<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-4670287550632188674</id><updated>2012-01-21T13:32:09.413-02:00</updated><category term='show'/><category term='marcelo camelo'/><category term='faltas'/><category term='felicidade'/><category term='perceber'/><category term='ONGs e baldinhos de praia.'/><category term='solidão'/><category term='buracos'/><title type='text'>o ângulo mais bonito</title><subtitle type='html'>psicóloga, leitora, aspirante à escritora. filha, irmã, tia, amiga, namorada, indecisa, ansiosa, em turbilhão.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Ge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17637114339907965462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-8BXlMaTi8hE/TgzLiSDv1bI/AAAAAAAAAFo/lDiLrVZO-0E/s220/foto4.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>208</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4670287550632188674.post-6381700297020368879</id><published>2012-01-14T15:38:00.004-02:00</published><updated>2012-01-14T15:52:10.162-02:00</updated><title type='text'>Sobre mudanças</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Apesar de ter feito apenas dois pedidos ao novo ano, comecei 2012 com várias resoluções.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Então é assim, eu sou sedentária e fui a minha vida toda excetuando alguns anos de natação que minha mãe me obrigava a fazer para eu comer direito. Aquela história de que a gente volta com muita fome depois da piscina e não fica fazendo charme para o prato de feijão com arroz. Foi uma ótima tática. Bem melhor que as vitaminas e que Biotônico Fontoura. Criança precisa queimar energia e assim, fica com fome.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fora isso, sempre fui uma negação em todo e qualquer esporte. Até xadrez eu sou ruim porque não sou inteligente o bastante. De verdade, nunca me dediquei a nada. Meu objetivo nas aulas de educação física eram: (1) fingir que estava doente; (2) fingir que sentia fortes dores na perna depois de uma queda logo no começo da aula; (3) evitar as bolas que sempre voam na direção dos patos (eu) que não conseguem reagir rápido o bastante para fazer alguma coisa com mãos e pés, alguma coisa mais socialmente aceitável do que deixar a cara ali para ser atingida pela bola, resultando em um nariz sangrando (pelo menos, eu não tinha que fingir e escapava da aula).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Então, sou essa pessoa sedentária e que adora comer coisas gostosas e gordurosas. Mas o negócio é que eu sempre fui muito magra. Hoje eu me considero só magra porque consegui, finalmente, atingir o último critério que me faltava para ser doadora de sangue. Magra de ruim é do que muitos me chamam. Magrela, seca, desnutrida e outros predicados carinhosos fizeram parte da minha vida. É maravilhoso ser assim e faz muito tempo que qualquer encanação que tive com meu corpo foi embora. Claro que eu achava mais bonitas as meninas que tinham mais perna, mais braço e mais peito do que eu. Mas pensa na menina que era a gostosa na quinta série e me conta como ela anda. Aposto que engordou mais do que deveria.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas o lado negativo disso tudo que minha total inaptidão para esportes, somada à preguiça que domina meu ser, me tornaram uma pessoa sedentária. E tudo bem até os 25 anos. Depois dessa idade, descobri as dores. As dores na lombar, por passar muito tempo sentada, as dores no joelho, por causa de encurtamento, a postura de um adolescente sebento. É...o corpo muda. A cintura não é mais a mesma, a quantidade de celulite aumenta e assim a gente descobre as delícias de ficar mais velho.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por isso, dentre algumas resoluções de 2012, fazer exercício físico foi uma delas. E aí eu voltei para o único esporte que tinha conseguido fazer na vida. Voltei a fazer natação. Tá foda porque naquela época eu não tinha asma. É bem difícil eu conseguir nadar a piscina inteira sem ter que parar pra dar aquela respirada, mas espero progredir. Eu precisava escolher um esporte barato, porque esse ano vou ter várias despesas (tô de casa nova). Daí tem a piscina do clube, comprei uma touca, um maiô, um óculos e um pranchinha. O gasto inicial foi alto, mas não tem mensalidade pra pagar porque eu sou dependente no clube em que meu pai é sócio. Eu queria fazer pilates, mas fica para quando eu for ryca, do jeito que tá, não dá.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por falar em riqueza, hahaha, a outra resolução tem a ver com dinheiro. Eu decidi que esse ano vou saber quanto ganho e quanto gasto. Vou usar aquela tática dos caras economistas que dizem que a gente tem que anotar tudo o que gasta. E olha, gente, tem dado muito certo. Porque quando você anota e vai diminuindo de quanto você tem, você breca. Você percebe que tem dia no mês e muita coisa pra fazer. E como a história da casa nova tá consumindo minha energia e meu dinheiro, eu decidi pagar tudo à vista. É que, por mais que você compre menos, e fique com o dinheiro mais curto pra cerveja, pro restaurante gostoso, pras roupinhas, você pagou e nunca mais lembra daquilo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ano passado, comprei um sofá em 20 vezes. Quer dizer, quando eu terminar de pagar, vai ser hora de trocar o sofá. Por isso, esse ano, decidi tentar pagar pelo menos duas parcelas do sofá por mês. Essas resoluções todas tem um propósito de deixar minha vida melhor, mais tranquila e mais equilibrada. Nunca fiquei no vermelho, mas sempre passo apertada. Não quero isso. Quanto à coisa toda da natação, tô bem mais disposta que o normal, e isso também deve ser uma boa notícia pra mim.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4670287550632188674-6381700297020368879?l=tem-que-ser.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/feeds/6381700297020368879/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4670287550632188674&amp;postID=6381700297020368879&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/6381700297020368879'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/6381700297020368879'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/2012/01/sobre-mudancas.html' title='Sobre mudanças'/><author><name>Ge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17637114339907965462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-8BXlMaTi8hE/TgzLiSDv1bI/AAAAAAAAAFo/lDiLrVZO-0E/s220/foto4.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4670287550632188674.post-310654406775088213</id><published>2011-12-28T11:38:00.004-02:00</published><updated>2011-12-28T15:16:41.813-02:00</updated><title type='text'>Sobre o que eu quero de 2012</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tava aqui pensando sobre esse ano de 2011 e o sobre o que escrever nesses últimos dias dele. Ainda hoje vou viajar e pretendo ficar longe disso tudo que não é de verdade até a volta, no ano que vem. Lembrei hoje de uma história em que a Mônica foi se despedir do Cascão e ele ficou muito assustado quando ela disse: "Até o ano ano que vem." Desesperado, ele correu para o Cebolinha dizendo que eles precisavam fazer alguma coisa, porque a Mônica ia viajar e só voltava no ano que vem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Outro dia, eu tava explicando ao meu sobrinho porque a piscina do clube não abriria. Eu disse a ele que era o dia em que os funcionários fariam uma confraternização. Falei isso tão no piloto automático que não percebi que uma criança de 4 anos não saberia o que é uma confraternização. Aí eu expliquei que era uma festa, um encontro entre as pessoas que trabalhavam ali e que servia para comemorar o fim do ano. Daí eu percebi que, pra ele, essa noção de ano novo e ano velho ainda é uma abstração muito complicada, porque foi bem difícil explicar que o ano tem meses, semanas e dias e que existe um calendário que define isso.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Acho que uma parte importante da rotina da pré-escola é isso de, todos os dias, a professora escrever o dia, o mês, o ano e dia da semana. É porque se é tão difícil para a gente, que é crescido, abstrair que, de repente (e bota de repente nisso), muda o ano e a gente tem que começar a pensar em novos planos e objetivos, imagine para uma criança pequena! Isso não deve fazer o menor sentido.&amp;nbsp;Com a minha sobrinha mais velha a gente tentava explicar a passagem do tempo com o número de 'dormidas' até o evento que ela tava esperando. Lembro que, com uns dois anos, a gente falou um dia que o aniversário dela estava chegando. Ela foi para a janela e ficou ali, parada, olhando para fora. Quando perguntamos o que ela fazia ali, a resposta era que esperava o aniversário chegar.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A impressão que eu tenho no fim de ano é exatamente essa: um bando de adultos parados na janela esperando que alguma coisa saia da abstração e se concretize. Chega a ser engraçado o quanto a gente cresce mas continua sem crescer. Continua 'acreditante', se é que existe essa palavra, que o ano novo é alguma coisa que pode chegar e mudar vidas. Mas como ele não se solidifica, ao contrário, continua sendo uma abstração, as resoluções são difíceis de serem cumpridas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu sou dessas que faz tudo que é mandinga de ano novo. Como quase todo mundo, nunca lembro dos pedidos que fiz. Por isso, esse ano, ainda que isso possa dar um azar danado (olha eu acreditando em olho gordo, mas pra quem faz mandinga, né...) vou deixar aqui registrados os únicos dois pedidos para 2012&amp;nbsp;(além de saúde, dinheiro e felicidade, que são de praxe)&amp;nbsp;que eu consigo pensar num fim de ano que eu não tenho nada para reclamar:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;1. Passar no doutorado (2012, posso ser um pouco exigente e pedir que seja, de preferência, no Rio?)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;2. Encontrar um amor de verdade, correspondido, apaixonante, inquietador e sossegador de coração (tudo ao mesmo tempo, por favor).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Apesar de eu estar aqui fazendo de conta que eu estou pedindo pra 2012, sei muito bem que para quem eu realmente peço é para aquela versão de mim que espera na janela o ano novo chegar. Essa parte que tem esperança e que acredita em coisas mágicas.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4670287550632188674-310654406775088213?l=tem-que-ser.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/feeds/310654406775088213/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4670287550632188674&amp;postID=310654406775088213&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/310654406775088213'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/310654406775088213'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/2011/12/sobre-o-que-eu-quero-de-2012.html' title='Sobre o que eu quero de 2012'/><author><name>Ge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17637114339907965462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-8BXlMaTi8hE/TgzLiSDv1bI/AAAAAAAAAFo/lDiLrVZO-0E/s220/foto4.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4670287550632188674.post-3407918518197442849</id><published>2011-12-24T17:16:00.003-02:00</published><updated>2011-12-24T17:32:00.545-02:00</updated><title type='text'>Sobre natal, amor e significados</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Já disse no último post que Papai Noel não me deve nada e que, quem sabe, seja eu a devedora. Lembro de ter terminado 2010 com a mesma sensação com que termino 2011: aquela de ter muito agradecer e pouco a desejar. Que isso é sempre bom, acho que todos concordam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas há uns dias, eu vi que alguém postou no Facebook uma tirinha em que Charlie Brown falava sobre o verdadeiro significado do natal e acho que era o Lino que falava para ele que essa é uma data emprestada do antigo calendário pagão, anterior ao monoteísmo. Não sei se a pessoa que postou queria invalidar o significado do natal que a gente atribui ao nascimento de Cristo, e não quero questionar isso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Só que todo mundo aqui foi criado em uma sociedade cristã. Você pode ser ateu, agnóstico, muçulmano ou judeu. Nossa sociedade é cristã. Logo, estamos impregnados por um significado que a gente aprende muito cedo. Não me considero autorizada em falar sobre esse significado e prefiro não falar besteira. Eu também não pretendo falar sobre a questão comercial do natal. Eu gosto de ganhar presentes no natal, gosto de dar presentes no natal. Gosto da decoração, das luzinhas, gosto de tudo isso. Gosto da parte comercial do natal.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas esses dias, sem muito assunto para postar aqui, pensei que, nesse ano, escrevi muito sobre coisas que acontecem e que me deixam triste. Essas coisas se relacionam a um tema só: o fato de um ser humano acreditar que outro ser humano só é igual, e por isso bom, se for igual a mim, se pensar como eu, se professar a fé da mesma maneira que eu julgo adequada, se relaciona-se afetivamente do meu jeito, se tem planos de vida que se enquadram em determinado padrão, enfim, eu poderia passar dias escrevendo sobre as coisas que eu percebo que muita gente gostaria de fazer com seus 'irmãos': torná-los iguais.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sempre me questiono no porquê disso de se pensar que o fato de eu acreditar em determinada coisa, que o fato de eu agir de determinada maneira, faz disso a coisa verdadeira e a maneira certa. Claro que essa é uma questão que a gente só começa a se fazer quando se permite conviver com a diferença. Quando sai de de uma redoma destrutiva e percebe a riqueza da diferença das cores, das pessoas, do mundo. Não é todo mundo que se permite isso, e aí eu acho que essas pessoas, elas deixam de lado muito do significado do natal. Natal é nascimento, não é? Tô equivocada? E por que as pessoas não renascem na convivência com os outros? Por que elas continuam enxergando uma verdade única, uma maneira única de ser e existir?&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Durante todo o ano, muitas foram as notícias de pessoas espancadas. Torcedores, homossexuais, mulheres, crianças, cachorros. Fazendo um balanço, a gente percebe que é mesmo muito difícil amar-nos uns aos outros como se fosse a nós mesmos. Talvez o problema seja justamente esse. Essa frase me soa meio mal. Talvez funcionaria melhor se a gente amasse uns aos outros como se eles fossem eles mesmos. Ou talvez a gente poderia entender que amar um ser humano é amá-lo porque ele é um representante do que nos faz continuar existindo na Terra. Não porque eu gosto dele, mas porque ele merece.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E se alguém me disser que nem todos fazem por merecer, e se esse alguém se diz cristão, olha, eu que não sigo religião alguma, tenho mais compaixão que isso. Compaixão pela existência de uma subjetividade. Pela existência de uma diferença que só parece maléfica porque a gente insiste em um ideal de bondade. Existem pessoas que fazem mal às outras pessoas no mundo. Existem sim. Me apavoro com isso. Mas me apavoro muito com o tamanho do ódio, da raiva e com o sentimento de retaliação que eu vejo nas 'pessoas de bem'.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse natal e durante todo o ano, quero pensar nos meus preconceitos e nas coisas que eu ainda faço que separam as pessoas em boas e ruins. E quero tentar desconstruir isso pouco a pouco. É meu desejo, então, para o ano que vem e para todos os outros. Feliz nascimento! Feliz renascimento!&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4670287550632188674-3407918518197442849?l=tem-que-ser.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/feeds/3407918518197442849/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4670287550632188674&amp;postID=3407918518197442849&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/3407918518197442849'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/3407918518197442849'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/2011/12/sobre-natal-amor-e-significados.html' title='Sobre natal, amor e significados'/><author><name>Ge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17637114339907965462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-8BXlMaTi8hE/TgzLiSDv1bI/AAAAAAAAAFo/lDiLrVZO-0E/s220/foto4.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4670287550632188674.post-5660463903033755661</id><published>2011-12-20T01:02:00.000-02:00</published><updated>2011-12-20T01:02:18.958-02:00</updated><title type='text'>Sobre agradecer</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-EbCJvisTW4Q/Tu_2X626LEI/AAAAAAAAAHg/XZAiAFUYhs0/s1600/m%25C3%25B4nica+e+natal.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://2.bp.blogspot.com/-EbCJvisTW4Q/Tu_2X626LEI/AAAAAAAAAHg/XZAiAFUYhs0/s320/m%25C3%25B4nica+e+natal.jpg" width="121" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Chega fim de ano e é sempre essa urgência não sei de quê. As lojas cheias e as ruas em que é impossível estacionar têm menos a ver com a vontade de presentear e mais com a necessidade de obedecer a um ritual que hoje me incomoda um pouco. Para mim, sempre é difícil me despedir. De qualquer coisa. Inclusive de um ano. A festa de ano novo é sempre triste e me soa mais de despedida que de boas vindas. Por isso sempre, sempre, dá vontade de chorar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sempre que posso me esquivo das despedidas. Deve ser por isso que, para mim, o tempo passa rápido demais e eu sempre tenho a sensação de inacabamento. É como se eu não conseguisse cumprir os ciclos, pegar esses rituais que são importantes e fazer com que eles cumpram sua função. É, eu fujo, fujo mesmo. Não, não me orgulho disso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se eu tenho um plano para 2012 é esse de levar as coisas com começo, meio e fim. E não é que eu tenha o hábito de não terminar as coisas. Sempre termino. Mas dificilmente me despeço delas, porque dá uma coisa ruim dizer adeus. Acontece que 2010 me ensinou uma coisa que 2011 continuou repetindo, como aquela professora que bate com a régua no quadro em cima do conteúdo mais importante: se despedir é importante, finalizar é imprescindível para as coisas que passaram nos darem a sensação de terem sido nossas.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando alguma coisa, ou alguém, subitamente desaparece, então esquece. Não fez parte da sua vida. Você pode até ter desejado, mas não teve a força suficiente pra vingar, fincar raízes, ficar. Ou seja, já era. Muita coisa aconteceu nesse ano, boa, ruim. Chorei bastante, trabalhei muito, continuei viajando. Fiz diferente do que achei que ia fazer. Mas terminei tudo. De verdade, a lista tá zerada. E eu só tenho mesmo a agradecer.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4670287550632188674-5660463903033755661?l=tem-que-ser.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/feeds/5660463903033755661/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4670287550632188674&amp;postID=5660463903033755661&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/5660463903033755661'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/5660463903033755661'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/2011/12/sobre-agradecer.html' title='Sobre agradecer'/><author><name>Ge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17637114339907965462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-8BXlMaTi8hE/TgzLiSDv1bI/AAAAAAAAAFo/lDiLrVZO-0E/s220/foto4.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-EbCJvisTW4Q/Tu_2X626LEI/AAAAAAAAAHg/XZAiAFUYhs0/s72-c/m%25C3%25B4nica+e+natal.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4670287550632188674.post-1055455328675170249</id><published>2011-11-29T23:23:00.006-02:00</published><updated>2011-11-29T23:50:27.913-02:00</updated><title type='text'>Sobre a fineza em levar embora tudo que é seu</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sou dessas pessoas que se apega às lembranças. Qualquer ruptura é difícil. Bom seria se as pessoas, quando fossem embora, ensacassem junto com o amor delas as lembranças. Aquela lembrança da noite em que deu um trovão muito forte e que eu tinha onde me agarrar. É porque sem aquela lembrança, talvez fosse mais fácil ouvir trovões de madrugada sem me assustar muito.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não é que eu tenho medo de chuva, ou de tempestade. Eu tenho medo do que eu sinto quando, num impulso, o que eu agarro é um travesseiro. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sabe, eu achei que seria bem mais fácil continuar. Só que não é, não vem sendo. É porque eu ainda acredito naquela imagem, naquela pessoa que eu conheci, nos sonhos, nos planos, nos grandiosos objetivos. Não é que eu tenha deixado de acreditar, sabe? Acho que o sonhador que deixou, e aí, como se sustentam os ideais? Os meus ideais precisam de contrapartida. Os de quem não?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se você me acusa de não ter te apoiado, eu digo que essa é uma acusação das mais injustas. Eu apoiei por muito tempo. Eu justifiquei para mim mesma, para os outros. Inclusive para os seus outros. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sei que já disse isso, mas agora é sério. Sempre levo adiante meus propósitos. Cheguei aqui porque não desistir nunca é uma das minhas propostas. E essa é séria. Daqui pra frente sou eu. Sempre vou ficar triste pelo fato de as pessoas deixarem de existir sem terem a fineza de levarem as memórias, mas feliz por ter feito tudo o que estava ao meu alcance. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O problema é que as memórias são de quem fica. Não são dos que foram. É errado a gente acusá-los, mas é mais fácil do que admitir que a gente não quer que a vida siga.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4670287550632188674-1055455328675170249?l=tem-que-ser.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/feeds/1055455328675170249/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4670287550632188674&amp;postID=1055455328675170249&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/1055455328675170249'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/1055455328675170249'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/2011/11/sobre-fineza-em-levar-embora-tudo-que-e.html' title='Sobre a fineza em levar embora tudo que é seu'/><author><name>Ge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17637114339907965462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-8BXlMaTi8hE/TgzLiSDv1bI/AAAAAAAAAFo/lDiLrVZO-0E/s220/foto4.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4670287550632188674.post-2644431046525354502</id><published>2011-11-16T22:48:00.005-02:00</published><updated>2011-11-16T23:03:19.613-02:00</updated><title type='text'>Sobre o que eu peço pra vida</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Então é assim que funciona, vida: eu digo pra você que preciso de uma coisa importante, importante para que você tenha mais graça, e você me ajuda a conseguir. Combinado? Combinado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Deveria ser assim, só que não é. E não é porque você não é boa de cumprir combinados. Olha, já perdi a conta de quantas vezes você deu pra trás de última hora. Será mesmo que você não sabe, ainda não aprendeu que comigo não tem esse negócio de dar pra trás?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu levo tudo muito a sério. A expressão "leva as coisas ao pé da letra" foi inspirada em mim, não sabia? Pois é, você podia não saber, mas eu sabia. E se eu sabia, e se me conheço, deveria ter logo entendido que a melhor saída era nem ter entrado, porque você ia aprontar comigo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E nem é que você faz por mal e porque não gosta de mim. Não tô te acusando disso. Longe de mim. Eu vivo dizendo por aí o quanto você é boa comigo, o quanto eu tenho sorte, o quanto você me dá umas surpresas maravilhosas. Mas faça-me o favor, né? Às vezes, nessa necessidade absurda de agradar e de colocar diante de mim cada pedidinho meu, você nem me dá tempo de refinar o pedido.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É, sim! Refinar o pedido. Porque eu tenho mania de pedir as coisas de sopetão. "Quero isso", eu digo. Só que nem dá tempo de eu dizer as coisas que 'isso' não pode ter, ou que deve ter e de repente aparece o primeiro 'isso' que você encontrou, e eu me apego, entendeu? E eu me apego quando não deveria me apegar, e eu já vou pisando sabendo que o gelo é fino. E você sabe o que acontece? O gelo quebra e eu caio, não aguenta meu peso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E daí, minha querida, imagine-se você, afundando em uma água de rio congelado e me diz: é bom? Não é! Água gelada tira o ar da gente porque o corpo, de repente, tem que produzir uma quantidade absurda de energia para tentar equilibrar a temperatura. Energia que o corpo não tem. E cada gota de água gelada que toca é como se fossem agulhas bem fininhas entrando dentro de cada poro. Não é nada legal.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas é isso que acontece. E eu só queria, vida, só pra variar, pisar em um gelo grosso, desses que a gente pode pintar bordar em cima. Até construir uma casa. Gelo eterno, sabe? Como aqueles que existem ainda em algumas montanhas, não sabemos até quando. Era isso. Espero que, dessa vez, eu tenha sido clara. Não aguento mais tanta confusão.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4670287550632188674-2644431046525354502?l=tem-que-ser.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/feeds/2644431046525354502/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4670287550632188674&amp;postID=2644431046525354502&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/2644431046525354502'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/2644431046525354502'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/2011/11/sobre-o-que-eu-peco-pra-vida.html' title='Sobre o que eu peço pra vida'/><author><name>Ge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17637114339907965462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-8BXlMaTi8hE/TgzLiSDv1bI/AAAAAAAAAFo/lDiLrVZO-0E/s220/foto4.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4670287550632188674.post-370391844780121380</id><published>2011-11-16T01:07:00.005-02:00</published><updated>2011-11-16T01:27:11.721-02:00</updated><title type='text'>Sobre uma coisa que eu gosto muito</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu gosto de muita coisa nessa vida e eu acho que isso é ótimo. Se eu fosse fazer uma lista, ela com certeza começaria com sorvete italiano, incluiria livros, a madrugada, boteco, comida da minha mãe, fotografia de roda-gigante e cheiro de bavarian nuts.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nos últimos tempos, de todas as coisas que eu gosto (devo ter escrito um décimo delas ali em cima), a que mais tem feito eu dedicar meu tempo é decoração. É que eu vou me mudar ano que vem e vou começar um processo de começar a cuidar de uma nova casa. E eu sou do tipo que penso primeiro nos quadros que eu vou colocar na parede do que nas torneiras que precisam ser instaladas, na eletricidade, no piso, ou seja, naquelas partes de morar que não são detalhes, mas que são imprescindíveis para que uma mudança aconteça.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas é que os detalhes, ah...são esses que tornam uma casa com a cara da gente. Do tipo que quem te conhece adivinha que é tua casa sem precisar que ninguém conte. Para mim, decoração é isso. É uma coisa que precisa ser feita de todo o coração. Por isso que decoração tem que ter cores preferidas, objetos com história, fotografias e  também coisas novas. Porque se não, parece um mausoléu. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Muitos são os blogs e sites que tenho acompanhado nesse processo, entre eles o &lt;a href="http://blogdecoraclube.com.br/"&gt;Decora Clube&lt;/a&gt;, que está fazendo uma promoção em que você pode ganhar vários prêmios bacanas para deixar a casa com cara de gente, com cara de história, com cara de festa, com cara de carinho. Eu estou participando da promoção e muitos dos blogs queridos que eu acompanho também. Basta responder qual é o seu blog de decoração preferido. Confesso que foi bem difícil responder.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para quem quiser participar, &lt;a href="http://blogdecoraclube.com.br/promocoes/mega-promocao-decora-clube"&gt;clica aqui no endereço da promoção!&lt;/a&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4670287550632188674-370391844780121380?l=tem-que-ser.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/feeds/370391844780121380/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4670287550632188674&amp;postID=370391844780121380&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/370391844780121380'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/370391844780121380'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/2011/11/sobre-uma-coisa-que-eu-gosto-muito.html' title='Sobre uma coisa que eu gosto muito'/><author><name>Ge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17637114339907965462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-8BXlMaTi8hE/TgzLiSDv1bI/AAAAAAAAAFo/lDiLrVZO-0E/s220/foto4.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4670287550632188674.post-8590689710597977234</id><published>2011-11-13T23:50:00.006-02:00</published><updated>2011-11-14T00:06:53.927-02:00</updated><title type='text'>Sobre comprar presunto por fatias.</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sempre que volto, guardo tudo. Roupas dobradas nas gavetas, estendidas nos cabides. A maquiagem nunca fica na necessaire, mas na gavetinha do banheiro. A necessaire volta para a gaveta de baixo da maquiagem. A mala, junto com o cobertor de viagem eu deixo no meu baú. Os sapatos que levei, voltam pras caixas. Roupa suja, vai para a caixa dentro do guarda-roupa. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não é perfeccionismo, não é ritual. É desconforto. Causa desconforto uma mala semi-pronta, sempre em cima da cadeira, pronta para ser feita mais uma vez. Anos atrás, eu fazia assim. Chegava de viagem e tirava só o que precisava ser tirado para lavar, as coisas que acabavam indo sempre ficavam ali, à espera de mais uma vez embarcar. A mala nunca guardada e eu nunca sossegada. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quase como um fingimento de mim para comigo mesma é o fato de hoje toda mala ser desfeita, tudo voltar pro seu lugar, como se não fosse verdade que, três dias depois, eu preciso tirá-la de novo. Só que existem outros indícios, outras pistas que me denunciam sobre o meu próprio fingimento: é que não tem comida na geladeira. Comida na geladeira é coisa para quem fica, não para quem vai e vive indo. Minha comida, compro todo dia na padaria, porque é melhor não deixar nada que possa estragar, que não possa ser guardado de uma semana para outra.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Já comprou presunto por fatias? Eu já.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4670287550632188674-8590689710597977234?l=tem-que-ser.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/feeds/8590689710597977234/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4670287550632188674&amp;postID=8590689710597977234&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/8590689710597977234'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/8590689710597977234'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/2011/11/sobre-comprar-presunto-por-fatias.html' title='Sobre comprar presunto por fatias.'/><author><name>Ge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17637114339907965462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-8BXlMaTi8hE/TgzLiSDv1bI/AAAAAAAAAFo/lDiLrVZO-0E/s220/foto4.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4670287550632188674.post-3237183136375236307</id><published>2011-11-08T23:46:00.004-02:00</published><updated>2011-11-08T23:58:35.616-02:00</updated><title type='text'>Sobre quando o conflito é o do outro</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Qual é o preço que a gente paga quando decide entrar no conflito do outro? Acho que é o fato de não poder fazer nada a respeito, a não ser esperar. Mas esperar o quê, eu me pergunto. Não há o que esperar. Quando não há o que esperar, o melhor a se fazer é seguir, seguir com uma vida que de monótona não tem nada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pois é. Acho que, pela primeira, vez espero sem esperar. Isso é possível ou é contraditório? Acredito que é justamente pelo fato de ser contraditório que é possível. As melhores coisas que acontecem são sem querer, sem esperar, sem roer as unhas. Elas simplesmente se dão. Elas se dão para a gente vivê-las, e cabe a cada um aproveitar ou deixar pra lá, deixar pra lá por medo, por cautela, por falta de tempo ou energia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Energia sim. É que custa um pouco da gente aceitar aquilo que se dá. Custa também um certo movimento. Cada coisa que acontece exige que a gente se movimente em torno dela. A gente pode se movimentar para fazer dela uma parte da nossa vida ou não. Mas o fato de ela ter se dado em algum momento, ter acontecido por algum tempo, se nos causou confusão, se nos tirou o sono, se nos fez questionar, isso implica que a gente se movimentou em torno dela.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando uma coisa se dá, independente se ela gera ou não conflito, a gente se posiciona. Às vezes, o nome dessa posição é recuo. E eu não acho isso ruim. Desde que tenha nome e desde que seja assumida, nenhuma posição pode ser questionada. Especialmente quando o conflito é o do outro.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4670287550632188674-3237183136375236307?l=tem-que-ser.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/feeds/3237183136375236307/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4670287550632188674&amp;postID=3237183136375236307&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/3237183136375236307'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/3237183136375236307'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/2011/11/sobre-quando-o-conflito-e-o-do-outro.html' title='Sobre quando o conflito é o do outro'/><author><name>Ge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17637114339907965462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-8BXlMaTi8hE/TgzLiSDv1bI/AAAAAAAAAFo/lDiLrVZO-0E/s220/foto4.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4670287550632188674.post-781493862178135099</id><published>2011-10-24T23:03:00.008-02:00</published><updated>2011-10-24T23:23:19.155-02:00</updated><title type='text'>Sobre sinceridade, sobre tranquilidade</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 13px; background-color: rgb(255, 255, 255); "&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="palavraComPontos"&gt;sin.ce.ri.da.de&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 13px; background-color: rgb(255, 255, 255); "&gt;&lt;i&gt;sf (lat sinceritate)&lt;b&gt; 1&lt;/b&gt; Qualidade de sincero.&lt;b&gt; 2&lt;/b&gt; Franqueza, lealdade; ausência de dobrez ou de hipocrisia; lisura de caráter.&lt;b&gt; 3&lt;/b&gt; Palavras ou observações sinceras.&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Existe essa coisa, essa coisa que todo mundo pode esperar de mim, menos eu. É da sinceridade que eu falo. Deve ser por isso que sempre me surpreendo quando alguém me faz um elogio, seja ele qual for. Pode ser que a pessoa diga que eu sou competente. É mentira. Pode ser que a pessoa diga que eu sou esforçada. Outra mentira. É mentira porque ela não sabe que custa muito, mas muito mesmo, manter isso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Daí que eu concluo que venho sendo incoerente comigo mesma e isso faz tempo. É incoerência quando eu espero dos outros, que os outros façam coisas que eu não faço para mim mesma, mesmo quando poderia, quando deveria. Posso, devo, quero? Três perguntas que são fáceis de ser respondidas, mas nem por isso fáceis de ser encaradas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ser coerente é quando você sabe que precisa poder, dever e querer para que uma coisa seja possível. Não possível no sentido de existir e pronto. Muita coisa acontece por aí sem poder, sem dever e sem querer. Mas possível no sentido de não fazer mal. De não fazer a gente ir dormir com uma dor que quando a gente é criança não sabe o que é, então chora e busca colo, bico, cheiro. E quando a gente cresce, descobre que chama angústia, mas nem por isso deixa de desejar o colo, o bico e o cheiro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se eu pudesse fazer um pedido hoje, seria o seguinte: eu quero um pouco de tranquilidade. Não na vida, não na correria do dia a dia, que isso eu já entendi que não foi feito pra mim. Mas eu queria um pouco mais de tranquilidade de mim para comigo mesma. Ficar tranquila. Pedido que tem se demonstrado mais difícil que o último que fiz, aquele de me apaixonar de novo. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4670287550632188674-781493862178135099?l=tem-que-ser.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/feeds/781493862178135099/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4670287550632188674&amp;postID=781493862178135099&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/781493862178135099'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/781493862178135099'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/2011/10/sobre-sinceridade-sobre-tranquilidade.html' title='Sobre sinceridade, sobre tranquilidade'/><author><name>Ge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17637114339907965462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-8BXlMaTi8hE/TgzLiSDv1bI/AAAAAAAAAFo/lDiLrVZO-0E/s220/foto4.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4670287550632188674.post-2954973116217534991</id><published>2011-10-09T16:22:00.004-03:00</published><updated>2011-10-09T16:36:12.152-03:00</updated><title type='text'>Sobre se a vida é isso mesmo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Outro dia, alguém chegou aqui pesquisando por "a vida é isso mesmo?". Olha, acho que o blog não responde a essa pergunta. Mas de tempos em tempos, realmente me questiono sobre algumas coisas que se relacionam com ela. Volta e meia me pergunto se tudo o que eu tenho feito, eu faço porque quero ou para não ficar parada. Essa é uma dúvida muito importante.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando digo que, às vezes, a gente faz coisas para não ficar parada, tem a ver com aquela coisa de que, sem saber para onde ir, qualquer lugar serve. Realmente acho que, às vezes, parece que a vida tem certa autonomia sobre nós. O que pode parecer um posicionamento de passividade, na verdade é uma maneira que eu uso para negar a parte que me cabe em tudo isso. Por exemplo, quando falo que acabo sempre voltando para Guarapuava, preciso me perguntar o que faço de verdade para sair de lá. E acho que sair para estudar não conta, porque eu já entendi que na cabeça das pessoas, e na minha cabeça, sair para estudar é sempre um período transitório, alguma coisa que você faz antes de voltar a ter um lugar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Toda vez que eu me pergunto se a vida é isso mesmo, acabo pensando sobre esse lugar que eu não sei se é meu. Exatamente por isso que eu não gosto de dizer que esse lugar é Guarapuava. Talvez isso tenha a ver com o fato de eu esperar que, depois que eu terminar o mestrado e começar a fazer o doutorado em algum lugar novo, em que nunca morei, eu tenha mais uma chance de descobrir se não existe no mundo um outro lugar pra mim. Só que isso sempre me dá a impressão de que eu espero ser magicamente atraída pelos lugares. E por essa razão, gosto dos lugares onde fui feliz.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Durante cinco anos, achei que Maringá era o meu lugar. Hoje tenho certeza que não é. Quando mudei para Curitiba, gostei tanto daqui que queria ficar. Mas que tipo de esforço eu fiz? Nenhum. Então, se a gente se pergunta se a vida é isso mesmo, talvez um esforço necessário seja olhar pra dentro e perguntar se você que é isso mesmo e se o problema não está justamente no fato de procurar demais pelo milagre da vida, quando ele já é tão próprio do fato de a gente existir.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4670287550632188674-2954973116217534991?l=tem-que-ser.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/feeds/2954973116217534991/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4670287550632188674&amp;postID=2954973116217534991&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/2954973116217534991'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/2954973116217534991'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/2011/10/sobre-se-vida-e-isso-mesmo.html' title='Sobre se a vida é isso mesmo'/><author><name>Ge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17637114339907965462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-8BXlMaTi8hE/TgzLiSDv1bI/AAAAAAAAAFo/lDiLrVZO-0E/s220/foto4.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4670287550632188674.post-5356111343401029420</id><published>2011-10-06T00:12:00.008-03:00</published><updated>2011-10-06T00:53:18.641-03:00</updated><title type='text'>Sobre leveza</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Leveza, palavra bonita. Pensei nela hoje. Objetivo de vida é ter um pouco dela, e te conto que não é fácil. Mas muita gente leva tudo a sério demais, leva tudo ao pé da letra, e eu acho que isso é bem ruim. É o perigo de começar a dividir os outros em bons e ruins, os acontecimentos em sorte e azar, as oportunidades em boas ou más. A gente se torna desconfiado, sabe? E é aí que mora o perigo, porque é quando a gente começa a pesar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tem várias outras coisas que me remetem à falta de leveza. No dia do meu aniversário, fui comemorar em um boteco. Boteco com todas as letras. Daí um cara resolve que ali é um lugar excelente para comer croquete e ler um dos Seminários do Lacan. Você pode argumentar dizendo que cada um faz o que quer e lê o que quer, onde bem entender. Mas de verdade, se eu faço questão de mostrar ao redor da sala que é Lacan que eu estou tirando da mochila e se, enquanto eu "leio", fico olhando ao redor para averiguar se os outros estão prestando atenção na minha erudição, sou um baita de um panaca. Minha dica? Se você quer comer croquete no boteco, leia um gibi do Chico Bento.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Outra coisa sobre leveza é que gosto de contar causos e ilustrar histórias. Sou exagerada em detalhes e falo demais, e sei bem que esse pode ser meu pecado. Mas sabe, metade das coisas que eu falo, não é a sério. E isso quer dizer não que eu sou uma brincalhona, comediante, piadista e que &lt;i&gt;stand up comedy&lt;/i&gt; perde um talento. Quero dizer é que não me levo a sério e que quando a gente conversa, é de bom tom que colocar um pouco de leveza no factual. É muito chato quando a gente fica se prendendo às coisas como elas são. E veja, não ser nem oito e nem oitenta só melhora o dia da gente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nesse dia do aniversário, tava com preguiça de caminhar e pensei em ir pra Universidade de ônibus. Eu virei a esquina e vi dois ônibus saindo do ponto ao mesmo tempo. &lt;i&gt;"Nossa, que cagada de corvo que eu sou, que droga, nem no meu aniversário as coisas dão certo, dois ônibus, dois, não podia ser um, tinham que ser dois. Agora vou andando até lá e vou chegar cansada"&lt;/i&gt;. Eu pensei isso? Não. Pensei: &lt;i&gt;"Droga, perdi, mas azar, vou andando e aproveito pra ouvir música mais tempo"&lt;/i&gt;. Não é ser insuportavelmente positiva. É que simplesmente não dá pra fazer de cada coisinha da nossa vida uma sangria desatada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em vez disso, fica muito mais fácil a gente se preocupar com coisas que realmente são ruins, sabe? E tentar resolver, o que é mais importante. De verdade, é muito pouca gente que se importa com o quanto a minha, a sua, a nossa vida é fodida. Enquanto a gente se preocupa em achar as pessoas ruins, elas não sabem quem a gente é. Por isso, acho que é bem mais importante acrescentar um pouco de leveza, porque preciso dizer, é muito simples e faz os dias ficarem melhores. Mesmo que quando a gente chegue em casa, só reste é chorar como criança, com lágrimas rolando pelo rosto sem a gente fazer esforço.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4670287550632188674-5356111343401029420?l=tem-que-ser.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/feeds/5356111343401029420/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4670287550632188674&amp;postID=5356111343401029420&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/5356111343401029420'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/5356111343401029420'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/2011/10/sobre-leveza.html' title='Sobre leveza'/><author><name>Ge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17637114339907965462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-8BXlMaTi8hE/TgzLiSDv1bI/AAAAAAAAAFo/lDiLrVZO-0E/s220/foto4.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4670287550632188674.post-2531890386640764156</id><published>2011-09-30T12:19:00.003-03:00</published><updated>2011-09-30T12:37:52.667-03:00</updated><title type='text'>Sobre meu tipo de calor</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Desde criança, adoro essa época do ano. Não sei se é a proximidade do aniversário, se é porque eu sou mesmo uma pessoa do calor, ou se é o fim do ano chegando, mas adoro esse clima. E quando eu falo em clima, falo de uma coisa que tá para além da quantidade de sol ou chuva que se espera para cada época do ano. Falo de uma coisa que parece que muda no ar. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando eu era pequena, uma sensação que eu adorava era tomar banho sem sentir frio antes e depois. Eu gostava quando eu ia tomar banho de manhã, antes de ir para escola, e dava para escancarar a janela do banheiro. Gostava de erguer a cabeça e ver enquadrado, pela moldura da janela, o céu muito azul, sem nuvens ou só com aquelas que parecem que foram pintadas por um pincel um pouco relapso. Como uma pincelada mesmo, sabem como? Sempre gostei desse tipo de céu.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É como se esse fosse um clima em que todo o barulho por trás dele, o barulho dos carros, da construção do terreno em frente, dos vizinhos chamando os filhos de retardados, fosse abafado por um ruído do dia. Um ruído que de tão sutil sobrepõe-se sobre todos os outros. E aí, a gente consegue escutar os passarinhos antes de escutar os carros que passam rápido demais na rua. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nesse mesmo clima, outra coisa que muda é o cheiro. Lembro que quando eu morava em Maringá, toda vez que ia chover eu sabia por causa de um cheiro que as pessoas de lá diziam não sentir. É cheiro de flor sufocada pelo ar abafado que faz com que a gente também sinta um certo cansaço. Flor sufocada que libera perfume e que no jardim da minha mãe tem um cheiro muito bom. Adoro chegar em casa à noite, depois do trabalho, e sentir esse cheiro assim que abro a porta do carro. É que ainda tá quente mas nem tanto, agradável, para fazer coisa que não seja se enfiar embaixo das cobertas para fugir do frio.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É, eu não gosto de frio. Eu acho o frio sofrido e o calor, em compensação, me faz pensar em varanda, me faz pensar no lado de fora do bar, em um suco gostoso e bem gelado. Me faz pensar em horas e horas fazendo nada do lado de fora, numa sombra em que bate vento. Esse é meu tipo de calor, e é por isso que eu adoro quando ele aparece pela primeira vez no ano.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4670287550632188674-2531890386640764156?l=tem-que-ser.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/feeds/2531890386640764156/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4670287550632188674&amp;postID=2531890386640764156&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/2531890386640764156'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/2531890386640764156'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/2011/09/sobre-meu-tipo-de-calor.html' title='Sobre meu tipo de calor'/><author><name>Ge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17637114339907965462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-8BXlMaTi8hE/TgzLiSDv1bI/AAAAAAAAAFo/lDiLrVZO-0E/s220/foto4.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4670287550632188674.post-2190438150856437365</id><published>2011-09-29T12:40:00.006-03:00</published><updated>2011-09-29T13:13:55.043-03:00</updated><title type='text'>Sobre presentes</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dias atrás passei por uma situação que me fez pensar em algumas coisas que não têm diretamente a ver com o que eu resolvi escrever hoje mas, de alguma forma, se parecem. Na tal situação que eu tive que resolver, alguém me disse &lt;i&gt;"você não pode pedir de volta alguma coisa que você deu"&lt;/i&gt;. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Essa frase ficou ecoando por vários dias (e talvez o objetivo desse dito tenha sido esse mesmo). É porque é muito difícil, depois que a gente entrega algo, manter essa decisão. Freud tem um texto em que ele fala que um verdadeiro presente só é dado se você se sente penalizado em entregá-lo, ou seja, um bom presente é aquele que a gente não quer dar. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sempre aproveito minhas viagens para pensar na vida. Quando ando a pé por aí, quando poderia pegar um ônibus e fazer tudo mais rápido, faço pelo mesmo motivo. Nesses momentos aparecem coisas que normalmente me causam a ponto de eu vir escrever aqui. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ano passado, passei por uns momentos difíceis que tinham a ver com uma coisa que eu chamei de troco. O que eu pensei ser troco era o que sobrava de um sentimento que não poderia ser correspondido da mesma forma. Mas eu tava muito enganada. Porque não há troco. Antes houvesse. Quando você dá alguma coisa de seu para uma pessoa, mesmo que o que ela tenha a oferecer a você seja menos, não sobra nada. Ela pode ficar com aquilo que você ofereceu, ou não, mas a gente não pode nem pedir o troco e muito menos pedir de volta.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E claro que eu tô falando de amor, claro que eu tô falando de alguma coisa que a gente investe quando gosta de alguém. Qualquer alguém. Veja, tem uma frase do Pequeno Príncipe que é muito conhecida de a gente se tornar responsável por aquilo que cativa. Só que, por mais que eu goste dos conselhos do Pequeno Príncipe, quanto mais o tempo passa, menos essa frase me faz sentido. Não que eu acredite que seja válido as pessoas não se importarem com alguém que cativaram. Mas é que pode ser que elas não tivessem a menor intenção de nos cativar. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Acho que isso de colocar a responsabilidade no outro tira um pouco da nossa responsabilidade com uma coisa que precisa ser cativada antes de tudo. Isso vai soar auto-ajuda e lugar comum, mas tô falando do fato de a gente se cativar, sabe como? De você saber que é alguém cativante, e não apenas 'cativável' (não sei se existe essa palavra, por isso as aspas). Quando a gente só é 'cativável' fica sempre nas mãos dos outros. Só que o problema é que não tem muito como escapar disso, por essas e outras que auto-ajuda não funciona.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas o que eu tô querendo dizer com toda essa enrolação é que quando a gente gosta de alguém e essa pessoa deixa de gostar da gente, ou não gosta de volta, não tem como pegar esse 'gostar', ou esse 'amar', ou esse 'apaixonar' de volta. É presente. E você deu porque queria um igual para você. Não queria se desfazer. Mas se desfez e entregou nas mãos de outra pessoa. E nunca vai conseguir ter de novo isso que foi perdido. