que guiarão um psicólogo em relação a uma temática que ainda é alvo de muita malvadeza. 

Quando eu digo malvadeza é porque eu não consigo encontrar outra palavra para expressar o ato de oprimir e de subjugar o outro. Aliás, consigo: o nome dessa palavra é perversão. A segregação é uma forma grave de perversão. Há momentos  na história da humanidade em que outros atos de malvadeza, de natureza semelhante, foram perpetrados. A ciência foi conivente e fundamentou muitos deles. Com isso quero dizer que: uma vez que determinados paradigmas segregativos não existem mais, torna-se inaceitável alguém sem o menor aparato técnico e teórico dizer o contrário. Dizer, por exemplo, que não há definições quanto à natureza da homossexualidade e que novas investigações precisam ser feitas.

As resoluções que podem ser sustadas com o projeto de João Campos, projeto este que foi apresentado exclusivamente para proteger formados em Psicologia (aos quais me recuso a chamar de psicólogas e psicólogos) que reforçam o preconceito e a discriminação. 

Se chamar o projeto de "cura gay" é desonestidade intelectual, pare e pense. Mesmo você, pessoa tacanha, pense, por que retirar os seguintes artigos?

Art. 3° - os psicólogos não exercerão qualquer ação que favoreça
a patologização de comportamentos ou práticas homoeróticas, nem adotarão ação coercitiva
tendente a orientar homossexuais para tratamentos não solicitados.
Parágrafo único - Os psicólogos não colaborarão com eventos e
serviços que proponham tratamento e cura das homossexualidades.

Art. 4° - Os psicólogos não se pronunciarão, nem participarão de
pronunciamentos públicos, nos meios de comunicação de massa, de modo a reforçar os
preconceitos sociais existentes em relação aos homossexuais como portadores de qualquer
desordem psíquica


Você pode ser psicólogo e cristão, psicólogo e candomblecista, psicólogo e espírita, psicólogo e ateu. O que não pode é a sua visão de mundo religiosa ou anti-religiosa comprometer a liberdade do outro. Não é liberdade de expressão quando reforça preconceito. Deveria, inclusive, ser crime. Não é exercício profissional quando se coloca a fé no meio. Porque ter fé é crer no absurdo. E o absurdo não regulamenta a ciência.

Os objetivos por trás deste projeto podem ser agregados a partir de um termo: má-fé. E esta má-fé está sendo proferida pelos homens de fé. É um engodo em direção ao qual não podemos caminhar, porque o que encontraremos é o totalitarismo religioso. Não há um só exemplo de totalitarismo religioso que não tenha provocado morte, dor e sofrimento.

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