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por isso que, quando acontece alguma coisa assim, é tão ruim e a gente se sente tão pobre. Pobre do sentimento que entregou numa caixa bem linda com um laço de fita por cima. E aí, o que resta é começar a construir a partir de um lugar que para mim é um grande mistério, um novo sentimento. Um novo sentimento que só pode ser entregue para outra pessoa se for reconstruído. Nunca se for tomado ou realocado de alguém para outro alguém. Essa construção leva tempo. E esse tempo se chama luto. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4670287550632188674-2190438150856437365?l=tem-que-ser.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/feeds/2190438150856437365/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4670287550632188674&amp;postID=2190438150856437365&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/2190438150856437365'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/2190438150856437365'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/2011/09/sobre-presentes.html' title='Sobre presentes'/><author><name>Ge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17637114339907965462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-8BXlMaTi8hE/TgzLiSDv1bI/AAAAAAAAAFo/lDiLrVZO-0E/s220/foto4.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4670287550632188674.post-2116390656869756375</id><published>2011-09-27T20:31:00.008-03:00</published><updated>2011-09-27T22:11:51.821-03:00</updated><title type='text'>Sobre voltar</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nessa semana encontrei uma amiga que não via há algum tempo e ela disse que vem acompanhando a minha vida por aqui. Segundo ela, dá para saber quando eu tô bem e quando eu não tô tão bem assim, de acordo com o que eu escrevo. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fiquei pensando nisso. Sobre estar e não estar bem. E cheguei à conclusão que, apesar de um ou outro texto um pouco melancólico, há muito tempo estou bem. Bem no sentido amplo, aquele que faz a gente trabalhar, ver os amigos, ter vontade de sair, de ir ao cinema, de tomar uma cerveja. Sim, faz um bom tempo que eu estou muito bem. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nos últimos tempos andei tomando decisões importantes, como a de voltar a morar em Guarapuava até passar no doutorado, e aí, só Deus sabe para onde eu vou mudar. Isso de voltar é difícil pra mim. Muito. Porque eu gosto muito de morar em Curitiba. Ontem, atravessando a&lt;a href="http://www.curitiba-parana.net/fotos/praca-santos-andrade.jpg"&gt; Santos Andrade&lt;/a&gt;, me dei conta do quanto. E decidi sair caminhando por aí, fazer tudo o que eu tinha pra fazer a pé, um jeito de lembrar bem de todas as ruas, dos bairros que eu gosto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ano passado, nessa época, eu comecei a escrever a dissertação. Semana que vem, vou começar a escrever o terceiro e último capítulo, isso se a Nossa Senhora da Não-Procrastinação me ajudar. Tenho uma impressão esquisita com o mestrado terminando, não faz muito sentido. Parecia que eu ia ficar pra sempre fazendo isso. Soa meio maluco, eu sei, mas eu não queria que terminasse.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O mestrado e esse tempo em Curitiba foram coisas muito boas. Cheguei a pensar que aqui era meu lugar. É difícil começar a me despedir do que foi bom. Tô começando a minha despedida, tô começando a pensar em caminhão de mudança, tô começando a pensar em arranjar caixas para colocar minha vida itinerante dentro e voltar para onde eu sempre acabo voltando.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4670287550632188674-2116390656869756375?l=tem-que-ser.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/feeds/2116390656869756375/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4670287550632188674&amp;postID=2116390656869756375&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/2116390656869756375'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/2116390656869756375'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/2011/09/sobre-voltar.html' title='Sobre voltar'/><author><name>Ge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17637114339907965462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-8BXlMaTi8hE/TgzLiSDv1bI/AAAAAAAAAFo/lDiLrVZO-0E/s220/foto4.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4670287550632188674.post-1385731734958433305</id><published>2011-09-22T15:45:00.002-03:00</published><updated>2011-09-22T16:06:10.513-03:00</updated><title type='text'>Sobre Uma Duas</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há uns dias eu terminei de ler "Uma &lt;i&gt;Duas&lt;/i&gt;", da &lt;a href="http://twitter.com/#!/brumelianebrum"&gt;Eliane Brum&lt;/a&gt;. Não era o que eu esperava, ainda que eu não soubesse bem o que eu esperava. Eu sabia que era um livro sobre a história de uma mãe que, já idosa, precisa dos cuidados da filha. Ou sobre uma filha que, diante da mãe já idosa, se vê da necessidade que ela tem de ser cuidada? Não sei dizer, mas acho que isso é pouco importante, porque o tempo todo, o livro faz a gente se deparar com a continuidade entre uma e outra, entre mãe a filha.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Essa coisa de mãe e filha é complicada. Anos atrás, li &lt;i&gt;Uma morte muito suave&lt;/i&gt;, um romance autobiográfico da Simone de Beauvoir que retrata os últimos meses de vida da mãe dela. Uma mãe com quem ela viveu um relacionamento muito complicado, cheio de conflito, de decepções, de cobranças, de expectativas. Mas também de orgulho. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Minha mãe sempre diz que não teria servido para ser mãe de meninos. Ela teve três filhas e eu presencio e vivencio o quanto a relação com cada uma, de alguma forma, é como a Eliane descreve. Uma relação que, antes de tudo, é de extensão, em que fica difícil a gente se descolar e saber o que é seu, o que é dela, o que você pegou dela porque quis (se é que há essa possibilidade), e o que você pegou dela porque a odiava. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Acho que nesse sentido, ser mãe de meninos deve ser mais fácil do que ser mãe de meninas. Falo como filha, e tenho minhas dúvidas se um dia vou falar de um outro lugar. Pensei em escolher alguns trechos do livro para colocar aqui, mas acho que isso estragaria a surpresa de quem se interessar e resolver ler. Digo surpresa porque é assim que a gente se sente. Pego de surpresa, tão surpreendente é ver alguém capaz de falar de uma relação que tão de conflituosa, que de tão misturada, que de tão dissolvidas que se encontram as personagens uma na outra a gente se confunde. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em alguns momentos, você pode pensar até mesmo que aquela é uma relação estranha. Cheia de exageros. Não se engane. Se você for filha, se você for mãe, se você for as duas, uma, duas, você vai se deparar com memórias, com sentimentos que vêm de dentro e denunciam que, mesmo que não através de formas tão reais, aterradoras de tão reais, uma mãe e uma filha constituem-se numa relação que nunca será livre de uma ambivalência muito mais denunciada que entre mãe a filho. Às vezes, a gente cresce e deixa que a vida resolva isso, dê seu curso, bem ou mal. Mas outras, a dificuldade/impossibilidade de se separar, nos deixa marcas como se para cada uma se arrancar de si, foi necessário um corte profundo, um corte à faca.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4670287550632188674-1385731734958433305?l=tem-que-ser.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/feeds/1385731734958433305/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4670287550632188674&amp;postID=1385731734958433305&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/1385731734958433305'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/1385731734958433305'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/2011/09/sobre-uma-duas.html' title='Sobre Uma Duas'/><author><name>Ge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17637114339907965462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-8BXlMaTi8hE/TgzLiSDv1bI/AAAAAAAAAFo/lDiLrVZO-0E/s220/foto4.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4670287550632188674.post-1178473081093771086</id><published>2011-09-20T01:14:00.003-03:00</published><updated>2011-09-20T01:27:18.685-03:00</updated><title type='text'>Sobre marcas</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Coloquei meu travesseiro na cama e vi uma mancha de rímel. Estranhei. Fiquei me perguntando como ela foi parar ali. Eu, que tiro maquiagem antes de dormir, não importa quão bêbada, nem quão cansada, desde que eu ouvi que os cílios caem quando a gente não tira a maquiagem e que cílios que caem nunca voltam a crescer. E eu não tenho cílios sobrando.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A mancha de rímel na fronha do meu travesseiro é testemunha de posição fetal. É uma das marcas de um choro  de soluço e dor, da necessidade de se abraçar. Não consigo lembrar qual foi a última vez que eu chorei em cima do meu travesseiro e por isso não sei dizer de quando é essa mancha de rímel que deixei nele. O que eu sei é que essa é uma boa notícia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pior seria, penso eu, lembrar de cada dia, de cada lágrima, de cada prostração. Ainda que minha veia dramática tenha dessas tendências, eu juro que tento escapar desse espetáculo de quinta categoria do qual, às vezes, faço a minha vida. Acabei de terminar o "Uma &lt;i&gt;Duas"&lt;/i&gt;, da Eliane Brum e fiquei assustada com a possibilidade de escrever visceralmente que ela tem. Uma coisa que sigo tentando ter. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quero escrever sobre o livro, um livro que não é bonito e que não é feio, mas que é de uma realidade indizível. Por hoje, eu só levantei da cama, para onde eu já tinha ido numa tentativa inútil de dormir, para escrever essas palavras e para me lembrar de que é importante deixar registrado que eu não lembro quando foi que deixei aquela marca em meu travesseiro. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pode parecer bobagem. Mas não é para os que choram. Nem para os que se ressentem de chorar porque sabem que quando choram não conseguem dizer, e que dizer faz toda a diferença. Mesmo que aquilo que há de mais verdadeiro esteja além dessa tentativa puramente humana de dar sentido pelas palavras. Impossível dar um sentido pelas palavras àquilo que nos fere ou acalenta pelas marcas que deixa. E não falo mais de marcas de rímel no travesseiro.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4670287550632188674-1178473081093771086?l=tem-que-ser.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/feeds/1178473081093771086/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4670287550632188674&amp;postID=1178473081093771086&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/1178473081093771086'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/1178473081093771086'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/2011/09/sobre-marcas.html' title='Sobre marcas'/><author><name>Ge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17637114339907965462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-8BXlMaTi8hE/TgzLiSDv1bI/AAAAAAAAAFo/lDiLrVZO-0E/s220/foto4.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4670287550632188674.post-7387461790252587936</id><published>2011-09-12T14:24:00.007-03:00</published><updated>2011-09-12T14:47:58.856-03:00</updated><title type='text'>Sobre drama onde não tem</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma palavra me descreve: dramática. Esses dias ouvi que até meus sonhos são dramáticos, e olha, é verdade. Mas meus sonhos tem um drama diferente, um drama tão palpável, tão cotidiano, que poderiam estar em um filme de Almodóvar, olha a presunção.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pois bem, numa dessas crises intensas de drama, acusei minha vida de monótona. Ousei, inclusive, dizer que no último ano e meio eu não havia seguido com ela. Como se as coisas que me cercam realmente estivessem no mesmo pé. E que mentira, algumas pessoas me lembraram. E enumeraram quantas coisas que fiz nesse tempo. E quantas coisas estão encaminhadas para acontecerem logo, ano que vem, se tudo der certo (quer dizer, se eu passar no doutorado).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Então, apesar eu reclamar por esporte, sim, eu sei que as coisas andam dando muito certo, e acho até feio me queixar porque nem sempre elas acontecem assim sem a gente fazer muito esforço. Mas, pensando bem, se eu digo que é "sem fazer muito esforço" eu também estou desvalorizando meus últimos 3 anos e tudo o que eu fiz e que ainda faço para que a minha vida comece (como se ela já não tivesse começado, vejam bem como eu tenho esse hábito de diminuir meus ganhos). &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sim, a vida começou. Durante um tempo, acho que o tempo que eu levei mais na estrada do que em lugar propriamente, eu tive a sensação de que ela esteve em &lt;i&gt;stand by&lt;/i&gt;. Definição que anos atrás uma amiga me deu e que serviu. Era como se nada pudesse começar efetivamente enquanto eu corresse de um lado para o outro - e vejam, esse correr de um lado para o outro é literal. Mas pensando em tudo, essa condição já acabou faz tempo. E vou contar uma coisa que eu descobri esses dias atrás: é muito bom colher as coisas boas depois de cansaço, de sacrifício, de desgaste emocional, físico e financeiro. Dá uma impressão boa. Impressão de obsessivo, que pode riscar uma coisa do caderninho.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Então, não é que eu seja insatisfeita (imagina, eu?), mas eu tenho um pedido a fazer pro cosmos: eu quero que a minha vida afetiva volte a ser tão agitada quanto a vida profissional. Se isso for pedir muito, eu quero que tenha pelo menos um terço da agitação. Dizem os mensageiros da luz - hahaha - que a gente tem que tomar cuidado com o que pede. Mas é isso daí mesmo que eu quero: sair do tédio, nem que seja pra sofrer mais um pouquinho com amores não correspondidos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4670287550632188674-7387461790252587936?l=tem-que-ser.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/feeds/7387461790252587936/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4670287550632188674&amp;postID=7387461790252587936&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/7387461790252587936'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/7387461790252587936'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/2011/09/sobre-drama-onde-nao-tem.html' title='Sobre drama onde não tem'/><author><name>Ge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17637114339907965462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-8BXlMaTi8hE/TgzLiSDv1bI/AAAAAAAAAFo/lDiLrVZO-0E/s220/foto4.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4670287550632188674.post-5105933056752749779</id><published>2011-09-02T13:47:00.004-03:00</published><updated>2011-09-02T14:01:44.458-03:00</updated><title type='text'>Sobre seguir vivendo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Talvez pela segunda vez desde que comecei a escrever aqui no blog, deletei um post assim que o puliquei. É que a gente precisa saber a hora de se calar, característica cada vez mais rara nas pessoas que realmente acreditam que tudo o que elas pensam e sentem é digno de ser falado. Eu não sei se o que eu tinha escrito chegaria ao lugar destinatário, mas existem chances de que sim e não seria bom. E vou explicar porquê.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sempre que a gente diz alguma coisa, diz com algum objetivo. As coisas não são ditas a esmo e elas costumam ter audiência. Quando eu escrevia no livejournal, alguns dos meus posts ficavam invisíveis. Eu queria escrever, mas não queria que ninguém lesse e por isso escrevia para mim. O post cumpria o papel de eu ver traduzidas as palavras, de vê-las articuladas, fazendo o tal do sentido que todos nós insistimos em buscar. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com o tempo eu aprendi que existem palavras valiosas que ficam melhores se guardadas ou divididas no lugar certo. Do divã às mensagens para as amigas. O que não pode, o que é muito, muito feio é tentar colocar um obstáculo à tentativa legítima dos outros de seguir vivendo. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nos últimos tempos tenho sido confrontada com algumas coisas: a minha dificuldade em começar lutos e a minha dificuldade em deixar ir. Seriam da mesma ordem essas duas coisas? Acho que sim. Por essas e outras que eu deveria tatuar &lt;i&gt;"Let go"&lt;/i&gt; nas costas da mão. Como quando a gente marca um asterisco ali para lembrar de não esquecer. Preciso lembrar de não esquecer isso: é preciso deixar para lá.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4670287550632188674-5105933056752749779?l=tem-que-ser.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/feeds/5105933056752749779/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4670287550632188674&amp;postID=5105933056752749779&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/5105933056752749779'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/5105933056752749779'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/2011/09/sobre-seguir-vivendo.html' title='Sobre seguir vivendo'/><author><name>Ge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17637114339907965462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-8BXlMaTi8hE/TgzLiSDv1bI/AAAAAAAAAFo/lDiLrVZO-0E/s220/foto4.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4670287550632188674.post-3121919619531292346</id><published>2011-08-25T13:29:00.008-03:00</published><updated>2011-08-25T13:54:35.014-03:00</updated><title type='text'>Sobre viagens</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Neste sábado, eu vou para o Rio de Janeiro. A boa desculpa  é que tenho um congresso, e ainda que ele só comece na segunda feira, chego antes. Usei a mesma desculpa da primeira vez em que estive lá. Gostei de conhecer o Rio e até tenho dois lugares preferidos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O primeiro é a Praia Vermelha. A Praia Vermelha é uma prainha. Toda a simpatia que eu tive por ela na época teve a ver com a forma como eu me sentia. Não foram dias fáceis. Algumas pessoas, quando precisam começar de novo vão para Paris. Pode reparar a quantidade de filmes em que as pessoas escolhem Paris como o destino para se esquecerem de uma dor de cotovelo. Na época eu não tinha cacife pra isso e continuo não tendo. Mas na época, eu precisava mesmo viajar um pouco, conhecer algumas pessoas diferentes, lugares que nunca estive, enfim, sabe aquela coisa de começar a contar uma história em que, de maneira alguma, vai aparecer um determinado personagem? &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pois é. Deve ser por isso que a gente viaja. Aquelas ruas não vão ser familiares, não vão ter histórias, diálogos e discussões bobas. Claro, ninguém está imune do risco de, mesmo em uma cidade nova, deparar-se com situações que parecem próximas. A gente insiste em se lembrar que alguém gostaria de conhecer aquele lugar, ou que odiaria aquele restaurante e assim por diante. Sinal de que, no fim, não há mesmo jeito de se viajar sozinho.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O meu segundo lugar preferido no Rio de Janeiro é o cemitério São João Batista. Sim, eu sou esse tanto estranha. Eu gosto de cemitérios. Aliás, se alguma vez você já caminhou por um cemitério, percorrendo túmulos, datas e epitáfios, você também deve ter se interessado por tantas histórias que se encontram enterradas. Tenho um gosto por elas, as histórias enterradas. Como ninguém vai confirmar se as que passam pela minha cabeça são as verdadeiras histórias, fico com as da minha imaginação. E, sinceramente, eu nem gostaria que ninguém as confirmasse. Minha veia dramática tem uma tendência a melhorar coisas que são por natureza mais entediantes.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nessa primeira visita ao cemitério, junto com minha amiga querida, encontrei o túmulo de uma menina. Nele, eram muitas as velas, as flores, as plaquinhas de agradecimento. Uma criança morre e as pessoas começam a atribuir milagres a ela. Então, as pessoas faziam pedidos àquela menina. Eu fiz o meu. Já faz cinco anos desde essa viagem, e lembro bem do pedido que eu fiz. A minha amiga que estava comigo não se lembra do dela. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas eu compreendo bem porque eu lembro. Pelo mesmo motivo que me pareceu bonita a Praia Vermelha em um dia muito frio, cinza, chuvoso e com um vento forte demais. Se eu olhei para aquela praia, tão pequena em sua própria imensidão, é porque não foram aquelas águas turbulentas que refletiram nos meus olhos. Fui em que me vi refletida naquela fúria, naquilo tudo que só me parecia tristeza. Dificilmente a gente esquece do que pensou e das orações que fez quando esteve muito triste. A tristeza ajoelha o mais cético, a quem só resta fazer um pedido a um túmulo de uma criança que morreu cedo demais. E esperar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4670287550632188674-3121919619531292346?l=tem-que-ser.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/feeds/3121919619531292346/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4670287550632188674&amp;postID=3121919619531292346&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/3121919619531292346'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/3121919619531292346'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/2011/08/sobre-viagens.html' title='Sobre viagens'/><author><name>Ge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17637114339907965462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-8BXlMaTi8hE/TgzLiSDv1bI/AAAAAAAAAFo/lDiLrVZO-0E/s220/foto4.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4670287550632188674.post-357641791964714491</id><published>2011-08-17T22:05:00.005-03:00</published><updated>2011-08-17T22:39:56.396-03:00</updated><title type='text'>Sobre o que eu queria ter dito</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje sentei em minha cadeira florida para escrever uma carta. Então, se você é do tipo de pessoa que se constrange com gente que não tem vergonha de expor os próprios sentimentos, melhor ir embora. Essa aqui é a minha própria praia de nudismo (medo das pesquisas que trarão visitantes para o meu blog por causa dessa frase). Como é particular, posso mesmo tirar todas as peças. Como sou um pouco exibicionista, aqui dou licença para os outros me olharem. Mas não olhar pro meu corpo. Isso não diz nada sobre mim. É olhar pro tutano dos meus ossos, pro recheio mesmo. O que existe de mais meu. Se você não aguenta, vai embora. Se, em vez disso, você imagina que esse blog pode ser lido por quem não gosta de mim, não se preocupe. Só me lêem os que estão acostumados ao fato de eu ser um pouquinho melodramática. Então, vamos à carta:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para você:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Oi, você. Já faz um tempo desde que você me deixou aqui sem entender nada. Já faz também um tempo, ainda que menor, desde a última vez que eu dormi encolhida e pensando em tudo o que aconteceu. Ou, então, em tudo o que não aconteceu. É que eu sou dessas que fica pensando no que poderia ter sido. Deve ser por isso que eu me martirizo. Mas você não saberia disso. É que não deu tempo de você me conhecer. Não, por mais que eu tenha mostrado muito do que eu sou para você, como eu faço com todos aqueles em quem confio, não deu pra você apreender tudo. É que nunca dá, e isso a gente sabe, eu e você. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Essa noite eu tive um sonho. Não foi propriamente com você, mas você foi a primeira pessoa em quem eu pensei quando acordei. E nós dois também sabemos que isso deve ter alguma importância. Eu não vou entrar em detalhes, porque eu não acho que você se interesse por eles, mas foi um sonho que denunciou a violência que você fez comigo. Violência sim. Essa por trás de quando não são ditas as palavras.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Você não sabe, mas uma vez, há muitos anos, eu ouvi alguém me dizer com toda a sinceridade que meu problema era que eu pego as palavras que as pessoas me disseram e as tomo como um contrato. E por isso é tão dolorido quando as pessoas não me querem mais por perto. Sim, você não imagina quantas vezes diálogos se repetiram em minha cabeça. Conversas nossas, daquelas longas, daquelas que chegaram a durar muitas e muitas e horas. Não sei se foram bem conversas. Talvez tenham sido monólogos. Meus, é claro. Porque foi por causa das minhas palavras que você aprendeu a ler o que eu pensava. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu acho que as palavras são valiosas. Você não sabe a falta que elas me fizeram e fazem. Não é só com você que eu reclamo das palavras. Acho falta de educação não responder e-mail, mensagem, não retornar ligação. Acho que as pessoas merecem que a gente pergunte para elas o que elas desejam falar. É porque às vezes, as pessoas se arrependem do que dizem e do que fazem e, por essa razão, elas precisam das palavras para se fazer entender melhor. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando eu falo em violência é a essa violência que me refiro: a da falta da palavra. Ah, eu achei que você soubesse do meu apreço por elas! Falha minha, como foram tantas outras. A principal dela foi deixar de ler o que eu sentia. E sabe, não pense você que eu saio falando que você me enganou. Não, não. Acho que nesse ponto você foi muito decente. A &lt;i&gt;mea culpa&lt;/i&gt; eu faço nessa outra parte da história. A parte que achou que aguentaria as suas reticências. Bobagem a minha, eu não sei lidar com elas. Incrivelmente, eu sei lidar com pontos finais. Mas tenho bastante dificuldade com as interrogações. Mas isso você sabe, não sabe? Acho que te contei algumas vezes o quanto me apóio nas minhas certezas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sabe do que eu te acuso? Eu acuso você de ter me feito acreditar que gostava de mim. Não como eu gostei de você. Não tem nada a ver. É que eu realmente acreditei que você gostasse de mim e pronto, como a gente gosta de qualquer pessoa com quem passa muito tempo e têm bastante coisa em comum. Tipo alguém que a gente admira. Que pode até ser que não dê para ser amigo, mas poxa, alguém por quem você tem consideração. É desse tipo de gostar que eu achei que você tinha por mim. E por isso foi tão dolorido quando eu percebi que me enganei.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu já disse antes, embora não para você, que eu sou uma péssima fazedora de lutos. Mas esse é um que eu venho adiando. Adio todas as vezes em que me nego a dizer seu nome. Você existe, e isso é fato. Na última semana fui bombardeada com provas das sua existência. Aí alguém me disse com a maior sinceridade: "será que não é um jeito de você dar uma volta nisso tudo?". &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sabe, eu acho que sim. Isso não significa que eu vou te procurar. Mas eu não vou mais evitar o confronto com seu desprezo que apenas pude sentir no silêncio. Um silêncio que feriu a alma, vou te dizer. Eu não sei se você é merecedor disso que eu tô falando. Mas como eu sei que essa carta é só para eu imaginar o que eu diria para você e que ela não chegará em suas mãos, me deixe aqui com ela.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não vou terminar dizendo que desejo felicidades a você. Essas eu desejo a mim. De todo o coração.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4670287550632188674-357641791964714491?l=tem-que-ser.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/feeds/357641791964714491/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4670287550632188674&amp;postID=357641791964714491&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/357641791964714491'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/357641791964714491'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/2011/08/sobre-o-que-eu-queria-ter-dito.html' title='Sobre o que eu queria ter dito'/><author><name>Ge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17637114339907965462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-8BXlMaTi8hE/TgzLiSDv1bI/AAAAAAAAAFo/lDiLrVZO-0E/s220/foto4.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4670287550632188674.post-4905895584634746288</id><published>2011-08-15T14:14:00.005-03:00</published><updated>2011-08-15T14:28:29.798-03:00</updated><title type='text'>Sobre a ansiedade que me consome</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Queria conhecer o sujeito que inventou que a gente precisa esperar. Porque ele, definitivamente, não tinha mais o que fazer. Sonho com um mundo justo. Um mundo em que e-mails importantes são respondidos a toque de caixa. Em que ligações perdidas são retornadas, em que mensagens importantes são respondidas. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ao contrário do que podem imaginar os que me julgam intolerante às frustrações, eu nego até a morte. Não sou intolerante às frustrações. Mas sou sim, e isso não posso negar, intolerante à espera. Não tenho problemas com respostas negativas (quer dizer, quem não tem? Mas eu sei lidar com elas), mas tenho sérios problemas com a falta de uma resposta. Nos últimos dias ando com a minha cabeça fervendo por causa de um evento que resolvi organizar. E eu resolvi organizar por duas razões: em primeiro lugar, porque eu acho importante os alunos sentarem suas bundas acadêmicas em uma poltrona para ouvir pessoas mais experientes falar sobre sua prática; em segundo, porque é importante para o meu currículo organizar eventos. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E tudo seria maravilhoso não fosse um pequeno detalhe. Convidei algumas pessoas para participar do evento. E sabe? Se você não quer, ou não se interessa, ou não se sente capaz, ou não pode participar, enfim, custa dizer que não? Custa retornar uma ligação, um e-mail, uma mensagem dizendo que não rola? É um convite! Só isso. E se os motivos pelos quais você não aceitou o convite tem a ver comigo, a pessoa que convidou, vamos ser grandinhos e profissionais?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Olha, nessa história de organizar eventos eu aprendi que posso contar com um monte de gente que suporta a minha ansiedade e que faz as coisas a toque de caixa quando nem deveria ter que fazer. E se eu tenho que pedir as coisas pra ontem é porque eu não tenho respostas pra hoje. Respostas essas que poderiam se resumir em sim e não. Simples assim. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4670287550632188674-4905895584634746288?l=tem-que-ser.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/feeds/4905895584634746288/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4670287550632188674&amp;postID=4905895584634746288&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/4905895584634746288'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/4905895584634746288'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/2011/08/sobre-ansiedade-que-me-consome.html' title='Sobre a ansiedade que me consome'/><author><name>Ge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17637114339907965462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-8BXlMaTi8hE/TgzLiSDv1bI/AAAAAAAAAFo/lDiLrVZO-0E/s220/foto4.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4670287550632188674.post-5887440565609893268</id><published>2011-08-14T17:33:00.007-03:00</published><updated>2011-08-14T18:22:24.578-03:00</updated><title type='text'>Sobre o que acontece enquanto a gente vive</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje, na viagem, fiquei pensando o que eu fazia ontem às 16h20. Acho que estava comprando tomilho e cebola. Um pouco antes de eu sair de casa para fazer isso, combinei com minha mãe que ela iria junto comigo ao outro supermercado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Minha mãe estava fazendo um bolo, uma cuca de goiabada. Eu disse pra ela "oba, amanhã vai ter cuca pra eu levar pra Curitiba". Ela disse que a receita que ela tinha feito era outra, uma que minha tia havia passado, e que ela queria ver se ficava boa. Provavelmente, às 16h20, minha mãe já tinha colocado a cuca dentro do forno e estava me esperando voltar. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Às 16h20, minha irmã ainda estava na rua, provavelmente tomando a soda italiana que ela me disse que tomou com a sogra dela, e poucos minutos depois, me ligou para confirmar o jantar. Fui à casa dela para buscar uma panela e ela decidiu ir comigo para casa e me ajudar a fazer o jantar, quando chegamos, meu pai estava pra fora, sem ter como entrar e minha mãe havia saído novamente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Comecei a arrumar os ingredientes, quando o telefone tocou. Minha irmã atendeu e voltou falando que não entendeu nada e que era para eu atender. E tudo o que eu ouvi foi uma voz muito parecida com a da minha mãe, me chamando pelo nome da minha irmã, e gritando um outro nome, o do meu primo. Alguém toma o telefone das mãos de quem eu já tinha compreendido ser minha tia e essa pessoa me avisa: o filho dela morreu, ela quis ligar, quer que vocês avisem a família. Eu desligo o telefone, aviso minha irmã e meu pai. E as notícias começam a correr e o telefone recomeça a tocar toda vez que é desligado. Quando minha mãe chegou, dei a notícia, eles foram fazer as malas e saíram. Seis horas de viagem. Até a Lola percebeu que alguma coisa tinha acontecido, foi se esconder embaixo da estante.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu e meu primo dividíamos, além do sangue, algumas memórias. Lembranças infantis que não cresceram e nem se multiplicaram junto com a gente. Nos encontrávamos mais quando crianças, uma vez por ano, na praia. Nunca tivemos muita coisa em comum, além de nossas mães serem irmãs. Elas sim, muito próximas. Não posso dizer que vou sentir falta dele. Mas posso dizer que fico triste pela minha tia. Esse acontecimento, dizem, faz uma marca profunda demais nas pessoas. Minha mãe vai sentir falta de quem era e de como era a irmã dela.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em poucos minutos, você faz parte da história da manchete que narra um acidente sem muitos detalhes. Em poucos minutos você entende que enquanto a sua vida acontece, a muitos quilômetros de distância, a vida de alguém que nasceu fazendo parte da sua desprendeu-se. Muito provavelmente enquanto eu pesava as cebolas, enquanto minha mãe fazia um bolo, que ainda morno foi embalado para ser servido no velório, enquanto minha irmã tomava uma soda italiana e enquanto minha tia atendia na loja dela. E foi uma cliente que falou comigo ao telefone e pediu para eu dar a notícia.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4670287550632188674-5887440565609893268?l=tem-que-ser.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/feeds/5887440565609893268/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4670287550632188674&amp;postID=5887440565609893268&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/5887440565609893268'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/5887440565609893268'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/2011/08/sobre-o-que-acontecem-enquanto-gente.html' title='Sobre o que acontece enquanto a gente vive'/><author><name>Ge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17637114339907965462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-8BXlMaTi8hE/TgzLiSDv1bI/AAAAAAAAAFo/lDiLrVZO-0E/s220/foto4.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4670287550632188674.post-4011992608744003245</id><published>2011-08-08T20:53:00.007-03:00</published><updated>2011-08-08T22:13:36.807-03:00</updated><title type='text'>Sobre chover no molhado</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pode ser que seja chover no molhado. Já escrevi aqui sobre o que eu vou falar hoje, mas tenho uma boa razão. É que tenho por regra escrever sobre o que me esbofeteia. Eu sei que parece confuso, mas é que algumas situações que a gente vive, e mesmo aquelas que a gente apenas testemunha, têm esse poder de nos esmurrar. Sei que peco em meus textos pela quantidade de metáforas, mas é que não sei falar diferente. Então, quando digo que algumas situações e palavras me esbofeteiam é porque elas me deixam completamente sem condições de ter nenhuma reação, exatamente como se eu tivesse sido literalmente esbofeteada. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Isso é uma grande ironia se eu pensar que o título do meu blog, inspirado em uma música que adoro, fala sobre uma moça que sabe ver as coisas pelo ângulo mais bonito. Muitas vezes, as palavras que me trouxeram até aqui não têm nada de belas. Inúmeras as situações bem feias que serviram de inspiração. Por quanto tempo escrevi sobre tristezas? Quantos foram os textos sobre desesperança? Sobre solidão nem se fala. Ainda assim, tenho pra mim, bem no meu íntimo, justamente que escrever essas palavras me dão um pouco de fôlego. Acho que escrever sobre o que me incomoda me permite, depois de ver o texto escrito, ter alguma possibilidade de ver aquelas palavras que batem, que derrubam, por uma outra visão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Gosto de pensar em mim como a moça da música, ainda que nem tudo sobre o que diz a letra me traduz. Eu não sei tocar piano e violão. Cortar cabelo tampouco. Nunca fui à Índia nem ao Japão, não ando de bicicleta dentro de casa, aliás, quantos anos faz mesmo que sequer ando de bicicleta? Enfim, são vários os trechos da música que não dizem nada sobre mim, quem me conhece sabe. Mas têm alguns, bem específicos que eu acho que dizem sim. Eu, por exemplo, despreocupo-me e penso no essencial. Vou ao teatro, mas prefiro cinema. Tenho lençóis (e adoro lençóis) e tenho irmãs. Adoro eletrodomésticos, aliás, sou fascinada por eles. Procuro o amor, mas não sei se quero ser mãe. Mas de tudo o que eu mais me identifico é com a parte que diz que a moça aprende e continua aprendiz.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se eu falo tudo isso sobre o porquê do título do meu blog, é porque nos últimos tempos eu venho me incomodando muito com algumas coisas específicas. E eu acho que esse incômodo vem crescendo à medida que continuo aprendendo muito, que continuo sendo aprendiz. Aliás, acho que só esse estado de espírito, o de aprendiz, pode permitir que alguém realmente se preocupe com o essencial. Eu só posso crer que algumas pessoas não têm bons motivos com que se preocupar em suas vidas, se tudo o que elas fazem é pensar em intolerância e em ódio. Ou ainda, se elas realmente acreditam que suas opiniões reacionárias podem ser compartilhadas sem maiores consequências. E o pior das consequências do compartilhamento de opiniões aleatórias é que elas atingem alguém. E podem atingir tanto de uma maneira receptiva como com muita tristeza.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Faço parte da segunda categoria de pessoas e, por isso, recebo alguns poscionamentos com tristeza. Mesmo que ninguém leia esse texto grande demais que eu decidi escrever, eu adianto que estou escrevendo para que, no mínimo, daqui a uns anos, eu lembre desses tempos e da tristeza que senti. Não porque eu gosto de me agarrar à tristeza, mas porque eu sou uma adepta do não esquecimento. O não esquecimento não significa guardar mágoas, mas indica que você, esse ser racional provido de memória, não vai se deixar levar por discursos que se repetem a esmo, sem muito ou nenhum discernimento. Discursos de ódio, discursos de agressão travestidos de constitucionalidade, como se isso servisse de indicativo de apoio. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje, quando eu lia a &lt;a href="http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI255579-15230,00-O+DIA+DO+MEDO+MACHO.html"&gt;coluna da Eliane Brum&lt;/a&gt;, em que ela fala sobre o dia do Orgulho Hétero, deparei com uma frase em que ela cita um professor de Direito Constitucional que, sobre a tal votação, reafirma que, ainda que a lei seja constitucional, ela vai contra a paz e indica uma atitude beligerante. E sabem, eu acho que de atitudes beligerantes a gente não precisa mais. Eu vejo e ouço pessoas que em tese deveriam ter um papel social relevante, não pela profissão que exercem, mas pelo fato de terem se formado às custas de uma ideologia que faz com que elas e os seus continuem numa posição superior, uma situação de agentes de opressão, de desigualdade. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que a gente precisa começar a admitir é que a nossa formação, nós que nos formamos em períodos anteriores ao que a gente vive em que existem benefícios como cotas e financiamentos àqueles que durante anos sustentaram a base de uma pirâmide  na qual nós, se não estávamos no topo, estávamos em uma situação bem confortável, nós que nos formamos em universidades públicas ou privadas, nós nos formamos sim às custas do trabalho de milhões de homens e mulheres que lavaram nossas privadas. E se eu estiver falando com reacionários que vão me dizer que essas pessoas não pagaram os impostos dedicados a bancar os professores, as universidades, eu digo que quem ganha decentemente paga imposto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se eu comecei a falar em dia do orgulho hétero e agora falo disso é porque eu não vejo os dois temas com muita diferença. Empresto da Eliane Brum as palavras, que são bem melhores que as minhas: &lt;i&gt;"Datas como o 'Dia do Orgulho Gay' ou o 'Dia da Mulher' ou o 'Dia da Consciência Negra' fazem parte da luta pelos direitos básicos de parcelas da população que historicamente sofreram - e ainda sofrem - as consequências da discriminação e do preconceito por aquilo que são".&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Então, diante dessa frase tão conclusiva e que ao mesmo tempo suscita em mim tantos outros pensamentos em cadeia, eu só posso me sentir esbofeteada quando alguém tenta comparar os meus direitos, garantidos desde que botaram essa pele branca e estes olhos azuis em mim, deste que eu sou heterossexual, desde que eu tenho casa, carro, televisão e um computador onde eu descubro o ângulo mais feio que pode haver no ser humano.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E sabe o que me dói, mas dói fundo?  É que algumas das pessoas que se posicionam a partir de tanto ódio contra aqueles que são homossexuais, não compreendem que não é por escolha mas por condição. Não compreendem que se escolha fosse, a mais fácil não seria essa. Tampouco compreendem que, ainda que não seja escolha, não é doença, como heterossexualidade não é saúde. Eu, bem como a Eliane evitou fazer, também não vou dizer que as pessoas com condutas homofóbicas estão no armário. Mas eu vou dizer que tanto ódio assim só pode ser medo de um ódio maior que habita dentro de si.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nessas situações de intolerância aqueles que eu vejo darem as mãos são os colegas mais impensados. Vejo radicais ateus dando a mão a religiosos cuja fé deveria unir em vez de separar. Vejo o ódio gratuito misturado a um ódio que em tese está balizado pela figura de um deus. Vejo argumentos falhos, comparações indevidas de gente lá do alto da zona de conforto. Vejo, e isso vejo muito, gente formada em Psicologia, o que me envergonha,  esquecendo que as pessoas acreditam nas bobagens que os psicólogos falam e por isso que &lt;a href="http://www.pol.org.br/pol/export/sites/default/pol/legislacao/legislacaoDocumentos/resolucao1999_1.pdf"&gt;aquilo que a gente fala e como a gente se posiciona precisa ser alvo de muito cuidado&lt;/a&gt;.  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;All you need is love.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4670287550632188674-4011992608744003245?l=tem-que-ser.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/feeds/4011992608744003245/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4670287550632188674&amp;postID=4011992608744003245&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/4011992608744003245'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/4011992608744003245'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/2011/08/sobre-chover-no-molhado.html' title='Sobre chover no molhado'/><author><name>Ge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17637114339907965462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-8BXlMaTi8hE/TgzLiSDv1bI/AAAAAAAAAFo/lDiLrVZO-0E/s220/foto4.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4670287550632188674.post-1868975898181983499</id><published>2011-08-01T13:19:00.005-03:00</published><updated>2011-08-01T14:06:23.403-03:00</updated><title type='text'>Sobre canja</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Canja. Existem momentos que o que você pode oferecer é isso. O bom da canja é que ela serve para duas coisas: primeiro para mostrar que você está ali, cuidando simbolicamente de quem precisa, e depois porque essa dieta de cigarros, lágrimas e angústia realmente preocupa. Não pode fazer bem, não faz. Excetuando os cigarros, que nunca fumei, sei bem dos males que os dois outros ingredientes causam. Males necessários, é preciso frisar, aqueles que vêm para o bem, como pontua o clichê.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nunca é fácil ser deixado ali sem o entender o que aconteceu. E disso de ficar sem entender o que aconteceu entendo bem. Mas sempre fico surpresa quando percebo que o que a gente fala nessas situações é pouco, perto do que a gente pensa. Você já percebeu que quando você se vê engolido por um abandono, pela desilusão, pela rejeição, além de imerso em um profundo ódio de si mesmo, você vê praticamente inundado por pensamentos que não te abandonam nem no sono? Aliás, eu diria que especialmente no sono que eles nos atacam.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Atacam sim. A palavra é boa, porque é quase mortal. Ou talvez esse &lt;i&gt;quase&lt;/i&gt; seja desnecessário. É &lt;i&gt;sempre&lt;/i&gt; mortal. Independente do que seja, há algo que morre, e o ruim é que não costuma ser o sentimento pelo outro, que continua ali, te fazendo lembrar das coisas boas. Eu sempre me compadeço. Porque lembro, porque sei. É difícil e na hora só os pensamentos ruins existem. Aqueles que nos lembram as razões pelas quais os outros podem nos odiar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Apesar de ser uma péssima fazedora de lutos, sou boa fazedora de metáforas. Sem perceber, me vi fazendo mais uma. É que no meio dessa conversa em que a outra pessoa escuta apenas fragmentos das palavras que a gente usa para consolar, lembrei de uma coisa muito difícil de passar. Porque vou te contar uma coisa: se terminar um namoro é difícil, ser preterida por outra pessoa é excruciante. E olha que essa deve ser a primeira vez que eu uso essa palavra. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aí eu me vi falando que essa situação qualifica o crime. Como um homicídio doloso, que pode ser qualificado. E que no fim de um relacionamento, há motivos que tornam o ato do rompimento qualificado. E que ser preterida é um deles. Outro é se o motivo for torpe, e um terceiro, os meios utilizados pelo agente para realizar seu crime. É que, para alguém, alguma coisa vai morrer. Há algo que foi sim assassinado. E é em cima desse cadáver inerte, dessa coisa disforme que a gente chora, é essa coisa que era bonita e que gente se recusa a enterrar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Isso que escrevi agora me fez lembrar de um sonho que eu tive ainda outro dia. Não lembro de muita coisa antes e nem depois, mas lembro de uma figura sem forma definida, sobre uma cama, vestida de preto, bastante machucada, desfigurada por conta do que parecia ser um ataque por tubarões ou qualquer outra coisa que morda. E tinha alguém ao meu lado dizendo: &lt;i&gt;"Não tem o que fazer, deixa aí, porque logo vai morrer"&lt;/i&gt;.  Eu obedeci e fui fazer outra coisa. Mas voltei. E ao voltar, percebi que, muito levemente, aquele corpo sangrando e desfigurado pulsava. Eu notei que, mesmo tendo sido esquecido em cima daquela cama, entregue a machucados bastante horríveis, que alterariam sua forma para sempre, aquela coisa ainda vivia, e tudo que ela precisava era de alguém que tomasse conta.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu acho que aquela coisa era eu. E no meu sonho, a única pessoa capaz de olhar e dizer que tinha salvação, também era eu. E quando a gente termina um relacionamento, a dor que invade, que engole, que atormenta é a de sentir incapaz de cuidar do mesmo corpo pelo qual se vela. Em alguns funerais, serve-se canja àqueles que permanecem ao lado do corpo durante toda a madrugada. Ontem eu fiz uma canja e ajudei a velar durante várias horas. Era só isso que eu poderia fazer. E foi o que eu fiz.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4670287550632188674-1868975898181983499?l=tem-que-ser.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/feeds/1868975898181983499/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4670287550632188674&amp;postID=1868975898181983499&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/1868975898181983499'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/1868975898181983499'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/2011/08/sobre-canja.html' title='Sobre canja'/><author><name>Ge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17637114339907965462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-8BXlMaTi8hE/TgzLiSDv1bI/AAAAAAAAAFo/lDiLrVZO-0E/s220/foto4.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4670287550632188674.post-629187601185321810</id><published>2011-07-14T16:36:00.009-03:00</published><updated>2011-07-14T17:19:17.027-03:00</updated><title type='text'>Sobre coisas me entristecem</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em um domingo desses, chegando em Curitiba, precisei ir à casa do meu orientador levar a reestruturação que eu tinha feito no segundo capítulo da dissertação. Foi o primeiro domingo daquela semana que em choveu durante quatro dias consecutivos, em que fez muito frio e também fez paredes, escadas e qualquer superfície permanecerem o tempo todo molhadas. Coisa agradável dos nossos invernos. Estava MUITO frio aquele dia e, na rua, a chuva fina tornava inútil qualquer tentativa de se proteger.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas era domingo, e aos domingos a passagem de ônibus em Curitiba custa 1 real. Eu pensei que, num dia desses, o movimento não estaria tão grande como costuma ser, afinal, eu pagaria para NÃO sair de casa. Depois até pensei que poderia ter contratado um motoboy para levar o trabalho para mim, mas quando tive essa ideia eu já estava na rua. Saindo de casa, caminhava em direção ao tubo e vi dois meninos com bicicletas. Uns moleques de uns 15, 16 anos, não sei direito. Estavam na borracharia perto de casa, parados, e, quando um deles me viu, falou alguma coisa para o outro, que saiu com a bicicleta. Em seguida, saiu o segundo. E eles pararam em frente a um prédio, antes do tubo em que eu ia pegar o ônibus.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Acho horrível desconfiar das pessoas baseando-se em esteriótipos. Mas o fato é que a gente tem que ter cuidado, e alguma coisa parecia estranha no fato de os meninos terem me visto, terem parado com as bicicletas mais em frente, na chuva (na borracharia estavam embaixo de uma cobertura) e ficarem me olhando. Decidi entrar no prédio, e a porteira estava saindo para fumar, ela abriu o portão para mim e eu fiquei lá dentro. E eles ficaram lá fora, olhando pra dentro do prédio. E eu pensei: &lt;i&gt;"E agora eu chamo um táxi, né? Eles estão de bicicleta, eu estou a pé, não adianta nem correr para o tubo e nem correr para a casa". &lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aí a porteira voltou e disse &lt;i&gt;"tem que ficar de olho naqueles moleques"&lt;/i&gt;. Aí eu falei pra ela que tinha entrado no prédio por causa deles e que precisava pegar o ônibus. Ela disse que sairia comigo e ficaria olhando até eu chegar ao tubo e deu tudo certo. Não sabia se ia acontecer alguma coisa, mas poderia acontecer e, infelizmente, a gente precisa desconfiar das situações e das pessoas. Fiquei com medo de voltar pra casa e eles ainda estarem lá. Por isso, desci em uma estação anterior àquela na volta. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nesse mesmo dia, em uma das estações que o ônibus parou, entrou uma menina, devia ter uns 17 anos, com um bebê de poucos meses no colo. Os ônibus têm vários acentos reservados, ainda assim, ninguém que ocupava esses lugares levantou para dar o lugar a ela. E quem já andou de biarticulado sabe que você precisa das duas mãos para se segurar, tão rápida e bruscamente os motoristas dirigem. Claro que eu levantei na hora, ela agradeceu e sentou. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Agora que eu seguia o meu trajeto em pé, fiquei mais perto de um grupo de uns meninos bem novinhos, deviam ter uns 11 anos. E sabem? Minha mãe não deixaria eu, com essa idade, andar sozinha de ônibus por Curitiba. E eles estavam conversando sobre as formas com que os pais usavam para falar com eles. Apelidos que, de verdade, não eram nem um pouco carinhosos. Aí, quando o ônibus passou em frente ao shopping, um deles disse: &lt;i&gt;"Lembra quando o Maicon&lt;/i&gt; (eu suponho que a grafia seja essa) &lt;i&gt;roubava novecentão da mãe dele a gente torrava tudo em lanche aqui nesse shopping?". &lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na hora duas coisas vieram à minha cabeça: coitada da mãe do Maicon e o fato que esses meninos torram o dinheiro todo em comida, em lanche, besteira de shopping. Por enquanto, eu pensei, por enquanto. E um deles, parece que adivinhando meus pensamentos, disse: &lt;i&gt;"Vocês gastavam o dinheiro com comida?!"&lt;/i&gt;. É talvez, à medida que eles cresçam e que convivam em um mundo em que as pessoas se protegem deles, eles comecem a gastar o dinheiro em outras coisas, ou as pessoas se protegem deles porque eles roubam o dinheiro da mãe, e não só da mãe, e gastam com outras coisas? Onde é que começa esse ciclo? Alguém sabe responder?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E o que a história da moça com o bebê no colo tem a ver com isso tudo? É que ela não parecia indignada em ter que ficar em pé no ônibus. Posso estar errada, de verdade, e posso estar, mais uma vez, fazendo um julgamento a partir de um preconceito. Mas talvez ela não acredita que as pessoas tenham que ceder lugares. É de quem chegou primeiro, é de quem teve sorte, se chegou depois, perdeu, playboy. Será que ela também não cederia se estivesse sem aquela criança e chegasse um idoso, por exemplo? Não sei. No fim das contas, aquela realidade do biarticulado dos domingos é outra coisa. Uma coisa que eu faço mais do que uma ideia do que seja, uma coisa que faz com que seja melhor tirar seu bebê de casa num dos dias mais feios que esse inverno viu nesse ano.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Essas coisas me entristecem de verdade. Vim para casa, parei na padaria, comprei uma sopa congelada, bem gostosa. Cheguei e liguei o aquecedor. Essa não é a realidade de biarticulado aos domingos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4670287550632188674-629187601185321810?l=tem-que-ser.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/feeds/629187601185321810/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4670287550632188674&amp;postID=629187601185321810&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/629187601185321810'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/629187601185321810'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/2011/07/sobre-coisas-me-entristecem.html' title='Sobre coisas me entristecem'/><author><name>Ge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17637114339907965462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-8BXlMaTi8hE/TgzLiSDv1bI/AAAAAAAAAFo/lDiLrVZO-0E/s220/foto4.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4670287550632188674.post-538011694806424720</id><published>2011-07-06T21:57:00.004-03:00</published><updated>2011-07-06T22:17:50.542-03:00</updated><title type='text'>Sobre modos de sofrer</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;Tinha mais ou menos doze anos quando um dia se viu só, tendo sido abandonada subitamente pelo pai de Franz. Franz suspeitava que alguma coisa de grave havia acontecido, mas sua mãe simulava o drama com palavras neutras e medidas para não traumatizá-lo. Foi nesse dia, quando saía do apartamento para juntos darem um passeio pela cidade, que Franz notou que sua mãe estava com sapatos descasados. Ficou confuso, quis avisá-la, temendo ao mesmo tempo magoá-la. Ficou com ela duas horas pelas ruas sem poder despregar os olhos dos seus pés. Foi então que começou a ter uma vaga idéia do que significava sofrer. &lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;(Milan Kundera - A insustentável leveza do ser)&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E existem aquelas pessoas que, diante de uma grande tristeza, de um grande sofrimento, choram, gritam e esperneiam. Essas mesmas pessoas podem também ser aquelas que juram sentir tanto ódio que seriam incapazes de sequer pensar em ter por perto de novo a pessoa "causadora" do seu sofrimento. Podem também ser aquelas que, nesse momento de dor máxima, decidem que a melhor coisa que poderia ter lhes acontecido foi justamente o abandono. E que conseguem pensar em várias razões para não pensar no quanto, muito intimamente, se culpam pelo assunto. Podem ser elas também que decidem que o melhor é sair, encher a cara, não pensar em mais nada que diga respeito ao que o amanhã reserva. Agora eu só quero estar perto das coisas que ME digam respeito e que dependem de MIM, elas dizem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Já vi e ouvi, como também já fui algumas dessas pessoas. Uma, duas, várias vezes. E vou dizer uma coisa: todos os jeitos são inúteis, todos são ineficazes. Não tem solução que tira a dor da gente com a mão (como a gente gostaria). A dor é viva, contínua, como uma infecção que precisa sarar. Se você já teve uma unha encravada, você sabe do que eu tô falando. Não adiana colocar o remédio, enfaixar o pé e esquecer dele. É preciso deixar a infecção sair, é preciso deixar que aquele latejar, pouco a pouco se transforme em uma dor que chega a ser gostosinha. Nessas horas, se você apertar de leve, vai sentir que ali havia uma unha encravada. Mas ela não vai mais te martirizar, te impedir de colocar sapato. Nada disso, ela só vai te lembrar que teus pés são sensíveis e que você deve tomar cuidado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Só que nem sempre você toma cuidado, porque não dá para fazer isso o tempo todo. O que dá é para frequentar um bom podólogo que aplaque as novas incidências de unhas encravadas (é quando a metáfora pára de funcionar). No que diz respeito a outras dores, outros truques, outras técnicas são necessárias. Existem até profissionais que dizem ajudar, remédios que dizem aliviar. Mas no fim das contas, de todas as maneiras de se viver um sofrimento, talvez o silêncio seja aquele que nos coloque mais em contato com a própria dor. Tão em contato com a dor que os outros só notam que algo está errado quando você sai de casa com dois pés de sapatos diferentes. Quando você esquece coisas que não deveria esquecer. Quando as suas energias estão muito voltadas para te manter em pé, conversando, respirando, suspirando de tempos em tempos. E nem todo mundo é capaz de perceber a sutileza de um sofrer que se apresenta por pares de sapatos errados.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Acho que eu até já falei dessa citação do Kundera. Mas ela continua sendo, na minha opinião singela, a melhor definição de sofrimento que alguém poderia me dar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4670287550632188674-538011694806424720?l=tem-que-ser.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/feeds/538011694806424720/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4670287550632188674&amp;postID=538011694806424720&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/538011694806424720'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/538011694806424720'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/2011/07/tinha-mais-ou-menos-doze-anos-quando-um.html' title='Sobre modos de sofrer'/><author><name>Ge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17637114339907965462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-8BXlMaTi8hE/TgzLiSDv1bI/AAAAAAAAAFo/lDiLrVZO-0E/s220/foto4.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4670287550632188674.post-3433747305274013426</id><published>2011-06-30T14:07:00.011-03:00</published><updated>2011-06-30T15:59:13.662-03:00</updated><title type='text'>Sobre bobagens que são ditas por aí</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pensei muito antes de escrever esse texto e fiquei seriamente em dúvida: será que vale a pena eu perder meu tempo para rebater ignorância? Será que vale a pena desconstruir argumentos falidos, uma vez que essa desconstrução só vai resvalar nas pessoas que pensam que compartilhar links absurdos diz respeito à liberdade de expressão? Será que meus argumentos servem para demover das bobagens que uma pessoa resolveu colocar em um vídeo? Sinceramente, acho que não.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fiquei pensando que isso de comungar com a exclusão que tanta gente sofre, com a discriminação, com o preconceito pode ter a ver com medo. Medo sim. Do que exatamente eu só consigo pensar que seja da própria raiva. Deve ser amedrontador sentir tanto ódio. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A pessoa responsável pelo vídeo diz que se 20 mil pessoas assistirem, vai fazer outro. Acho que ele chutou baixo. Tenho certeza que muito mais gente vai assistir. Só no meu facebook três da minha lista já compartilharam o link, e apesar de eu não ser boa de contas, essa proporção é um tantinho assustadora. E aí eu decidi escrever sobre alguns dos muitos absurdos que eu ouvi nesse vídeo. Vamos a eles:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;1. "O congresso brasileiro está perdendo o senso de moralidade": bom, eu começaria com a definição de moral. Moral tem a ver com costumes, né? É uma palavra carregada de valor. Quando eu digo que o congresso brasileiro está perdendo o senso de moralidade eu estou dizendo que ele está indo contra um conjunto de valores socialmente assumido como aqueles que devemos seguir, nos adequar, enfim. Me preocupo bastante com esse termo "adequar". Me preocupo com os sacrifícios que são impostos aí, sacrifícios que, em larga escala, não atingem apenas indivíduos, mas grupos inteiros. Prefiro pensar em ética à moral. A ética diz respeito a algo que orienta os atos humanos de uma maneira muito mais ampla. E nem toda ética é moral. Se a moral a qual os congressistas estão perdendo é essa que trata com diferença uma parcela da população, acho que renovar (e não perder) o senso de moralidade é uma ideia muito boa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;2. "Os congressistas brasileiros chegaram também ao consenso de que educação sexual e distribuição de camisinhas conduziu a promiscuidade e iniciação sexual precoce": para mim os congressistas brasileiros não são nenhuma autoridade no assunto, e dependendo da bancada a que eles pertençam, menos ainda. Mas sabe o que eu achei engraçado? Confundir educação com promiscuidade;  proteção com uma vida sexual precoce. Sério que você pensa que as pessoas transam porque elas têm camisinha? Sério que você pensa que as crianças se interessam por sexo porque falam com elas sobre sexo? De verdade, só por causa dessa primeira argumentação eu parei de ver o vídeo pela primeira vez. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;3. "As crianças não tem caráter formado": caráter...o que seria caráter? Será que caráter tem a ver com o tipo de pessoa que eu vou me tornar? E vai que eu me torno uma pessoa que acha que todos têm os mesmo direitos? Vai que eu começo a achar errado discriminar alguém por causa da orientação sexual? Vai que eu começo a contestar a opinião dos meus pais? Isso é necessariamente negativo? Porque claro que a comparação foi o que fizeram com as crianças durante o nazismo. Sim a questão da luta contra a homofobia tem objetivos parecidos (IRONIA, POR FAVOR), porque o sonho dos homossexuais é exterminar os heterossexuais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;4. "Alimentar a crescente massa midiática": eliminar a homofobia é um alimento para a mídia e uma forma de conseguir votos dessa grande massa, dessa maioria (IRONIA NOVAMENTE), que são os homossexuais. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;5. Depois o cara descamba a dizer que em vez de investir em merenda escolar, em caderno, lápis e em professores, os congressistas querem gastar dinheiro com kit anti-homofobia: uma coisa não exclui a outra. São problemas diferentes e devem ser tratados de formas diferentes e com verbas também diferentes. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;6. O seu filho pode "virar para outro lado" por causa dessa "ideologia GLS": não se trata de uma ideologia. Ideologia é isso que você tá repetindo com esse vídeo, um vídeo que alimenta a dominação de uns sobre os outros. Isso é ideologia. E como assim meu filho pode virar para o outro lado? Que outro lado? O lado negro da força? Quem definiu o lado que ele tem que virar? E se a resposta for Adão e Eva, me poupe da discussão. Se seu deus admite que você use o nome dele para atitudes preconceituosas, ele não serve pra mim. Gosto de pensar num deus de amor, não de ódio.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;7. "Achar que essa atitude é normal" e colocar os "Gays acima de todos", "A mídia não está preocupada com o gordo e com negro que sofrem bullying": eu queria saber o que é normal. É normal eu ensinar pra uma criança que sexo é feio? Que o sexo dela é inferior (como muitas menininhas são ensinadas desde que nascem)? É normal eu me escandalizar com o amor entre duas pessoas do mesmo sexo? Quem definiu o normal? Se a resposta for Gênesis de novo, voltamos ao ponto que concluí o último item. E aí vem aquela parte de que todos temos direitos iguais e que não podemos colocar os gays acima de todos. É a mesma conversa de gente que tem medo de perder a supremacia do grupo dominante do qual faz parte. E de novo a criatura mistura outros problemas como discriminação por cor e peso, forma física. E diz que a mídia não se importa com isso. A gente não precisa excluir um problema para falar de outro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E daí a pessoa completa com: &lt;i&gt;"Pais de todo o país, se você se preocupa um pouquinho só com seu filho, abram o olho para a m... que tão (sic) fazendo nas escolas". &lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu digo: pais de todo o país, se vocês pretendem formar um ser humano digno, que respeita os outros, ensinem pra ele meia dúzia de palavras: diversidade, respeito, direitos e limites. Ensinem aos seus filhos que o direito deles de dizer as coisas não pode ofender ninguém. Ensinem a eles que entre o normal e o anormal existe uma barreira que muda a todo instante. Ensinem pra eles que flexibilidade evita guerras, evita violência, evita um mundo muito feio no qual eu tenho certeza que vocês não querem que eles vivam.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vou terminar com uma frase da &lt;a href="http://avaranda.blogspot.com/2011/06/contardo-calligaris-passeatas.html"&gt;coluna do Contardo Calligaris&lt;/a&gt; de hoje: &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(51, 51, 51); line-height: 20px; "&gt;Pois é, existem três categorias de manifestações: 1) as mais generosas, que pedem liberdade para todos e sobretudo para os que, mesmo distantes e diferentes de nós, estão sendo oprimidos; 2) aquelas em que as pessoas pedem liberdade para si mesmas; 3) aquelas em que as pessoas pedem repressão para os outros. &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(51, 51, 51); line-height: 20px; "&gt;O que faz que alguém desfile pelas ruas para pedir não liberdade para si mesmo, mas repressão para os outros?&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4670287550632188674-3433747305274013426?l=tem-que-ser.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/feeds/3433747305274013426/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4670287550632188674&amp;postID=3433747305274013426&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/3433747305274013426'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/3433747305274013426'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/2011/06/sobre-bobagens-que-sao-ditas-por-ai.html' title='Sobre bobagens que são ditas por aí'/><author><name>Ge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17637114339907965462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-8BXlMaTi8hE/TgzLiSDv1bI/AAAAAAAAAFo/lDiLrVZO-0E/s220/foto4.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4670287550632188674.post-415380069381960651</id><published>2011-06-30T01:14:00.005-03:00</published><updated>2011-06-30T01:53:32.904-03:00</updated><title type='text'>Sobre fantasmas</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E meus fantasmas continuam existindo. Aliás, os meus, os seus, os nossos. Eles não se mudam para outro continente, não vão fazer trabalho voluntário na África. Eles vivem por aí, estudam, trabalham e falam bobagens. Eles mudam de forma, não se parecem mais com o que eram, mas sempre vão existir. É uma pena, de verdade, que esse não seja um blog anônimo e por isso eu não possa falar sobre tudo o que eu gostaria do jeito que eu gostaria. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não é que muita gente leia, mas eu fico sempre aterrorizada com a quantidade de posts que podem ser lidos pelas pessoas erradas (ou seriam as certas?) e eu suspeito que algumas coisas já deram errado na minha vida por conta dessa minha boca grande. Mas aí eu fico pensando que eu não posso culpar o meu blog. E eu nem posso culpar o fato de eu escrever sobre as coisas que eu sinto. Eu posso sim culpar gente que não sabe interpretar um texto e um contexto, coisa bem importante.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Digressões a parte, hoje, enquanto eu me enganava e não fazia a minha dissertação, deparei nas atualizações do facebook com alguém que foi, durante muito mais tempo do que eu gostaria de dizer, meu fantasma. Agora o problema em me deparar com ele não é mais aquele aperto no peito, aquela dor de fato que eu sentia quando fazia a coisa errada (a coisa errada é fuçar onde não se deve e, inevitavelmente, encontrar o que não quer). &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje o que eu lembrei foi que, anos atrás, tudo o que dizia respeito ao fantasma doía e não se tratava de uma dor figurativa, mas daquela dor REAL, que irradiava pelo peito, os braços formigavam e eu tinha que respirar fundo pra aliviar um pouco: muito conhecida como angústia essa dor. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fiquei pensando que a melhor maneira de saber se você se livrou de um fantasma é você se deparar com ele e não se assustar. Na verdade, ele não é mais seu fantasma se o susto que você leva é por ter percebido que ele não te causa mais dor. Passou, você não quer e não precisa mais saber. Segue a  vida em paz, é o que você deseja pra ele.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ainda assim, não é a saída de UM fantasma do purgatório que livra a nossa pobre alma do tormento de ser assombrado. É que, quanto mais a gente cresce e se envolve e conhece as pessoas e se deixa levar pelo o que elas dizem e se apaixona, a gente fica vulnerável. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Você pode, sem nem perceber, adotar um novo fantasma, que se você for analisar a fundo, não é tão novo assim e se parece muito com aquele que não te causa mais medo. E aí, só então você percebe o quanto o passado custa a passar e isso dói. Dói porque os fantasmas de agora parecem sempre mais angustiantes do que os que ficaram pra trás.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O fantasma daquela época teve data de nascimento e eu posso situar proximamente a data da morte. Hoje eu compreendi que já encerrei esse fantasma em um túmulo e coloquei em cima uma inscrição. Continuo esperando ansiosamente pelo dia em que fantasma que me atormenta hoje se transformar em uma lápide. Só aí vou poder falar sobre ele.  &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4670287550632188674-415380069381960651?l=tem-que-ser.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/feeds/415380069381960651/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4670287550632188674&amp;postID=415380069381960651&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/415380069381960651'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/415380069381960651'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/2011/06/sobre-fantasmas.html' title='Sobre fantasmas'/><author><name>Ge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17637114339907965462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-8BXlMaTi8hE/TgzLiSDv1bI/AAAAAAAAAFo/lDiLrVZO-0E/s220/foto4.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4670287550632188674.post-3738760992755232814</id><published>2011-06-27T22:44:00.009-03:00</published><updated>2011-06-27T23:22:00.082-03:00</updated><title type='text'>Sobre jogo, sobre amor, sobre tropeços</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vou contar uma coisa que pode não ser muito interessante, mas que diz muito sobre mim. Eu posto meus textos e reviso depois. Mais do que isso, no dia que eu resolvo postar, eu escrevo, levo um certo tempo fazendo isso e, quando coloco o ponto final, logo em seguida aperto em "publicar postagem". Aí, eu aperto em "visualizar postagem", copio o link, coloco primeiro no twitter, depois no facebook e só depois reviso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E você pode se perguntar porque isso diz muito sobre mim. E eu posso responder que isso diz muito da minha ansiedade, da minha necessidade em, uma vez as coisas prontas e acabadas eu me livrar delas. Não faço isso só com textos de blog, fazia com as minhas provas na faculdade também. Escrevia questões imensas e entregava sem nenhuma revisão para o professor. E eu sempre me dizia que era porque eu não enxergaria os erros mesmo. Mas eu enxergo os erros sim, e às vezes eles são feios, do tipo de quem troca c por s ou vice-versa. E olha que eu sou dessas pessoas que se irritam com erros ortográficos e gramaticais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas é que não é só quando eu escrevo que eu cometo erros por "falta de revisar". Eu cometo erros nas minhas ações, nos meus pensamentos que nem sempre acompanham o tempo que as coisas levam para acontecer. Uma amiga minha disse que meus atos-falhos são didáticos e e são mesmo. Coisa bonita de se ver. Eu os cometo na fala, nos esquecimentos (e quantos são os esquecimentos) e especialmente, muito especialmente na escrita. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nos últimos tempos, meus atos falhos de escrita tem girado em torno de uma só palavra: amor. E algumas amigas puderam testemunhar um bem bonito que eu fiz num e-mail. Não dá para dar sorte para o azar, eu queria dizer. Mas é no amor que eu não tenho dado muito sorte. E aí, imediatamente penso que a gente não pode ter sorte no jogo e no amor. E não é que nos outros aspectos da minha vida eu sempre tive sorte?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Todo mundo aqui em casa acha que eu sou sortuda. E olha, posso contar alguns bons episódios de sorte que sucederam outros em questão de minutos. Sou dessas pessoas que ganham rifas, sabe? Mas nunca acertei mais que dois números na mega-sena. Mas quando comecei a escrever esse post, ele era quase que um pedido de desculpas para mim mesma. Dados meus textos publicados nesse mês dedicado aos santos casamenteiros e aos namorados, me percebi soando tão amarga. E eu nunca fui dada ao &lt;i&gt;amargor&lt;/i&gt;, sabe? Mas veja que bonito que é esse nosso inconsciente, nessa primeira tentativa de escrever o post, que foi sucedida por isso que estou escrevendo agora, adivinha qual palavra eu coloquei no lugar de amargor? Pois é. Ultimamente ando vivendo de meus tropeços.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Apesar de não ser dada ao amargor, tenho me sentido bem incomodada com a minha solidão. E é bom notar, apesar que isso pode soar como a maior presunção da vida, que essa solidão é fruto de uma escolha que vem se repetindo há muito tempo. Nunca fui partidária de &lt;i&gt;se não tem tu, vai tu mesmo&lt;/i&gt;. Continuo não sendo, é bom enfatizar. Algumas pessoas dizem que as exigências são grandes, que não é por aí. Minha mãe é a primeira a dizer que o problema é pular de cabeça nas coisas. Gente, não concordo? &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu não acho que eu seja exigente e nem acho que precise pisar em ovos. O que eu tenho certeza é que eu só funciono por mais de uma semana do lado de alguém se eu estiver apaixonada e admirada pela pessoa. Dessas duas coisas, acho que o que o mantém as pessoas juntas é a segunda. Eu também tenho certeza que se não for pra me jogar, nem vou. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu tava escrevendo que costumo ser cautelosa em outras áreas. Mas acho que só finjo de cautelosa. Na verdade, esse meu caminho por onde minha vida me trouxe (em todas as áreas dela) foi resultado de duas coisas. A primeira é que eu tomo decisões impulsivas. Sou impulsiva, sou ansiosa também. A segunda é que &lt;i&gt;I`m not a quitter&lt;/i&gt; (e essa frase só fica boa em inglês). Deve ser por esse segundo motivo que tanto me incomodam aqueles que desistem muito facilmente.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4670287550632188674-3738760992755232814?l=tem-que-ser.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/feeds/3738760992755232814/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4670287550632188674&amp;postID=3738760992755232814&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/3738760992755232814'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/3738760992755232814'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/2011/06/sobre-jogo-sobre-amor-sobre-tropecos.html' title='Sobre jogo, sobre amor, sobre tropeços'/><author><name>Ge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17637114339907965462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-8BXlMaTi8hE/TgzLiSDv1bI/AAAAAAAAAFo/lDiLrVZO-0E/s220/foto4.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4670287550632188674.post-7108367682776561443</id><published>2011-06-23T16:14:00.006-03:00</published><updated>2011-06-23T18:33:46.546-03:00</updated><title type='text'>Sobre o que é dolorido</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dias atrás, compartilhei no facebook o &lt;a href="http://vidaemorbita.blogspot.com/2011/06/bispo-dz-que-estupro-so-e-possivel-com.html"&gt;link&lt;/a&gt; dessa reportagem. Uma pessoa que eu sigo no twitter retuitou, eu postei no facebook e um amigo compartilhou. Algumas pessoas comentaram no meu perfil, mas nada que tenha incitado uma discussão, já que, quem comentou se posicionou a partir do ponto de vista que, para mim, é o único possível: o do patético, o do absurdo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas aí, hoje eu reparei que o meu amigo que compartilhou o link contava com mais de 30 comentários e, curiosa que sou, resolvi ler. E aí que minha boca abriu e até agora não fechou mais. Eu fiquei assustada. E quando eu decidi escrever sobre isso pensei: por que ficar assustada, se esse é um posicionamento que eu venho escutando desde que eu me entendo por gente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois é, mas eu fico. E faço questão de ficar e de comentar e de brigar. Porque caso contrário, eu vou me sentir numa posição de estar dando aval para um monte de absurdos do tipo que a mulher precisa se dar o respeito, porque a mulher sabe a condição do mundo em que a gente vive, um mundo em que a gente corre o risco de ser estuprada. E se eu, sabendo que vivo nesse mundo, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;continuo a me "portar de tal forma"&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;sei lá, vestir uma roupa que indique que eu "não me dou o respeito" é sinal de que eu praticamente estou pedindo para ser estuprada&lt;/span&gt; (uma das pessoas que comentou o link do meu amigo utilizou essas palavras). E aí esse tipo de raciocínio ainda é seguida com algo do tipo que cada um tem o direito de ter um ponto de vista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o seguinte: se o seu ponto de vista é esse, não, você não tem o direito de tê-lo, porque o seu ponto de vista fere a liberdade sobre um corpo que vem em frente ao seu direito deturpado de falar bobagens sobre assuntos sobre os quais não entende. Não, esse bispo não tem o direito de falar um absurdo desses, não, ele não pode dizer que o estupro é uma maneira que a vítima utiliza para se eximir de responsabilidade sobre o fato de ser vítima. Ela não é responsável pela violência sofrida e se essa violência resulta numa gravidez, não é com prazer que se recorre ao aborto. Eu nunca vou esquecer aquele caso de uma criança, sim, uma criança de nove anos que engravidou de gêmeos do pai ou padrastro e a igreja tentou de todas as maneiras convencer a mãe e a criança a impedir o aborto. Uma criança grávida de nove anos. Por causa de estupro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aí, como eu também compartilhei o link no meu perfil, um colega veio falar que havia, antigamente, uma doutrina de acordo com a qual a negativa precisava ser barulhenta, que a negativa tímida ou silêncio descaracterizariam o estupro. Isso não é mais válido, segundo os universitários consultados, ainda bem! No entanto, esse não é o tipo de pensamento que a gente vê a todo instante? Um pensamento que ignora que silêncio e negativa tímida têm a ver com uma coerção de gênero que é tão velha quanto cultural?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem. Por mais que depois eu tenha sabido que a pessoa que disse todas as baboseiras descritas acima ainda é um moleque que nem tem 18 anos eu pensei que a gente tem que ser um pouco compasivo e que muita gente simplesmente nunca parou para pensar no assunto sob outro ponto de vista, outros argumentos, enfim, sob uma realidade que é de violência. Um adolescente que pode nunca ter parado para pensar, que pode nunca ter tentado, ao menos tentado, se colocar no lugar do outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas aí uma outra pessoa nesse mesmo post, primeiro timidamente e depois ostensivamente, toma o partido do bispo. Primeiro fala que &lt;span style="font-style: italic;"&gt;a manchete foi "manipulada" pelo repórter&lt;/span&gt;. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Que o bispo não disse que o estupro é possível apenas com o consentimento da mulher. E depois fala que foi omitida da reportagem uma parte em que o mesmo bispo diz  que a pessoa que "se julga vítima"&lt;/span&gt; (vejam, ela não é vítima, ela julga-se vítima), &lt;span style="font-style: italic;"&gt;deve fazer um boletim de ocorrência e apontar o nome do agressor. E que se ela não tem esse nome, ela pode fazer um exame de espermatozóide (que eu suponho que seja DNA), para descobrir quem é e a justiça poder ir atrás.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Percebam a IGNORÂNCIA, o PRECONCEITO. Em primeiro lugar, o judiciário não é CSI. Quando a gente nasce, não coletam amostras de cabelo, sangue, ou sei lá o que, para que se, um dia fizerem um exame de DNA, ou eu cometer um crime, a justiça vai descobrir que fui eu. E se essa pessoa diz isso, ela demonstra não saber, em primeiro lugar, que o exame de DNA é comparativo. Burrice. Ignorância. Fique quieto, se é besteira que vai sair da sua boca. Em segundo lugar, grande parte dos estupros não é denunciada justamente pela histórica coerção de gênero que a gente vive. E quando os estupros acontecem dentro de casa, os motivos para não denunciar aumentam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você pode dizer que eu não estou contando nenhuma novidade. Mas olha, quando eu descubro que quem faz esse tipo de comentário, quem se posiciona dessa maneira pretende um dia se tornar um psicólogo, eu me encho de dor. De dor sim. Porque o que essa pessoa pode fazer a partir do uso da profissão dela é ASSUSTADOR. Isso me deprime de tal forma que eu não consigo descrever. E ainda ontem eu conversava sobre isso com uma amiga. Os assuntos se repetem. E parece que em todos os lugares movimentos reacionários como esse se insinuam. E isso é muito dolorido.&lt;br /&gt;&lt;span jsid="text"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4670287550632188674-7108367682776561443?l=tem-que-ser.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/feeds/7108367682776561443/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4670287550632188674&amp;postID=7108367682776561443&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/7108367682776561443'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/7108367682776561443'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/2011/06/sobre-o-que-e-dolorido.html' title='Sobre o que é dolorido'/><author><name>Ge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17637114339907965462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-8BXlMaTi8hE/TgzLiSDv1bI/AAAAAAAAAFo/lDiLrVZO-0E/s220/foto4.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4670287550632188674.post-216016127669800299</id><published>2011-06-13T23:08:00.005-03:00</published><updated>2011-06-13T23:35:22.240-03:00</updated><title type='text'>Sobre violência</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dias atrás, tive um começo de conversa que eu precisava ter há uns bons meses. Digo começo de conversa porque ela terminou com uma mensagem no celular, me dizendo que a internet estava muito ruim e que a gente a concluiria com um café. Achei bom. É que algumas coisas, por mais fáceis que pareçam se digeridas pelo msn, precisam de um café, nem que seja para você ter um buraco para olhar quando não consegue levantar a cabeça , o da xícara, que ajuda a distrair a mente, as lágrimas de criança.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se tem uma coisa que me incomoda em mim é isso. Eu choro. Queria chorar menos, queria poder ter aquela voz firme, aquela que tenho dentro da minha cabeça quando penso nas coisas ruins que me acontecem. Não nas trágicas, nas ruins. Nas trágicas, não ligo de chorar. Foi aí que, no meio dessa conversa difícil, que era difícil porque não tinha a ver só comigo e só com ela, que eu disse pela primeira vez o quanto aquele assunto ainda me incomoda. Por mais que já tenham passado muitos meses, têm algumas coisas que insistem de tal maneira...E aí, como eu disse para ela, quando me sinto desse jeito, o jeito mais fácil parece ser sempre estudar, escrever, trabalhar, servir de orelha para deus e todo mundo, mas não emprestar a de ninguém.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Assim é mais fácil porque daí não tem aquele nó constrangedor na sua garganta insistindo em deixar a sua voz embargada e denunciando o quanto você demora para se recuperar dos choques. E aí eu contei pra ela que não foi só dela que eu me afastei, mas que, por alguma razão que era fácil de entender, ela era a pessoa de quem eu mais tinha me afastado e isso doía um bocado. Ainda sem conseguir dizer o que nos tinha causado tudo isso, eu falei por uma via indireta e que ela entendeu, porque me respondeu assim: &lt;i&gt;"acho que o que aconteceu foi uma violência muito grande e eu imagino como você deve estar se sentindo".&lt;/i&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E pode parecer uma besteira você se sentir acolhida por uma manifestação de empatia. Mas é o que ela me deu foi mais do que a mão, foi mais do que a empatia que toda boa amiga é capaz de dar. Ela me deu uma definição. Pode não ser uma definição pronta e acabada do que aconteceu. Sequer pode ser considerada uma definição óbvia para quem, olhando muito de fora, não sabe como eu me afeto maximamente com coisas mínimas. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Antes de se despedir, ela disse que quanto tempo fosse necessário para eu descobrir o que, afinal, eu perdi, enfim, quanto tempo fosse necessário para eu descobrir o que levaram de mim nesse ato de violência, eu precisava me dar. E aí fica a minha pergunta: por que, para algumas pessoas, é mais fácil sair da vida da outra a partir de um ato de violência? Por que a gente não pode se despedir com um pouco de delicadeza?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que eu perdi? Acho que foi a fé.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4670287550632188674-216016127669800299?l=tem-que-ser.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/feeds/216016127669800299/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4670287550632188674&amp;postID=216016127669800299&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/216016127669800299'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/216016127669800299'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/2011/06/sobre-violencia.html' title='Sobre violência'/><author><name>Ge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17637114339907965462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-8BXlMaTi8hE/TgzLiSDv1bI/AAAAAAAAAFo/lDiLrVZO-0E/s220/foto4.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4670287550632188674.post-2843242352211168383</id><published>2011-06-09T11:06:00.003-03:00</published><updated>2011-06-09T11:30:55.036-03:00</updated><title type='text'>Sobre ser solteira (Parte 2)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Coincidentemente, a história do porteiro que me identifica como a Angela solteira e a da vizinha que se identifica com a minha solidão, aconteceram alguns dias antes do dia dos namorados. Eu poderia ter deixado quieto e não fazer nenhum comentário a respeito. Mas eu acho que as coisas acontecem por razões pré-determinadas e agora, estamos aí, a três dias do 12 de junho. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Antes de falar sobre isso, eu queria dizer aos que falaram ou pensaram que eu sou solteira e não sozinha, que eu sei disso. Nunca pude reclamar de falta de companhia para nada nessa vida. Até uma amiga que gosta de visitar cemitérios, como eu, eu tenho (acho até que tenho duas). Existe uma diferença fundamental entre você decidir fazer algo all by yourself porque você gosta da sua companhia e você ir ao cinema chorandinho, pensando no quanto você é renegado pelos seus amigos e mal-amado. Eu não sou disso, deixemos claro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Agora, sobre o dia dos namorados...Eu poderia dizer que não me importo. Não lembro o que eu fiz no ano passado nesse dia, mas é provável que eu tenha ficado em casa. No ano anterior eu namorava, mas meu então namorado morava longe de mim, assim como no ano antes desse. E no ainda antes desse, eu não namorava. Ou seja, faz tempo que o dia dos namorados não é nada de mais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu poderia dizer que é só uma convenção social; uma data comercial; que pouco me importa; que eu vou ME DAR um presente de dia dos namorados, tamanho meu amor-próprio. Mas tudo isso seria um monte de subterfúgios. Desses que pessoas solteiras usam para não se sentirem assim, tão solitárias em um dia em que tudo é para dois. Não bastassem as promoções de viagens do peixe urbano serem sempre pra dois e você não comprar nunca, por mais que te interessem, porque fica pensando quem iria com você. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Acho perigoso escrever isso a três dia do 12 de junho, mas lá vai. Há uns dias atrás eu estava conversando com uma amiga sobre esses assuntos errantes que são os que se tratam das tentativas de gostar de alguém e ela me disse que para essas situações, a gente não pode confiar em conselho de quem tem namorado. É que essa pessoa já não entende mais pelo o que a gente passa. Ela tem outro código de conduta "certo e errado" a seguir, agora que ela tem namorado. Logo, por mais que as amigas comprometidas sejam queridas, amadas e companheiras, vai faltar a elas uma compreensão muito básica do que a gente sente. Pra ela, pode não ser NADA tudo ser servido para dois. Para ela, pode não ser nada decidir ir ao cinema domingo à tarde. Para nós (em nosso dileto clube), não é assim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E por mais que elas digam que sabem como é, porque já fizeram parte do clube, isso não quer dizer nada. Isso não dá a elas capacidade de compreensão da situação alheia. Isso que acontece no dia dos namorados só é um superlativo do que acontece todos os dias, todo domingo entediante que você resolve ir ao cinema. Sei que soa como amargor e que as pessoas não gostam muito de ouvir a verdade. Especialmente as pessoas que saíram (ou nunca entraram [vai dizer que você não tem aquela amiga que não sabe o que é estar solteira?]) do &lt;a href="http://oraporra.wordpress.com/2010/10/06/solteiros-um-elaborado-estudo-sobre-estes/"&gt;polígono da solteirice&lt;/a&gt;. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas estamos aí. Esperando ansiosamente pelo 12 de junho.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4670287550632188674-2843242352211168383?l=tem-que-ser.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/feeds/2843242352211168383/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4670287550632188674&amp;postID=2843242352211168383&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/2843242352211168383'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/2843242352211168383'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/2011/06/sobre-ser-solteira-parte-2.html' title='Sobre ser solteira (Parte 2)'/><author><name>Ge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17637114339907965462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-8BXlMaTi8hE/TgzLiSDv1bI/AAAAAAAAAFo/lDiLrVZO-0E/s220/foto4.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4670287550632188674.post-7548648524864944101</id><published>2011-05-31T00:00:00.003-03:00</published><updated>2011-05-31T00:15:37.557-03:00</updated><title type='text'>Sobre ser solteira</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esses dias atrás, minha amiga &lt;a href="http://luckyscars.com.br/blog/"&gt;Fernanda&lt;/a&gt; veio almoçar aqui  comigo e com a dona Simone, a mais nova moradora curitibana. Eu e Simone esperando, quando ela liga e me pergunta que andar eu moro e respondo que é o segundo. O porteiro a havia mandado subir no décimo terceiro, pois é. Aí eu contei pra ela que no prédio tem uma outra moradora com meu nome, coisa que descobri porque uma vez quase peguei uma encomenda dela. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Terminando o almoço, formigas que somos, fomos atrás de açúcar, e o porteiro, quando nos viu passar, decidiu pedir desculpas para a Fer, provavelmente porque a viu passeando de elevador. Aí ele diz que achou que ela tinha ido visitar a Angela casada e não a Angela solteira. Quer dizer...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foi aí que eu fiquei sabendo que ele faz justamente essa diferenciação. Ele poderia nos diferenciar por uma ser loira, a outra morena. Por uma morar no segundo, a outra no décimo terceiro. Poderia nos diferenciar pelo nosso sobrenome, veja só! Dizem que sobrenomes servem justamente pra isso. Mas não, ele nos diferenciou porque uma é casada e a outra solteira. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que indica que os porteiros que trabalham no meu prédio percebem que aqui só vêm minhas amigas. Eles também devem ter notado que eu saio muito pouco. Inclusive esse porteiro é o mesmo que sempre fala "bom trabalho" quando eu saio, e mal sabe ele que quando eu saio, é justamente quando eu não estou trabalhando, é quando eu paro de trabalhar. Ironias da vida.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Semana passada a minha vizinha ao lado, cujo nome desconheço, me trouxe um pedaço de bolo de fubá. Ela também é solteira. Aliás, ela é sozinha, palavras dela quando se mudou. A gente travou aquela conversinha cordial de vizinhos (eu costumo ser cordial com meus vizinhos) e ela disse com todas as letras: "como nós duas somos &lt;i&gt;sozinhas&lt;/i&gt;, qualquer coisa que você precisar, pode bater aqui". Ela não está tão errada, porque se a Simone não tivesse ficado aqui em casa semana passada, eu teria pedido pra essa vizinha me ajudar com o curativo que eu tinha que fazer nas costas por conta de uns pontos que levei. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje fui devolver o prato e ela me convida pra jantar e comer um feijãozinho gostoso que ela tinha feito. Recusei educamente, dizendo que não me faz bem jantar. Baita mentira, adoro jantar, mas não curto a identificação que ela tem comigo, porque ela tem quase 60 anos. Acho que dá pra entender porque eu não quero ter uma amiga de 60 anos que também deve ser identificada pelo porteiro como solteira, ou pior, com o aumentativo dessa palavra. Medos de gente que está prestes a completar 30 anos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4670287550632188674-7548648524864944101?l=tem-que-ser.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/feeds/7548648524864944101/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4670287550632188674&amp;postID=7548648524864944101&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/7548648524864944101'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/7548648524864944101'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/2011/05/sobre-ser-solteira.html' title='Sobre ser solteira'/><author><name>Ge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17637114339907965462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-8BXlMaTi8hE/TgzLiSDv1bI/AAAAAAAAAFo/lDiLrVZO-0E/s220/foto4.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4670287550632188674.post-5590732638127061707</id><published>2011-05-28T16:41:00.005-03:00</published><updated>2011-05-28T17:06:35.223-03:00</updated><title type='text'>Sobre quando o mundo me incomoda</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tem dias que o mundo me incomoda muito. Quinta feira foi um deles. Veja, isso que eu vou contar pode não ter sido bem o que eu entendi, pode ter sido um engano, mas quando aconteceu, eu pensei: "Sério? Por causa de três reais?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era aniversário de uma amiga e não tive tempo de sair para comprar um presente. Como todos gostam de ganhar sabonetinhos e creminhos, fui buscar alguma coisa cheirosa na casa da minha irmã, que estoca essas coisas da natura. Só que eu não tinha um pacote de presente e é muito chato dar presente sem pacote, acho de uma indelicadeza...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, tava na hora de eu ir trabalhar e eu não achei nada em casa para empacotar. Minha mãe sugeriu que eu passasse por uma lojinha aqui perto de casa, caminho para a faculdade e comprasse ali. E eu achei boa ideia.  Entrei e pedi para a senhora, dona da loja, algo como uma caixinha, alguma coisa que coubesse um hidratante e um sabonete líquido. Ela me mostrou uma caixinha, bem fofa. Perguntei quanto era e na lata ela me respondeu que era tanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Achei tanto meio caro, até por não ser dessas caixas que você reaproveita e tal. Mas a pressa me fez tirar o valor da carteira e sair correndo. Quando comecei a montar a caixinha, vi uma etiqueta com um preço nela. E era pouco mais de três reais mais barato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei chateada. Não por causa dos três reais e poucos centavos, não vou ficar mais pobre por causa desse valor. Mas fiquei chateada porque tampouco ela ficaria mais rica. Achei tão desnecessário e lembrei como ela nem olhou pra caixa antes de me dar o preço. E eu estava com uma pressa perceptível. No fim, eu não coloquei o presente lá dentro. Sei lá, não parecia um bom lugar pra colocar um presente. Fiz um pacote com um papel que minha irmã tinha, coloquei uma fita e ficou bonitinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No outro dia contei para a minha mãe o que tinha acontecido. E minha mãe é o tipo de pessoa que não aceita essas coisas. Lembro quando eu era criança e ela me mandava no mercado e sempre falava para eu ficar atenta para não acontecer nada disso. Meu pai disse pra deixar pra lá, mas ela ficou muito chateada, especialmente porque, um dia antes, ela me ouviu falando ao telefone a frase "ah, mas eu não acho justo". Ela perguntou o que eu não achava justo e eu disse que era receber por um curso que meu nome constava como uma das coordenadoras, mas eu não tinha ajudado a coordenar, só tinha dado uma aula, eu só queria receber pela aula.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela foi lá dizer pra senhora que ela tinha se enganado.  Não era pelo dinheiro, mas era pra mulher ficar com vergonha, caso tivesse feito de propósito. Talvez seja ingenuidade nossa pensar que, se ela fez de propósito, ela ficaria com vergonha. A mulher conferiu em outra caixa igual e devolveu o troco. Quer dizer, quase. O troco do valor que eu paguei daria três reais e poucos centavos. E uma coisa que aconteceu me fez ficar mais triste por daí sim acreditar que a coisa foi proposital: ela deu o troco a mais.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4670287550632188674-5590732638127061707?l=tem-que-ser.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/feeds/5590732638127061707/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4670287550632188674&amp;postID=5590732638127061707&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/5590732638127061707'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/5590732638127061707'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/2011/05/sobre-quando-o-mundo-me-incomoda.html' title='Sobre quando o mundo me incomoda'/><author><name>Ge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17637114339907965462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-8BXlMaTi8hE/TgzLiSDv1bI/AAAAAAAAAFo/lDiLrVZO-0E/s220/foto4.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4670287550632188674.post-3978472038054438038</id><published>2011-05-10T10:09:00.004-03:00</published><updated>2011-05-10T10:25:53.971-03:00</updated><title type='text'>Sobre a preguiça das pessoas</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ando com preguiça das pessoas e não consigo evitar. Pode perceber, eu não emplaco assuntos novos, eu faço comentários adequados ao que se está falando, mas no fundo, bem no fundo, eu quero ficar quieta, de preferência sozinha, de preferência fazendo nada. É que essa preguiça das pessoas está se tornando preguiça da dissertação. Muito tempo depois da qualificação finalmente eu consegui pensar o que fazer daqui pra frente. Mas entre o plano e a execução, que difícil. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ando irritada e ando briguenta. Ando um pouco dona da verdade também. Outro dia me falaram que eu não sei ouvir a opinião alheia e eu saí desfiando as últimas ocasiões em que tudo o que fiz foi ouvir a opinião alheia, aceitar e mudar a minha. Quer dizer, não consegui ouvir a opinião alheia de que eu não sei ouvir a opinião alheia. Coisas da vida.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Acho que isso vai passar, acho que tem a ver com cansaço, não o físico, mas o mental. O único sinal que meu corpo lança pra me avisar que tá sentindo novamente as viagens semanais é meu joelho direito dolorido. É que eu tenho encurtamento muscular porque eu sou sedentária há anos. Eu não faço alongamento, não caminho, não faço dança de salão, não vou à academia e meu joelho direito dói como se estivesse inflamado. É bem ruim. Daí eu digo que não tenho tempo para a academia, mesmo sabendo que eu não funciono mentalmente de manhã cedo e tô aqui postando no blog e gastando minutos na internet. A gente foge.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se eu pudesse dar um conselho eu diria para evitar agora qualquer cobrança, por menor que seja. Uma cobrançazinha de nada pode enfurecer vários sentimentos dentro de mim que nem eu quero lidar e nem quero que os outros lidem. Nunca gostei de cobranças &lt;i&gt;dos outros&lt;/i&gt; e isso deve ter a ver com o fato de que é sintoma meu me cobrar o tempo todo e saber exatamente o que quanto eu devo para todo mundo. Então, acredite em mim, por mais insatisfeito que você esteja comigo, eu estou mais. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4670287550632188674-3978472038054438038?l=tem-que-ser.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/feeds/3978472038054438038/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4670287550632188674&amp;postID=3978472038054438038&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/3978472038054438038'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/3978472038054438038'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/2011/05/sobre-preguica-das-pessoas.html' title='Sobre a preguiça das pessoas'/><author><name>Ge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17637114339907965462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-8BXlMaTi8hE/TgzLiSDv1bI/AAAAAAAAAFo/lDiLrVZO-0E/s220/foto4.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4670287550632188674.post-8515106456648996759</id><published>2011-05-06T15:23:00.004-03:00</published><updated>2011-05-06T15:42:13.478-03:00</updated><title type='text'>Sobre o Lucas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Então hoje nasceu o Lucas, primeiro bebê de uma turma de amigas que é amiga há mais tempo do que convém sair por aí falando. Eu já vi a foto dele, postada pelo tio, e é uma graça! Dessas crianças que nascem sem manchinhas e, apesar de eu não ter conseguido ainda ver onde está o pai e onde está a mãe naquele rostinho, acho que nos próximos dias, a gente vai conseguir enxergar isso.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Acho bonita a empolgação de todas as meninas, todas sentindo como se tivessem ganhado um sobrinho que é o que a gente sente quando uma pessoa tão próxima quanto uma irmã tem um filho. Meus sobrinhos já estão grandes e, por enquanto, não sei se terei outros, pelo menos dos de sangue. Quanto a esses outros, os sobrinhos emprestados, espero ter vários. O Lucas é o primeiro e isso por si só já dá a ele muitas regalias, coisa do bebê mais velho. Provavelmente o mais novo, se alguma de nós resolver ter filho lá pelos quarenta e poucos anos (eu, quem sabe), também vai ser recebido com muita pompa e circunstância.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Estou feliz e espero que a minha amiga, o marido e o filho se acertem bem logo de saída. É que, apesar de nunca ter tido filhos, eu sei que essa história de ser mãe não é tão simples assim. Entre uma criança sair da sua barriga e se tornar seu filho, um encontro precisa acontecer. É por essas e outras que eu sou da opinião que nessas horas, assim como quando essa criança foi feita, só são necessários três: pai, mãe e bebê. Porque é um primeiro encontro. A gente não pode se esquecer disso nunca. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Já me disseram que, nessas situações, a gente também quer a nossa mãe por perto. Acho importante. A minha mãe deve ser a pessoa ideal para me ajudar a me tornar mãe, pra me ajudar a adotar essa criança que acabou de sair de mim. Sei bem o quanto o Lucas é bem vindo nessa família e sei o quanto é bem vindo na minha vida. Por enquanto, eu vou telefonar pra saber como minha amiga tá indo nesse encontro, como ligaria se ela tivesse acabado de conhecer um cara maravilhoso (que eu sei que o Lucas vai ser). Daqui a uns dias, eu vou lá conhecer bem de perto. Mas antes eu quero que eles se conheçam, direito deles.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;E nada de me chamar de tia, ein, Lucas, que meus sobrinhos também me chamam de Gê.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4670287550632188674-8515106456648996759?l=tem-que-ser.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/feeds/8515106456648996759/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4670287550632188674&amp;postID=8515106456648996759&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/8515106456648996759'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/8515106456648996759'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/2011/05/sobre-o-lucas.html' title='Sobre o Lucas'/><author><name>Ge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17637114339907965462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-8BXlMaTi8hE/TgzLiSDv1bI/AAAAAAAAAFo/lDiLrVZO-0E/s220/foto4.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4670287550632188674.post-3051374709097954555</id><published>2011-05-02T22:51:00.003-03:00</published><updated>2011-05-02T23:08:26.829-03:00</updated><title type='text'>Sobre falta de educação</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Às vezes algumas coisas bizarras acontecem comigo, mas elas são tão bizarras que fazem com que qualquer espaço destinado para a chateação seja substituído pela surpresa. Pela genuína surpresa a cada nova conclusão, a cada nova experiência do quanto algumas pessoas não têm noção de boa convivência, sabe aquela coisa que a gente traz de berço? Então, quedê-lhe o berço, gente?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estava vindo de Guarapuava para Curitiba dias atrás. Entro no ônibus e sento na minha poltrona e espero a pessoa que sentaria ao meu lado chegar antes de pegar meu cobertor, colocar o cinto, essas coisas. É que eu demorei a comprar a passagem e tive que sentar no corredor. Pois bem, chegou a senhora que viajaria comigo, levantei e deixei ela sentar. É assim que se faz, pessoal,  é bem mais delicado do que fazer a pessoa ter que se pendurar no encosto da poltrona da frente para não cair sentada no seu colo. É uma dica valiosa, pra vida mesmo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aí, entrou uma família, criança, mãe da criança e avós. O avô sentou na poltrona bem ao meu lado e não conseguia fazer o encosto da poltrona abaixar. Ele não tava percebendo que era uma alavanca e não um botão. Eu, gentilmente, falo para ele, "você precisa puxar aqui, ó", e indico onde ele deveria puxar. Gente, ele fez, sabe? Ele finalmente conseguiu abaixar a poltrona dele e não teria que viajar por quatro horas em posição vertical. E ele nem olhou pra minha cara. Ele não me agradeceu.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ridícula a história, né? Do que eu tô reclamando? Quanta besteira, eu deveria arrumar o que fazer. Mas é que isso é IMPORTANTE! Dizer obrigada quando alguém faz alguma coisa por você é bacana, estimula a boa convivência, sabe? Arranca pedaço? Não! Olha a novidade. A gente não é educado porque espera reconhecimento alheio, a gente não é educado porque PRECISA de um muito obrigada em troca. A gente é educado porque se isso for se perdendo desse jeito, é ladeira abaixo. Coisa mais feia.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4670287550632188674-3051374709097954555?l=tem-que-ser.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/feeds/3051374709097954555/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4670287550632188674&amp;postID=3051374709097954555&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/3051374709097954555'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/3051374709097954555'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/2011/05/sobre-falta-de-educacao.html' title='Sobre falta de educação'/><author><name>Ge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17637114339907965462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-8BXlMaTi8hE/TgzLiSDv1bI/AAAAAAAAAFo/lDiLrVZO-0E/s220/foto4.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4670287550632188674.post-1781844339683792669</id><published>2011-04-25T22:11:00.004-03:00</published><updated>2011-04-25T22:36:40.417-03:00</updated><title type='text'>Sobre as coisas que me incomodam PROFUNDAMENTE</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje vou escrever sobre algumas coisas que me incomodam. Vamos lá:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;1. Gente sem fronteira: os países têm fronteiras. Estados têm fronteiras. O que representam portas, muros e grades senão fronteiras? E gente também tem fronteira, ou deveria ter. Só que essa nossa fronteira, ela é invisível e eu vou dizer, ela NÃO é a nossa pele. Ela se evidencia através de uma permissão ou de um recuo. De um conforto ou desconforto. Se as suas fronteiras são maleáveis, parabéns! Faça bom proveito. Mas por favor, tente, pelo menos tente, entender que nem todas as fronteiras são iguais e que, por isso, um pouco de reflexão é necessária antes de você impor o teu gesto ao gesto da outra pessoa. Isso é uma invasão, e eu não suporto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;2. Gente que não se coloca no lugar do outro: esse tipo de situação acontece entre pessoas que têm livre circulação de fronteiras, o que só torna a situação mais desconfortável, porque você permitiu que a pessoa fizesse parte da sua vida e ela começa a se sentir no direito de julgar suas atitudes e, o que eu mais detesto, de dizer o que você tem ou não tem que fazer. Quer dizer, você quem sabe onde aperta o seu sapato, mas vem alguém e te diz que você deve colocar o band-aid em outro lugar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;3. A frase "você perdeu": poucas coisas me irritam mais do que essa frase. Especialmente quando ela é proferida depois de ter acontecido alguma coisa que eu nunca quis ganhar. Como você pode perder uma coisa que você nunca quis? Exemplo: eu te convido pra passar a tarde comigo na biblioteca estudando. Você diz que não tá a fim, que quer ver "O clone". Quando eu volto pra casa eu te ligo e te digo que você perdeu. Nessas situações minha reação automática é fazer cara de bunda para controlar a vontade de gritar que quem perdeu o capítulo de "O clone" foi você.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;4. Psiquiatrismo: não é a psiquiatria que me incomoda, não mesmo. Mas o psiquiatrismo me incomoda demais. E por mais que eu veja psiquiatras cometendo o psiquiatrismo, eu vejo psicólogas, psicopedagogas (dá pra fazer um post sobre coisas que incomodam em psicopedagogas) e pessoas que não tem nada a ver com a área psi (dizer "área psi" também me incomoda). Nessa última categoria me incomoda mais ainda quando a pessoa usa o psiquiatrismo como bandeira. Eu sei que as coisas não são favoráveis pra que a gente jogue a bandeira fora, mas quando as pessoas usam um rótulo como uma sentença de morte, me incomoda demais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E por último, só pra concluir a lista das coisas que me incomodaram HOJE:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;5. Parar na porta do ônibus: é a lei da física, gente. Dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço. Então, se você se coloca na porta do ônibus quando as pessoas estão tentando sair dele, só para garantir que você vai ser o primeiro a entrar e sentar, independente dos idosos, deficientes e senhoras com crianças no colo que entrem depois de você, você é burro.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4670287550632188674-1781844339683792669?l=tem-que-ser.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/feeds/1781844339683792669/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4670287550632188674&amp;postID=1781844339683792669&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/1781844339683792669'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/1781844339683792669'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/2011/04/sobre-as-coisas-que-me-incomodam.html' title='Sobre as coisas que me incomodam PROFUNDAMENTE'/><author><name>Ge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17637114339907965462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-8BXlMaTi8hE/TgzLiSDv1bI/AAAAAAAAAFo/lDiLrVZO-0E/s220/foto4.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4670287550632188674.post-2265348686843261221</id><published>2011-04-12T10:10:00.008-03:00</published><updated>2011-04-12T12:11:52.564-03:00</updated><title type='text'>Sobre uma simplicidade que salva vidas</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma das primeiras coisas que faço de manhã é acompanhar as atualizações dos blogs que sigo. Costumo ir um por um porque, ainda que minha querida Simone (@smncrstn) tenha me ensinado como o usar o google reader (sim, eu sou esse tanto devagar),  gosto de entrar só naqueles que lembro de ver. Porque se lembro é que  gosto mesmo e aquela leitura faz falta.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A mesma Simone uma vez compartilhou um post &lt;a href="http://i-misbehave.blogspot.com/"&gt;desse blog&lt;/a&gt;. Logo vi que seria um desses que eu entraria diariamente, porque fui apertando no botão "postagens mais antigas" sem me dar conta que passei horas fazendo isso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foi no meio da minha peregrinação matinal pelos blogs que me deparei com &lt;a href="http://i-misbehave.blogspot.com/2011/04/bolo-e-cafe-e-um-fim-de-tarde-delicia.html"&gt;esse post&lt;/a&gt;. Escrevi um comentário gigante que, por alguma razão, não pôde ser postado. Então, deixei um comentário bem menor para  Chu, a dona do blog, dizendo que as palavras dela me evocaram tantas outras e eu precisava escrever sobre isso aqui.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lembrei que durante muitos anos minha mãe tinha o hábito de se reunir com as amigas dela para tomar café. Até hoje, às vezes, elas ainda fazem isso, mas é raro. Na minha infância isso acontecia direto, talvez  pelo fato de existirem crianças para brincar e fazer bagunça em volta delas. Minha mãe até tentou levar meu sobrinho para um desses cafés da tarde na casa de uma amiga que tem um netinho da mesma idade, mas os dois não se deram muito bem e ela acabou levando para casa um menininho chateado por não ter conseguido fazer amizade com o outro. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na escola, eu e as minhas amigas, em todo trabalho nos reuníamos. Não sei como é isso hoje em dia, mas desde meus 10, 11 anos comecei a acostumar com esses encontros que acontecem até hoje. Só que hoje a gente se reúne mais para jantar do que para tomar um café da tarde gostoso. E as duas coisas são bem diferentes, eu acho. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Logo que eu mudei para Curitiba, ouvi falar que curitibano te convida para tomar café, mas não passa o endereço.  Num dos primeiros finais de semana que passei na minha casinha, conversando com uma então colega do mestrado, nascida paulistana, mas curitibana até a raiz dos cabelos, minha surpresa foi que diante do meu convite em ela vir conhecer minha casa, ela perguntou onde eu morava. Combinamos um café pro dia seguinte, um domingo. Achei engraçado porque coisa de uma hora antes do horário que a gente combinou, ela liga um pouco receosa, tentando descobrir ser era pra ela vir mesmo. Eu ri e disse que estava esperando.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foi o primeiro de muitos cafés da tarde, que se repetem quase toda semana. Nessa primeira vez ela trouxe um bolinho simples, como esse que a Chu fala no post, e  tava chateada porque ele tinha rachado quando ela desenformou, ainda quente demais. Mas o bonito dos bolos simples é que até os farelos são gostosos e não tem muita importância se eles tem uma boa aparência.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Até porque, quem disse que a nossa aparência, por dentro ou por fora, está das melhores quando a gente vai tomar café na casa de uma amiga? Quando muitas vezes essas poucas horas são tudo o que você precisa pra contar que tá um caos, que sua vida não está tão boa quanto você gostaria e que você cansa. Não é reclamar. Meu blog tá aqui pra não me deixar mentir o quanto eu não gosto de reclamações à toa. Mas também tá aqui pra contar o quanto eu acho importantes esses lugares que a gente tem pra se despir da pessoa que desfila por aí.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Gosto muito desses cafés-da-tarde. Gosto muito quando minha mãe faz um desses bolinhos simples. O meu preferido é um branquinho, mesclado com chocolate. Sem cobertura, sem frescuras, mas extremamente gostoso. Como às vezes eu ouço a &lt;a href="http://quebesteira.wordpress.com/"&gt;Flávia&lt;/a&gt; dizer, esses momentos são como abraços por dentro. E, de vez em quando, eles salvam vidas.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4670287550632188674-2265348686843261221?l=tem-que-ser.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/feeds/2265348686843261221/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4670287550632188674&amp;postID=2265348686843261221&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/2265348686843261221'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/2265348686843261221'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/2011/04/sobre-uma-simplicidade-que-salva-vidas.html' title='Sobre uma simplicidade que salva vidas'/><author><name>Ge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17637114339907965462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-8BXlMaTi8hE/TgzLiSDv1bI/AAAAAAAAAFo/lDiLrVZO-0E/s220/foto4.jpg'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4670287550632188674.post-2805245504584521633</id><published>2011-04-08T00:21:00.006-03:00</published><updated>2011-04-08T00:55:57.655-03:00</updated><title type='text'>Sobre o que não temos pra hoje</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Anotação mental: tudo o que você se propõe a fazer na vida tem ônus e tem bônus. Se você não consegue lidar com um, ou com outro, essa não é sua praia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não entro em confrontos gratuitos, não entro em disputa de poder, não discuto com quem é incapaz de se perceber em algum momento equivocado. É perda de tempo e é entrar em loucura neurótica (e essas são as piores).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já trabalhei em vários lugares e em todos eles, mas em todos eles mesmo, em algum momento parei e pensei: estudei tanto pra ouvir isso? Chego em casa e uma amiga relembra uma frase que eu costumava dizer: vejo de tudo e não morro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É que vivemos um tempo de falta, minha gente: de educação, gentileza, vergonha na cara, limite, respeito...A lista é longa, poderíamos brincar de adicionar coisas eternamente. Mas ultimamente tenho sentido falta da compreensão. Compreensão tem vários tipos e para todos os gostos, a que eu estou falando especificamente é a compreensão da importância daquilo que você socialmente se propõe a fazer na sua vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabe, quando você é dono de uma construtora e um prédio desaba, a sociedade vai cobrar de você. Quando você é um médico e esquece uma pinça dentro do estômago alheio, a sociedade vai cobrar de você. Quando você é um jornalista e distorce os fatos, a sociedade DEVERIA cobrar de você. Quando você é um professor de português (e do meu ponto de vista, de qualquer outra disciplina) fala "pra mim fazer tal coisa", idem. Mais uma vez, a lista é gigante e poderíamos brincar de adicionar coisas eternamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas quando acontece uma tragédia, como a que aconteceu hoje em Realengo, e psicólogas e psiquiatras aparecem falando baboseiras, repetindo lugares comuns, quem cobra? E isso porque eu tô falando do que aparece na mídia. Imagina que a maioria das coisas a gente não sabe, nem fica sabendo, porque acontece quando a porta está fechada. E muita barbaridade acontece aí, muita mesmo. E tanta coisa eu escuto no meu dia a dia, convivendo com psicólogos, que  só me resta fazer a Regina Duarte: eu tenho medo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só que acontece que eu sou professora. Que eu ajudo a formar psicólogos. E que toda vez que eu ouço barbaridades ou repetições papagaidas de conceitos e termos, eu lembro que elas passaram anos se "dedicando" para estarem ali. E aí eu repito a mim mesma como um mantra: é de formação que a gente trata, é esse o nosso negócio. Não tem a ver com diploma, esse é um bônus, tem a ver com FORMAÇÃO, essa sim, tem um ônus que não é pra todos, e que pode ser um bônus para alguns: respeito por quem vai recorrer à sua profissão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que é de ética que eu tô falando. Ou de bom senso?  É o que não temos pra hoje.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4670287550632188674-2805245504584521633?l=tem-que-ser.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/feeds/2805245504584521633/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4670287550632188674&amp;postID=2805245504584521633&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/2805245504584521633'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/2805245504584521633'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/2011/04/sobre-o-que-nao-temos-pra-hoje.html' title='Sobre o que não temos pra hoje'/><author><name>Ge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17637114339907965462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-8BXlMaTi8hE/TgzLiSDv1bI/AAAAAAAAAFo/lDiLrVZO-0E/s220/foto4.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4670287550632188674.post-2879647286364178374</id><published>2011-04-07T00:19:00.005-03:00</published><updated>2011-04-07T00:54:15.763-03:00</updated><title type='text'>Sobre o que resta</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje uma pessoa me pediu emprestados dois livros que eu mencionei numa conversa. Como sei que sou esquecida, quando cheguei em casa, tirei os dois da estante e deixei em cima da mesa. Lembrei de ver se eu tinha anotado meu nome neles e, quando abri a capa do primeiro, encontrei várias coisas escritas. E então lembrei exatamente do dia em que eu escrevi essas coisas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: justify; "&gt;Quando você escreve e descreve as formas como as coisas estão por dentro, o jeito caótico delas, as maneiras doidas que encontra para pensar em outros assuntos que não &lt;i&gt;aquele&lt;/i&gt;, fica mais fácil ver como elas mudam. E aí eu percebo muito bem a diferença que existe entre mudar e passar. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Logo depois do meu aniversário, uns três dias depois, eu acho, talvez até mais, não sei dizer porque não consigo lembrar muito bem, aqueles dias foram meio nebulosos e carregados de um sentimento que eu só sei descrever, embora não saiba nomear. Ele significa que eu não valia nenhuma palavra, nem dessas que você dispensa para o cara do telemarketing quando responde que não está interessado antes de desligar na cara dele, sabe? Então, era assim que eu me sentia. Aí, fui ao cinema e assisti &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=gLONO9hxKXg"&gt;esse filme&lt;/a&gt;. Anotei algumas frases, aquelas que tinham a ver comigo naquele dia tão triste. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Você conhece alguma coisa mais real do que um fantasma?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Essa era uma delas. E ela descreve tanto. Fala tanto sobre o que resta. E o que resta é tão espectral quando um fantasma. Vaga pela sua casa e você sente o cheiro dele quando abre o armário e encontra um pacote que evoca uma lembrança. Vaga pelo bar que você gostou de ir e que agora prefere evitar. Circula por relações que você tinha e que não pode abrir mão, porque não quer. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fantasmas e mais fantasmas que vão se juntando e tomando os pensamentos, os sentimentos e tudo o que você tinha de leveza. E no seu olhar, ali bem superficialmente, não precisa olhar muito fundo, paira uma sombra de tristeza. Sombra que fala de sobras, de restos, do que fica, disso que se transforma em companhia quando um pouco do seu eu se perde numa experiência. É quando o que a gente vive, se transforma no que a gente é.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Não depender mais do coração alheio". &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Outra de minhas notas. Juro que ri quando li isso hoje. Ora, que bobagem, apesar de que a gente fala essas coisas em momentos de puro desespero, e fala não acreditando. Mas o que a gente fala é importante. E por isso vendo essas frases escritas na contra-capa de um livro, eu rememoro uma tristeza grande, uma tristeza que mudou. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Agora, quando eu entregar o livro, será que vou ter que explicar tudo isso? Será necessário? Acho que não. Aquelas frases são algumas das coisas que ficaram misturados ao que restou. E o que restou só me diz respeito. E isso que me diz respeito tem a ver com os nomes que eu dou pra uma das perguntas do filme: o que será que é o contrário do amor?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4670287550632188674-2879647286364178374?l=tem-que-ser.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/feeds/2879647286364178374/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4670287550632188674&amp;postID=2879647286364178374&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/2879647286364178374'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/2879647286364178374'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/2011/04/sobre-o-que-resta.html' title='Sobre o que resta'/><author><name>Ge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17637114339907965462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-8BXlMaTi8hE/TgzLiSDv1bI/AAAAAAAAAFo/lDiLrVZO-0E/s220/foto4.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4670287550632188674.post-1302895464995176284</id><published>2011-04-04T15:26:00.006-03:00</published><updated>2011-04-04T15:42:46.638-03:00</updated><title type='text'>Em-si-mesmada</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje foi bem difícil levantar da cama. Fui dormir tarde porque acordei muito tarde domingo, dia que não rendeu nada do que prometia. Descobri que tenho vários canais da net na minha televisão e eu sei que deve ser coisa passageira, mas foi a desculpa que eu precisava. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aí que hoje eu tinha médico às 11h. E tinha que limpar a casa e lavar roupa. Ok, eu não TINHA que fazer isso hoje, mas é que quando o meu tempo tá tão apertado, eu preciso me organizar. Aí decidi que a limpeza não seria grande coisa, o necessário mesmo, o que desse tempo. Coisa boa é saber que hoje eu sou mais auto-indulgente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na médica descobri que não tem muita coisa a respeito pra fazer. A mesma cirurgia que o outro médico já havia recomendado. Não sei se faço, é meio caro, o plano não cobre e eu não preciso tanto assim. Coisa pra se pensar. Fui almoçar, voltei pra casa e fiz uma torta salgada com coisas que precisavam ser usadas logo, antes que estragassem. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na faculdade, a falta de dinheiro no fim do mês me obrigava à dieta do pão com ovo. É muito simples: você compra um pacote de pão de forma e uma dúzia de ovos. E esse é seu jantar até o mês começar. Agora a dieta é a da torta salgada, especialmente quando não tenho tempo (e dinheiro também). Dificilmente a gente não tem cebola, tomate e uma lata de atum em casa. Eu vario o recheio, uso também frango e carne moída e hoje coloquei abobrinha. Mas é uma torta ideal para você não jogar alimentos fora.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu continuo aqui, meio dentro de mim, meio fora. Não sabendo quando tô me sentindo bem, quando tô me sentindo mal. Em-si-mesmada, é esse o termo? Acho que ele é bem bom pra me definir nos últimos meses. Só que eu não tô achando ruim. Na verdade, são nesses momentos da vida que a gente normalmente se conhece mais. Então, continuo tentando.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4670287550632188674-1302895464995176284?l=tem-que-ser.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/feeds/1302895464995176284/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4670287550632188674&amp;postID=1302895464995176284&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/1302895464995176284'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/1302895464995176284'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/2011/04/em-si-mesmada.html' title='Em-si-mesmada'/><author><name>Ge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17637114339907965462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-8BXlMaTi8hE/TgzLiSDv1bI/AAAAAAAAAFo/lDiLrVZO-0E/s220/foto4.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4670287550632188674.post-9157201443117708927</id><published>2011-03-30T11:02:00.006-03:00</published><updated>2011-03-30T11:21:13.619-03:00</updated><title type='text'>Sobre o começo do dia</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje acordei bem cedo. É que estou tentando educar meu ritmo de sono que sempre foi bem mal educado. Minha mãe nunca foi daquelas cheias de imposições como hora pra dormir, de tomar banho, de fazer tarefa, e a gente foi se criando. Com 11 anos eu já tinha descoberto a paz que é estudar durante a madrugada e o quanto a cafeína ajuda nisso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Digressões à parte sobre a minha educação que, contraditoriamente, foi muito e pouco convencional ao mesmo tempo, desde que comecei a trabalhar, aprendi o que é dormir direito, ter sono às onze da noite, acordar cedinho, não poder dormir depois do almoço. E desde que comecei a receber bolsa do mestrado e parei de trabalhar, voltei ao ritmo de antigamente. O resultado é que tenho dormido muito mal e isso tem prejudicado a minha vontade de estudar, de escrever, enfim, de me dedicar ao mestrado, que é o objetivo da bolsa, afinal de contas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ontem eu senti sono às 22h. Tentei enrolar até 23h, mas não consegui. Eu fui dormir e me forcei a dormir a noite toda. É que pessoas que não tem ritmo educado de sono tem o hábito de se contentarem com sono em parcelas. Ou seja, durmo quatro horas aqui, duas horas ali. NOT GOOD. Durante a madrugada acordei umas duas vezes, meio sonolenta ainda, levantei rapidinho para ir ao banheiro fechei os olhos e recuperei o sonho (que já esqueci, lógico) e consegui dormir até às 7h15. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E como é gostoso o sono da manhã, né? Tanto, que fechei os olhos, depois de ter dormido por quase nove horas, e dormi até às 8h. Me forcei a tomar café-da-manhã, coisa que também não combina comigo. Mas tomei, tentando ter uma rotina mais saudável porque o ritmo tá puxado e se não faço assim vou sentindo o resultado na gastrite, na angústia, enfim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aí, depois de ouvir a Ana Maria Braga falar algumas coisas sobre a Maria ter sido campeã do BBB, abri a janela, vi que tava chovendinho e mais frio que ontem. Pensei que foi bom ter trazido de Guarapuava as minhas galochas, porque hoje o dia promete e eu ando a pé. Mas pensei também que em alguns desses dias, quando olho pra fora, sinto conforto. Dias cinzentos podem ser reconfortantes. Mas nem sempre. Ou quase nunca? Enfim, hoje a sensação foi de espelho. Olhei pra fora e me vi. O dia será longo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4670287550632188674-9157201443117708927?l=tem-que-ser.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/feeds/9157201443117708927/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4670287550632188674&amp;postID=9157201443117708927&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/9157201443117708927'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/9157201443117708927'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/2011/03/sobre-o-comeco-do-dia.html' title='Sobre o começo do dia'/><author><name>Ge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17637114339907965462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-8BXlMaTi8hE/TgzLiSDv1bI/AAAAAAAAAFo/lDiLrVZO-0E/s220/foto4.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4670287550632188674.post-5078856962160453955</id><published>2011-03-29T10:34:00.005-03:00</published><updated>2011-03-29T10:49:07.775-03:00</updated><title type='text'>Sobre o impossível</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ontem eu tive uma crise de angústia que pela primeira vez na vida me fez desejar alguma coisa que tirasse aquilo de mim na hora, e olha que há uns tempos aconteceram algumas coisas que me deixaram angustiada por meses. Mas eram doses diárias e constantes de angústia, me permitiam administrar, pensar em outras coisas, letting go.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ontem eu tive uma crise de angústia que eu demorei pra reconhecer pelo tamanho que ela era. Deitei na minha cama e alguma coisa me incomodava MUITO. A ponto de não conseguir fazer uma coisa simples que eu tinha planejado antes de dormir. Acho que essa crise teve relação com o último post e com outras coisas que também têm me incomodado desde o acidente. Essa incapacidade de resolver tudo, de lidar com tudo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E tudo não tem sido muita coisa, tudo tem sido só as coisas que eu mais gosto de fazer. Tô bem satisfeita com minhas últimas decisões e tem sido incrivelmente pouco cansativo dar conta delas. Tanto é que eu nem sinto que tenho viajado semanalmente mais uma vez. Talvez meu corpo sim, mas eu insisto que não tem a ver com isso, mas tem a ver com as coisas do acidente que continuam pendentes e continuarão por um bom tempo. E como coisas pendentes me incomodam. Mas é com o impossível que estamos lidando aqui. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4670287550632188674-5078856962160453955?l=tem-que-ser.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/feeds/5078856962160453955/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4670287550632188674&amp;postID=5078856962160453955&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/5078856962160453955'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/5078856962160453955'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/2011/03/sobre-o-impossivel.html' title='Sobre o impossível'/><author><name>Ge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17637114339907965462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-8BXlMaTi8hE/TgzLiSDv1bI/AAAAAAAAAFo/lDiLrVZO-0E/s220/foto4.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4670287550632188674.post-2337806677089294935</id><published>2011-03-27T02:07:00.003-03:00</published><updated>2011-03-27T02:29:00.118-03:00</updated><title type='text'>Queixumes, reclamações e afins</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não me considero uma pessoa reclamona. Pelo contrário, acho que tenho tido bastante sorte até aqui. Demorei poucos meses para conseguir o primeiro emprego depois que me formei, depois veio outro emprego, veio o mestrado, outro emprego e enfim, à medida que a vida foi me acontecendo, ela também foi funcionando. Sei bem que, se meus planos não derem certo, um emprego que me garanta minhas contas pagas, eu vou ter, então, a reclamação não tem a ver com isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem a ver com uma ansiedade em relação justamente aos planos. Lembra daquela época em que angústia era escolher um curso pro vestibular? Queria aquela ansiedade de volta pra mim. Não porque eu tenha errado na escolha. Não, não. Quer dizer, primeiro eu errei, depois voltei atrás e acertei o passo, nunca duvidei disso. Sou psicóloga e isso é fato consumado. Só que eu sou também professora e isso é fato consumado da mesma maneira. E essa última parte é que me tem provocado as mais diversas angústias, que eu tô chamando de queixumes e reclamações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conversando com uma amiga que se formou praticamente ontem, eu percebo que essa angústia não é só minha. Muita gente mesmo ainda tem chão pela frente antes de encontrar um lugar e nele assentar. Outro dia, numa outra conversa, com outra amiga, ela também  perguntava (e me perguntava) por que algumas pessoas que ela conhece parecem estar tão satisfeitas. Por que parece que é só com ela esse negócio de pensar "e agora?".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha amiga recém-formada tá vivendo a ansiedade de quem acabou de sair da faculdade e precisa decidir o que ela vai querer fazer com a profissão dela. Escolha muito da difícil, preciso dizer, e tem gente que passa a vida se perguntando se não escolheu errado. Minha outra amiga volta e meia se cobra uma posição mais ativa para tentar responder ao "e agora?".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu fico aqui pensando que eu sei exatamente o que eu quero. Sei bem que sou professora e que sinto falta quando não estou professora. Sei bem que quero fazer o doutorado logo depois que terminar o mestrado. Só que a ansiedade que isso me provoca tem me tirado umas boas noites de sono. É que eu sempre quis as coisas pra ontem. É que eu sempre quero resolver logo, riscar da lista, da agenda. Coisa de gente desequilibrada, eu sei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia da qualificação, a professora querida que veio pra minha banca, quando eu disse que queria fazer doutorado logo em seguida, disse que é bom. Que eu termino o mestrado e tenho meses pra me preparar pra seleção. Mal sabia ela que eu achava que dava pra fazer essa seleção esse ano ainda. E nesse sábado em que essa angústia não me permite dormir, descobri que só se eu fosse louca de pensar em tentar. Quer dizer, isso implicaria voltar pro francês, fazer um anteprojeto antes de terminar a dissertação, publicar como se não houvesse amanhã, enfim...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E há amanhã. E as universidades todas continuarão no mesmo lugar. E editais de seleção abrirão a cada ano e concursos para professores também. Então, vamos fazer o favor de sossegar. Esse é o ano pra terminar o mestrado, para participar de congressos, escrever artigos e melhorar o currículo. Ano que vem é outro ano. Vamos esperar.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4670287550632188674-2337806677089294935?l=tem-que-ser.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/feeds/2337806677089294935/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4670287550632188674&amp;postID=2337806677089294935&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/2337806677089294935'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/2337806677089294935'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/2011/03/queixumes-reclamacoes-e-afins.html' title='Queixumes, reclamações e afins'/><author><name>Ge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17637114339907965462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-8BXlMaTi8hE/TgzLiSDv1bI/AAAAAAAAAFo/lDiLrVZO-0E/s220/foto4.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4670287550632188674.post-408402515108734102</id><published>2011-03-22T16:36:00.004-03:00</published><updated>2011-03-22T17:12:02.813-03:00</updated><title type='text'>Sobre o segundo dia de outono</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Calma, não é uma série que vai se estender por todo o outono. É que ontem foi um dia importante porque era a véspera da minha qualificação. Toda ansiedade, expectativas envolvidas. Então, dá pra entender porque hoje é mais importante ainda. Nunca havia passado por coisa parecida. Talvez o mais próximo tenha sido a apresentação do artigo da pós, mas infinitamente menos importante, até pelo tanto que eu me dediquei à pós e ao artigo, em relação ao que eu me dediquei ao mestrado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Deixa eu explicar: pra poder fazer mestrado eu mudei de vida. Não mudei de cidade simplesmente. Mudei de vida. E esse foi um lapso que apareceu várias vezes na minha escrita nos primeiros meses do mestrado. Em vez de escrever a palavra 'cidade', eu escrevia 'vida' e pra mim esse tropeço fala muito. Enfim, não vou falar de cada uma das coisas que ficaram em suspenso quando decidi fazer o mestrado. Até porque, eu as vejo mais como aquela parte de uma receita meio complicada, uma receita com várias partes e que você tem que seguir a seguinte instrução: reserve. Quando falam para você reservar você já sabe, vai precisar depois, vai fazer a diferença no final. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje eu ouvi muitas coisas bonitas. Hoje eu ouvi com atenção aquilo que pessoas mais experientes do que eu me sugeriam. Eu que tenho tanta dificuldade em ouvir críticas negativas, tive sorte, não ouvi nenhuma. Ouvi elogios e ouvi ressalvas importantes. Ouvi conselhos. Coisas do tipo que servem para mostrar que se você puder ouvir não vai se desesperar diante de um mundo de coisas que não pode abraçar. Pesquisar é isso, me disse a convidada de Minas, é abrir mão, porque senão, o salto que a gente tem que dar para alcançar um objetivo fica muito grande, fica forçado, fica como uma costura de um saco de lona, dá pra notar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ouvi que meu trabalho vai ser uma grande contribuição pra psicanálise. Ouvi que isso que eu fiz não tem sido feito. Que isso que eu me proponho a fazer é um diferencial que não se vê em nenhuma pesquisa de psicanálise dita aplicada. Eu sei que é a opinião de duas pessoas. Só duas num vasto mundo. Mas ouvir isso me faz pensar coisas que pra mim sempre foram difíceis: então, quer dizer que no fim das contas eu consegui pensar de uma forma singular num tema tão pão-com-ovo? Ah, tão de brincadeira, né? &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um dos meus problemas deve ser que eu nunca acredito. Não acreditava que passaria no mestrado, por exemplo. Não acreditava que o que eu tinha escrito tinha grande valor. Não acreditava sequer que estava bem escrito. E não se trata de falsa modéstia. Ontem, relendo, pensei: tá medíocre. Essa foi a palavra que me veio à mente. Aí, hoje cedo, eu recebi um e-mail do professor que mandou a qualificação por relatório. No texto do e-mail ela dizia assim: "Segue meu parecer sobre o belo trabalho de Angela". Acontece que hoje de manhã, eu não li a palavra "belo". Li só agora. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O dia começou tão feio, tão esquisito. Aquela garoa absurda que você não sabe se abre o guarda-chuva ou não, porque ela vem de todos os lados. Tava tão parecido como eu me sentia. Incômoda. Esperando a professora que veio de Belo Horizonte pra minha banca, com uma plaquinha em mãos eu pensava: "Será que vou simpatizar com ela?". Porque se eu não simpatizar, vai ser tão difícil ouvir o que ela tem a dizer. Eu sou muito desse jeito. Enfim, não tem muito como não simpatizar com uma desavisada que vem para Curitiba de shorts e bota, no maior estilo editorial de moda. Uma fofa que fala "ocê" e que tem o sotaque mais gostoso de ouvir. Começou a me perguntar ali mesmo coisas sobre a dissertação, começou a dizer coisas que tinha pensado. Sem protocolo, sem formalidade. Entendi logo que ela tinha gostado. E ela me disse no caminho entre o aeroporto e a universidade: Você tem uma escrita muito madura.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E depois ela disse que eu interpreto Freud com elegância, com beleza e com delicadeza. E isso foi tão, mas tão bonito de se ouvir, sabe? Porque eu realmente tenho cuidado com Freud. Um cuidado de quem gosta muito, respeita muito, de quem tem muito medo de deturpar Freud. E ela captou esse meu cuidado. E me deu contribuições tão valiosas que eu tinha vontade de abraçar ela forte e agradecer muito mais do que agradeci. Porque agradeci e muito. Agradeço aos dois, que entenderam exatamente o ponto fraco do meu texto mas o entenderam não como um ponto negativo, mas como uma promessa. Uma promessa do que a minha dissertação pode vir a ser. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4670287550632188674-408402515108734102?l=tem-que-ser.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/feeds/408402515108734102/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4670287550632188674&amp;postID=408402515108734102&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/408402515108734102'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/408402515108734102'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/2011/03/sobre-o-segundo-dia-de-outono.html' title='Sobre o segundo dia de outono'/><author><name>Ge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17637114339907965462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-8BXlMaTi8hE/TgzLiSDv1bI/AAAAAAAAAFo/lDiLrVZO-0E/s220/foto4.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4670287550632188674.post-6747544463752408021</id><published>2011-03-21T22:10:00.005-03:00</published><updated>2011-03-21T22:30:11.434-03:00</updated><title type='text'>Sobre o primeiro de outono</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Começou às 11h que foi a hora que eu consegui sair da cama. Digo consegui porque até às 4h, talvez até mais tarde, estava eu dando voltas e mais voltas de um lado para o outro da minha cama. Eu tinha planejado levantar cedo, lavar roupa, sair para pagar contas, cancelar meu alvará de autonômo que não está me servindo pra nada. Aí eu ia almoçar na casa de uma amiga, também conhecida como a &lt;a href="http://www.amaedofrancisco.blogspot.com/"&gt;mãe do Francisco&lt;/a&gt; e entregar um presentinho pra ele.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De manhã, só consegui cumprir a última parte. Não sabia o que vestir. Como se vestir quando você olha pela janela e vê aquele céu curitibano? Aquele céu que indica que à noite vai esfriar e que você, que tinha planos de não voltar pra casa porque vai emendar o dia com os compromissos da noite, pode ficar com calor ou com frio. Enfim, coloquei uma blusa de fio por cima de uma camisa, um casaco meia-estação (estamos nela, não?) e uma echarpe.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Chegando na casa da minha amiga lembro que não entreguei o relatório da qualificação par a suplente da banca e que se alguma merda acontecer amanhã, não vai ser nada bonito. Merdas que podem acontecer quando pensamos em aeroportos brasileiros e tempo que pode estar ruim. No fim, tive que voltar pra casa para pegar o pen-drive, brilhantemente esquecido em cima da mesa. Pen-drives servem para ficar na bolsa. Quando você usa em casa deve guardar imediatamente na bolsa, é quando ele não está lá que você mais precisa dele. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Resolvi voltar pra casa a pé, só pra me castigar, paguei as contas, voltei pra casa e saí de novo. Deu tempo de arrumar a cama que tava fazia uma semana sem sentir o peso da colcha. O tempo não me animou a lavar a roupa. Imprimir, encadernar, deixar na universidade. Depois de tudo isso, foi possível tentar cancelar o alvará. Tentar, porque não levei minha carteirinha do conselho para xerocar. Fail.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como havia combinado de encontrar dois amigos no Estação e eu estava na Rui Barbosa, fui andando. No caminho parei na loja de tecidos para ver as novidades e não sei se a &lt;a href="http://www.fuxicandosobreartes.blogspot.com/"&gt;Polly&lt;/a&gt; viu, mas tem tecidos lindos de corujas. Não comprei nada e cheguei cedo demais no shopping. Reli a dissertação e senti vergonha, não estou achando nada bom. Enfim, agora já foi.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Encontrei os amigos, fomos para a associação. Estudamos um texto do Lacan que falaram que ia ser fácil. Oi? Não foi. Peguei carona até a Rui Barbosa. Quando saí do carro, senti aquela rajada de vento com chuva fina que castiga. No ônibus, parasitas sociais escutavam música no celular sem fone de ouvido. Olhei feio. Fui ignorada. Desci no ponto que é mais longe, mas menos perigoso, comprei pão. Voltei pra casa e vi que a secretária do mestrado pediu documentos preenchidos com firma reconhecida pra amanhã. Pra AMANHÃ, que é o dia da minha qualificação. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Parte boa: está frio e o tempo está chuvoso. Vou estar charmosa usando um trench coat.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4670287550632188674-6747544463752408021?l=tem-que-ser.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/feeds/6747544463752408021/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4670287550632188674&amp;postID=6747544463752408021&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/6747544463752408021'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/6747544463752408021'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/2011/03/sobre-o-primeiro-de-outono.html' title='Sobre o primeiro de outono'/><author><name>Ge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17637114339907965462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-8BXlMaTi8hE/TgzLiSDv1bI/AAAAAAAAAFo/lDiLrVZO-0E/s220/foto4.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4670287550632188674.post-3630950662433745692</id><published>2011-03-20T22:22:00.003-03:00</published><updated>2011-03-20T22:41:08.477-03:00</updated><title type='text'>Sobre falta de tempo, sobre falta de assunto</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tem faltado tempo e tem faltado assunto, mas mais do que tudo tem faltado disposição de pensar em escrever sobre as coisas que realmente têm sido importantes e que realmente têm me incomodado e que realmente têm me tirado algumas noites de sono. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Só que eu tenho um defeito de não conseguir falar diretamente sobre meus problemas quando eu não sei lidar com eles. Além de tudo, eu acho que não tem muito propósito em deixar as coisas registradas literalmente aqui, olha o tamanho da exposição.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas enfim, tudo isso é pra dizer que faz uns dois meses que tenho enfrentado um problema, desses que me deixam preocupada sempre que lembro, mas que preciso esquecer para conseguir fazer essas coisas da vida, tipo trabalhar, estudar e dormir. E de todas essas coisas, a que mais tem sido prejudicada é a parte de dormir, porque talvez eu imagine que se passar horas ruminando um assunto que não me cabe resolver, ele, sei lá, termine no dia seguinte, magicamente se acabe. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não tem acontecido.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aí, como se não bastasse eu descobri (ok, não descobri recentemente, mas fui lembrada esses dias atrás), que não importa o quanto você esteja disposta a fazer as coisas da maneira mais certa possível, algumas pessoas insistem em cobrar o que você não pode, não deve e não está disposta a dar. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Essa frase se aplica a muitas coisas nessa vida. A única parte boa é que depois que passa a indignação resultante de uma eventual cobrança indevida, o resto é que você deixa de se importar tanto. Exageradamente eu me coloco no lugar das outras pessoas, só que é um baita alívio quando elas te contam que não fazem o mesmo e daí eu descubro que, opa, não preciso mais gastar energia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Outro dia, a &lt;a href="http://quebesteira.wordpress.com/2011/03/15/de-voltar-a-colorir/"&gt;Flávia&lt;/a&gt; disse sobre gentileza, sobre educação, boas maneiras, chamar os outros pelo nome e o quanto essas coisinhas tão pequenas fazem tanta diferença no modo que a gente está se sentindo. Eu tentei postar um comentário, mas não consegui, mas basicamente dizia que eu concordo com tudo o que ela disse e acho que as pessoas deveriam ser lembradas constantemente quando elas são mal-educadas. Assim, alguém tem que contar pra elas que existem boas maneiras, palavras mágicas, coisas que deixam a convivência social tão mais bonita.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Então, alô, você, que não tem consideração pelos outros, não no sentido de gostar, mas sabe, de tratar como gente? Alô, você que nasceu e vai morrer deselegante, ainda que por fora a capa engane bem, deixa eu te contar, tem jeito de transformar esses modos chucros em gentileza. E sabe, isso começa não quando a gente gosta, ama, admira uma determinada pessoa, mas quando a gente a respeita e a trata com respeito só porque ela existe.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4670287550632188674-3630950662433745692?l=tem-que-ser.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/feeds/3630950662433745692/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4670287550632188674&amp;postID=3630950662433745692&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/3630950662433745692'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/3630950662433745692'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/2011/03/sobre-falta-de-tempo-sobre-falta-de.html' title='Sobre falta de tempo, sobre falta de assunto'/><author><name>Ge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17637114339907965462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-8BXlMaTi8hE/TgzLiSDv1bI/AAAAAAAAAFo/lDiLrVZO-0E/s220/foto4.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4670287550632188674.post-8843503083120484436</id><published>2011-03-10T01:44:00.004-03:00</published><updated>2011-03-10T02:47:03.462-03:00</updated><title type='text'>Sobre parar, olhar e escutar.</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pare, olhe, escute, tá escrito na placa da linha do trem. Quase tudo o que eu faço está para o lado de cá da linha: padaria, manicure, ponto do ônibus que pego sempre. Mas, de vez em quando, eu preciso ir para o lado de lá, porque é onde estão o cartório, a quitanda, o técnico da máquina de lavar. Morar onde eu moro implica em se acostumar ao barulho do trem e à inconveniência de, às vezes, ter que esperá-lo passar para fazer alguma dessas coisas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Acontece muito de me perguntarem como é conviver com o barulho do trem. Respondo, que da minha casa o barulho não é tão alto, ele existe, mas não me atrapalha. Não me acorda, nem me impede de continuar fazendo o que eu estou fazendo. Ele simplesmente está ali. Na vida não é muito diferente, porque é justamente quando as coisas não funcionam bem que a gente precisa parar, olhar e escutar, igualzinho diz na placa, se não, o trem passa por cima. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ontem eu não conseguia dormir, pensando em um monte de coisas que não posso resolver agora, que não posso sequer resolver sozinha e que afetam outras pessoas de um jeito que eu não gostaria que afetassem nunca. Fiquei angustiada e comecei a desejar que fosse possível voltar atrás, como se isso me redimisse de uma culpa que é quase tão antiga quanto eu. Descobri, tem algum tempo, que quando me sinto assim eu não quero falar, eu não quero contar, não quero passar relatos detalhados, esses que eu sou especialista em dar, cheios de diálogos, descrições e parênteses. Não, nessas situações, eu quero ser deixada quieta até que as coisas se resolvam dentro de mim. Já aconteceu antes e tá acontecendo agora. É o meu momento de parar, olhar e escutar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Parar: com a correria e a ansiedade porque nem toda situação se resolve no capricho da minha pressa. Ora, eu já sei que quando não parei as consequências foram duras e prolongadas, ou seja, não dá pra fugir de si mesmo. Olhar: pra dentro, para os próprios tropeços e procurar neles algumas coisas que façam com que eles tenham relação entre si. Porque, normalmente, eles têm. Normalmente essa relação que existe entre eles é que faz com que os caminhos que a gente toma em situações diferentes sejam tão próximos. Escutar: o barulho que a situação faz dentro da gente, tentar ouvir porque a existência desse trem causa tanta dor, enfim, escutar quais são os jeitos que a angústia usa pra falar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um trem é uma coisa grande, pesada e extremamente barulhenta. Não dá pra ignorar que ele tá ali, chegando e fazendo você parar com alguma coisa que estava fazendo e esperar. A gente precisa se dar esse "luxo" de esperá-lo passar. E sabe, esperá-lo é só respeitar um tempo. Não é ignorar a existência dele passivamente, mas entender que, de vez em quando, as coisas não acontecem do jeito como você imaginava e você precisa lidar com isso. Quer dizer, eu preciso lidar com isso, porque é sobre mim e sobre o meu trem que eu tô falando.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É engraçado que eu notei que nessas situações que um trem passa pela minha vida, minha reação automática nunca é esperar. Pelo contrário, eu acabo optando por fazer uma volta muito grande para chegar até onde eu precisava. O problema é que a linha do trem cruza a cidade. E mesmo andando pra muito longe, lá na frente, eu vou encontrar o trem de novo e ele vai zombar de mim, que não esperei pacientemente lá atrás, não parei, nem olhei e nem escutei. Simplesmente saí andando e tomando caminhos alternativos só pra fazer de conta que eu não preciso mais daquilo que tá do outro lado da linha.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje, eu conversava com uma amiga sobre um desses meus desvios e quando ela me perguntou por que eu ia fazer isso, eu não tinha boas razões. Eu tinha desculpas. Então, eu resolvi parar. Primeiro passo. Daqui pra frente, a tentativa vai ser de olhar e escutar. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4670287550632188674-8843503083120484436?l=tem-que-ser.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/feeds/8843503083120484436/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4670287550632188674&amp;postID=8843503083120484436&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/8843503083120484436'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/8843503083120484436'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/2011/03/sobre-parar-olhar-e-escutar.html' title='Sobre parar, olhar e escutar.'/><author><name>Ge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17637114339907965462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-8BXlMaTi8hE/TgzLiSDv1bI/AAAAAAAAAFo/lDiLrVZO-0E/s220/foto4.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4670287550632188674.post-153118347494435748</id><published>2011-02-19T00:34:00.006-02:00</published><updated>2011-02-19T01:15:08.335-02:00</updated><title type='text'>Sobre quando a gente cresce</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nessa semana, quando cheguei em casa, meu pai pediu pra eu ir na concessionária com ele. É que ele comprou um carro, um carro que ele passou anos querendo e aí , finalmente, comprou. Lembro que ele sempre levava eu, minhas irmãs e minha mãe nessas ocasiões. Com o tempo, minha mãe parou de se importar com isso e a gente cresceu e não tava mais em casa pra ir junto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só que agora eu tô em casa e, depois de muito tempo comprando carros mais populares, com menos opcionais, menos confortáveis, por causa de uma economia que ele achava necessária porque sempre foi precavido e porque tinha três filhas pra educar (e educar bem), meu pai resolveu comprar um mais caro, que ainda não é o SONHO dele, que é uma daquelas camionetes que tiozões donos de rua adoram ter. Mas enfim, ainda que ele não tenha a dita camionete gigante, ele é um tiozão dono de rua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu acho engraçado. E aí eu entendo a diferença de quando a gente é criança e acha o pai a pessoa mais importante do mundo, aquele que pode tanta coisa, que trabalha, ganha dinheiro, leva a gente pra viajar nas férias. E nessa época, eu era colada no meu pai. Ia com ele pra dia de campo, ia pra chácara, pra lavoura. Queria aprender a ordenhar vaca, andava de trator e dizia que queria ser veterinária, o que era mais próximo do que ele fazia. Um dia foi um veterinário na chácara inseminar uma vaca. E meu pai me mostrou. Nada agradável, luva até o ombro, enfiar a mão...enfim. Numa outra vez, ele tentou me explicar que precisava sacrificar um terneiro que nasceu sem língua e por isso não conseguia mamar.  Eu chorei, não achei justo, falei que a gente tinha que dar mamadeira, ele me mostrou que o leite escorria pelos lados da boca do bezerrinho por causa da má formação. Eu devia ter uns 12 anos e entendi que não, não ia rolar essa vida pra mim. Mas acho que ele entendeu muito antes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu também ia praticamente todo dia com ele pra universidade onde ele dá aula até hoje. E ficava por lá até a hora de ele ir embora, quase onze da noite. Acho que foi lá pelos 13 anos, talvez um pouco antes, que eu parei. Não sentia mais vontade, nem de ir pra chácara, nem de ir junto pra universidade. Eu tava crescendo. Muita coisa no meu pai (e na minha mãe também) começou a me incomodar. Antes de ele sair, eu dava uma geral na roupa dele, porque ele simplesmente não sabia (e não sabe até hoje) combinar roupa. Era camisa xadrez com paletó quadriculado, calça preta com sapato marrom e lá ia eu dizer que não tava bom. Meu pai sempre ria e trocava de roupa. Sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa época, eu ficava brava que ele dirigia devagar, achava que ele não sabia coisa nenhuma e a gente discutia por tudo. Me irritava com o quanto ele era perdido no trânsito, desligado com as coisas, muitas vezes ingênuo demais, pão duro em algumas ocasiões, gastador em outras. Às vezes ele se irritava e daí sim a gente aprendia quem mandava, porque daí ele ficava bravo, dizia que sabia o que tava fazendo. Mas com a mesma rapidez com que ele se enfurecia, ele se apaziguava. E acho que por causa disso, que eu aprendi que ele era mais fácil de lidar do que minha mãe. Rancor não existe no vocabulário do meu pai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem, quando ele me levou na concessionária pro cara explicar (pra mim) as funções do carro, ele tava de calça de moleton, sandália olympikus e uma camiseta, juro por Deus, de propaganda do Banco do Brasil. E eu achei engraçado, engraçado de verdade o quanto ele não se importa, o quanto ele não deve nada pra ninguém e nem pra mim. Pessoa com consciência tranquila em relação a tudo o que fez na vida, e ele fez muita coisa. Quando a gente tava lá, chegou um outro tiozão dono de rua, mas todo trabalhado na camisa Polo, calça bem passada, sapato de sola de couro. Cumprimentou meu pai e falou pra ele comprar um outro carro  que tinha lá de tiozão dono de rua. Meu pai apontou todo orgulhoso o carro que ele tava levando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando a gente saiu da concessionária eu falei pra ele "Quanta função, né, pai&lt;img src="file:///C:/DOCUME%7E1/Roni/CONFIG%7E1/Temp/moz-screenshot-2.png" alt="" /&gt;?", daí ele deu uma risada e falou "Não vou lembrar nem da metade". E eu ri, achando toda a situação ótima, engraçada no sentido de que este é meu pai e ele é uma figura e que hoje eu também não ligo mais se ele vai comprar carro de calça de moleton. Volta e meia eu, minha mãe e minhas irmãs falamos que deve ser muito bom viver nesse mundo em que ele vive. Mas quanto mais o tempo passa, mas eu percebo que meu destino certo é esse mundinho.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4670287550632188674-153118347494435748?l=tem-que-ser.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/feeds/153118347494435748/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4670287550632188674&amp;postID=153118347494435748&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/153118347494435748'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/153118347494435748'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/2011/02/sobre-quando-gente-cresce.html' title='Sobre quando a gente cresce'/><author><name>Ge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17637114339907965462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-8BXlMaTi8hE/TgzLiSDv1bI/AAAAAAAAAFo/lDiLrVZO-0E/s220/foto4.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4670287550632188674.post-5958560882539772136</id><published>2011-02-06T17:26:00.009-02:00</published><updated>2011-02-06T19:35:34.097-02:00</updated><title type='text'>Sobre vida que vive</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 16px; "&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;div style="text-align: center; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden; margin-bottom: 3px; "&gt;Take only what you need, my love&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden; margin-bottom: 3px; "&gt;And leave the rest behind&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden; margin-bottom: 3px; "&gt;Don’t be afraid of where we go, my love&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden; margin-bottom: 3px; "&gt;I promise we'll be fine&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em dezembro, quando a especialização de São Paulo terminou &lt;a href="http://tem-que-ser.blogspot.com/2010/12/sobre-tres-anos.html"&gt;eu disse&lt;/a&gt; o seguinte: &lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;i&gt;[...] ano que vem, eu não sei o que vai ser. Posso dizer que não quero viajar de ônibus nem daqui à Campo Largo. Mas não vou falar muito alto, porque o acaso da vida pode ouvir e me dizer o contrário.&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Pois é. A cada dia chego mais à conclusão que a minha vida vai acontecendo e eu tenho que sair correndo pra acompanhar. É como se eu estivesse sempre um passo atrás, como se a minha vida que me vivesse, e não o contrário. Algumas pessoas conseguem a constância, sabe? Conseguem imaginar tudo o que vai acontecer nos próximos meses, anos, décadas. Por exemplo, meus pais e minha irmã do meio. Morando há muito tempo na mesma cidade, na mesma casa, fazendo as mesmas coisas e parecendo satisfeitos com isso. Pensando que mudar é doloroso. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Já a minha irmã mais velha aprendeu a se desapegar, porque se ela ficar triste cada vez que deixa uma casa pra trás, e se pensar nos móveis que se estragam a cada mudança, possivelmente o tempo entre uma cidade e outra seria pouco para recomeçar, porque perde-se muito tempo pensando no que ficou. Acho que ela aprendeu que o que importa é ter a família dela e dinheiro pra viajar e ver os outros que ficaram. E se os guarda-roupas não duram nada porque estão sempre sendo desmontados, deixa pra lá. Não faz mal.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;E eu? Quanto mais a minha vida passa, mais parece que eu não tenho lugar. Quando eu cheguei numa cidade, montei a minha casa do meu jeito, adorei pintar parede, fazer almofada, comprar porta-retratos e enfeites, foi como se eu tivesse encontrado. Foi como se morar sozinha fosse realmente o que faltava pra eu me tornar melhor, menos irritável, menos cínica. Ao mesmo tempo em que eu sentia que poderia também ficar cheia de hábitos de pessoas que têm tudo do seu jeito. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Gosto tanto de Curitiba. T&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;er vindo não poderia ter sido decisão mais acertada. Mas quando a insônia chega, um alarme antigo começa a disparar. Sou eu querendo me contar alguma coisa, sou eu querendo abrir uns lugares que educadamente deixei fechados (como quando o quarto tá bagunçado e a gente fecha a porta se a visita chega). Só que a visita também era eu querendo saber porque caralhos eu não consigo dormir, mais exigente do que nunca, sem me contentar com qualquer resposta e com muitas dificuldades de encontrar as que procura.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Enfim, pra que algumas dessas portas voltassem a ser abertas eu precisava estabelecer algumas prioridades. E voltar pra análise era a primeira. E eu percebi isso quando, na última segunda feira, virando de um lado pro outro na cama, falei em voz alta: &lt;i&gt;preciso voltar a trabalhar.&lt;/i&gt; E não é que eu não tenha tentado. Distribuí currículos, falei com pessoas e...cri, cri, cri. E aquele incômodo crescendo, aquele "algo" errado que eu sabia o que era me incomodando. Depois desse pensamento dito em voz alta pra mim mesma, quando no dia seguinte eu recebi uma ligação, não tive dúvida da resposta. Não pensei porque já estava pensado e a resposta foi sim. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Não, não dá pra virar as costas para uma vida que despenca na sua frente. Isso me lembra &lt;i&gt;A insustentável leveza do ser&lt;/i&gt;, quando Tereza chega à casa de Tomás, ensopada e doente. E ele sabe que aceitar que ela entre é um caminho sem volta. Acho que existem muitas situações exatamente desse jeito. Dessas que não podem ser ignoradas quando chegam, porque chegam exatamente quando você precisa e, talvez, porque você precisa. Precisa de um monte de coisa que poderia colocar numa lista em que a primeira resume as outras e basta: existir.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;E nisso de existir eu tô voltando. Vai ser devagar e eu não sei se definitivamente. Mas 500 km serão percorridos por semana daqui para frente. Não vou voltar de vez porque aqui eu tenho uma pendência, uma pendência com a minha formação que é muito difícil explicar, mas que se resumiria bem em desejo. E se existe esse desejo, não tem problema viajar. Porque junto com ele, outro se realiza que é trabalhar, voltar a dar aulas, voltar a ser professora, que eu gosto tanto. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;E sabe qual é a outra novidade boa? Que uma das disciplinas que eu vou dar é Psicologia Social! E mal posso esperar para começar e falar sobre o que é ideologia, sobre Marx e Hegel, sobre Revolução dos Bichos e Mal estar na civilização e mais um monte de coisas que eu consigo pensar pra mostrar o quanto essa parte da psicologia é MUITO legal, porque é uma&lt;/span&gt; entre muitas oportunidades de a gente começar a pensar um tantinho, mas sem papagaiar, que isso é muito chato.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 16px; "&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;div style="text-align: center; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden; margin-bottom: 3px; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  &gt;&lt;div style="overflow-x: hidden; overflow-y: hidden; margin-bottom: 3px; "&gt;Let’s sail away&lt;/div&gt;&lt;div style="overflow-x: hidden; overflow-y: hidden; margin-bottom: 3px; "&gt;With a whisper and a kiss&lt;/div&gt;&lt;div style="overflow-x: hidden; overflow-y: hidden; margin-bottom: 3px; "&gt;Or vanish from a road somewhere&lt;/div&gt;&lt;div style="overflow-x: hidden; overflow-y: hidden; margin-bottom: 3px; "&gt;Like Tereza and Tomas&lt;/div&gt;&lt;div style="overflow-x: hidden; overflow-y: hidden; margin-bottom: 3px; "&gt;Suspended in this bliss&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden; margin-bottom: 3px; "&gt;(Tereza and Tomas, Bright Eyes)&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4670287550632188674-5958560882539772136?l=tem-que-ser.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/feeds/5958560882539772136/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4670287550632188674&amp;postID=5958560882539772136&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/5958560882539772136'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/5958560882539772136'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/2011/02/sobre-vida-que-vive.html' title='Sobre vida que vive'/><author><name>Ge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17637114339907965462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-8BXlMaTi8hE/TgzLiSDv1bI/AAAAAAAAAFo/lDiLrVZO-0E/s220/foto4.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4670287550632188674.post-3773426207634353135</id><published>2011-01-31T22:34:00.004-02:00</published><updated>2011-01-31T23:24:57.524-02:00</updated><title type='text'>Sobre essas felicidades</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje fui ao cinema. Tinha combinado de ir ver &lt;i&gt;O amor e outras drogas&lt;/i&gt; com duas queridas, mas não rolou no fim de semana, não rolaria no próximo e eu precisava sair de casa. É que eu não botava meus pezinhos para fora desde quinta feira, quando fui à delegacia fazer B.O. do acidente. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A outra motorista veio me buscar. Entrei no carro e ela perguntou como eu estava,  se estava dolorida. Uma fofa. Lá na delegacia a gente conversou um pouco, deu pra ver o quanto é boa pessoa. Uma das coisas que ela disse é que ela entende o que aconteceu porque tem maturidade pra isso, e as filhas dela ainda não têm. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando ela me deixou em casa, falou pro marido esperar um pouco, ela desceu do carro e me deu um abraço. E eu abracei ela (i'm not a hugger) e pedi desculpas. E ela disse que já tinha passado. E o coração veio na garganta porque poderia sim ter sido pior. Porque eu fico lembrando o tempo todo da traseira do carro dela muito perto e do que eu senti naquela hora e revivo quando essa imagem me vêm: um medo filhodaputa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Depois eu fui encontrar uma amiga no centro e nós ficamos andando de lojinha em lojinha, fomos até um shopping e de lá voltei pra casa. Não saí mais. Hoje eu acordei sabendo duas coisas, uma era que precisava limpar a minha casa decentemente (só onde o bispo passa não tava dando mais). A outra era que eu precisava sair, dar boa tarde pro porteiro e começar essa semana me dando uma folga que eu não me dou há muitos dias. Eu sou a pior chefe que alguém pode ter. Porque eu trabalhei sábado e domingo o dia inteiro. Li, escrevi e fichei.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Depois de ter terminado a faxina, tomei um banho e fui. No ônibus de todo dia e encontrei uma conhecida que estudava comigo lá em Maringá. Desde que mudei para Curitiba, já deve ser a quarta vez que nós nos encontramos no ônibus, e talvez a segunda ou terceira que ela está voltando do trabalho e eu indo ao cinema. E eu podia ter ido ver um filme mais pesado, tipo &lt;i&gt;Biutiful&lt;/i&gt;. Ou um mais movimentado, tipo &lt;i&gt;O turista&lt;/i&gt;. Mas eu gosto mesmo é de comédias românticas. É que eu acredito mesmo nelas. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tem vezes que algumas coisas acontecem na minha vida e eu falo que ela parece uma novela do Manoel Carlos. Mas as novelas do 'Maneco' (odeio quem fala Maneco) são muito chatas. Todo mundo tem muito dinheiro (sem trabalhar) e comem saladas em restaurantes que não mudam. Tragédias tipo câncer e gente paraplégica têm também. E quanto à minha vida, eu não posso estar me queixando, como disse para a simpática moça do seguro do carro que me ligou para estar perguntando se eu estava satisfeita com o atendimento e se estaria indicando o serviço para outras pessoas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não, definitivamente, tragédias não acontecem na minha vida. Mas as coincidências sim. Dessas de encontrar pessoas conhecidas no bondinho do pão de açúcar e no metrô de São Paulo. Dessas que fazem aparecer na hora do acidente uma pessoa que gosta de mim e que se importa comigo, como num passe de mágica. Dessas que fazem a minha bolsa do mestrado chegar quando eu já estava quase entregando os betes antes da maria vitória, enfim. E algumas dessas coincidências poderiam ser contadas numa comédia romântica (se bem que as últimas foram mais para &lt;i&gt;500 dias com ela&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;Ele simplesmente não está a fim de você&lt;/i&gt;).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E aí hoje, como naquele dia do acidente, era pra tudo ter dado certo e deu. Cheguei no cinema na hora certa, comprei uma casquinha de chocolate, fiquei olhando umas fotos, entrei pra ver o filme e fiquei ali percebendo (como sempre percebo) o quanto gosto disso de ir ao cinema sozinha. E observo pessoas que também vão sozinhas, e fico imaginando se pra elas, isso também é um baita programa. Se elas também estão gostando da própria companhia quando deram muita risada numa das cenas do filme que é realmente engraçadíssima. Ou se elas gostariam de ir com alguém.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quanto a mim, eu gostaria de ir com as minhas amigas. É divertido ver comédias românticas com as amigas. Eu gostaria de ir com um namorado. É gostoso ver comédias românticas com namorados. Mas eu também gostaria de poder continuar indo sozinha e voltar pra casa sem bode. Achando a maior sorte do mundo ter precisado correr meia quadra, mas não ter perdido o circular que tava passando naquele momento, e não achando tão ruim assim ter tomado a chuva que caiu quando desci no ponto. Porque hoje é o último dia de janeiro. E a gente tem que começar o ano tomando chuva, sabe? Pra água levar embora o que tiver de ruim sobrando em cima do ombro, mesmo que isso de ruim seja só o calor.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4670287550632188674-3773426207634353135?l=tem-que-ser.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/feeds/3773426207634353135/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4670287550632188674&amp;postID=3773426207634353135&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/3773426207634353135'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/3773426207634353135'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/2011/01/sobre-essas-felicidades.html' title='Sobre essas felicidades'/><author><name>Ge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17637114339907965462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-8BXlMaTi8hE/TgzLiSDv1bI/AAAAAAAAAFo/lDiLrVZO-0E/s220/foto4.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4670287550632188674.post-4269376971272057053</id><published>2011-01-27T15:47:00.003-02:00</published><updated>2011-01-27T16:20:56.712-02:00</updated><title type='text'>Sobre o que teria sido um bom dia</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quase todos os dias meu despertador toca às 9h, mas eu levanto ou 10h, ou 10h30. Se a gente considerar que hoje em dia meu trabalho é estudar e eu fui dormir 2h30 porque fiquei estudando, durmo em torno de sete horas por dia. Coloco o despertador para as 9h pra ficar alerta, pra não passar a manhã na cama, aí dá tempo de fazer almoço e outras coisas aqui em casa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas ontem, 10h30 acordei com um susto, estranhei não ter ouvido o despertador, levantei, arrumei minha cama, tomei um banho e comecei a fazer o almoço, porque 14h eu tinha médico. Em outubro do ano passado consegui uma consulta para 01/02. Na terça feira me ligaram perguntado se eu não gostaria de adiantar minha consulta para ontem. Ontem eu nem teria saído de casa, se essa mudança não tivesse acontecido. Saí de casa antes das 13h15, porque eu não sabia onde era o consultório. Olhei no google maps, tive uma idéia de altura da rua e fui bem adiantada. Levei o Freud comigo, meu caderno, caneta e lápis, porque tem muito médico que faz a gente esperar horas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando eu tava na garagem, encontrei o síndico. Ele olhou pra mim e disse &lt;i&gt;"Nossa, vai sair de carro hoje?"&lt;/i&gt;. Como eu sou implicante, fiquei com vontade de responder que não, que eu tinha resolvido passar o dia dentro do carro na garagem, mas fui educada: &lt;i&gt;"Pois é, uma raridade"&lt;/i&gt;. Aí ele, &lt;i&gt;"Você sempre sai a pé, né?&lt;/i&gt; &lt;i&gt;Aqui em Curitiba é complicado mesmo conseguir estacionar"&lt;/i&gt;. E eu completei, &lt;i&gt;"Uso só quando preciso, quase sempre eu vou muito perto daqui, e uso ônibus bastante também"&lt;/i&gt;. Entrei no carro e parti.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estranhei que naquela hora a Visconde de Guarapuava tava estranhamente tranquila. O trânsito fluindo. Daquele jeito, eu pensei, chegaria antes das 13h30 no consultório da médica, ainda bem que tava levando coisas pra fazer. Na rua que eu tinha que virar, a Coronel Dulcídio, a mesma coisa, uma tranquilidade, semáforos abertos e eu segui descendo. E por um segundo, olhei pro lado para ver se eu estava próxima do número onde eu tinha que ir. E naquele segundo, o trânsito parou, e eu enchi a traseira do carro da minha frente. E foi a pior sensação que eu já tive, mas só até aquela hora.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sabe, eu sou  calma. É muito, muito difícil eu perder a cabeça. Mais difícil ainda é eu alterar meu tom de voz. E quando aconteceu isso e eu me dei conta que tinha batido o carro e que não tinha sido um acidente pequeno, que meu carro, tão querido, que eu fiquei tão feliz em comprar, estava com a frente destruída, radiador estourado, óleo vazando e sei lá mais o quê. Fiquei muito triste e confusa. Não consegui sair imediatamente do carro. Eu tava tremendo e eu tava sozinha. E as pessoas que eu tenho aqui estavam no trabalho. Na mesma hora, apareceu uma guardinha da urbs e um amigo, dessas coincidências felizes, desses sinais que volta e meia eu recebo de que Deus vai muito com a minha cara.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu saio do carro e tento falar com a dona do outro carro. Explico que vou ligar pro meu seguro e chamar o guincho. Peço os dados dela, ela pede os meus e tudo bem. Até que chega uma filha dela, uma que não estava no carro com ela na hora do acidente, muito descontrolada, grita comigo enquanto eu falava ao telefone. Diz que eu devia estar correndo muito, que era um absurdo eu estar correndo naquela rua. E isso não era verdade. E eu odeio quando as pessoas não ouvem e quando falam o que não sabem. Ela disse que eu não deveria nem sair de casa. Lembra que a batida tinha sido a pior coisa que eu já havia sentido? Pois é. Essa frase superou.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu tenho carteira há 8 anos. Uma vez uma pessoa bateu em mim no trânsito e não percebeu. Fui atrás e com toda a educação, e com mais educação ainda exigi que ela pagasse os danos. E pagou e tudo bem. Mas aquela moça, muito descontrolada, imagino que pelo susto que levou, disse que eu não deveria sair mais de casa. Eu nunca levei uma multa no trânsito, nunca passei acima da velocidade em um radar, e eu estava no máximo a uns 50 km/h numa rua em que ninguém anda a menos que isso. E eu me distraí, por um segundo e bati no carro parado dela.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foi minha responsabilidade. Meu erro. A gente tem que olhar pra frente, porra. Mas sei também (e a outra motorista me disse isso quando pediu desculpas pela atitude da filha) que nada garante que amanhã não seja ela. Da mesma forma que há alguns anos, a falta de atenção de uma pessoa atingiu meu carro, ontem minha falta de atenção atingiu o carro de outra pessoa. E não me eximi. Resolvi tudo. É claro que ela vai ficar sem carro até ele ser consertado. É claro que é um transtorno. Mas é claro que eu não sou um perigo que deveria ficar em casa. Quando uma coisa dessas acontece, todos frustra! Todos. E eu não saí de casa pensando: &lt;i&gt;"Nossa, é hoje que eu encho a traseira de um carro..."&lt;/i&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4670287550632188674-4269376971272057053?l=tem-que-ser.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/feeds/4269376971272057053/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4670287550632188674&amp;postID=4269376971272057053&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/4269376971272057053'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/4269376971272057053'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/2011/01/sobre-o-que-teria-sido-um-bom-dia.html' title='Sobre o que teria sido um bom dia'/><author><name>Ge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17637114339907965462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-8BXlMaTi8hE/TgzLiSDv1bI/AAAAAAAAAFo/lDiLrVZO-0E/s220/foto4.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4670287550632188674.post-1410497177706958102</id><published>2011-01-24T01:53:00.008-02:00</published><updated>2011-01-24T02:38:42.067-02:00</updated><title type='text'>Sobre caminhos tortos</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_sPQe4ZXNFGI/TM71RleS6qI/AAAAAAAAAPg/LpbIte3RrD8/s1600/warhol20freud.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 292px; height: 389px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_sPQe4ZXNFGI/TM71RleS6qI/AAAAAAAAAPg/LpbIte3RrD8/s1600/warhol20freud.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Continuo lendo Freud como se não houvesse amanhã e continuo fazendo chaves ao lado de alguns parágrafos e escrevendo ao lado "bonito". Sem grandes reflexões, sem brilhantes conclusões e digressões minhas que seriam muito insignificantes. Na última vez que eu escrevi aqui, escolhi duas dessas frases bonitas, mas só porque elas me fizeram pensar em algumas coisas. De resto acho bem chato ficar fazendo isso o tempo todo. Sei lá, ler pessoas que escrevem brilhantemente e mostrar a minha sagacidade em escolher frases de efeito, sobre as quais nada tenho a dizer e nem me fizeram pensar. Acho pedante. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Enfim, escrevi isso porque, pensando muito rápido sobre a minha vida, fiquei com a impressão que sempre andei pelos caminhos mais tortos antes de chegar nos objetivos. E já contei vários desses meus trechos do que sou eu errando pela vida. Mas acho que nunca comentei que quando conheci Freud não fui com a cara dele. Continuo culpando um texto que NUNCA deveria ser apresentado pra gente de segundo ano de Psicologia. Tem tanto texto bacana que ele escreveu para apresentar a psicanálise e uma professora resolve começar pelos espinhentos, cheios de notas de rodapé freudianas (muitas e longas). Ela não deveria saber que, antes de descascar o abacaxi, a gente tem que gostar de abacaxi? Deveria saber.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas enfim, o que aconteceu algumas pessoas bem íntimas sabem e continuam me amando, aceitando ainda assim. Depois de ter ficado bem decepcionada com a psicanálise, o próximo autor da lista da professora era o Reich. E por mais difícil que seja dizer em voz alta, sim, eu curti Reich. E eu fui em congresso de psicoterapia corporal E achei legal. Quer dizer, eu achei legal só até eu ter me inscrito numa coisa do congresso que chamava "vivência". Havia conferências, mini-cursos, mesas-redondas e vivências. Não lembro direito, mas devo ter achado o nome bonito e fui.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E quando cheguei na tal vivência, de fato vivenciei a coisa que mais odeio, mas que alguns acham superbacana, interativo, interessante e sei lá mais o que, que é colocar pessoas que não se conhecem, nunca se viram na vida, em situações de constrangimento. O termo vivência deveria ter servido de alerta, mas esperteza nunca foi meu forte. Enfim, eu me vi numa sala toda encarpetada com mais, sei lá,  vinte pessoas. Nos mandaram tirar o sapato (por quê, meu deus, por quê?) e imitar gorilas, fazendo pares e fazendo de conta que catava piolhos na cabeça um do outro. Isso foi tão, mas tão traumatizante/humilhante, que só consigo lembrar de alguns flashes, de que a coisa toda durou mais tempo e que houve outros constrangimentos sem os quais eu poderia ter passado o resto da minha vida. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E logicamente, eu não lembro o que foi dito, mas lembro que não saí por medo que pudessem falar mal de mim. TIPO, como uma pessoa &lt;i&gt;encouraçada&lt;/i&gt; dessas resolve curtir psicoterapia corporal. E como uma pessoa que se sente desconfortável com beijos e abraços gratuitos e aleatórios e que não sabe e nem nunca soube se expressar fisicamente (nulidade nos esportes tá aí que me deixa mentir) acha que seria uma ideia bacana a abordagem. Nem vou falar dela aqui porque posso falar (mais) besteira.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Bom, depois disso, por uma felicidade do destino, li um texto muito maravilhoso de Freud que não parecia mais um compensando de conceitos que eu não entendia e que, pelo contrário, dizia sobre coisas que faziam parte da minha vida. Me rendi. Quando resolvi fazer mestrado, sempre tomando o caminho mais espinhento, demorei para entender o que eu queria pesquisar e por quê. E aí (olha como a psicanálise é bonita), eu chego a conclusão que o que eu mais gosto dela tava naquele texto, sobre o qual muitos xiitas falam mal, e em muitos outros que eu leio, leio e leio e não me canso, porque eles me mostram, em primeiro lugar, que a minha pergunta é superpertinente à psicanálise, à prática dela e ao que dizem sobre ela. Em segundo, porque eu percebo que me pergunto isso desde que, aos dezenove anos, quando fiquei sabendo que ela existia. Mas tudo isso hoje é óbvio, porque é assim mesmo que a psicanálise funciona.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4670287550632188674-1410497177706958102?l=tem-que-ser.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/feeds/1410497177706958102/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4670287550632188674&amp;postID=1410497177706958102&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/1410497177706958102'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/1410497177706958102'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/2011/01/sobre-caminhos-tortos.html' title='Sobre caminhos tortos'/><author><name>Ge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17637114339907965462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-8BXlMaTi8hE/TgzLiSDv1bI/AAAAAAAAAFo/lDiLrVZO-0E/s220/foto4.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_sPQe4ZXNFGI/TM71RleS6qI/AAAAAAAAAPg/LpbIte3RrD8/s72-c/warhol20freud.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4670287550632188674.post-3716625021148032282</id><published>2011-01-15T17:29:00.006-02:00</published><updated>2011-01-15T19:19:13.727-02:00</updated><title type='text'>Sobre fugir</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;Mas não é possível fugir de si próprio; a fuga não constitui auxílio contra perigos internos&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Essa frase eu tirei de &lt;i&gt;Análise terminável e interminável&lt;/i&gt;, um texto do Freud que, como não poderia deixar de ser, é bem escrito na mesma medida em que é denso e que consegue falar sobre tudo o que é de fundamental à psicanálise. Sempre falei aqui sobre as coisas que penso, e &lt;i&gt;quase sempre &lt;/i&gt;sobre as coisas que sinto. Na verdade eu me escancaro. Não existe meia medida comigo, o que às vezes é doloroso ao mesmo tempo em que me conforta e me dá força pra seguir em frente quando eu desanimo. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No meio da atenção que a frase me despertou, eu entrei no msn e comecei a conversar com uma amiga. A formatura dela tá chegando, meu convite está reservado há anos e eu tô muito feliz em poder ir à festa. A gente não conversa mais todos os dias, e dá pra contar nas mãos quantas vezes nos vemos por ano, mas volta e meia conversamos sobre de tudo um pouco. E ela tá passando por aquela fase muito crítica de quem termina a faculdade. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Que fazer? Procurar emprego até gastar sola de pé e ponta de dedo de tanto mandar e-mail? Fazer especializações, cursos, mestrado e sei lá mais o que para melhorar o currículo e ter mais que uma alternativa? As duas coisas? Quanto isso vai custar? Quanto de &lt;i&gt;nós&lt;/i&gt; vai custar? Porque custa mais que dinheiro, mais que barras de ouro, inclusive. Implica perdas. Os amigos que fizeram diferentes escolhas estão também em lugares diferentes que você. Podem estar mais realizados, inclusive. Podem estar menos também. E aí, lendo um outro texto do Freud eu me deparo com isso:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;[...] não se tem o direito de desesperar por não ver confirmadas as próprias expectativas; deve-se fazer uma revisão dessas expectativas.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E quando li isso ontem pensei em muita coisa. E sabem, não é a toa que esse trecho tá num texto que chama &lt;i&gt;A história do movimento psicanalítico&lt;/i&gt;. Fiquei imaginando que escrever sobre a história do que foi a &lt;i&gt;vida&lt;/i&gt; dele, deve ter feito Freud pensar e relembrar muitos desses momentos de possíveis desesperos, de quedas das expectativas, de necessidade de tomar outro rumo, seguir vivendo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ontem saiu o resultado do vestibular da UFPR. Eu tava na rua com as minhas irmãs quando passaram pela gente duas meninas todas sujas de lama. Depois vi uma vizinha do mesmo jeito na calçada, a mãe dela falando alto que a filha havia passado no vestibular. E sabe, me deu saudade. Porque lembro muito bem o que senti quando passei no vestibular. E lembro do quanto meus pais ficaram felizes. Lembro de sentir alívio. Lembro de pensar que atendi às expectativas deles, que se transformaram em minhas. E lembro de a minha mãe ter contado até pra uma pessoa que ligou enganado na minha casa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Só que hoje, eu tenho vinte e seis anos e continuo estudando. Ok, eu recebo pra estudar, mas eu tô longe, muito longe de ser independente. E parece que muito longe de sentir o alívio do dia que passei no vestibular. E parece que quanto mais o tempo passa, mais tempo a gente tem que esperar pelo resultado das expectativas e mais a gente se destitui de outras possibilidades. Olhando pra trás, eu gostaria de não ter tentado abraçar o mundo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E ao mesmo tempo em que penso nisso, penso que preciso voltar pra análise, começar a minha formação, entrar no curso de corte e costura, continuar o francês. Tudo no ano em que eu não tenho mais especialização e nem trabalho e que preciso terminar a minha dissertação, além de me concentrar no doutorado. Só que pensando nessa lista que parece um prenúncio de mais uma tentativa minha de fugir de mim,  tirando terminar a dissertação (que é a única coisa necessária de verdade), o que preciso mesmo é voltar pra análise e ver se dou um jeito nessa boca de jacaré que quer abocanhar tudo de uma vez.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4670287550632188674-3716625021148032282?l=tem-que-ser.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/feeds/3716625021148032282/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4670287550632188674&amp;postID=3716625021148032282&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/3716625021148032282'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/3716625021148032282'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/2011/01/sobre-fugir.html' title='Sobre fugir'/><author><name>Ge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17637114339907965462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-8BXlMaTi8hE/TgzLiSDv1bI/AAAAAAAAAFo/lDiLrVZO-0E/s220/foto4.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4670287550632188674.post-2639706524985137916</id><published>2011-01-08T12:22:00.004-02:00</published><updated>2011-01-08T12:42:38.885-02:00</updated><title type='text'>Sobre crescer</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif; font-size: small; color: rgb(59, 59, 59); line-height: 18px; "&gt;&lt;a href="http://terradagarota.blogspot.com/2011/01/sobre-2011.html"&gt; "eu não lido com abandono. não sou nada adulta pra isso. não sei sobreviver a isso, como todos os outros fazem, e seguir a vida, e não pensar. eu penso."&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E aí sempre tem esses dias em que o peito esvazia. Você sabe como é. É quando, sem perceber, você precisa respirar e expirar bem fundo, como se fosse ar o que estivesse faltando. Como se fosse com ar que desse pra preencher aquele buraco. A contradição é que em dias como esses, ao mesmo tempo em que a gente precisa dessas "respiradas" para ver se consegue ficar mais pleno, a gente sabe que está cheia de alguma coisa e essa coisa é angústia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E quando eu tento me encher de ar, é como se eu quisesse sufocar o espaço de algo que está tomando todo o lugar, que está oprimindo o peito e que, quando alguma coisa ou outra acontece, pode fazer acontecer aquela dorzinha de novo, aquela dorzinha que já foi dorzona e que agora você consegue dar conta, porque deixou as coisas pra lá, porque concentrou suas energias em outras coisas, porque seguiu pensando nos planos que dependem exclusivamente de você e que também te deixam feliz, pelo menos sempre que você não precisa lembrar de respirar fundo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Outro dia, umas amigas vieram aqui em casa e ficaram admiradas quando eu falei da minha necessidade de deletar as pessoas, de colocá-las em uma pasta inacessível, como se fosse possível riscar os abandonos e as desistências de mim. Só que quando eu coloco pessoas nessas pastas, fica muito difícil não colocar lugares, palavras, músicas, filmes e até outras pessoas. E esse sempre é o meu medo, especialmente quando as outras pessoas chegaram antes da que precisa ser relegada a um plano onde meu coração fica imune à lembrança de ter sido ter sido &lt;a href="http://friasmemorias.blogspot.com/2009/05/por-favor-por-onde-fica-para-la.html"&gt;deixada pra lá. &lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E de vez em quando me perguntam: &lt;i&gt;Mas você não pensa mais nisso, não é?&lt;/i&gt; Eu faço de conta que não, quando sei que, na verdade, o que acontece é que eu não falo mais e tento não rememorar as coisas tão pequenas e tão poucas. Tento. E tenho conseguido. Mas volta e meia eu preciso lembrar da minha imaturidade e inabilidade em lidar com as desistências dos outros. E aí digo a mim mesma: cresça.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4670287550632188674-2639706524985137916?l=tem-que-ser.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/feeds/2639706524985137916/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4670287550632188674&amp;postID=2639706524985137916&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/2639706524985137916'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/2639706524985137916'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/2011/01/sobre-crescer.html' title='Sobre crescer'/><author><name>Ge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17637114339907965462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-8BXlMaTi8hE/TgzLiSDv1bI/AAAAAAAAAFo/lDiLrVZO-0E/s220/foto4.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4670287550632188674.post-346866668624580219</id><published>2010-12-28T18:52:00.004-02:00</published><updated>2010-12-30T00:07:16.500-02:00</updated><title type='text'>Sobre o que pedir para 2011</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nunca lembro dos meus pedidos. Eu pulo as ondas, como as uvas, as sementes de romã e o todo o resto, faço os pedidos. Mas nunca lembro deles, nem uma vaga lembrança, não sei o que quis. Fico aqui imaginando. Acho que esqueço porque não gosto da época, essas festas me desagradam, desde pequena eu sinto uma tristeza e uma vontade grande que acabe rápido, que os beijos sejam dados em todos ao redor, os votos idem. Quero ir pra casa e ler um livro, quietinha, porque isso sim me deixa feliz.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Gosto de comemorar aniversários, gosto de sair, gosto de fazer festa. Mas natal e ano novo me deprimem demais e não adianta onde eu esteja e com quem. Quero que acabe pra que a gente pare de pensar no que passou e no que está por vir e comece a viver logo, não com ansiedade, não com pressa, mas com a condição necessária para dar conta da vida. Só isso que eu quero.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu fiquei muito feliz em 2011 por ter descoberto que dá pra se apaixonar de novo. Eu que achava que aquela coisa toda a gente sente só uma vez na vida, estava enganada. Por isso, acho que se uma lista eu fosse fazer, colocaria em primeiro lugar um grande amor. É que eu aprendi que é tão gostoso isso de estar sozinha que acho que tá na hora de eu voltar a dividir a minha solidão. E ter um pouco mais da solidão de outra pessoa. Sinto falta disso. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A segunda coisa seria passar no doutorado. Eu que nem qualifiquei minha dissertação ainda tô pensando longe. Mas são planos, vamos ver o que vai acontecer. E na lista seguem várias outras coisas. Quero trabalhar, voltar a fazer francês, começar um curso de corte e costura e sossegar das viagens, o que sei que não vai rolar porque tenho programado Fortaleza e Rio. Quero estudar e escrever bastante. Quero ler mais livros de bobagens, ir mais ao cinema e comer mais frutas. Quero ir à feira que tem perto da minha casa. Quero dar pulos de alegria por bobagens, porque eu sou desse jeito. Quero ver mais aquelas amigas que vejo pouco e que estão tão perto. Quero me apaixonar. De novo, porque eu não desisto, eu sou aquela menina que dá murros em pontas de facas.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4670287550632188674-346866668624580219?l=tem-que-ser.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/feeds/346866668624580219/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4670287550632188674&amp;postID=346866668624580219&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/346866668624580219'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/346866668624580219'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/2010/12/sobre-o-que-pedir-para-2011.html' title='Sobre o que pedir para 2011'/><author><name>Ge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17637114339907965462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-8BXlMaTi8hE/TgzLiSDv1bI/AAAAAAAAAFo/lDiLrVZO-0E/s220/foto4.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4670287550632188674.post-6988220230624132717</id><published>2010-12-27T15:09:00.010-02:00</published><updated>2010-12-27T16:34:26.932-02:00</updated><title type='text'>Sobre assentos preferenciais</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nos três anos em que passei viajando para São Paulo uma das coisas que mais me incomodava era pegar o metrô. Veja bem, ônibus lotado também é muito ruim e eu não acho que em São Paulo haja mais desrespeito por parte das companhias de transporte do que nas outras cidades. Se você precisa usar um ônibus em horário de pico, sinto muito. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Só que, na minha opinião, nada se compara ao metrô lotado. Lembro que na época da campanha, o Serra costumava falar muito sobre a ampliação da malha do metrô em São Paulo (o que eu acho muito bacana). A economia de tempo que um metrô possibilita, quando comparado a andar de ônibus em uma cidade em que o trânsito na superfície é bem complicado, faz uma boa diferença. No entanto, todas as semanas, quando eu tinha que, lá pelas 17h30, trocar de trem na estação Paraíso, pensava: &lt;i&gt;"ainda bem que eu não tenho que enfrentar isso todo dia"&lt;/i&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas olhando pro rosto das pessoas cansadas, voltando do trabalho, depois de muito provavelmente terem acordado bem cedo, eu sempre pensava que &lt;i&gt;elas&lt;/i&gt; tinham que enfrentar aquilo todo dia. É a realidade delas. A passagem custa R$ 2,65 e ano que vem vai aumentar. No entanto, se você precisa usar o metrô em horário de pico, as chances de você estar a uma distância desconfortável, para não dizer vexativa e inconveniente da pessoa ao lado são grandes.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E aí existem os assentos preferenciais. Oito por vagão, segundo &lt;a href="http://g1.globo.com/jornal-da-globo/noticia/2010/12/mulheres-brigam-no-metro-de-sp.html"&gt;essa reportagem&lt;/a&gt; que relata um incidente entre duas mulheres porque uma delas recusou-se a sair do assento preferencial. Veja, esse nome "preferencial", indica que ele não é obrigatoriamente destinado a determinadas pessoas, idosos, deficientes, gestantes, pessoas com crianças no colo, mas, no caso de entrarem pessoas com essas características no vagão, o assento é destinado a elas. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esse assunto é batido, o Fantástico já fez reportagem mostrando como os paulistanos levantam para dar lugar para os outros. Mas eu aposto que quem anda diariamente nos metrôs de São Paulo presencia o contrário constantemente, assim como vivencia o calor, o desconforto e muitas vezes o constrangimento. E aí eu fico pensando o seguinte: &lt;i&gt;"Por que os assentos preferenciais?"&lt;/i&gt;. E o meu ponto de vista é que eles não PRECISARIAM existir. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os assentos com cor diferenciada destinados às pessoas com as qualidades que eu falei acima existem para garantir o que a boa educação ensina; que se você é jovem, anda com suas duas pernas, enxerga com seus dois olhos, não carrega um bebê nos braços, você pode sim ficar durante 20 minutos em pé. Quem não fica muito mais quando vai a um show, quando bate perna no shopping, quando vai ao estádio? Assim, eles existem e devem ser respeitados, mas a gente não deveria ceder o lugar por princípio? É bom senso, respeito? Educação? Mas é aí mesmo que está o problema? Só nas pessoas?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O contra-argumento vem à minha cabeça: essas pessoas que usam o metrô trabalharam o dia inteiro, acordam cedo, provavelmente têm outra condução para enfrentar antes de chegar em casa. Elas não merecem ir sentadas, assim como aqueles para os quais os assentos com cor diferenciada foram destinados? Claro que merecem. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E aí, eu só consigo pensar naquilo que eu já pensava quando tinha que pegar o metrô sentido Tucuruvi só uma vez por semana: é falta de respeito com as pessoas, é falta de respeito com o dinheiro que as pessoas e empresas pagam pelas passagens. É exemplo de má administração e descaso. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;PS: Para os maus entendedores, eu não acho que a mulher que não levantou estava certa, mas continuo achando a quantidade de pessoas por vagão um desrespeito com ela e com todos ali presentes.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4670287550632188674-6988220230624132717?l=tem-que-ser.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/feeds/6988220230624132717/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4670287550632188674&amp;postID=6988220230624132717&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/6988220230624132717'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/6988220230624132717'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/2010/12/sobre-assentos-preferenciais.html' title='Sobre assentos preferenciais'/><author><name>Ge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17637114339907965462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-8BXlMaTi8hE/TgzLiSDv1bI/AAAAAAAAAFo/lDiLrVZO-0E/s220/foto4.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4670287550632188674.post-6533890497233354012</id><published>2010-12-23T20:09:00.004-02:00</published><updated>2010-12-23T20:44:08.758-02:00</updated><title type='text'>Sobre 2010</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;2010 começou pra mim quando eu passei no mestrado, no finalzinho de 2009, em dezembro. Lembro da minha felicidade, felicidade de verdade, dessas que faz a gente chorar porque uma coisa muito boa aconteceu de verdade. Sei que isso não faz sentido pra todo mundo porque não é muita gente que considera importante para si ou para os outros isso de ser professor. Pra mim sempre foi. Poderia dizer que foi desde quando quis ser monitora na faculdade, ou quando decidi fazer iniciação científica. Mas foi antes, bem antes, quando eu era muito criança e passava minhas noites, quase todas elas na Universidade com meu pai. Tomava litros de café, entrava e saía da biblioteca e criava histórias bem incríveis na minha cabeça, que só terminavam na hora de voltar pra casa. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Professora foi o primeiro emprego que eu tive depois que me formei. E gostei. Dei aula por um ano e meio antes de passar no mestrado. Gostava de dar aulas da mesma forma que gostava de trabalhar  na psiquiatria. Duas coisas diferentes que na prática, se complementavam.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando me formei e desisti do mestrado em Buenos Aires, achei que tinha me desviado do caminho. Passei a faculdade dizendo que faria mestrado logo em seguida, o que só aconteceu dois anos depois. Agora sei que aconteceu na hora certa. Quando eu me formei eu não tinha idéia do que eu queria estudar, e eu não tinha nem consciência que um percurso acadêmico te acompanha pra sempre, então é bom ser bem apaixonado pelo o que você decidiu estudar. E eu tive que trabalhar para me apaixonar. Descobri que eu gosto mais da loucura e que a psicanálise tem a ver com ela. E então, só então, pude passar no mestrado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Meu pai é uma pessoa muito boa, muito boa mesmo. Ele é honesto e sempre ensinou as coisas do jeito correto. Minha mãe diz que de tão honesto, ele, às vezes, é ingênuo, porque pensa que as pessoas todas agirão como ele. Só que eu sou muito parecida e quando comecei a trabalhar e quando fui colocada em um lugar com um destaque maior do que possivelmente eu estivesse preparada, caí do cavalo. Nem uma, nem duas, mas várias vezes. Aprendi do jeito mais difícil a confiar desconfiando, a ter pés atrás (quer dizer, aprendi mais ou menos).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ter decidido fazer o mestrado também teve a ver com essas quedas. Nunca fui acomodada e percebi que se continuasse onde estava eu ia acostumar com o salário melhor, comodidade da casa da minha mãe, tudo fácil. Ir para fora e fazer o mestrado seria abrir mão disso e de outras coisas. Entendi que também tinha feito uma escolha difícil em relação ao meu namoro. É que quando você namora à distância, o momento da encruzilhada chega. E nessas horas, ou os dois seguem pelo mesmo caminho, e aí sacrifícios de todos os lados são feitos, ou os dois vão por caminhos diferentes. Algumas coisas são feitas para serem lembradas com alegria, com a nostalgia boa do que terminou como um ciclo que se fecha.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mudar para Curitiba foi surpreendentemente fácil. Tenho muitos anjos ao meu redor. Esses que Deus colocou no meu caminho à medida que eu fui crescendo, esses que eu soube encontrar e manter na minha vida. Sei que tudo foi mais fácil porque eu não sou sozinha. E uma vez, uma pessoa que eu julguei que poderia gostar muito me disse isso: &lt;i&gt;"você nunca vai ficar sozinha, porque você não é sozinha, você tem muita gente"&lt;/i&gt;. E eu tenho mesmo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fora isso, o "destino" sempre foi simpático pra mim. As coisas pareciam se encaixar magicamente, como um plano muito bem traçado. O emprego veio e foi na hora certa; o apartamento ideal surgiu sem eu sair de casa, novos amigos chegaram à minha vida com mala e cuia, pedindo espaço pros outros. Nesse ano, eu saí bastante, bebi mais do que devia e descobri coisas importantes. Descobri que existe uma fé em mim inabalável em algo maior que eu, por menos religiosa que eu seja.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Antes de 2010 eu aprendi que antes planejava muito e me frustrava mais. Agora fica mais fácil esperar quietinha pelo que vai acontecendo e a tomar as decisões na hora que as escolhas se fazem, e não na hora que as possibilidades se apresentam. O que não faz de mim mais madura, porque nem sempre eu consigo. Só que fico feliz por conseguir mais do que antes.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4670287550632188674-6533890497233354012?l=tem-que-ser.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/feeds/6533890497233354012/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4670287550632188674&amp;postID=6533890497233354012&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/6533890497233354012'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/6533890497233354012'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/2010/12/sobre-2010.html' title='Sobre 2010'/><author><name>Ge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17637114339907965462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-8BXlMaTi8hE/TgzLiSDv1bI/AAAAAAAAAFo/lDiLrVZO-0E/s220/foto4.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4670287550632188674.post-4469443054057246716</id><published>2010-12-05T23:35:00.003-02:00</published><updated>2010-12-06T10:53:31.739-02:00</updated><title type='text'>Sobre três anos</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Já escrevi muitas vezes sobre esses três anos. Já contei muitas histórias e nos dois últimos posts, os dois que escrevi na semana que foi a última da especialização, comecei a falar sobre o fim. É que o fim não é algo que chega do nada e ponto. Ele começa a marcar no antes e no depois, e deve ser por isso que pode ser bem dolorido.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ainda que a duras penas, tenho aprendido algumas coisas na vida. Uma muito importante é: em momentos de crise, nunca tome decisões cujas conseqüências serão a longo prazo se você puder evitar, especialmente se uma de suas principais características é levar suas escolhas até o fim. E assim sou eu, eu encaro as dores, os tropeções, o arrependimento, mas é muito difícil, pra mim, voltar atrás numa decisão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Claro que já voltei atrás de algumas, ainda bem que não sou tão engessada assim. Com dezessete anos, desisti de uma faculdade e com 23 de um mestrado que nem tinha começado. Só que essa última desistência foi como um soco no estômago, e socos no estômago normalmente exigem uma reação rápida e a minha foi ter decidido fazer uma especialização de três anos em São Paulo. E as aulas dessa especialização seriam semanais. Bom, acontece que eu morava em Guarapuava, que fica a quase 700 km de distância.  Mas tudo bem, porque eu era uma psicóloga recém-formada, desempregada e com os pais com a maior boa vontade do mundo para bancar essa loucura. Eu tinha tempo e eu tinha apoio. O que mais uma pessoa pode desejar?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lembro até hoje da primeira vez que fui pra lá. Morrendo de medo, liguei pra uma &lt;a href="http://www.facebook.com/profile.php?id=779125897"&gt;amiga&lt;/a&gt; que conhecia melhor. Além de ter me explicado como eu fazia para sair da rodoviária, ela pediu pra &lt;a href="http://www.facebook.com/profile.php?id=621177796"&gt;irmã dela&lt;/a&gt; me ajudar quando eu chegasse lá. Por muita sorte, os lugares onde eu tinha que ir eram próximos um do outro e de onde ela estava morando, ela me levou almoçar e aos lugares onde eu precisava ir, me deu tchau e benção e tudo deu certo. Ela riu de mim quando eu contei que a irmã dela e meu &lt;a href="http://www.facebook.com/joaomello"&gt;ex namorado&lt;/a&gt; me alertaram para eu me cuidar, pra eu não olhar pra cima, pra eu não andar devagar demais, nem rápido demais, pra eu não falar no celular na rua, enfim. Todos ajudaram pra caramba, e como eu nunca antes agradeci, faço isso agora, muito obrigada aos três. Na semana seguinte as aulas começaram. Lá fui eu de mala, cuia e salto alto, que com o passar do tempo foram sendo abandonados. Só que agora eu precisava ir pra USP.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aí a coisa complicou, porque eu tinha que pegar ou ônibus ou trem, e eu tinha MEDO de pegar ônibus em São Paulo, porque achava que sempre ia ficar presa no trânsito, e que não poderia prever a hora que ia chegar, e sempre foi difícil lidar com a imprevisibilidade das coisas. Quem me ajudou foi o &lt;a href="http://www.facebook.com/profile.php?id=695836989"&gt;Ale&lt;/a&gt;. Ele bem me avisou que trem era uma merda, mas pelo menos eu sabia que em mais ou menos uma hora eu chegaria, e foi  de trem que eu fui pra aula durante um ano e meio. Não desejo nem pro meu pior inimigo. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como eu disse antes, no começo eu ia muito carregada. Travesseiro, blusa, cobertor, notebook. Chegava na aula cansada, ia embora exausta e voltava pra casa só o pó. Como autoflagelo pouco é bobagem, eu resolvi começar também uma especialização em Curitiba, que fica a 250 km de Guarapuava, e era de 15 em 15 dias. Então, em várias semanas do ano eu transitei por três cidades relativamente distantes umas das outras. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O segundo ano foi punk demais. Porque eu tive aulas em Curitiba até maio e trabalhava de manhã no hospital, à tarde no consultório e na faculdade e à noite idem. Não consigo me lembrar do quanto foi foda, deve ser tipo mãe que só lembra de como era bom quando os filhos eram bebês e deleta as noites sem dormir e as choradeiras. O que eu sei é que por mais que às vezes eu reclamasse, não era tão ruim assim e me incomodava muito quando as pessoas se referiam a isso como se fosse uma grande coisa. Era uma coisa que eu tinha assumido, não era? Então eu dava conta e não se fala mais nisso. Foi o ano que mais trabalhei, que mais cresci profissionalmente. Pode ser que eu não tenha aproveitado tanto as aulas. Pode ser que eu sentisse muito sono, ainda assim, foi. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esse ano foi de longe o mais difícil. A especialização daqui de Curitiba tinha terminado, mas eu resolvi me mudar pra cá pra fazer o mestrado. Coincidentemente, fui chamada pra um teste seletivo que tinha feito em 2009. Era ideal, porque o trabalho era de vinte horas por semana, o que dava pra conciliar com o mestrado. Assim, eu trabalhava segunda, terça e quinta. Ia pro mestrado quarta o dia todo e quinta à noite pegava o ônibus pra São Paulo. Seis horas e meia depois, lá estava eu, não muito bonita e nem muito formosa, para passar 12 horas naquela cidade, já que 18h10, eu pegava o ônibus de volta pra casa. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que atrapalhava era que no sábado eu tinha que ir pra uma especialização que eu era obrigada a fazer para continuar no meu trabalho. E eu odiava. O tema não me interessava, eu não gostava das aulas e eu estava profundamente cansada. Além disso, eu tinha minha casa pra cuidar, minhas contas pra deixar em dia, meu salário pra organizar, e ele não era muito. Quando chegou agosto, eu senti que eu tava perdendo o rumo. Eu não aguentava mais de verdade. O trabalho parecia custoso demais, acordar cedo começou a parecer um sacrifício enorme, e as aulas lá em São Paulo definitivamente contavam só com a presença do meu corpo. Como eu tinha pouco tempo pra estudar, eu levava meus textos pra ler durante aulas. Tudo o que eu pensava era: é só mais esse ano.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas foi em agosto mesmo que as coisas melhoraram bastante. Ou eu tenho muita sorte ou Deus é muito meu parceiro, porque minha bolsa do mestrado chegou. Eu pude parar de trabalhar. No dia que a secretária do mestrado mandou um e-mail contando sobre a bolsa, eu chorei de verdade. &lt;a href="http://www.facebook.com/profile.php?id=100001153328749"&gt;Uma amiga minha&lt;/a&gt; tinha vindo passar o dia comigo e depois &lt;a href="http://www.facebook.com/joydegm"&gt;outra&lt;/a&gt; chegou pra gente ir ao cinema. E as duas são testemunhas da minha alegria, que era muito, muito genuína.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Enfim, de lá pra cá, ainda que faltasse pouco tempo, eu comecei uma contagem regressiva do número de vezes que eu tinha que ir pra São Paulo. Em agosto, esse número era dezessete. E a cada semana eu riscava do calendário. Na correria com as coisas do mestrado, minha dissertação,  e alguns percalços que eu preferia não ter passado, o tempo passou muito rápido. Foi eu piscar e novembro tinha chegado. De repente, estávamos combinando festa de encerramento. Eu pisquei de novo e dezembro chegou. Chegou junto o último dia. Finalmente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando a minha supervisora preferida levantou e disse que eu seria a primeira a ganhar um abraço, senti a primeira vontade de chorar. Realmente, não pensei que fosse ser difícil, porque todo o processo tinha sido tão complicado que o fim poderia ser só alívio, né? Que nada. Fiquei triste que não consegui me despedir da tia do carrinho de lanche onde eu sempre almoçava, na correria entre atendimento de paciente e a supervisão. Onde eu aprendi que o sanduíche de carne louca é muito gostoso. Aliás, essa é a especiaria paulistana que eu mais gosto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Enfim, sábado foi a festa de encerramento. E eu chorava como uma criança. Sabe quando as lágrimas rolam e não tem jeito nem de engolir o choro? Sabe quando o sentimento de perda chega com tudo? E você tem que se despedir de pessoas que você gostou e que você não sabe quando/se vai reencontrar. O que você sabe é que essas pessoas, mesmo que você não tenha sido melhor amigo delas, vivenciaram coisas muito parecidas, de formas diferentes, mas enfim, estavam lá. E foi difícil pra todo mundo, porque foi um aprendizado cheio de angústia. Mas assim é a psicanálise.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu fiz bons amigos nesses três anos e espero de coração que as nossas vontades ajudem a gente a não se perder um do outro. Eu não sei quais são meus planos a partir de agora. Sei que quero continuar morando em Curitiba, quero fazer doutorado, quero começar minha formação no ano que vem. Sei disso tudo. Mas outra coisa que aprendi em decorrência dessa especialização é que quando a gente planeja demais, as chances de a coisa descambar pra outro lado são grandes. Por isso, ano que vem, eu não sei o que vai ser. Posso dizer que não quero viajar de ônibus nem daqui à Campo Largo. Mas não vou falar muito alto, porque o acaso da vida pode ouvir e me dizer o contrário.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4670287550632188674-4469443054057246716?l=tem-que-ser.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/feeds/4469443054057246716/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4670287550632188674&amp;postID=4469443054057246716&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/4469443054057246716'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/4469443054057246716'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/2010/12/sobre-tres-anos.html' title='Sobre três anos'/><author><name>Ge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17637114339907965462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-8BXlMaTi8hE/TgzLiSDv1bI/AAAAAAAAAFo/lDiLrVZO-0E/s220/foto4.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4670287550632188674.post-2382815313994622084</id><published>2010-12-03T00:00:00.005-02:00</published><updated>2010-12-03T00:00:04.306-02:00</updated><title type='text'>Sobre vontades</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando o chega o fim do ano quase todo mundo fica nostálgico. O tempo mais quente, a chuva que deixa os dias um pouco mais frescos e o sol que volta logo depois que passa a chuva, só pra contar que fica mais bonito quando é assim que acontece. Eu, particularmente, fico &lt;u&gt;muito&lt;/u&gt; saudosa nessa época, especialmente porque os fins de ano tem marcado algumas despedidas. Em 2007, foi o fim da faculdade, em 2009, terminei uma especialização e nesse ano estou terminando outra. E hoje, conversando com uma querida que fez essa pós comigo, eu comemorava a última viagem depois de três anos.  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Enquanto eu dava pulos de alegria, ela disse: "&lt;i&gt;Mas você vai sumir"&lt;/i&gt;. Eu perguntei: &lt;i&gt;"Mas como assim?"&lt;/i&gt;, e ela respondeu, &lt;i&gt;"Uai, eu não vou mais ver você". &lt;/i&gt;Eu ri, e disse que isso não dava pra prever. É que nem eu e nem ela temos certeza se esse laço vai se manter daqui pra frente. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aí eu disse uma coisa que eu percebi nos últimos anos. Quando penso em algumas pessoas que foram muito importantes para mim em uma época da vida mas que, quando chegou um momento de decisão, os caminhos ficaram tão paralelos, vejo que a gente se perdeu. Então, eu disse que o que eu percebi nesses anos em que mudei de cidade algumas vezes - Guarapuava, Ponta Grossa, Maringá, Guarapuava, Curitiba, sem contar o pulo em Buenos Aires -  é que é preciso sempre duas vontades para duas pessoas não se separarem. Se forem três pessoas, três vontades, e assim por diante.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando eu cheguei em Curitiba, entrei em contato pelo orkut com uma amiga que havia sido muito importante e com quem eu não falava fazia muitos anos. Mandei um scrap, ela respondeu, contei que estava morando aqui, ela disse que queria me ver. Mandei um depoimento com meu telefone, que ela não apagou até hoje. Isso foi em abril. E ela não me ligou. Se fosse há dez anos, há cinco anos que seja, isso me deixaria profundamente triste. Não fiquei indiferente, não se trata disso, mas é que eu entendo que às vezes a vontade não é forte o suficiente para, do nada, você deixar entrar de novo na sua vida uma pessoa do passado. Tanto passou, não é? Tanto mudou. Será que a gente ainda se conhece. Acho que não. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Bom, algumas pessoas entendem mais de reunir as vontades do que as outras. Algumas pessoas estão dispostas a pagar o esforço, porque é bem trabalhoso manter as pessoas por perto. Eu tenho a sorte de ter encontrado várias que tem vontades que combinam com a minha. Uma delas faz aniversário hoje e, ainda que eu quisesse muito tomar uma heineken com ela pra comemorar essa data (que eu tenho certeza que nesse ano é diferente das outras, porque nesse ano ela terminou a faculdade e só Deus sabe o quanto ela queria terminar a faculdade), eu não posso, porque hoje estou em São Paulo, também comemorando.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Antes de viajar, eu pensei que precisava contar pra essa minha querida o quanto ela é importante pra mim e o quanto eu penso nela nos meus dias. Especialmente, o quanto ela faz falta. E aí, a conversa que eu tive com a minha amiga da pós me fez lembrar dela. É que  MUITO do que eu aprendi sobre vontade, foi com ela.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando eu me formei e fui embora, ela ficou. E outras ficaram e eu perdi a vontade. Eu não quis fazer o esforço. Ainda assim, um dia, me sentindo muito injustiçada, mandei um e-mail para várias pessoas querendo saber porque ninguém mais me dava bola. Eu recebi várias respostas. Todas as que eu precisava e sei que todas muito sinceras. E acho que a primeira foi a dela. E o que ela me disse colocou os pingos nos &lt;i&gt;is&lt;/i&gt;, e me mostrou, sem agressividade, que quem não teve vontade tinha sido eu. Esse e-mail não foi escrito em tom de cobrança, não. Mas de constatação. E o fato de ela ter me respondido dessa maneira deixou as portas abertas, ou pelo menos destrancadas e, quando depois de entender que eram necessárias a minha vontade e a dela para a gente continuar existindo uma na vida da outra e não sumir, eu percebi que podia ter colocado a perder muitas preciosidades da minha vida, incluindo ela.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Já faz algum tempo isso e eu sei que essa minha amiga, essa querida, ela não é de melodramas como eu, e que por isso eu não preciso agradecer por aquele e-mail. Eu sei que não preciso agradecer pela porta ter ficado destrancada. E eu sei porque ela me conta isso todo dia sendo minha amiga. Por isso, dona Simone, não vou agradecer, sei que tinha a tua vontade falando alto também, como ela existe até hoje. Mas vou desejar toda a felicidade do mundo e muito, muito sucesso nesse teu novo ano, porque não é todo ano que a gente se forma em engenharia, nem que a gente tem que sair por aí dando a cara a tapa pra procurar emprego. Então, aproveita esse teu rostinho bonito, teu diploma em mãos e vaza! Aqui tem cama pra você sempre!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ah, e me faz um favor: coloca Spaceman pra tocar, canta e dança bem alto. Porque foi você que me mostrou que Killers era legal, e essa música é a que eu mais gosto!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4670287550632188674-2382815313994622084?l=tem-que-ser.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/feeds/2382815313994622084/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4670287550632188674&amp;postID=2382815313994622084&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/2382815313994622084'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/2382815313994622084'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/2010/12/sobre-vontades.html' title='Sobre vontades'/><author><name>Ge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17637114339907965462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-8BXlMaTi8hE/TgzLiSDv1bI/AAAAAAAAAFo/lDiLrVZO-0E/s220/foto4.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4670287550632188674.post-5678098226936455602</id><published>2010-12-01T23:40:00.006-02:00</published><updated>2010-12-02T00:08:11.732-02:00</updated><title type='text'>Sobre dores</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É sempre assim, a pior dor é aquela que pega a gente desprevenido. Um exemplo igual, só que ao contrário: Eu limpava meu fogão quando derrubei uma das tampinhas das bocas no chão. Eu estava de chinelo e meus reflexos não foram rápidos o suficiente e a tampinha caiu em cima de um dedo meu. Mas antes de ela cair, eu já sabia que ia bater no dedo, só que eu não tive tempo de tirar o pé, então, soltei um "filhodaputa" e segui limpando o fogão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Só que nem sempre é assim, gente. Nem sempre, em pensamento, a gente já prevê que vai doer. Às vezes você entra no seu orkut, que você entra há cinco anos - tendo até ganhado um selo por isso, olha que parabéns - e o bonitinho do orkut faz o quê? Te sugere um amigo. Pior do que isso, ele sugere que você CONVIDE um determinado amigo para entrar no orkut. E você não estava preparado para duas coisas: &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A primeira: ver aquele nome por escrito. Porque ver ele por escrito dói também. É claro que não dói tanto quanto encontrar na rua, no bar, na praça, mas DÓI. E você não tava esperando ver aquele nome ali, você espera ver em outros lugares, tanto que esses você tem evitado, você nunca mais abriu aquela revista em que invariavelmente vai ver o nome que não quer ver. Nem o dele e nem os nomes relativos a ele, porque é difícil pra caralho pensar que aquelas pessoas que você nem chegou a conhecer direito sabem mais do que você sobre o que te aflige.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A segunda: saber que aquela pessoa antes tinha orkut e por isso,  agora que o mesmo sugeriu que você a convidasse para entrar, você vai ficar imaginando porque não tem mais. E como existem outras redes sociais no universo, você vai precisar ficar mordendo os nós dos dedos várias vezes, lembrando sempre que, se foi difícil &lt;i&gt;ler&lt;/i&gt; aquele NOME, escrito em letras garrafais, imagina o dia que você trombar por acaso? Ou o dia que você ficar sabendo alguma coisa via redes sociais? Tudo tão difícil...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E sabe, não é que eu ainda esteja me corroendo de dor. Nem a raiva que eu senti eu sinto mais. E a angústia, pfff, essa atingiu níveis mínimos. Acredita que agora eu até consigo escrever? Ler, pensar, me concentrar? E o mais foda é que toda vez que eu penso sobre esse assunto, ou que alguém me pergunta, meu primeiro pensamento é &lt;i&gt;"Amiga, não é pra tanto. Segue tua vida, tu já passou por piores".&lt;/i&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E é verdade. Gente, né? Eu lembro de uma vez que eu acordei tão inchada de chorar que meu rosto estava deformado, sem exagero, eu não conseguia abrir mais que uma fenda dos olhos. Ok, eu derramei umas lágrimas por causa dessa história que eu tô contando, mas, mais uma vez, pfff. Daí eu me pergunto: &lt;i&gt;"É, bonitinha?! Então, por que dói?". &lt;/i&gt;E respondo: &lt;i&gt;"Porque é rejeição".&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E nesse maravilhoso acordo, o que entra com a bunda sempre,  &lt;u&gt;sempre&lt;/u&gt; vai sofrer. Se não sofreu, é que a bunda nem estava mais lá à disposição do pé chutador. Faz dois meses que uma história que não durou dois meses terminou. E sim, tá passando, mas orkut, amigo, não faz mais isso comigo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4670287550632188674-5678098226936455602?l=tem-que-ser.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/feeds/5678098226936455602/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4670287550632188674&amp;postID=5678098226936455602&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/5678098226936455602'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/5678098226936455602'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/2010/12/sobre-dores.html' title='Sobre dores'/><author><name>Ge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17637114339907965462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-8BXlMaTi8hE/TgzLiSDv1bI/AAAAAAAAAFo/lDiLrVZO-0E/s220/foto4.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4670287550632188674.post-7135143805061542600</id><published>2010-11-30T01:34:00.003-02:00</published><updated>2010-11-30T10:49:45.782-02:00</updated><title type='text'>Sobre gente interessante</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Essa semana é minha última viagem pra São Paulo. Não que eu nunca mais vá pra lá, não é isso. É que depois de três anos viajando todas as semanas por causa da especialização, quinta feira será memorável. Mas sobre esses três anos eu vou escrever só depois  de sexta. Hoje eu quero falar sobre outra coisa. No metrô, na van, no trem, no ônibus, no ponto, na rodoviária, encontrei muita gente interessante. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu tenho um problema de ter um ouvido muito grande. Eu gosto de ouvir as pessoas, e isso não tem a ver com eu ser psicóloga, mas com o fato de eu gostar das pessoas e achar que elas valem a pena uma conversa. Tanto que, quando elas não conversam comigo, eu observo e imagino, reparo na roupa, no olhar que elas carregam. Se elas falam no celular (e eu não quero dormir), me divirto. Numa dessas, presenciei parte da história da moça mais ou menos da minha idade com dois filhos pequenos. Ela pegou os dois, entrou no ônibus e voltou pra casa fugindo do marido que batia nos três. Acho bonitos esses movimentos que as pessoas fazem para mudar. Queria ter dito pra ela ser bem forte e se apoiar em quem gosta dela, mas não é de bom tom se intrometer na conversa alheia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na fila da van que ligava a Vila Madalena à Barra Funda, conheci um doutor em Sociologia publicado. Não lembro o nome dele, mas pesquisei no google na época e encontrei vários livros. Foi quando eu entendi que, se eu quiser me enveredar por essa vida acadêmica, vou viver com a mala semi-pronta, por mais que eu deteste isso, acho que vou ter que me acostumar. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Também lembro do  casal, numa segunda feira de manhã, quando eu pegava o trem da Barra Funda até a cidade universitária (péssima escolha de transporte, fica a dica). Eles beiravam os cinquenta anos e estavam abraçados, com os rostos próximos, a mulher chorava silenciosamente, ele não falava nada e, às vezes, passava as mãos no rosto dela, enxugando as lágrimas. O silêncio dos dois me inquietou demais. Não era uma briga, era uma tristeza grande, dessas que dispensam qualquer palavra.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Teve momentos de alegria também. Como a da sacoleira que estando no inferno, abraçou o capeta e resolveu dar uns pegas no cara que sentou ao lado dela no ônibus, numa viagem de quinze horas. Fiquei pensando que a idéia era péssima, porque comofás para se livrar de um cara num ônibus? Não resolve dizer que vai ao banheiro e já volta, porque, né? Fiquei bem chocada, gente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por falar em gente que acha transportes coletivos podem ser maneiras de o destino agir nas nossas vidas. Um cara uma vez sentou ao meu lado, puxou assunto, conversamos sobre o trem lotado e afins. Descemos na mesma estação e ele me puxou pelo braço e pediu meu telefone. Eu ri e respondi que se a gente se encontrasse numa próxima vez, eu daria (o telefone, veja bem). Porque daí sim era destino, né? Nunca encontrei de novo, mas eu sou uma péssima fisionomista, vai saber.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Houve algumas coincidências também. De novo na fila da van, conheci um cara que trabalhava com outro que eu ficava numa época dessa quebradas da vida. Num outro dia, eu ia encontrar uma amiga no ônibus de volta pra casa. Mas eu e ela descemos na Sé, às 18h, olha só, e nos encontramos saindo do mesmo vagão. Naquele dia, ela me apresentou os oito pães de queijo por 1 real e as lojas de lingerie da Barra Funda, muito fino.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu tenho uma irritação muito grande com gente velha, de verdade. Mas não com qualquer velho. Só com os folgados, coisa que nem todos são. Tem velho que se enfia na sua frente do nada, tem velho que demora séculos pra escolher o que quer comer e atrasa a fila do caixa, tem velho que compra coxinha, marmita e afins leva pra dentro do ônibus mesmo tendo vinte minutos pra comer no restaurante, enfim. Mas tem os velhos fofos, gente. Eu conheci dois deles. A primeira foi há dois anos, eu acho, quando concordei em comprar a passagem ao lado dela já no guichê depois que ela soltou, &lt;i&gt;"Eu comprei a 01, você compra a 02 e a gente vai conversando"&lt;/i&gt;. A mulher era muito interessante, cheia de histórias que começavam com ela tendo sido lavradora e hoje tendo filho que trabalha na microsoft em Seatle, e não na linha de produção.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há algumas semanas, um piloto aposentado da Vasp sentou na mesma mesa que eu na rodoviária. Quando ele disse, &lt;i&gt;"Prometo que não vou conversar", &lt;/i&gt;e deu uma risada, eu sabia que não era verdade. Ele devia ter uns quase setenta anos e tinha barba igual do Papai Noel. Eu podia imaginar ele com aquele chapéu de piloto. Conversamos sobre viagens, sobre São Paulo, Curitiba, Buenos Aires. Essa conversa durou uns 45 minutos e fez passar voando o tempo que eu ia esperar pelo meu ônibus.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Outro dia, contando essa história, uma amiga minha perguntou se eu também falo sobre coisas minhas. Claro que eu falo, se não eu estaria entrevistando elas, né? Eu converso realmente, e dependendo do assunto, coisas minhas vão pra elas também e a vida é assim. Claro que eu poderia não conversar. Tem gente que compra uma revista pra passar o tempo, e às vezes eu compro. As pessoas precisam de dedicação e se você não tá com o humor pra elas, melhor nem conversar mesmo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Essas pessoas foram bem importantes e deixaram essas viagens infindáveis um pouco mais interessantes, com certeza.  Tem muitas outras histórias, mas lembrei dessas.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4670287550632188674-7135143805061542600?l=tem-que-ser.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/feeds/7135143805061542600/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4670287550632188674&amp;postID=7135143805061542600&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/7135143805061542600'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/7135143805061542600'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/2010/11/sobre-gente-interessante.html' title='Sobre gente interessante'/><author><name>Ge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17637114339907965462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-8BXlMaTi8hE/TgzLiSDv1bI/AAAAAAAAAFo/lDiLrVZO-0E/s220/foto4.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4670287550632188674.post-7500176827232578016</id><published>2010-11-23T18:12:00.003-02:00</published><updated>2010-11-23T23:33:00.823-02:00</updated><title type='text'>Sobre o show</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu tinha uns 12 ou 13 anos, eu acho, quando me interessei por Beatles. É bem pouco provável que com essa idade eu nunca antes tivesse ouvido qualquer música deles. Minha irmã tinha um namorado que gostava muito. Um dia, ele levou um cd pra escutar lá em casa e eu ouvi e gostei. Ele trouxe todos os cds dos Beatles que tinha e falou pra eu ouvir e fazer uma seleção do que eu gostava mais e ele gravou uma fita pra mim (velhos tempos). &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A tal da seleção dos treze anos incluía praticamente só as baladinhas românticas. &lt;i&gt;All my loving&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;She loves you,&lt;/i&gt; &lt;i&gt;Help&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;Yesterday&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;Let it be&lt;/i&gt;. Eu não lembro das outras, mas fiquei chateada quando a minha irmã deu um sumiço na fita  quando o namoro terminou. Mais ou menos na mesma época, eu descobri que o namorado da minha outra irmã tinha Anthology 1, e eu peguei pra mim assim que ouvi as primeiras batidas de &lt;i&gt;Free as a bird.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando eu já tinha uns 15, 16 anos, assisti &lt;i&gt;I am Sam&lt;/i&gt; e conheci outra fase dos Beatles que me encantou demais. Versões de &lt;i&gt;Blackbird&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;I'm looking through you&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;Across the universe&lt;/i&gt; e muitas outras. Não tem como não gostar da trilha sonora desse filme. E claro que continuei ouvindo Beatles e uma hora eu gostava mais de uma música, outra hora mais de outra. Na faculdade, ouvia alto no carro &lt;i&gt;Back in the USSR, Here comes de sun &lt;/i&gt;e &lt;i&gt;Hello Goodbye. &lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu poderia lembrar de tantos momentos que Beatles me ajudou a ficar mais feliz. Afinal, &lt;i&gt;You and I have memories longer that the road that stretches out ahead.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu não tinha planos de ver Paul Mccartney. Não tinha me preparado, não vi quando os ingressos começaram a ser vendidos e pensei que eles seriam caros demais e eu pobre demais. Por isso que esse ingresso foi um dos melhores presentes. E só me dei conta disso quando cheguei lá. As minhas pernas estão doendo até agora, . &lt;i&gt;Well, I didn't know what I would find there&lt;/i&gt;. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Acho que música boa é a que faz a gente entrar em contato com o que tem de mais íntimo. São aquelas horas que você olha pra dentro e vê. E as músicas dos Beatles sempre fizeram isso, &lt;i&gt;many times I've been alone and many times I've cried, anyway you'll never know, the many ways I've tried.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lá no show quando olhei ao redor, besta, percebi que muita gente filmava músicas inteiras. Teve um cara perto de mim que filmou o show inteiro. Acho que as pessoas têm medo de esquecer. Eu também tenho e por isso escrevo, mas rever as músicas nos vídeos no youtube não me aproxima da noite de ontem. Acho que por causa disso que shows são especiais, insubstituíveis e o que quer que a gente tenha sentido na hora, não volta. As dores físicas tem a ver com isso também.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sabe, quando eu cresci, comecei a gostar muito, muito, muito de &lt;i&gt;Blackbird&lt;/i&gt;. Eu disse pra algumas amigas que estava indo para o show só por causa dela. Sempre que tô triste com a vida e duvidando de que é bom,  os versos me vêm à cabeça: &lt;i&gt;Blackbird singing in the dead of night, take these broken wings and learn to fly&lt;/i&gt;. Todo mundo tá aqui tentando voar com asas quebradas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E quando o Paul tocou &lt;i&gt;All my loving, &lt;/i&gt;eu era aquela menininha de treze anos que começou a gostar de Beatles por causa das musiquinhas de amor: &lt;i&gt;All my loving, I will send to you, all my loving, darling, I'll be true&lt;/i&gt;. E, apesar de eu ter crescido e de ter começado a gostar mais de outras músicas, continuo acreditando que ser verdadeiro no amor é essencial. Mas depois que a gente cresce, aprende que às vezes gosta das pessoas e elas vão embora, e elas podem ir embora mesmo estando aqui do lado. &lt;i&gt;But I still remember how it was before, and I'm holding back the tears no more&lt;/i&gt;. E eu não segurei as minhas quando ouvi as minhas músicas queridas tocadas por um Beatle, inesquecível. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje fiquei pensando que fotografar e filmar tem a ver com a solidão. E a gente gostaria de mostrar pros amigos como foi legal, e com certeza a gente falha nisso. É que a gente é sozinho. E é disso que a gente trata, solidão: &lt;i&gt;All the lonely people, where do they all belong? &lt;/i&gt;Eu acho que todas as pessoas pertencem à solidão. Cada um sabe onde habita a sua e tenta preenchê-la com tanta coisa, né? &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;Obladi, oblada, life goes on&lt;/i&gt;. E eu continuo acordando, estudando, trabalhando e agora, por uns dias, com o coração um tantinho mais leve, &lt;i&gt;taking a sad song and making it better&lt;/i&gt;, pensando sobre uma grande verdade com que Paul McCartney encerrou o show: &lt;i&gt;the love you take is equal to the love you make&lt;/i&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4670287550632188674-7500176827232578016?l=tem-que-ser.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/feeds/7500176827232578016/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4670287550632188674&amp;postID=7500176827232578016&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/7500176827232578016'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/7500176827232578016'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/2010/11/sobre-o-show.html' title='Sobre o show'/><author><name>Ge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17637114339907965462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-8BXlMaTi8hE/TgzLiSDv1bI/AAAAAAAAAFo/lDiLrVZO-0E/s220/foto4.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4670287550632188674.post-1891206113056492026</id><published>2010-11-08T10:07:00.003-02:00</published><updated>2010-11-08T12:26:36.742-02:00</updated><title type='text'>Sobre coração livre</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;Dar-se enfim (Clarice Lispector)&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;O prazer é abrir as mãos e deixar escorrer sem avareza o vazio-pleno que se estava encarniçadamente prendendo. E de súbito o sobressalto: ah, abri as mãos e o coração, e não estou perdendo nada. E o susto: acorde, pois há o perigo do coração estar livre! Até que se percebe que nesse espraiar-se está o prazer muito perigoso de ser. Mas vem uma segurança estranha: sempre ter-se-á o que gastar. Não ter pois avareza com esse vazio pleno: gastá-lo.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pois bem, há alguns meses comprei na rodoviária esse livro com textos selecionados que a Clarice escreveu no Jornal do Brasil entre 67 e 74. Eu li inteiro no tempo que esperava o ônibus. Os textos são relativamente curtos e é esse livro que hoje eu vou abandonar em um lugar público. Ainda não decidi onde.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vou almoçar no restaurante universitário, e pensei em deixar em cima de uma cadeira. Mas fico pensando que num lugar cheio assim, alguém pode ver e dizer "Moça, você esqueceu seu livro". Eu não tenho planos de andar de ônibus hoje, mas o banco do ônibus seria um bom lugar. É que as pessoas dos ônibus não prestam muito atenção umas às outras. Quer dizer, eu presto. Fico reparando nelas, e fico com vergonha quando elas percebem, mas é que eu sempre gostei de observar as pessoas, de entreouvir conversas. Na verdade eu acho as pessoas muito interessantes.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aqui perto de casa tem uma pracinha que é uma graça. Aliás, o meu bairro é uma graça. Tem quitanda, lavanderia, mercadinho, padaria, salão de beleza, papelaria, lojas de pijamas, cartório, mecânica, brechós (vários deles), lanchonetes, assistência técnica da máquina de lavar roupas, e vários outros serviços, todos a menos de um quarteirão. Eu me sinto numa cidade bem pequena. Mas eu ia dizendo que aqui perto de casa tem uma pracinha que é uma graça. Fica ao lado de uma quadra pública. Apesar de eu não praticar esportes, adoro que em Curitiba, são muitos esses espaços com quadras, pistas de skate e banquinhos simpáticos. Pensei em deixar o livro num desses bancos, porque facilmente ninguém veria quando eu o deixasse e facilmente ele seria encontrado, porque a pracinha é um lugar onde pessoas levam seus cachorrinhos sempre muito bonitos e bem tratados para passear. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tem um texto do Freud em que ele fala que um presente só é bom quando a gente não gostaria de livrar-se dele. É por isso que eu escolhi para deixar um livro que gosto muito. Um livro que peguei hoje para ler mais uma vez os meus textos preferidos, dentre os quais esse que eu escolhi para o começo do post, e que eu penso que tem a ver com o que quero dizer. E eu não quero dizer só sobre o desapego com um livro que a gente pode deixar em algum lugar para uma pessoa encontrar. Eu quero dizer do que a gente pode dar sempre. O que de nós que podemos dar sempre. Dar-se enfim, diz a Clarice. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sabe que eu tenho estado bem chateada com algumas coisas específicas...Um coração partido aqui, uma decepçãozinha ali. Tudo coisa que acontece quando a gente deixa o coração livre (livre para os outros entrarem). E quando fazemos isso, nesses momentos em nos damos enfim, verdadeiramente &lt;i&gt;somos&lt;/i&gt;. Isso tem riscos. Mas pensando bem, tem muito mais de onde veio todo esse afeto. De verdade, a fonte parece infindável, porque eu continuo com essa disponibilidade, sem avareza alguma. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sempre fui da opinião que uma das coisas fundamentais para uma amizade dar certo é a possibilidade nossa de abrir mão de quem a gente gosta. Não abrir mão no sentido de desistirmos. Abrir mão da presença constante, da atenção diária. Odeio cobrança de amizade, de amor, de presença. Mas falta de reciprocidade acaba comigo. Falta de disponibilidade e de honestidade também. Tenho amigas, a quem eu posso dizer "&lt;i&gt;Olha, hoje eu não quero conversar"&lt;/i&gt;&lt;i&gt;, &lt;/i&gt;e assunto encerrado. Mas me dói o coração quando as minhas tentativas morrem no vácuo, me sinto desse tamanhinho. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por isso, o livro que vou abandonar hoje, livrar-me sem apego é este: "Crônicas para jovens de amor e amizade". E espero que quem encontrá-lo goste como eu gosto dele, e se precisar dessas palavras como eu precisei, que faça bom proveito, e que se não, passe adiante, porque tem gente que precisa.   &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4670287550632188674-1891206113056492026?l=tem-que-ser.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/feeds/1891206113056492026/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4670287550632188674&amp;postID=1891206113056492026&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/1891206113056492026'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/1891206113056492026'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/2010/11/sobre-coracao-livre.html' title='Sobre coração livre'/><author><name>Ge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17637114339907965462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-8BXlMaTi8hE/TgzLiSDv1bI/AAAAAAAAAFo/lDiLrVZO-0E/s220/foto4.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4670287550632188674.post-2430635728019113523</id><published>2010-11-04T21:41:00.004-02:00</published><updated>2010-11-04T22:16:04.202-02:00</updated><title type='text'>Sobre de onde vem a dor</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_QlHbL5fk02o/TNNL7Ps6idI/AAAAAAAAAEU/IsVusTSnFro/s1600/O+beijo.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 190px; height: 200px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_QlHbL5fk02o/TNNL7Ps6idI/AAAAAAAAAEU/IsVusTSnFro/s200/O+beijo.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5535851848167754194" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Outro dia ouvi por acaso no rádio uma música que eu gostava e que não ouvia há muito tempo. Não dei muita bola, mas uma das frases chamou a minha atenção: &lt;i&gt;"E toda dor vem do desejo de não sentirmos dor"&lt;/i&gt;. Em nem gosto de Renato Russo, nunca gostei de Legião Urbana e se tiver alguém para reclamar, gosto menos ainda de fãs exaltados de qualquer banda, mas simpatizo com algumas músicas isoladas de alguns artistas, e essa é uma dessas exceções.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Minha dissertação do mestrado tem a ver com dor e tem a ver com sofrimento. Mais ainda, tem a ver com as formas que a gente usa para evitar essas duas coisas e que acabam sendo um péssimo negócio. Tem vezes na vida que a forma que a gente encontra para se defender é um tiro no pé. A minha dissertação também tem a ver com diversas formas que prometem "exterminar" um sofrimento ou nos "elevar" a alguma condição "ideal" (mesmo que esse ideal nem seja o nosso). Um pouco mais além eu vou falar sobre a importância de ouvir essas dores que chegam para que não sintamos outras dores. Na verdade, eu quero falar sobre a importância dessas dores primeiras, essas que nos fizeram recorrer às tais defesas. Enfim, falo da possibilidade de a gente assumir algumas coisas, falo de responsabilidade, mas também falo da autonomia que a responsabilização permite: falo aqui de desejo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É tão engraçado estudar, escrever e especialmente falar sobre dores num momento em que sinto uma dor constante. Uma ferida aberta, eu diria. Eu juro que sinto vergonha por algumas coisas que foram ditas. Fico lembrando de conversas que não existiram e tentando encontrar o prumo, e pensar no momento em que se perdeu o que não tinha. Todo mundo tem seu(s) sofrimento(s). Isso não faz da psicanálise apegada a um niilismo, pelo contrário, a psicanálise ajuda a gente a lutar contra esses sofrimentos, a buscar os nossos próprios ideais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Volta e meia acontecem determinadas situações que tiram a gente da rota. Da minha, eu costumo sair sempre que existem silêncios barulhentos. Sempre que as palavras não são feitas para dizer. Isso me aflige de tal maneira que faz dias que normal é aquela sensação de peito apertado, aquela sensação que provoca uma dor de fato, dor física, dor afetiva. Quem já sentiu sabe. Enquanto isso, escrevo sobre dor. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas mais do que isso, escrevo sobre a importância dessas dores, e a condição que a gente tem de chegar ao fundo delas e a partir disso construir alguma coisa boa. Fico pensando que somos como cidades enterradas. Quando as ruínas são encontradas encontram também os cemitérios, os resquícios de belezas que existiram. Quando essas ruínas são descobertas, ficam abertas. Mas elas nunca serão inteiramente decifradas. E outras catacumbas vão aparecer ora ou outra. E tudo bem. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quase toda dor vem daquilo que a gente não sabe. Essa que eu sigo vivendo também vem. E por isso que ela dói tanto. Porque tudo que eu quero agora é uma palavra que diga.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4670287550632188674-2430635728019113523?l=tem-que-ser.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/feeds/2430635728019113523/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4670287550632188674&amp;postID=2430635728019113523&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/2430635728019113523'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/2430635728019113523'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/2010/11/sobre-de-onde-vem-dor.html' title='Sobre de onde vem a dor'/><author><name>Ge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17637114339907965462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-8BXlMaTi8hE/TgzLiSDv1bI/AAAAAAAAAFo/lDiLrVZO-0E/s220/foto4.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_QlHbL5fk02o/TNNL7Ps6idI/AAAAAAAAAEU/IsVusTSnFro/s72-c/O+beijo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4670287550632188674.post-269550669933576807</id><published>2010-10-24T23:42:00.006-02:00</published><updated>2010-10-25T00:22:05.782-02:00</updated><title type='text'>Sobre essa fé infindável</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tenho uma fé infindável nas pessoas, realmente acredito nelas. Acredito nos sorrisos, na palavra carinhosa, no gesto de reconhecimento, na lembrança. Para mim, essas coisas todas são sinais que eu ganhei alguém &lt;u&gt;pra sempre&lt;/u&gt;. Não alguém para ser meu (porque tem um tempo já, aprendi que isso não existe), mas alguém com quem contar, confiar, amar, escutar, abraçar, telefonar, convidar pra um cinema, um café, um almoço ou jantar, não importa se é para beber ou comer, como também não importa que a gente faça nada, desde que seja junto: o que conta nessas horas é o &lt;u&gt;junto&lt;/u&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quanto vale o junto? Canso de dizer (e de me dizer) que vale tanto quanto o sozinho e o investimento é parecido na quantidade e na qualidade. Digo isso porque penso ser preciso investir nas pessoas e por isso confiar nelas. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Digo e repito e tomo no cu, porque em português cuspido e escarrado é isso que acontece...às vezes. Na minha vida, por sorte ou merecimento, não sei, a regra é minha fé ser assegurada. Mas de vez em quando falha e aí fico mal. Além de ingênua, insegura, besta, romântica à enésima potência,  pego a culpa todinha pra mim e penso: &lt;i&gt;errei&lt;/i&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando eu gosto de alguém gosto tanto. Não consigo esconder e acho besteira tentar. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estou triste. Tenho criado compromissos, viajo, saio pra caramba, converso com todo mundo. Mas na hora de dormir eu lembro. Lembro que gostei de alguém e que a despeito das expectativas, gostei como amigo, como boa companhia, conversa certa. Gostei como alguém pra confiar, alguém parecido.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A maior tristeza, aquela da qual não me envergonho nunca, é essa: um dedo em riste me dizendo &lt;i&gt;Não te disse para ter mais cuidado? &lt;/i&gt;É que não dá. Cuidado para não me machucar? Não dá. Cuidado, tenho com quem gosto, porque acredito mesmo que eu tenha essa responsabilidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Me pego desejando ter agido diferente. Me pego querendo não ter me envolvido. Mas o que eu queria mesmo É não ter me enganado. É continuar acreditando que o que nasceu é importante pros dois lados. Se não, a sensação que eu fico é de que minha fé é pueril e que eu deveria crescer e ser mais precavida. E aí, me fecho.&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4670287550632188674-269550669933576807?l=tem-que-ser.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/feeds/269550669933576807/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4670287550632188674&amp;postID=269550669933576807&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/269550669933576807'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/269550669933576807'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/2010/10/sobre-essa-fe-infindavel.html' title='Sobre essa fé infindável'/><author><name>Ge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17637114339907965462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-8BXlMaTi8hE/TgzLiSDv1bI/AAAAAAAAAFo/lDiLrVZO-0E/s220/foto4.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4670287550632188674.post-6928515315336828816</id><published>2010-10-19T18:02:00.009-02:00</published><updated>2010-10-20T01:54:00.082-02:00</updated><title type='text'>Sobre o que fica e não passa</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_QlHbL5fk02o/TL5nztvxzLI/AAAAAAAAAEM/at7aac6iGU8/s1600/500ge2.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 133px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_QlHbL5fk02o/TL5nztvxzLI/AAAAAAAAAEM/at7aac6iGU8/s200/500ge2.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5529971530608528562" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É muito difícil consolar alguém de coração partido. Acho que é impossível. Mais que colo, mais que um olhar de compreensão, ouvido atento, abraço apertado e um agrado de nada (bala, chocolate, flor), amigo não tem o que fazer. E apesar disso, essas coisas todas outras precisam ser feitas, por menos efetivas que sejam na "cura".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ontem eu conversava com uma querida que teve o coração partido. Namoro longo já, alguns anos, muita história, muitas lembranças. Ela me falava sobre a dificuldade em fazer o que sempre fez. Sobre quanto é dolorido olhar para o lado e ver algo que leva os devaneios para quem lhe partiu o coração. Até ficar em casa dói. Porque a casa também fez parte do cenário.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na semana passada eu tentava conversar com ela sobre isso, sabendo que nessas situações, a pessoa escuta, mas não processa o que os outros falam. É que essa capacidade de processar informações fica muito defeituosa em caso de coração partido. Eu tenho a impressão que essa ferramenta tá colada logo atrás do coração, e que claro que se ele foi partido, ela tem uma pane, fica desgastada, meio esquisita. Então, para quem continua a ser o ouvido para o amigo que sofre, paciência é o requisito primeiro. Provavelmente você vai ter que repetir vezes sem fim histórias de corações que se recuperaram (é que pessoas de coração partido não conseguem acreditar que isso é possível e se você já teve o seu, sabe que a dor não é metafórica, ela é física e se chama angústia), você vai ter que dizer para ela as coisas que ela pode fazer pra se divertir, e ela vai rebater dizendo que isso vai fazer ela sofrer mais, porque vai lembrá-la do fulano. E ainda assim, você vai ter que ter paciência (não para sempre, porque também chega a hora do chacoalhão, mas é bom esperar para fazer isso, no começo, não dá). &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ela me perguntou o que eu faço pra ficar feliz. E eu disse que eu compro flores, faço uma comida gostosa, vou caminhar no parque num dia bonito sem intenção alguma (muito menos de exercício), vou ao cinema, compro frutas e verduras gostosas, ligo para quem eu gosto e de quem sinto saudades, coloco uma roupa bem linda e se for possível, tomo sorvete. Essas coisas costumam ter graça fazendo junto. Mas elas &lt;i&gt;precisam&lt;/i&gt; ter graça quando a gente faz sozinho também. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ela também disse que ficava muito triste porque acredita que o fulano não está sofrendo como ela. É que ninguém sofre como a gente e a gente não sofre como ninguém. E por mais insignificante que ela se sinta hoje em relação ao tamanho da significância dele na vida dela, ela tá errada. Marcas, todos deixamos. Ela deixou as dela.  &lt;i&gt;Lacuna Inc, &lt;/i&gt;(in) felizmente só existe na ficção, gente. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E aí pensando nessa conversa, lembrei de uma cena de &lt;i&gt;500 days off Summer&lt;/i&gt; em que os dois se encontram no parque que ele gostava de ir. Tom vê a Summer sentada naquele banco em que sentaram juntos. E por maior que tenha sido a dor dele, e por menos que ele tenha sentido ter representado para ela, ela levou um pouco dele na vida que seguiu. Porque a vida segue, a minha, a sua, da minha amiga que hoje está triste, de todo mundo que se permite seguir em frente. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tem uma música de She&amp;amp;Him que eu gosto muito. O nome dela é Black Hole. Acho que o buraco negro é o lugar em que a gente se sente quando passa por situações como a da minha amiga. Acho que tudo fica confuso nesses momentos, é por isso que a gente acha que a dor não vai terminar. E quando ela termina, e depois a gente sente a dor de novo (em outra situação de coração partido), a gente esquece, pensa de novo que não vai sobreviver. E vai. Eu não acredito que as coisas &lt;i&gt;passem&lt;/i&gt; como falam por aí. Que a gente se recupera, zero bala, pronto pra outra. Não, não. Acredito que a dor passa sim, que essa sensação de buraco negro vai embora. Mas a &lt;i&gt;marca&lt;/i&gt; fica. Fica pra sempre e vai estar presente na próxima vez: próxima vez em que a gente se apaixona, em que a gente briga, em que a gente se sente culpado por não ter sido perfeito. Repete-se,  e se elabora já dizia Freud.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No final, acho que, de vez em quando, todos nos sentimos sozinhos numa bicicleta para dois (outro pedaço da música que eu gosto). Mas acho também que bom mesmo é encontrar alguém que esteja disposto não a pedalar a mesma bicicleta, mas acompanhar nosso ritmo, cada um com a sua bicicleta.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4670287550632188674-6928515315336828816?l=tem-que-ser.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/feeds/6928515315336828816/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4670287550632188674&amp;postID=6928515315336828816&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/6928515315336828816'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/6928515315336828816'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/2010/10/sobre-o-que-fica-e-nao-passa.html' title='Sobre o que fica e não passa'/><author><name>Ge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17637114339907965462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-8BXlMaTi8hE/TgzLiSDv1bI/AAAAAAAAAFo/lDiLrVZO-0E/s220/foto4.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_QlHbL5fk02o/TL5nztvxzLI/AAAAAAAAAEM/at7aac6iGU8/s72-c/500ge2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4670287550632188674.post-2355959990941392166</id><published>2010-10-14T15:32:00.004-03:00</published><updated>2010-10-14T16:14:38.934-03:00</updated><title type='text'>Sobre tristeza</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;O desejo se alimenta de devaneios, mas desejar é também correr o risco de não seguir o roteiro de nosso devaneios (Contardo Calligaris)&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fiquei triste e nunca me envergonhei da tristeza. Há alguns dias não durmo bem, perseguida por um inconsciente que sempre é duro comigo. Outra noite sonhei com a única pessoa que eu gostaria de ver atropelada por um ônibus sentido Barreirinha. Na mesma noite, com medo de ser baleada, saí da cama de joelhos e acordei já na porta, fugindo. Perseguida.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não lembro o que sonhei noite passada (talvez por sorte). Mas sei que custei a dormir. Um pouco teve a ver com a quantidade de café ingerida, mas outro tanto com pensar demais. Com tentar entender e não conseguir e me ver perdida no que não foi dito. E como os &lt;i&gt;não ditos&lt;/i&gt; fazem buraco, é duro lidar com eles.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É exagero. Claro que é. A história é tão recente e eu fui alertada de saída. Mas vivo de expectativas, já disse, sou só uma menina boba. Boba e louca para ter alguém mais perto, alguém pra ficar &lt;i&gt;bem&lt;/i&gt; perto. Porque eu aprendi que carinho é bom. Que abraço deixa a gente mais feliz e que beijo assopra as dores.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É que eu nunca tinha conhecido alguém que também achava &lt;i&gt;Olhai os lírios do campo&lt;/i&gt; um dos melhores da literatura brasileira. Nem que tivesse lido &lt;i&gt;O tempo e o vento&lt;/i&gt; porque quis e que achasse o Érico Veríssimo melhor que o Luiz Fernando.  É que eu nunca tinha encontrado alguém que batesse o olho na minha casa preferida e falasse o quanto ela é linda.  E nem nunca tinha encontrado um cara que me fizesse ficar sem ter o que dizer ao mesmo tempo em que fosse capaz de passar muitas horas conversando, gostando da minha companhia e tivesse percebido o quanto eu gosto de galinhas da angola, de sorvete e de ouvir &lt;i&gt;Burning Love&lt;/i&gt; como se não houvesse amanhã. É que eu nunca tinha conhecido um homem que afirmasse ter chorado quando viu &lt;i&gt;Peixe Grande &lt;/i&gt;e &lt;i&gt;I am Sam&lt;/i&gt;, e que ficasse tocado com a trilha sonora deste último. É que eu nunca tinha encontrado alguém que não fizesse exatamente aquilo que eu queria e ainda assim mexesse tanto comigo, a ponto de eu aceitar essa "desobediência". &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu poderia falar sobre um monte de defeitos, mas pra quê? Falar a respeito vai me ajudar a dormir melhor à noite? A pegar rapidamente no sono sem pensar no que será que aconteceu? O que é isso que ficou para mim como um hiato? Justo eu que prefiro sempre a dureza, a aspereza da verdade e das palavras mais duras do que o vácuo que um silêncio provoca, tô aqui, sem saber.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sou só uma menina boba. Uma menina boba que fez do pouco tempo e dos pequenos gestos grandes expectativas e que acreditou de tal forma nelas que quando elas caíram, foi junto. E sentiu-se mal como se tivesse perdido alguém muito caro, alguém que estava ali há muito tempo, alguém de quem vai sentir falta. É que vai mesmo sentir falta. É que faz sentido. É que acontecem coisas no dia que ela queria ligar pra contar. Mas ele não atende mais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Vida que segue", eu digo. Digo para mim como uma mãe diz pra uma filha cujo coração foi partido pela primeira vez. "Vai passar", eu repito (mesmo secretamente sabendo que não passa nunca, que essas histórias são marcas que retornam e retornam e retornam), "dê tempo ao tempo, saia com tuas amigas, deixa eu fazer um chá para você". E me repito tudo isso tentando cuidar de mim, pegando aquilo que eu consegui, pegando aquele meu troco de volta, o troco da diferença entre o que eu queria e o que ele podia e queria me dar. Enfio o troco em algum lugar e volta e meia sinto o peso dele no meu bolso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas eu tenho um projeto de mestrado pra terminar. Tenho 40549 textos do Freud pra ler e explicar no meu trabalho o que é sofrimento. E depois de ler o que eu escrevi e entreguei pro meu orientador, pensei que não deve ter sido à toa que a palavra sofrimento aparecia tantas vezes no meu texto. E sofrimento pra psicanálise é o quê senão falta? E tem a ver com falta meu ato falho de escrever morrendo em vez de morando. Sei que é exagero. Sei que não é pra tanto. E sei que não estou morrendo, mas algo morreu. Morreu uma idéia bonita e a morte de uma idéia bonita é o que eu posso chamar de tristeza.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E quem quiser me chamar de exagerada, à vontade. Nunca tentei convencer ninguém do contrário. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4670287550632188674-2355959990941392166?l=tem-que-ser.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/feeds/2355959990941392166/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4670287550632188674&amp;postID=2355959990941392166&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/2355959990941392166'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/2355959990941392166'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/2010/10/sobre-tristeza.html' title='Sobre tristeza'/><author><name>Ge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17637114339907965462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-8BXlMaTi8hE/TgzLiSDv1bI/AAAAAAAAAFo/lDiLrVZO-0E/s220/foto4.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4670287550632188674.post-1047135881721501707</id><published>2010-10-07T18:28:00.003-03:00</published><updated>2010-10-07T18:57:25.660-03:00</updated><title type='text'>Sobre apesar de</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Nesse meu blog falo sobre mim. E acho que faço isso tão direito que mesmo as pessoas que mais participam da minha vida (essas que sabem até dos detalhes sórdidos), vêm me perguntar a que eu me referia em grande parte dos meus posts. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Coloco aqui os meus pensamentos, sentimentos, sensações e minhas loucuras cerejas de bolo. Elas são muitas e imediatas. Do mesmo jeito que chegam, vão embora e deixam vestígios absurdos com os quais sou eu mesma quem tem que dar conta.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Não sei quantos leitores eu tenho, mas sei que a maioria me conhece e sabe tanto da minha vida que mesmo que eu nada escrevesse sobre meus problemas, eles eventualmente seriam discutidos em uma mesa de bar ou de jantar ou numa longa conversa pelo msn. É que eu tenho amigos com quem eu falo sobre meus problemas. E eles vivem me falando que eu sou louca, impaciente e meio demente. Venho ouvindo isso há muito tempo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Outro dia, uma das minhas queridas compartilhou um texto de um &lt;/span&gt;&lt;a href="http://terradagarota.blogspot.com/"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;blog&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt; que eu adorei. Para vocês terem uma idéia do quanto eu achei a coisa muito boa, li quase todo numa noite. Tava aqui sentada no meu sofá durante horas seguidas, sem tomar banho, sem comer, sem escovar os dentes, como se eu tivesse terminado um namoro de 15 anos, o que não é o caso, né? Mas daí num dos posts a querida Madame Cedilha escreve o seguinte:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'lucida grande', tahoma, verdana, arial, sans-serif; font-size: 11px; color: rgb(51, 51, 51); "&gt;&lt;h3 class="UIIntentionalStory_Message" ft="{&amp;quot;type&amp;quot;:&amp;quot;msg&amp;quot;}" style="text-align: center; color: rgb(51, 51, 51); margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; font-weight: normal; "&gt;&lt;span class="UIStory_Message"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;i&gt;"eu tenho mania de achar que qualquer coisa é o fim do mundo. que não tem mais jeito, não tem conserto. eu venho de histórias consertadas, histórias que provam que todo o meu sofrimento, algumas das vezes, não tem motivo. isso não invalida a sensação de fim de mundo. eu quebro, me parto em caquinhos, fico espalhada pel&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="text_exposed_show" style="display: inline; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;i&gt;o chão." &lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="UIStory_Message"&gt;&lt;span class="text_exposed_show" style="display: inline; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(0, 0, 0); font-family: Georgia, serif; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Queridos meus, por favor, quando eu morrer, escrevam isso (no pretérito) na minha lápide. Então tá, sou exagerada, vivo metendo os pés pelas mãos e vivo falando sobre como meto os pés pelas mãos. Mas né que eu tenho todo direito de escrever sobre o que eu bem entender? Inclusive sobre assuntos repetidos? Também sempre falo de expectativas, não falo? E sobre o quanto as minhas são tão abusivas que vivem fodendo a minha vida. Falo das minhas urgências com tanta repetição que, né? Falo muito sobre as minhas queridas e sobre o quanto a vida não teria a menor graça se eu não as tivesse encontrado nessa vida, se eu não tivesse nascido irmã das minhas irmãs, filha dos meus pais e neta da minha avó.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(0, 0, 0); font-family: Georgia, serif; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(0, 0, 0); font-family: Georgia, serif; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;E todas essas pessoas  (e eu não preciso sair por aí dizendo nomes), cada uma delas é alguém na noite pra mim. Esse baile todo se diverte e se compadece das minhas lágrimas exasperadas de gente exagerada. Me ligam e escrevem e-mails fofos sobre a minha impulsividade. Me dão colo sempre que eu preciso. Gostam de mim por minha causa e apesar de mim. E desde que aprendi a cultivar os bons, não me decepcionei nunca mais.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(0, 0, 0); font-family: Georgia, serif; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(0, 0, 0); font-family: Georgia, serif; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;E aí a mesma querida que compartilhou o &lt;/span&gt;&lt;a href="http://terradagarota.blogspot.com/2010/10/pequeno-manual-de-distanciamento.html"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;post mais sincero do mundo&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt; sobre distanciamento, há alguns meses compartilhou um que a querida da dona blog já tinha tomado emprestado de outra dessas pessoas que acha bonito &lt;/span&gt;&lt;a href="http://bjomeliga.wordpress.com/2010/09/12/sunday-secrets-13/"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;isso de ser gostado apesar de.&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(0, 0, 0); font-family: Georgia, serif; font-size: 16px; "&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4670287550632188674-1047135881721501707?l=tem-que-ser.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/feeds/1047135881721501707/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4670287550632188674&amp;postID=1047135881721501707&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/1047135881721501707'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/1047135881721501707'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/2010/10/sobre-apesar-de.html' title='Sobre apesar de'/><author><name>Ge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17637114339907965462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-8BXlMaTi8hE/TgzLiSDv1bI/AAAAAAAAAFo/lDiLrVZO-0E/s220/foto4.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4670287550632188674.post-102589279109417166</id><published>2010-09-30T20:43:00.008-03:00</published><updated>2010-09-30T21:26:13.230-03:00</updated><title type='text'>Sobre balanço</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É por causa do meu aniversário que tá chegando. É por isso que eu comecei a achar que o ano já está no fim. É que o meu está acabando e meu ano vinte e seis começa nesse domingo. Eu vou ficar com saudades desse ano vinte e cinco. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Me disseram que a partir dos vinte e seis não dá mais para dizer que se tem "vinte e poucos anos", porque agora a proximidade etária é a dos trinta anos, certo? Eu não tô onde achei que estaria com essa idade. Achava que seria independente, estaria casada, teria filhos. Isso ainda não aconteceu, mas mesmo não sendo mais novinha, não vejo muitos problemas nisso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas é claro que quero mais, que às vezes eu fico pensando que fiz pouco, que poderia ser e ter mais. Mas é verdade também é que foram tantos os vieses e agora eu preciso arrematá-los. Três anos depois, a pós de São Paulo está quase terminando. Ano passado, por essa mesma época, eu terminava a da PUC e fazia minha inscrição no mestrado, tendo a certeza que não passaria. E passei e terminei um namoro e mudei de cidade e fiz novos amigos e fiquei mais feliz com tudo isso, mais feliz comigo. Quanta diferença isso fez.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nunca tive muita paciência, nunca soube esperar e todo mundo sabe disso. Mas exercícios diários eu tenho feito nesse sentido. Acho que já é muita coisa saber o que eu quero. E depois que terminar o mestrado, quem sabe até antes (nunca se sabe), eu volte a dar aulas. Quem sabe eu comece a atender aqui em Curitiba se tudo der certo...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quem sabe tantas outras coisas que estão marcando o fim do meu ano vinte e cinco e prometem serem temas do vinte e seis, assim como sair da faculdade, deixar o hospital, tentar o mestrado e vontade de crescer profissionalmente eram questões minhas há um ano. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Enfim, eu continuo seguindo sozinha e feliz, cada dia mais com isso tudo que aconteceu. Pode ser sorte, mas também pode ter a ver com aquela sensação indescritível de quando o que a gente faz e quer tem conformidade com o que a gente deseja.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 13px; color: rgb(163, 163, 163); line-height: 16px; "&gt;&lt;div style="text-align: center;margin-bottom: 3px; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;I noticed tonight that the world has been turning&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;margin-bottom: 3px; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;While I've been stood here, dithering around&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;margin-bottom: 3px; height: 32px; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Though I know I said I'd wait around 'til you need me&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;margin-bottom: 3px; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;I have to go, I hate to let you down&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;margin-bottom: 3px; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;But I can't stop now&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;margin-bottom: 3px; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;I've got troubles of my own&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;margin-bottom: 3px; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;'cause I'm short on time&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;margin-bottom: 3px; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;I'm lonely and I'm&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;margin-bottom: 3px; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Too tired to talk&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4670287550632188674-102589279109417166?l=tem-que-ser.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/feeds/102589279109417166/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4670287550632188674&amp;postID=102589279109417166&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/102589279109417166'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/102589279109417166'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/2010/09/e-por-causa-do-meu-aniversario-que-ta.html' title='Sobre balanço'/><author><name>Ge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17637114339907965462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-8BXlMaTi8hE/TgzLiSDv1bI/AAAAAAAAAFo/lDiLrVZO-0E/s220/foto4.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4670287550632188674.post-740537616357973053</id><published>2010-09-28T00:32:00.005-03:00</published><updated>2010-09-28T01:21:45.163-03:00</updated><title type='text'>Sobre amor</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sabe que ontem, depois que minhas amigas foram embora, lavei a louça, arrumei tudo e fui deitar no sofá. Meu pai assistia ao Fantástico e eu fiquei rindo com ele dos pernas de pau que mandam vídeos de suas peladas de fim de semana para serem tristemente comentadas. Quando ele foi dormir, mudei de canal e tive uma dessas surpresas que só sente quem tem filme preferido.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como tenho alguns, e como é muito minha essa coisa de assistir filmes vezes sem conta (e que o diga "Dez coisas que eu odeio em você"), não são raras as vezes em que paro o que estou fazendo para uma história que não sem razão foi importante. Esse filme que me fez parar domingo à noite, não entrar na internet, não ir dormir, não ir ler um livro, enfim, não procurar coisa melhor, foi "Peixe Grande". &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Já falei sobre como me comove o gesto de roubar os sapatos de quem chega, como se assim fosse possível segurar por perto quem a gente gosta (como se não desse para ir embora descalço, sem roupa, sem nada, quando existe desejo). Já falei sobre a condição de olhar para vida a partir de toda a grandiosidade que ela &lt;i&gt;pode&lt;/i&gt; alcançar e não da dificuldade em sonhar mais. Já falei do quanto, desde criança, sou fascinada por tudo o que é inventivo e mágico. E tem tanta magia em tirar grandes histórias das mesmices de sempre.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Bom, pensei nisso tudo mais uma vez, mas também em outras coisas. Como sempre, chorei no fim, e especialmente dessa vez, olhei pra esse fim mais de perto. E olhei porque tinham acabado de deixar a minha casa pessoas que realmente importam muito. E chorei porque eu estava em casa num dia em que realmente precisei estar lá, mesmo estando com preguiça da viagem, mesmo achando mais cômodo passar o fim de semana aqui em Curitiba. Eu havia decidido não ir, e muito de repente, mudei de idéia, fiz uma mala em dois minutos e fui. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E que fim de semana bom. Bom para dormir, bom para sair, conversar, olhar fotografias, contar histórias, ouvi-las. Sentar com o pai e a mãe e tomar chimarrão no fim de tarde, tomar de novo pela manhã. Deitar no sofá com a Lola no colo, dengosa, fofa, querida, com todo aquele carinho gratuito. Dormir na cama da minha infância, com edredon de bailarina e cortina de babado. Poder saber que as minhas histórias têm a graça que têm por causa disso tudo, por causa deles todos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje eu tive uma notícia atordoante e maravilhosa que me deixou literalmente tonta. E me deixou tonta porque o filme de uma vida toda veio à cabeça em turbilhão. E como são muitas histórias, como é muita coisa compartilhada, é louco, mas também é lindo. As histórias continuam andando e que bom que é saber quem a gente tem: as nossas pessoas. Todas muito importantes e que me ajudam a  continuar a história sempre, praticamente adivinhando, prevendo e acolhendo o que acontece depois. Ainda bem que eles existem. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4670287550632188674-740537616357973053?l=tem-que-ser.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/feeds/740537616357973053/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4670287550632188674&amp;postID=740537616357973053&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/740537616357973053'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/740537616357973053'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/2010/09/sobre-amor.html' title='Sobre amor'/><author><name>Ge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17637114339907965462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-8BXlMaTi8hE/TgzLiSDv1bI/AAAAAAAAAFo/lDiLrVZO-0E/s220/foto4.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4670287550632188674.post-9024626838412091185</id><published>2010-09-21T11:34:00.008-03:00</published><updated>2010-09-21T12:15:21.911-03:00</updated><title type='text'>Sobre medo</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://brogdopreto.files.wordpress.com/2010/04/up-altas-aventuras-004.jpg?w=150&amp;amp;h=119"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 150px; height: 119px;" src="http://brogdopreto.files.wordpress.com/2010/04/up-altas-aventuras-004.jpg?w=150&amp;amp;h=119" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;&lt;u&gt;&lt;br /&gt;&lt;/u&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sei que o fim do ano não está tão perto, mas já começo a pensar e fazer balanços desses meses que passaram. Sem querer agourar (ando ouvindo muito falar em agouro nos últimos dias), mas tem sido um bom ano. Tem sido um ano particularmente surpreendente por vários aspectos e, definitivamente, nada tenho a reclamar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Depois que meu namoro terminou, fiquei sozinha durante muito tempo. E mais importante do que isso: eu &lt;i&gt;quis&lt;/i&gt; ficar sozinha durante muito tempo. Isso quer dizer que nestes meses fiquei tão voltada para o que acontecia comigo, com a minha vida, com as escolhas que só dependiam de mim, com a realização de meus gostos e meus desejos que pude me reencontrar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com isso não quero dizer que durante meu namoro eu me perdi de mim, ao menos não completamente. Uma das coisas que eu mais gostava no meu namoro era a possibilidade de ser, e esse é realmente um saldo positivo que vou continuar buscando quando eu for me envolver de forma séria com alguém.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando falo em possibilidade de ser, falo da condição que você tem ou não de se assumir apesar de. Apesar da distância, das diferenças, das opiniões, dos manejos que a gente acaba fazendo com o outro, enfim, do curso natural de relacionamentos que, inevitavelmente, nos tiram coisas à medida em que nos dão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esses meses foram tão necessários que, pra mim, sempre é difícil entender como uma relação pode emendar na outra. Não é um julgamento, só uma dificuldade de compreensão. Mesmo. Porque eu me perco um tanto nos relacionamentos e para poder começar outro, preciso reencontrar onde ficou &lt;i&gt;esse tanto&lt;/i&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O último mês tem sido bem surpreendente em vários sentidos. O principal deles é que me levou para uma direção para qual eu realmente me sentia incapaz. É que eu achava que a gente se apaixonava de verdade só uma vez na vida. Eu achava que o peito só apertava daquele jeito com uma única pessoa, que a fome ia embora e que o frio na barriga só eram permitidos uma vezinha de nada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por causa disso, e pela felicidade em descobrir que eu estive redondamente enganada, eu tenho medo. Mas mesmo assim, repito o que disse na primeira vez que isso aconteceu, há alguns anos: pode ser que o tombo seja grande, mas enquanto me for permitido, eu vou subir mais um pouco. E quando escrevi isso, pensei em &lt;i&gt;Up&lt;/i&gt;, e no quanto perceber a importância da causalidade dos encontros podem nos fazer subir alto. Tenho medo porque sei que da delicadeza da situação. Mas a angústia já passou. Agora dá pra respirar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4670287550632188674-9024626838412091185?l=tem-que-ser.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/feeds/9024626838412091185/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4670287550632188674&amp;postID=9024626838412091185&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/9024626838412091185'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/9024626838412091185'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/2010/09/sobre-medo.html' title='Sobre medo'/><author><name>Ge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17637114339907965462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-8BXlMaTi8hE/TgzLiSDv1bI/AAAAAAAAAFo/lDiLrVZO-0E/s220/foto4.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4670287550632188674.post-2978216232332700402</id><published>2010-09-14T09:48:00.002-03:00</published><updated>2010-09-14T10:18:11.504-03:00</updated><title type='text'>Sobre angústia</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não acho nada bonito quando a angústia chega. Parece aquela pessoa que vai te visitar e em cada cômodo da sua casa deixa uma mala, uma roupa, uma forma de te lembrar que está ali e que, por isso, quando vai embora, deixa vestígios e nunca lembra de voltar buscar. É porque ela não trouxe tantas coisas porque precisava delas, ou porque ficaria muito tempo, mas porque não quer ser esquecida.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Angústia é assim, dorme e acorda junto, enche os sonhos, vai deixando pistas, resquícios. Como incomoda. Angústia tem muito a ver com o não saber, e esse não saber vai bem além daquilo que a gente pode obter com a resposta a uma pergunta. Mas não se trata disso, porque, se fosse, seria simples, eu perguntaria na lata: &lt;i&gt;"Vem cá, me diz uma coisa, o que você quer? O que você não quer? É porque eu quero ter a opção de saltar desse barco antes que encha demais de água, tem jeito?".&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Então, não sei se tem jeito, mas acho que não. Aí fico lembrando sobre paciência, sobre esperar o açúcar derreter, sobre como não resolve a situação quando me coloco no lugar de quem espera. Que falácia! Como se fosse possível não esperar algo das pessoas, das situações. Espero, claro que espero, só não sei por quanto tempo, só não sei a que custo.  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4670287550632188674-2978216232332700402?l=tem-que-ser.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/feeds/2978216232332700402/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4670287550632188674&amp;postID=2978216232332700402&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/2978216232332700402'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/2978216232332700402'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/2010/09/sobre-angustia.html' title='Sobre angústia'/><author><name>Ge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17637114339907965462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-8BXlMaTi8hE/TgzLiSDv1bI/AAAAAAAAAFo/lDiLrVZO-0E/s220/foto4.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4670287550632188674.post-7445496118291985047</id><published>2010-09-02T19:37:00.003-03:00</published><updated>2010-09-02T19:56:54.456-03:00</updated><title type='text'>Sobre um outro tipo de urgência</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje eu tô precisando de mim. Preciso ficar comigo e só comigo, sem compartilhar meus pensamentos, sentimentos, angústias, urgências. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E hoje tenho tantas urgências... &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que eu devo fazer com elas? Colocar dentro de um buraco escuro e empurrar uma cômoda bem pesada? Não tem mais como.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por isso preciso ficar sozinha. Preciso colocar uma roupa que eu gosto e que me faça sentir bonita, passar um corretivo nas olheiras e ir ao cinema assistir a um filme qualquer. Não é pra esquecer dos meus colapsos que faço isso, mas porque não quero esquecer que sou boa companhia. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Comecei a perceber que sempre que chego no meu apartamento eu me sinto em casa. Ando descalça e troco as flores porque eu gosto das flores bonitas, mesmo que ninguém venha me visitar. São flores minhas, que eu compro pra mim, porque eu sou o tipo que gosta de ganhar flores, esse um hábito tão esquecido.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aliás, uma das coisas que eu mais gosto da minha outra casa, aquela que está onde estão aqueles que eu mais amo, é o cheiro das flores que a minha mãe sempre planta. Lá tem flores no inverno e tem flores no verão e a minha casa cheira bem. Da última vez cheguei antes das 6 horas da manhã, quando saí do carro senti o cheiro de casa, cheiro de flores molhadas pelo orvalho, o cheiro de um lugar que está sempre lá.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando eu era criança, a minha própria companhia já era uma das minhas preferidas, e eu podia passar horas sozinha, perdida em fantasias. Isso tem tanto a ver com o que eu sou hoje que acho bonito o quanto eu fui uma criança que ficava feliz em poder ficar só imaginando as coisas mais bonitas. Lembro que meus sonhos eram lindos, jardins maravilhosos, com fontes de água clara e não dava nunca vontade de sair lá de dentro. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É mais ou menos o que eu sinto quando eu tô na minha casa, com a televisão desligada, sem ouvir música. É aquela sensação de paz, que eu vinha buscando desde sempre. Desejo dos bem antigos esse. É pra que eu não esqueça de nada disso que eu vou ao cinema agora. Só eu. Hoje eu tenho urgência em ficar comigo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4670287550632188674-7445496118291985047?l=tem-que-ser.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/feeds/7445496118291985047/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4670287550632188674&amp;postID=7445496118291985047&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/7445496118291985047'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/7445496118291985047'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/2010/09/sobre-um-outro-tipo-de-urgencia.html' title='Sobre um outro tipo de urgência'/><author><name>Ge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17637114339907965462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-8BXlMaTi8hE/TgzLiSDv1bI/AAAAAAAAAFo/lDiLrVZO-0E/s220/foto4.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4670287550632188674.post-5419350124416527593</id><published>2010-08-25T22:59:00.002-03:00</published><updated>2010-08-25T23:29:14.837-03:00</updated><title type='text'>Sobre o limbo da amizade</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;Mi-nha mãe man-dou eu es-co-lher es-te da-qui. &lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;Mas co-mo eu sou tei-mo-sa, eu vou es-co-lher es-te da-qui.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Toda menina que se preze cantou essa música um dia. E quando crescemos, nós menininhas continuamos cantando, de outro jeito, é verdade, para outras coisas, isso é certo. Mas continuamos escolhendo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não lembro quando foi a última vez que me senti como me sinto hoje. Angustiada define. Eu que aprendi a ser durona, a ter resposta pra tudo, a saber pra onde ir. De repente, não sei mais, e não é geograficamente que falo. Tô dizendo de não saber pra onde ir com meus sentimentos, com esse peito apertado, com essa vontade de saber e ao mesmo tempo com a sensação de  que, nessas horas, paciência é uma grande amiga e conselheira. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Saber se esse sentimento é recíproco, se tem chances de ser mais do que meu,  se posso dividir e se posso esgotá-lo é o que queria hoje. Eu achava &lt;u&gt;mesmo&lt;/u&gt; que não ia me apaixonar de novo. Eu, tão exigente com tudo e com todos, de repente encontro uma pessoa que parece que apreende uma dimensão de mim que eu não sabia que ainda existia. Ou até sabia, mas que não queria, que não aceitava mais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Falo dessa dimensão absurda de querer &lt;u&gt;dividir&lt;/u&gt;, mesmo quando as "contingências" não permitem. E são justamente elas que me fazem dormir pensando que murro em ponta de faca é coisa de meninas bobas. E sou uma menina boba que gosta da atenção que recebe, que gosta das conversas, que gosta dessa companhia da qual não deveria, não poderia, não queria. Gosta. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tô com muito medo de cair no limbo da amizade. Esse lugar, eu dispenso. Amigos tenho e eles têm me amparado nesse absurdo. O que eu quero agora é alguém que goste de mim. Porque eu também sou do tipo que gosta de quem gosta de mim.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4670287550632188674-5419350124416527593?l=tem-que-ser.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/feeds/5419350124416527593/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4670287550632188674&amp;postID=5419350124416527593&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/5419350124416527593'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/5419350124416527593'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/2010/08/sobre-o-limbo-da-amizade.html' title='Sobre o limbo da amizade'/><author><name>Ge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17637114339907965462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-8BXlMaTi8hE/TgzLiSDv1bI/AAAAAAAAAFo/lDiLrVZO-0E/s220/foto4.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4670287550632188674.post-6604425403873247421</id><published>2010-08-23T13:42:00.004-03:00</published><updated>2010-08-31T22:25:59.772-03:00</updated><title type='text'>Sobre a origem do meu feminismo.</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_kOZRRoygF7w/TH2PeBF2IYI/AAAAAAAACKA/6Iv1HMtLswo/s320/selo+concurso.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 261px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_kOZRRoygF7w/TH2PeBF2IYI/AAAAAAAACKA/6Iv1HMtLswo/s320/selo+concurso.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando eu era criança conheci uma menininha. Nós estávamos com uns cinco anos e era o primeiro dia da pré-escola. Para que nossa amizade começasse bastou que ela apontasse para a cadeira ao lado pedindo que eu me sentasse. Até hoje apontamos para cadeira ao lado, como quem diz uma à outra &lt;i&gt;"senta aqui, me fala sobre você"&lt;/i&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ela fazia ballet. E nas nossas brincadeiras em que Ken e Barbie tinham muitos filhos, um dia perguntei quantos ela queria ter. Que menininha de cinco anos não pensa nos filhos que terá? Ela não. Respondeu que não teria nenhum, porque bailarinas não podiam ser mães. Inclusive, bailarinas não podiam fazer nada que estragasse o corpo, porque precisavam ser magras. Bailarinas, inclusive, nem poderiam casar, porque o marido poderia atrapalhar a carreira. Só a bailarina que não pode.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fiquei chocada. Eu que tinha sete bonecas, cada qual com seu nome, seu berço, sua roupa de dormir. Eu que tinha devaneios com o dia em que aquelas bonecas seriam substituídas por bebês de verdade, que pensava quem seria o moço que cuidaria destes pretensos bebês junto de mim. Eu e minha amiga éramos e somos bem diferentes, e continuamos durante algum tempo brincando com barbies, bonecas, amarelinhas e tudo aquilo que existia para se fazer de conta alguma coisa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Crescemos amigas, mas ela cresceu mais rápido. Eu queria ficar criança por mais tempo, ela começou a namorar e não continuou bailarina. E durante muito tempo, eu continuei querendo muitos filhos, casar aos 24 anos e ser veterinária.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje eu tenho vinte e cinco e daqui a dois meses, faço vinte e seis e a origem do meu feminismo começou há tão pouco tempo que tenho vergonha de contar. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há dois anos e meio eu saí da faculdade de psicologia pronta para ir morar em Buenos Aires, onde eu faria um mestrado. Meu então namorado foi comigo. Lá havia alguma coisa muito errada, que me causava tal desconforto que não parecia certo eu permanecer por lá. Estava triste e com a sensação de que ali eu não cresceria, continuaria uma criança e brincaria de casinha com ele. Comecei a não botar mais fé no namoro e comecei a pensar no que eu poderia fazer para que a minha vida tomasse um rumo diferente daquele. Eu queria trabalhar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Voltei pro Brasil chateada. Não queria tê-lo deixado para trás, mas o que aconteceu no decorrer do tempo é hoje mais que suficiente para mostrar que foi uma escolha acertada. Continuei gostando muito dele e namoramos durante um bom período, todo o que ele ficou lá, já que resolveu ficar. E nesse tempo eu cresci. A despeito do que eu tinha pensado que seria a minha vida, comecei a me notar mais companheira de mim mesma. E mais fazendo o possível para não ir contra o que eu queria, o que acreditava. E por isso consegui pelo menos uma parte do que busquei quando decidi deixar aquele que tinha sido o amor da minha vida pra trás. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Durante muito tempo, comer sozinha era penoso. Hoje eu faço uma refeição para mim mesma e como com o mesmo prazer que comeria se estivesse com outras pessoas. Notar que estar com uma pessoa em quem você não pode apostar a sua coleção de papéis de carta, fez a diferença nesse sentido. Notar que posso sim esperar e esperar enquanto seja necessário por aquele que nunca tentaria que eu fosse outra coisa que não eu, também fez a diferença. Não sentir medo durante esse tempo, tem a ver com a origem do meu feminismo: essa vontade de ser mulher a despeito de ter ao meu lado quem me afirme isso. Aliás, hoje tenho pra mim, que prefiro mesmo um homem que se sinta atraído por uma dessas que já são mulheres antes que eles lhes contem esse grande segredo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4670287550632188674-6604425403873247421?l=tem-que-ser.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/feeds/6604425403873247421/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4670287550632188674&amp;postID=6604425403873247421&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/6604425403873247421'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/6604425403873247421'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/2010/08/sobre-origem-do-meu-feminismo.html' title='Sobre a origem do meu feminismo.'/><author><name>Ge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17637114339907965462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-8BXlMaTi8hE/TgzLiSDv1bI/AAAAAAAAAFo/lDiLrVZO-0E/s220/foto4.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_kOZRRoygF7w/TH2PeBF2IYI/AAAAAAAACKA/6Iv1HMtLswo/s72-c/selo+concurso.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4670287550632188674.post-5643572028095035133</id><published>2010-08-16T18:29:00.005-03:00</published><updated>2010-08-16T19:12:49.781-03:00</updated><title type='text'>Sobre leveza</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Até hoje, o momento mais difícil da minha vida foi me despedir da minha avó. Chorei muito ao vê-la na cama, esquecida pela vida, esquecida de quem foi. Ela não lembrava mais muitas coisas, incluindo como falar português. Fiquei pensando que nessas horas o que sobra é o que há de mais arcaico, e as primeiras palavras ensinadas talvez façam mais sentido, sejam o que fica.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foi um dia estranho esse de me despedir de alguém que não parecia estar mais lá. Mas eu consegui, eu penso ter conseguido em algum momento fazer ela saber que era eu dizendo pra ela ir embora, pra ela ficar tranquila e que ela tinha sido minha pessoa preferida.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando falo isso, é sem exagero. Ela foi a pessoa com quem eu aprendi a ter bom humor, doçura e com quem eu aprendi a não compreender tudo. Ela se surpreendia honestamente com a vida, sem disfarces. Ela se surpreendia até com o fato de a irmã mais nova ter cabelos tão brancos, esquecendo que os dela eram pintados, assim como as unhas, sempre compridas e vermelhas. Cantava todos os dias, quase o tempo todo e chupava balas de caramelo. Levava um copo de refrigerante para a cama, onde ouvia radio até dormir. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se me fosse permitido escolher só uma palavra para descrevê-la, seria leveza. E levar a vida com leveza não é para todo mundo. Já falei sobre cavalos de batalha e o quanto eles me incomodam. Nunca na minha vida, vi minha avó fazer um cavalho de batalha. Ela aceitava. E é preciso entender que a delicadeza em aceitar é fugir da passividade que esse verbo pode incitar em algumas cabeças.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando a sua pessoa preferida vai embora, você obrigatoriamente tem que aprender a lidar com isso. E eu aprendi a lidar com isso ficando feliz, porque tristeza mesmo era a tristeza dela por não saber o nome dos filhos. Mas acho que ela soube que eu estive lá naquele dia. Ela tentou dizer alguma coisa para a minha mãe, mas não conseguiu. E ela não reconhecia direito mais ninguém. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No fim das contas, a minha pessoa preferida foi embora, e foi embora a pessoa para quem eu também fui a preferida. Ela nunca escondeu isso a vida toda. Se eu fui a pessoa preferida de alguém, foi dela.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Essa noite foi a primeira vez que sonhei com ela. E ela estava bem, saudável e linda como eu lembrava dela na minha infância, com cara de vó, unhas feitas e cabelos enrolados, pintados de loiro. Os olhos azuis sempre brilhando porque se emocionava sempre. Ela sempre chorava na hora se despedir. Morreu dormindo. É bom saber que minha pessoa preferida morreu da maneira que eu desejei que fosse. Porque ela merecia fechar os olhos e descansar. E dessa vez, foi a vez de chorarem os que se despediram dela.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4670287550632188674-5643572028095035133?l=tem-que-ser.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/feeds/5643572028095035133/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4670287550632188674&amp;postID=5643572028095035133&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/5643572028095035133'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/5643572028095035133'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/2010/08/sobre-leveza.html' title='Sobre leveza'/><author><name>Ge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17637114339907965462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-8BXlMaTi8hE/TgzLiSDv1bI/AAAAAAAAAFo/lDiLrVZO-0E/s220/foto4.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4670287550632188674.post-8082490299883236983</id><published>2010-08-12T22:12:00.003-03:00</published><updated>2010-08-12T22:40:34.939-03:00</updated><title type='text'>Sobre a urgência</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Muito queria ser dessas pessoas decididas, mas não sou. Pessoal que curte signos costuma pensar que isso é mal de librianos em suas eternas indecisões. Não sei se é mal de libriano, não. Acho mesmo que é um dos males mais comuns, isso da dificuldade em escolher, porque isso implica em perder alguma coisa. Apesar disso, penso que tenho muita sorte. E olhando pra trás com quase nenhum cuidado, concluo que a vida tem sido bem generosa nesse sentido.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Além de indecisa, sou ansiosa. E odeio ficar com pendências. Essas pendências vão de contas a pagar, ligações a fazer, e-mails a responder, roupa por lavar, palavras por dizer. Nessas horas ansiosas acabo metendo os pés pelas mãos e tomo a decisão errada. Por isso, exercício PRA VIDA é esperar passarem vinte e quatro horas (se possível isso for) depois de receber uma notícia que implica a tomada de uma decisão. E como não gosto de pendências, pago a conta até o fim, não sem sofrimento, não sem dor. Mas pago.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Apesar disso, a decisão de fazer mestrado foi um pouco impulsiva. Claro que fazia muito tempo que eu pensava nisso. Mas a parte do impulsivo tem a ver com eu não ter me preparado para as provas, para o projeto, para a entrevista e, ainda assim, ter passado. Pode ter sido sorte, pode ter sido um bom senso de oportunidade e de momento. Seja já o que tenha sido, a cada dia fico mais feliz com a decisão. Encontrei meu lugar, minha vida. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;OBS: Eu queria ter escrito "encontrei meu lugar, minha cidade", mas pela terceira vez consecutiva no dia, cometi o lapso de digitar vida em vez de cidade. Então, deixemos a frase dessa forma, assim, talvez ela diga mais de mim.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4670287550632188674-8082490299883236983?l=tem-que-ser.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/feeds/8082490299883236983/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4670287550632188674&amp;postID=8082490299883236983&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/8082490299883236983'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/8082490299883236983'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/2010/08/sobre-urgencia.html' title='Sobre a urgência'/><author><name>Ge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17637114339907965462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-8BXlMaTi8hE/TgzLiSDv1bI/AAAAAAAAAFo/lDiLrVZO-0E/s220/foto4.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4670287550632188674.post-6566098289208786704</id><published>2010-08-05T22:21:00.004-03:00</published><updated>2010-08-05T23:00:43.954-03:00</updated><title type='text'>Sobre viver</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;This little girl she grew up and moved away and she&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;She lived her life full of risk and full of play and she&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;She lived her life, with so much to say, and&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;Her flowers they grow more beautiful everyday&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dormir, acordar, tomar café da manhã, trabalhar, almoçar, trabalhar um pouco mais, voltar para casa, estudar, tomar banho, conversar com as pessoas da sua vida, sair, se divertir, rir das besteiras sérias, das divertidas, rir das próprias misérias, acudir, abraçar, sorrir, chorar, tomar café, jantar com as amigas de uma vida inteira e rir outra vez, sair com os amigos que agora fazem parte, passar os domingos conversando com quem nunca imaginou que poderia ser uma das suas pessoas, ir ao cinema assistir bobagens e coisas sérias, oferecer macarronadas, canjas. Dar e pedir colo. Dar e pedir carinho, beijo, abraço, conversa. Isso é seguir vivendo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não somos nós quem vamos até os lugares, mas eles que chegam trazendo um pacote de ventura. Ventura é sorte, boa ou má. Impossível a vida ser perfeita o tempo todo. Impossível ser imperfeita o tempo todo também. Trata-se mais de receber com muita delicadeza o que começa a acontecer, o que a vida traz, sem saber ao certo porque você gosta de uma pessoa, porque não gosta de outra. Para que perder o tempo pensando nisso se isso é seguir vivendo?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E seguir vivendo é diferente de existir num lugar, é bem ao contrário de estar numa cidade, num trabalho, num mestrado, numa profissão. Seguir vivendo é aceitar o que é oferecido, e aceitar não quer dizer receber passivamente,  como se não dependesse também de muita boa vontade e capacidade de amar as cores, as formas, os cheiros, as pessoas de antes, as pessoas de agora, as pessoas de sempre.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Confesso: Tenho medo. Tenho medo porque o que chega rápido pode muito bem ir embora bem depressa. Mas sei que isso não é regra mesmo. Tantas coisas duradouras também escoam pelos dedos sem você ter a menor chance de apanhar, porque não há movimento reflexo capaz de captar o que evapora. Isso sou eu vivendo, vivendo e contando da felicidade imensa que os encontros e os reencontros tem trazido.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4670287550632188674-6566098289208786704?l=tem-que-ser.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/feeds/6566098289208786704/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4670287550632188674&amp;postID=6566098289208786704&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/6566098289208786704'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/6566098289208786704'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/2010/08/sobre-viver.html' title='Sobre viver'/><author><name>Ge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17637114339907965462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-8BXlMaTi8hE/TgzLiSDv1bI/AAAAAAAAAFo/lDiLrVZO-0E/s220/foto4.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4670287550632188674.post-2082244787627706583</id><published>2010-07-30T18:18:00.004-03:00</published><updated>2010-07-30T18:43:24.685-03:00</updated><title type='text'>Sobre dias como o de hoje</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E um lindo dia, com tempo gostoso, céu aberto, sol forte e um vento sutil no último dia de férias pode ficar ainda melhor. Pode ficar melhor se você resolver almoçar com aquela pessoa que você adora, mas que não encontra sempre, tomar um café com ela, entregar presentes feitos com carinho e comprar uma gérbera de cada cor, para deixar a casa mais parecida com toda a claridade que entra.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como ficar triste num dia como o de hoje, com um Jardim Botânico cheio de crianças, meninas vestidas de rosa e lilás, meninas e meninos rolando nos barrancos, sem se preocupar que a grama recém-cortada vai grudar na roupa e nem com a coceira desgraçada que vão sentir imediatamente. Só quem já rolou na grama sabe a delícia da tontura que a gente sente depois, tontura que compensa a coceira e a bronca da mãe por causa da roupa suja. Tudo parece perfeito quando é possível rolar barranco abaixo, levantar e sair correndo, gritando, pulando, porque um dia desses, realmente merece gritos e pulos. Merece uma comemoração, com sorvete, de preferência.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Até parece que o dia como o de hoje foi desenhado para ser assim, para coroar as possibilidades que a gente nem sabe que tem de fazer diferente, de tomar uma decisão precipitada, de apostar no que não sabe, de ser empreendedor. Empreendedor da vida. Sei que soa romântico, provavelmente deve soar patético também. Mas note bem, que eu não sou assim o tempo todo e nem sempre enxergo dias como o de hoje do jeito que falo agora.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje pensei no &lt;a href="http://tem-que-ser.blogspot.com/2008/10/sobre-o-amor-em-minscula.html"&gt;amor em minúscula&lt;/a&gt; e lembrei como é importante olhar pra ele. Nem toda história é idílica. Nem todo amor é o grande amor, com CAIXA ALTA. Mas dias como o de hoje milagrosamente bonitos, milagrosamente simples, milagrosamente honestos em suas intenções, ajudam a gente a se lembrar como faz falta olhar, olhar pra fora, olhar pra dentro.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4670287550632188674-2082244787627706583?l=tem-que-ser.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/feeds/2082244787627706583/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4670287550632188674&amp;postID=2082244787627706583&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/2082244787627706583'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/2082244787627706583'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/2010/07/sobre-sobre-dias-como-o-de-hoje.html' title='Sobre dias como o de hoje'/><author><name>Ge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17637114339907965462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-8BXlMaTi8hE/TgzLiSDv1bI/AAAAAAAAAFo/lDiLrVZO-0E/s220/foto4.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4670287550632188674.post-633968575341800263</id><published>2010-07-22T20:46:00.003-03:00</published><updated>2010-07-22T21:35:19.023-03:00</updated><title type='text'>Sobre segredos</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O centro de Curitiba é todo de casas velhas, construções antigas, cheias de pessoas, cheias de segredos. Nunca cansa olhar as fachadas dos dias em que as ruas foram outras  e que as histórias daquelas casas e dos corações que ali moraram estavam começando. Penso sobre a beleza tão escondida por baixo dos muros pichados, da necessidade de tinta e um pouco de atenção.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É bonito sim. Porque essa beleza não é só da poeira e das portas que rangem quando abrem. É uma beleza que leva às fantasias e segredos sem saber bem quais. Beleza que transporta pra uma época em que elas eram as belas casas, sólidas, simples, imponentes, delicadas, sóbrias, suntuosas, enfim. As ruas de paralelepípedos não deixam que nenhuma mentira seja dita: ali há passado, há alma, paixão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E quando uma velha entra em uma casa dessas, impossível não pensar nos quartos abarrotados de caixas, dentro delas as lembranças, dentro delas a saudade. Desviando dos gatos e dos móveis quebrados, há de se encontrar grandes contos, crônicas, romances. Todos da vida de gente que já foi. Que encanto dessas velhas que empurram carrinhos de feira e são simpáticas com os que sentam no beiral da porta. Que segredos contam essas velhas que passeiam pela noite desejando boa noite pra gente muito menos interessantes e com histórias bem mais entediantes, talvez por estes que ficam na rua, ainda não terem descoberto que "o caminho é o fim, mais que chegar".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando passam as velhas em seus carrinhos de feira, carregados de sei lá o quê, pensar na solidão acaba sendo a primeira coisa possível. Qual o peso de se carregar esses carrinhos na noite da cidade? Que peso têm suas histórias? Essas que só podem ser imaginadas, pensadas, inventadas pelos que se importam com a solidão dos outros, lembrando sempre que essa solidão um dia, pode se transformar ou já é a sua própria.  &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4670287550632188674-633968575341800263?l=tem-que-ser.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/feeds/633968575341800263/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4670287550632188674&amp;postID=633968575341800263&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/633968575341800263'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/633968575341800263'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/2010/07/sobre-segredos.html' title='Sobre segredos'/><author><name>Ge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17637114339907965462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-8BXlMaTi8hE/TgzLiSDv1bI/AAAAAAAAAFo/lDiLrVZO-0E/s220/foto4.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4670287550632188674.post-1133602527205928302</id><published>2010-07-06T14:34:00.002-03:00</published><updated>2010-07-06T14:48:35.492-03:00</updated><title type='text'>Sobre casa</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ontem eu esqueci as chaves de casa dentro de um banheiro. Eu não sei porque estava com as chaves de casa nas mãos. Mas lembro de ter entrado no banheiro carregando jaqueta, bolsa e as chaves. O banheiro era nojento. Larguei as chaves em cima da pia e quando saí, apressada, elas ficaram, e eu só me dei conta a hora que cheguei em casa e não as encontrei. Eram umas 22h.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O engraçado foi que eu não fiquei preocupada. O porteiro me deu o telefone de um chaveiro que não atendeu. Aí eu liguei pra minha amiga: &lt;i&gt;"Esqueci as chaves no meu trabalho", &lt;/i&gt;ela riu e respondeu,&lt;i&gt;"Vem dormir aqui"&lt;/i&gt;. Cheguei, tomei um banho, coloquei um pijama emprestado. Dormi como um anjo e hoje cedo telefonei para o trabalho, encontraram as chaves e na hora do almoço elas estavam comigo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas o que eu fiquei pensando foi na minha despreocupação. Numa despreocupação que só pode acontecer quando se tem várias casas para ir. Quando não se está sozinho. Tem dias que eu me sinto sozinha e penso um monte de bobagens. Mas quando acontece algo assim e eu sei exatamente para onde eu vou, não tem como me sentir só. E aí eu estava pensando que se essa amiga não estivesse em casa, restariam nem uma nem duas, mas pelo menos uma meia dúzia de casas para eu ir. E nessas horas eu fico aliviada. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Deve ser por causa disso que foi tão fácil me mudar. Valorizar essas "minhas pessoas" é o ponto principal da minha vida hoje. Qualquer escolha que coloque em cheque meu relacionamento com elas, não me serve mais. Quando você esquece a chave em uma outra cidade, num lugar que fecha às 18h, você não deveria ter que ficar preocupado em gastar com um chaveiro. Deveria ter onde passar a noite sem se preocupar se está incomodando.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4670287550632188674-1133602527205928302?l=tem-que-ser.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/feeds/1133602527205928302/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4670287550632188674&amp;postID=1133602527205928302&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/1133602527205928302'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/1133602527205928302'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/2010/07/sobre-casa.html' title='Sobre casa'/><author><name>Ge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17637114339907965462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-8BXlMaTi8hE/TgzLiSDv1bI/AAAAAAAAAFo/lDiLrVZO-0E/s220/foto4.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4670287550632188674.post-3904337168554593226</id><published>2010-06-23T22:12:00.006-03:00</published><updated>2010-06-30T00:55:19.566-03:00</updated><title type='text'>Sobre cavalos de batalha</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu desconfio muito de pessoas que atacam. Aliás, desde que comecei a trabalhar diretamente com órgãos públicos, aka escolas, conselho tutelar, CRAS (Centro de referência de assistência social), secretarias municipais, enfim, percebi que o ataque costuma ser a melhor defesa. É um tal de jogar a responsabilidade que me deixa atordoada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje eu fui em uma escola X perguntar porque a aluna Y, que é atendida no programa onde eu trabalho, não tem ido à aula e porque o CRAS não ficou sabendo disso e tampouco o conselho tutelar. Mais tarde, uma estagiária me liga e conta que uma pedagoga da escola X ligou indignada dizendo que a criança não estava numa situação de perder o ano e que a minha "cobrança" era indevida. Bom, então a lógica é avisar a rede de serviços de proteção quando Y estourasse em faltas e perdesse o ano? Não entendi. A pedagoga da escola também disse nunca ter ficado sabendo que a aluna foi alvo de chacota por causa de um problema físico. Não entendi como ela alegou ignorância para se defender. Afinal, será mesmo que não saber de alguma coisa retira a responsabilidade? Acho que não.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esse é o tipo de coisa que me irrita em trabalhar em um órgão público. Você acaba dependendo de um monte de gente que tem um monte de gente pra cuidar. Eu entendo isso. Só não concebo como você pode achar que o problema é a pessoa que apontou o problema. Isso não entendo. Agressividade só um jeito frágil de mostrar que você sabe que a responsabilidade era sua. Por isso, planejo voltar nessa escola para perguntar quanto tempo que eles iam esperar para se dar conta que uma criança de 12 anos ia perder o ano.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Isso de tirar o corpo fora, tenho experimentado diariamente. Falta de vontade, de ânimo, corpo mole. Isso me irrita porque atrapalha o trabalho de quem quer trabalhar. E aí você tem que lembrar a pessoa que as coisas são mais fáceis de resolver do que parecem e que fazer um cavalo de batalha por tudo só faz a gente cair no lugar comum do funcionário público: isso não é do meu setor, isso não é minha responsabilidade. Depois as pessoas ficam pensando porque a confiança é tão frágil. Porque as pessoas não confiam mais naqueles órgãos que foram criados para "ampará-las".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu não sei se nasci pra isso. Mas acredito fortemente que não. Por isso que eu estudo tanto. Se os medos são o que fazem o mundo andar, o que faz andar o meu mundo é isso: o medo de ser infeliz aí. Nessa comodidade castradora de desejo, de vontade, de tesão de fazer o que você gosta. E o que eu gosto tem a ver com autonomia, não com tutela e dependência.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4670287550632188674-3904337168554593226?l=tem-que-ser.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/feeds/3904337168554593226/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4670287550632188674&amp;postID=3904337168554593226&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/3904337168554593226'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/3904337168554593226'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/2010/06/sobre-cavalos-de-batalha.html' title='Sobre cavalos de batalha'/><author><name>Ge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17637114339907965462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-8BXlMaTi8hE/TgzLiSDv1bI/AAAAAAAAAFo/lDiLrVZO-0E/s220/foto4.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4670287550632188674.post-4585956078854537208</id><published>2010-06-20T11:29:00.003-03:00</published><updated>2010-06-20T19:05:49.390-03:00</updated><title type='text'>Sobre limite</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nos últimos tempos tenho observado um fenômeno dos mais esquisitos: fones de ouvido tornaram-se desnecessários para quem anda de ônibus, bicicletas, a pé. Não entendo, juro. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Numa das viagens pra São Paulo, um senhor estava ouvindo rádio pelo celular sem fones de ouvido. Muito educamente, perguntei se ele tinha fones, ele disse que não. Então, pedi se, por gentileza, ele poderia desligar. Desligou na hora, numa boa. Mas eu fiquei incomodada. É que eu não precisaria ter tido que pedir, entende? Não precisaria ter tido o constrangimento de lembrar a uma pessoa de quase cinquenta anos que eu não era obrigada a ouvir rádio junto com ela. Nem eu e nem as outras vinte pessoas que estavam dentro do ônibus.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pois bem, essa semana, mesma viagem, mesmo horário. Cheguei à minha poltrona, tirei meu cobertor, meu travesseirinho, coloquei meus fones de ouvido para eu ouvir música até me dar sono. Quando percebi que havia uma música por trás da minha. Tirei os fones e comecei a procurar de onde vinha o som. E vinha da pessoa sentada atrás de mim. Eu simplesmente olhei pra ele, deve ter sido um olhar com lasers, porque imediatamente, o sujeitio falou &lt;i&gt;"Se tá incomodada, me compra uma fone"&lt;/i&gt;. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fiquei chocada. Não pela grosseria, porque aqui a casca é grossa. Mas pela inversão de uma lógica que eu aprendi, entre tantas outras ocasiões, na primeira vez em que viajei de ônibus com a minha mãe. Eu tinha uns 3 anos, talvez. Fomos eu, minha mãe e minha irmã numa longa viagem entre o interior do paraná até o de santa catarina. Para mim parecia interminável. Eu queria ligar a luz do ônibus, que criança não quer? Queria conhecer o banheiro. Queria sentar perto da janela. Enfim. Minha mãe me levou ao banheiro e deixou que eu sentasse perto da janela. Mas quando comecei a ligar e desligar a luz insistentemente, ela disse: &lt;i&gt;Pare com isso, isso incomoda as outras pessoas.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não entendi direito porque a luz incomodaria as outras pessoas. Hoje entendo e evito, apesar de eu mesma não me incomodar tanto assim com a luz, que nos ônibus mais modernos, está muito mais forte do que a do ônibus que eu viajei quando era criança. O que me chocou no rapaz que me deu aquela invertida foi o fato de ele realmente pensar que o problema era eu. Que o problema sou eu e todas as pessoas que não comungam do mesmo gosto musical que ele. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fiquei pensando: se todas as pessoas do ônibus decidissem pegar seus celulares e ouvir suas músicas sem fones de ouvido, quem conseguiria ouvir alguma coisa? E aí lembrei que em São Paulo, os alto-falantes do metrô lembram as pessoas a não ouvir música a ponto de incomodar a pessoa que está ao lado. Sempre me pareceu estranho eles terem que lembrar isso. Agora não parece mais. Acho que esqueceram que gente também tem limite, que eu não preciso ouvir o que você gosta, gostar do que você gosta. Eu sei que sou chata, mas acho que não preciso saber sua vida quando você conversa com alguém no celular. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Cadê o limite? O limite do público e do privado, cadê? Isso explica aquele vereador do Rio de Janeiro ter batido na síndica que pedia respeito aos vizinhos por causa de uma festa? Cadê o limite que me separa do outro e mostra pra ele que aqui começa eu, meu corpo, meus gostos, minhas necessidades &lt;i&gt;ao lado&lt;/i&gt; das suas, mas não &lt;i&gt;sobrepostas&lt;/i&gt;. Eu tenho me sentido muito incomodada por essa falta de limites. Desde uma pessoa que pega a caneta da minha mão porque precisa dela, que senta a uma distância que me impossibilita de pensar, que quer saber tudo o que eu estou fazendo, do que estou rindo, o que estou pensando. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu tenho limites sim. Note que eu não falo respeito. Isso não é falta de respeito. É falta de as pessoas perceberem que esses limites existem e que precisam ser respeitados. Se elas soubessem, respeitariam. Ou não. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4670287550632188674-4585956078854537208?l=tem-que-ser.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/feeds/4585956078854537208/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4670287550632188674&amp;postID=4585956078854537208&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/4585956078854537208'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/4585956078854537208'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/2010/06/sobre-limite.html' title='Sobre limite'/><author><name>Ge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17637114339907965462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-8BXlMaTi8hE/TgzLiSDv1bI/AAAAAAAAAFo/lDiLrVZO-0E/s220/foto4.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4670287550632188674.post-5194393613465677971</id><published>2010-05-26T00:03:00.004-03:00</published><updated>2010-05-26T00:44:48.200-03:00</updated><title type='text'>Sobre esperar</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Das coisas que aprendi, uma das mais importantes dizem do quanto não adianta ficar triste todos os dias pelo que acabou. Nem todos os vínculos são para sempre e nem sempre dá pra retomar o que acabou do ponto em que parou. Às vezes, é preciso recomeçar e tentar a cada dia desconstruir algumas barreiras que se ergueram. Isso é tão trabalhoso que poucos tentam. E pode ser que não dê certo porque o muro que separa duas pessoas é composto por duas paredes. Assim, não adianta eu pôr abaixo a minha, se você não pôr abaixo a sua.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sinto saudades de coisas como elas foram, mas não dá pra me prender a isso. Tenho me concentrado em construir uma vida aqui, em começar a gostar das pessoas que estão perto. O que não significa esquecimento das que estão longe, apenas a necessidade que eu tenho de vínculo. Isso é muito forte em mim. Eu fico ansiosa. Gostaria que as coisas acontecessem mais rápido. Mas boas amizades se fazem de paciência, não é assim que aquela raposa ensinou pra gente? Que é preciso vir muito devagar, sentando a cada dia mais perto?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Confesso, tenho grandes dificuldades nisso. Quando decido que gosto de alguém, eu gosto. E tenho pressa em conhecer tudo, de saber tudo e de me dividir em mais uma parte nesse mundo. Leva um pouco de mim com você? Assim eu me sinto bem. Não fico assim, tão cheia de mim. Paro pra pensar antes de agir, porque o que faço afeta aos outros. Tô ansiosa para que esse afeto que me é tão caro comece logo a se construir por aqui. Isso me dá calor. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4670287550632188674-5194393613465677971?l=tem-que-ser.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/feeds/5194393613465677971/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4670287550632188674&amp;postID=5194393613465677971&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/5194393613465677971'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/5194393613465677971'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/2010/05/das-coisas-que-aprendi-uma-das-mais.html' title='Sobre esperar'/><author><name>Ge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17637114339907965462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-8BXlMaTi8hE/TgzLiSDv1bI/AAAAAAAAAFo/lDiLrVZO-0E/s220/foto4.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4670287550632188674.post-5230499326955849614</id><published>2010-05-18T19:35:00.004-03:00</published><updated>2010-05-18T20:00:50.046-03:00</updated><title type='text'>Sobre os dias de chuva</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Desde que comprei um guarda-chuva decente, não suspiro mais quando olho para fora e prevejo um dia chuvoso. Hoje foi um desses dias que choveu da hora que eu saí de casa, até a hora que eu voltei, apesar de o sol do fim da tarde bem ter tentado, de um jeito muito, muito tímido, aparecer para dar o ar da graça, tarde demais, manchas de bolor já começavam a se formar em mim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E eu estava de tênis, mas por pura falta de opção. Quem já andou em Curitiba sabe, é uma puta ousadia colocar um salto alto se você tem que percorrer mais que dois quarteirões por estas calçadas de paralelepípedos. E número de quadras que separa a minha casa da UFPR é pelo menos dez vezes maior que isso. Não tô reclamando, gosto dessa caminhada. É aquele momento que eu coloco os fones e vou cantarolando, pensando na vida e arrumando na minha cabeça tudo o que eu tenho para fazer.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Diante da chuva que caía quando eu saía, o porteiro me pergunta &lt;i&gt;"Vai sair com essa chuva?"&lt;/i&gt;. Respondo que não me resta outra escolha, me encho de coragem, abro o guarda chuva e saio. Vou andando devagar para que as calças não molhem (muito). Os tênis não tinham salvação quanto a isso, e por isso, meus pés estavam fadados a ficar molhados e gelados. Andando e cantando na chuva, percebi que quem anda para lá e para cá e que não tem outra escolha em dias de chuva, precisa mesmo é de um bom par de galochas. Voltei para casa decidida a comprá-las, coisa que acabei de fazer, e agora espero ansiosamente meu pedido ser processado e as &lt;a href="http://www.cosse.com.br/produto.asp?codigo_produto=13&amp;amp;codigo_tamanho=1&amp;amp;cat=boots"&gt;galochas&lt;/a&gt; chegarem na minha casa, cheirando a novas, num prazo de um dia útil (uma das coisas boas de se morar numa capital).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas além de pensar em galochas, esse dia insistentemente molhado me fez perceber que chuva é um momento ideal para se medir o nível de gentileza das pessoas. Tem aqueles carros que fazem a curva mais devagar, sabendo que se entrarem muito rápido vão dar um banho nos pedestres que esperam o semáforo abrir. Tem aquelas pessoas que param quando percebem outro guarda-chuva vindo na direção contrária e que, se os dois tentarem passar ao mesmo tempo, vão se enganchar. Há ainda, os mais generosos que percebendo não ser fácil carregar bolsa, guarda-chuva e sacola de compras ajudam a gente a subir no ônibus. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu prefiro não falar dos não generosos hoje. Melhor não reclamar deles e parar o post por aqui desejando que em outros dias de chuva, eu encontre mais gentileza e menos individualidade de quem quer evitar de se molhar, não importando quantos outros se molhem a estas custas.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4670287550632188674-5230499326955849614?l=tem-que-ser.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/feeds/5230499326955849614/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4670287550632188674&amp;postID=5230499326955849614&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/5230499326955849614'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/5230499326955849614'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/2010/05/sobre-os-dias-de-chuva.html' title='Sobre os dias de chuva'/><author><name>Ge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17637114339907965462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-8BXlMaTi8hE/TgzLiSDv1bI/AAAAAAAAAFo/lDiLrVZO-0E/s220/foto4.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4670287550632188674.post-4190991856886783986</id><published>2010-05-15T21:40:00.004-03:00</published><updated>2010-05-15T22:24:34.423-03:00</updated><title type='text'>Sobre quando parece certo</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_aY8OiFIqUmA/Sty_iYmZuSI/AAAAAAAAAFg/lz7Z5wgEoHQ/s320/Hort%C3%AAnsia_de_Itatiaia2.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 314px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_aY8OiFIqUmA/Sty_iYmZuSI/AAAAAAAAAFg/lz7Z5wgEoHQ/s320/Hort%C3%AAnsia_de_Itatiaia2.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não é sempre que acontece, por isso, melhor não perder de vista aquele momento em que tudo parece certo, quando a escolha traz alívio, alívio por ter entrado no melhor caminho, quando muitos apareceram.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mudança pronta, casa arrumada, tudo no lugar, do meu jeito, bonito. Tenho quadros e fotos nas paredes, tenho um vaso de hortênsia que ganhei da minha mãe, que veio pra cá conhecer minha casa. Ela, que é de poucas palavras, antes de ir embora disse que gostou de ter vindo. E acho que foi porque ela percebeu que eu estou bem, feliz, tranqüila.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tranqüilidade. Sempre achei que é uma dessas sensações que não dá pra desperdiçar. Porque de repente vem um vento e leva embora aquilo que hoje faz sentido. Me sinto bem. Feliz por poder bancar meu desejo. Por me sentir bem em estar aqui sozinha sem me sentir sozinha. Tem a ver com a capacidade de aproveitar minha companhia, organizar meu tempo, separar meia hora na semana pra fazer as unhas e me alimentar bem. Estas tem sido minhas prioridades.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sinto saudades das minhas amigas. Sinto saudades de casa, da casa dos meus pais, que sempre vai ser minha casa. Mas confesso, tenho sentido falta de casualidade, de dar risada, de boteco, de conversa fiada. Preciso dessas coisas, mas tenho paciência, paciência de esperar os laços se firmarem por aqui para que elas passem a acontecer naturalmente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Enquanto isso, levanto cedo, tomo café da manhã (o que é uma novidade), trabalho, almoço bem, tomo café da tarde e janto. Leio coisas do mestrado, escrevo trabalhos, preparo apresentações, durmo muito bem. Quando eu chego em casa à tarde, de tão cansada, me enfio embaixo do chuveiro e lavo a alma, porque é isso que a gente faz quando toma a decisão certa. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4670287550632188674-4190991856886783986?l=tem-que-ser.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/feeds/4190991856886783986/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4670287550632188674&amp;postID=4190991856886783986&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/4190991856886783986'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/4190991856886783986'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/2010/05/sobre-quando-parece-certo.html' title='Sobre quando parece certo'/><author><name>Ge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17637114339907965462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-8BXlMaTi8hE/TgzLiSDv1bI/AAAAAAAAAFo/lDiLrVZO-0E/s220/foto4.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_aY8OiFIqUmA/Sty_iYmZuSI/AAAAAAAAAFg/lz7Z5wgEoHQ/s72-c/Hort%C3%AAnsia_de_Itatiaia2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4670287550632188674.post-7462521702090528898</id><published>2010-04-22T20:44:00.003-03:00</published><updated>2010-04-22T21:06:07.444-03:00</updated><title type='text'>Sobre o que não depende da gente</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Crise de angústia, taquicardia, perda do sono, falta de fome, boca seca. Sintomas de uma pessoa dominada por uma necessidade absurda que as coisas aconteçam conforme o planejado. Canso de falar sobre expectativas e sobre o quanto as minhas são elevadas e acabam comigo. Por isso, quando a resolução dos problemas não depende exclusivamente de mim parece que as coisas ficam muito fora de sentido, porque eu preciso esperar. Na realidade, ficar a mercê dos outros não é fácil. Frustrante, eu diria. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Essa história de mudança tem me colocado num plano de realidade que eu detesto, que é quando eu preciso admitir que não posso fazer algumas coisas, que não dou conta de tudo ao mesmo tempo e que as coisas precisam ser feitas num ritmo mais devagar. Isso parece óbvio. É claro que eu SEI disso, mas entre saber e conseguir mudar a minha forma de me relacionar com a idéia imaginária de poder que eu tenho, o caminho é longo e pontuado pelas sensações enumeradas no começo deste post. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nas últimas semanas eu comecei a perceber uma importante presença na minha vida. Presença que eu teimei em ignorar nos últimos anos, escondida atrás de uma falsa descrença em relação ao que não se explica. Mas hoje, quando o ônibus se materializou ao meu lado na hora que eu mais precisava, e quando o tempo passou devagar o suficiente para eu atravessar a cidade e conseguir chegar na Copel dez minutos antes de fechar e conseguir pedir para religar a energia do apartamento em que eu vou morar, não parei mais de agradecer. Também não consigo parar de agradecer o fato de o temporal que caiu hoje em Curitiba só ter acontecido depois que estava em casa, segura.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aliás, em casa não. Na casa de uma das minhas amigas, que tem sido uma irmã de tão acolhedora, pronta pra ajudar, contente com a minha presença. Aliás, não consigo parar de pensar na sorte que eu tenho não só pelas minhas amigas que, cada uma a sua maneira, tem me ajudado nessa mudança, mas pelos meus pais que estão lá longe resolvendo minha declaração de renda, minha mudança, as próprias questões pessoais em perder duas filhas de uma vez, sem deixar nenhuma das duas sentindo-se culpada por estar saindo de casa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu não sei o que faria sem meus pais. Não sei o que faria sem minhas irmãs. Não sei o que faria sem as minhas amigas. Também não sei se um dia vou consegui agradecer o bastante a cada um deles. Saí uma vez de casa pra estudar, mãe e pai levaram, alugaram apartamento, ajudaram. Saí agora por conta e risco, mas não sem apoio. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4670287550632188674-7462521702090528898?l=tem-que-ser.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/feeds/7462521702090528898/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4670287550632188674&amp;postID=7462521702090528898&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/7462521702090528898'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/7462521702090528898'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/2010/04/sobre-o-que-nao-depende-da-gente.html' title='Sobre o que não depende da gente'/><author><name>Ge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17637114339907965462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-8BXlMaTi8hE/TgzLiSDv1bI/AAAAAAAAAFo/lDiLrVZO-0E/s220/foto4.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4670287550632188674.post-1085643481733364523</id><published>2010-04-18T23:07:00.003-03:00</published><updated>2010-04-18T23:24:14.736-03:00</updated><title type='text'>Sobre ir embora</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não é fácil ir embora. Arrumar as malas, juntar tudo. Anos de lembranças, que acabam reunindo muito mais do que a gente imaginava. Você pode até pensar que não tem muita coisa, que poderia arrumar as malas em duas horas. Mas uma mudança leva muito mais tempo do que isso porque exige uma reflexão absurda, afinal, do que mesmo que a gente precisa para sobreviver, ou para sentir-se em casa? O que é indispensável e o que pode ficar pra trás?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Algumas dessas despedidas são mais fáceis do que outras. Esvaziar um quarto, mesmo que seja para ir para um bom lugar, para novos caminhos é difícil para caramba. Mesmo que você estivesse de saco cheio, as raízes estão ali. Toda alegria e tristeza que você passou ali, de uma forma muito sutil te prende aos lugares. Por isso que é difícil ir embora.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mesmo que não seja a primeira vez que você vai partir e que a lista de cidades por onde você já esteve continue aumentando, a cada partida, uma sensação esquisita de abandono toma conta. Abandono do que? De quem a gente foi até ali e não vai ser mais. Mesmo se um dia voltar. Os lugares nunca são os mesmos porque a gente muda demais. Deve ser por isso que aprendi a me apegar pouco a eles, preferindo guardar as pessoas, as lembranças e a saudade. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4670287550632188674-1085643481733364523?l=tem-que-ser.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/feeds/1085643481733364523/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4670287550632188674&amp;postID=1085643481733364523&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/1085643481733364523'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/1085643481733364523'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/2010/04/sobre-ir-embora.html' title='Sobre ir embora'/><author><name>Ge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17637114339907965462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-8BXlMaTi8hE/TgzLiSDv1bI/AAAAAAAAAFo/lDiLrVZO-0E/s220/foto4.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4670287550632188674.post-4789624294218714222</id><published>2010-04-05T01:27:00.003-03:00</published><updated>2010-04-05T02:03:01.823-03:00</updated><title type='text'>Sobre o que é bonito</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estou prestes a mudar de casa e de cidade. Não é a primeira vez que isso acontece mas é a primeira vez que vou com o pensamento que daqui para frente os caminhos vão levar a lugares menos familiares e por isso menos seguros. Quem me conhece sabe, gosto de coisas bonitas, bem arrumadas, fofas e cheias de subjetividade. Outro dia conversava com uma amiga e ela me disse não achar objetos particularmente bonitos, mas que poderia achar se eles combinassem com alguém e com o que foi feito dele. Casas são bonitas quando dizem algo sobre seus donos. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por isso, vejo essa mudança como permanente. Não quero coisas genéricas. Quero objetos que vão fazer a minha casa do jeito que sempre quis. Uma casa que grite meu nome, dessas que quem me conhece bem diria que é minha mesmo que sem saber que é. Então, ando atrás de algumas coisas. Muitas encontrei aqui na minha casa. Como a estante de tv da primeira casa em que eu morei. Ou a banqueta da penteadeira da minha mãe, em que tantas vezes sentei quando era criança brincando com as bijuterias dela. Me achando a estrela de cinema com os brincos, colares e pulseiras. Minha mãe tem até hoje um lenço vermelho que eu amarrava na cabeça e depois me jogava num par de óculos escuros, como se estivesse prestes a andar de conversível.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em casas de móveis usados encontrei uma &lt;a href="http://www.abdallasmoveis.com.br/cadeiras/cadeira_luiz_xv.gif"&gt;cadeira &lt;/a&gt;e um &lt;a href="http://img1.mlstatic.com/jm/img?s=MLB&amp;amp;f=109524021_508.jpg"&gt;criado-mudo Luiz XV&lt;/a&gt;. Vou comprar os dois, &lt;a href="http://estudiogloria.com.br/blog/wp-content/uploads/2010/01/poltrona-luis-xv.jpg"&gt;restaurar, pintar, estofar com cores alegres, flores,&lt;/a&gt; enfim, e colocar no meu quarto junto com o guarda-roupa e escrivaninha de linhas retas e modernas. Comprei pela internet um adesivo de &lt;a href="http://www.elo7.com.br/productProfile.do?webCode=86DEE&amp;amp;searchProductsUrl=%26sortBy%3D6%26pageNum%3D%26searchQuery%3Dgalinha%2Bda%2Bangola"&gt;galinha da angola&lt;/a&gt; lindo para colocar na geladeira. E estou atrás de &lt;a href="http://www.elo7.com.br/productProfile.do?webCode=1B756&amp;amp;searchProductsUrl=%26sortBy%3D%26pageNum%3D%26searchQuery%3Dgalinha%2Bda%2Bangola"&gt;galinhas&lt;/a&gt; que quero colocar em cima da geladeira, como enfeite da minha pequena cozinha. Quando eu entrei no apartamento em que vou morar percebi que seria um lugar onde eu poderia começar essa vida. É esquisito pensar nessa mudança permanente. Mas até minha mãe já fala como uma ida sem volta, o que de certa forma me incentiva, conforta e em contrapartida dá um medo danado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É esquisito pensar que vou montar a minha casa. Não vai ser um local temporário em que eu vou morar quando não estiver na casa dos meus pais. Mas agora, como uma libriana que se preze, eu quero que tudo seja perfeito, tudo arrumado e tudo bonito, do meu jeito. O que me faz pensar no carinho que eu tinha com a minha casa de bonecas e nas invencionisses que eu já fazia naquela época e que então já me tiravam muitas noites de sono. Não tenho dormido direito pensando em tudo que precisa ser feito para ficar ideal. Eu sei que vai levar uns meses para isso. Mas por enquanto tenho encontrado o que preciso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nessa busca, encontrei o blog da &lt;a href="http://casadachris.uol.com.br/blog/"&gt;Chris Campos&lt;/a&gt; e como me identifiquei e consegui encontrar dicas ideais. Encontrei ainda alguém muito sensível e posts cheios de pessoalidade, coisa que aprecio. Não é só um blog de decoração, mas uma forma de dividir um pouco de quem ela é com quem ela não conhece. E é exatamente isso que a gente faz quando convida pessoas para entrar em casa. Mostramos quem somos e nos tornamos vulneráveis. Termino o post emprestando dela as últimas palavras:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="border-collapse: collapse; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;i&gt;Casa arrumada, vocês sabem, é especialidade desta que vos fala. Mas é da desordem que surgem os melhores caminhos. Minha vida mesmo, agora, começa a ter novos caminhos. E foi preciso uma tremenda bagunça para que isso acontecesse. Enquanto a gente arruma o que está fora do lugar, enxerga outras possibilidades, vê as coisas com outros olhos, cresce, portanto. E é assim que deve ser. Viva a bagunça, sempre que for preciso. Mas não se esqueça de arrumar tudo de novo para crescer depois dela.&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4670287550632188674-4789624294218714222?l=tem-que-ser.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/feeds/4789624294218714222/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4670287550632188674&amp;postID=4789624294218714222&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/4789624294218714222'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/4789624294218714222'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/2010/04/sobre-o-que-e-bonito.html' title='Sobre o que é bonito'/><author><name>Ge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17637114339907965462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-8BXlMaTi8hE/TgzLiSDv1bI/AAAAAAAAAFo/lDiLrVZO-0E/s220/foto4.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4670287550632188674.post-9220308595439720712</id><published>2010-03-24T22:34:00.003-03:00</published><updated>2010-03-24T23:05:19.668-03:00</updated><title type='text'>Escolhas difíceis</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Confesso, foi mais difícil sair da psiquiatria do que da faculdade. Adoro ser professora, não faria mestrado por nenhuma outra razão. Já faz muito tempo que sei disso. Quando me formei ser professora foi a primeira porta aberta na minha vida profissional. Ser professor é uma segunda natureza, mais que uma profissão. É um gostar que não se explica, gostar de apresentar coisas sobre as quais antes não se pensou, ou que se pensou de uma forma diferente. É complementar, e pode ser confundir também. Pode ser levar as pessoas à dúvida, ajudá-las pensar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje encontrei na rua minha professora de português da sexta e da sétima séries. Ela pegava no meu pé, dizia que eu falava muito e trabalhava pouco, meu mal era a língua, mas que uma tesoura resolveria o problema. Uma professora bem &lt;span style="font-style: italic;"&gt;old school&lt;/span&gt;, dessas que jogam giz e não viram notícia por causa disso. Não era particularmente uma boa professora, mas exigente. Sempre cobrou muito, criticava minha escrita, minha falta de coesão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na sétima série, entreguei uma redação. Ela leu e disse "Finalmente você escreveu alguma coisa que preste". Alguns anos mais tarde, a encontrei na rua e ela falou que até aquele dia tinha guardado meu texto sobre o cachorrinho, a primeira boa coisa que eu teria escrito. Hoje ela não me reconheceu, mas eu demorei meia fração de segundo para saber quem era ela. De como era o nome dela lembrei escrevendo esse post, que começou sobre outra coisa: sobre a difícil escolha de, para ser professora universitária, eu ter que abandonar a psiquiatria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gosto de lá. Não tem nada a ver com o salário. Tem a ver com a possibilidade de ser psicóloga na concepção que eu faço desta profissão. Tem a ver com o aprendizado que tive em trabalhar em equipe e com a "doença" mental, esse fenômeno que me ajudou a construir um artigo para a pós, depois um projeto de mestrado e que vai se transformar numa dissertação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas pessoas têm medo, outras acham  graça dos meus pacientes, eu vejo todos com uma parcela grande de sabedoria que a gente não entende porque vive um mundo da repressão, em que abafamos bem nosso inconsciente maluco. Lá no hospital eles não gostam do termo "louco". Eu falo que louco é quem rasga dinheiro. E eles riem quando eu falo isso e pergunto de volta se alguém ali rasga. Todos dizem não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje um dos médicos me falou que sentia muito a minha saída. "Fiquei muito triste", ele disse. "Tu não devias sair (gaúcho, gente)...quer dizer, devias sim. Tu tens outras coisas esperando por ti." Tenho. E sei que essa escolha vai fazer a diferença como professora e psicóloga, e só espero de verdade que, além disso, essa escolha não me mantenha por muito tempo afastada destes que fazem a gente enxergar a vida, a sanidade e especialmente a subjetividade de outro jeito, outro bem melhor, bem menos limitado.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4670287550632188674-9220308595439720712?l=tem-que-ser.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/feeds/9220308595439720712/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4670287550632188674&amp;postID=9220308595439720712&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/9220308595439720712'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/9220308595439720712'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/2010/03/escolhas-dificeis.html' title='Escolhas difíceis'/><author><name>Ge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17637114339907965462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-8BXlMaTi8hE/TgzLiSDv1bI/AAAAAAAAAFo/lDiLrVZO-0E/s220/foto4.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4670287550632188674.post-1337888710646438560</id><published>2010-03-22T14:17:00.004-03:00</published><updated>2010-03-22T15:35:59.051-03:00</updated><title type='text'>Sobre cuidado</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ano passado, uma das disciplinas que eu dava na faculdade chamava-se &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Processo de Cuidar&lt;/span&gt;. Eu a considerava uma das mais importantes na formação de um profissional, não só da área da saúde, mas de todas as áreas. Todas as profissões estão ligadas ao cuidado, mesmo que não diretamente ao ser humano, de forma indireta, todas as profissões implicam numa forma de favorecer a sociedade humana. Essa é inclusive uma das queixas dos ambientalistas, que acreditam que o ser humano investiu tanto em prol do desenvolvimento da sua sociedade que atrapalhou a continuidade de outros grupos animais e vegetais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podemos destruir o mundo que nos cerca, o que faz oposição ao cuidado. Um dos autores que eu pesquisei foi um teólogo chamado Leonardo Boff. O livro &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Saber cuidar: ética do humano, compaixão pela terra&lt;/span&gt; aborda o ponto de vista ontológico do cuidado, a partir da teoria de Heidegger, de acordo com a qual a característica constitucional ao ser humano é a capacidade de cuidar do outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa minha pesquisa encontrei também dissertações de mestrado e teses de doutorado sobre o assunto, que contam pra gente que &lt;span style=";font-family:Arial;font-size:100%;"  &gt;as ações humanas partem da emoção que as motivaram, incluindo o cuidado, motivado pelo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;amor,&lt;/span&gt;  fundamental na socialização. Esse am&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:100%;"  &gt;or, não é o das poesia, das músicas, dos filmes, mas algo biológico: a aceitação do outro.&lt;/span&gt; &lt;p align="justify"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:100%;"  &gt;Para esses autores o cuidado  não se originou por causa das doenças, mas pelas  necessidades relacionadas à  vida: alimento e proteção, princípio básicos do cuidado e do afeto, &lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:100%;"  &gt;atitude fundamental  de relacionamento, que requer atenção e envolvimento entre quem cuida e o que/quem é cuidado. Assim, o cuidado acompanha o ser humano enquanto existe  amor, desvelo e a capacidade de se preocupar com alguém.  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:100%;"  &gt;Esse ponto de vista é o de Heidegger, para quem &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ser-no-mundo&lt;/span&gt; é mais que a existência física,  mas a co-existência no relacionamento com as coisas do mundo que possibilita formação autoconsciência e identidade humana. Ele fala ainda que a gente pode &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ser-no-mundo&lt;/span&gt; pelo trabalho, em que a natureza e o próximo são explorados, ou pode &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ser-no-mundo&lt;/span&gt; pelo cuidado, em que respeitamos os limites do próximo e do planeta. Se a gente vive hoje um momento de afastamento com o outro, em que absurdos de gente contra gente começam a fazer parte no nosso cotidiano, a filosofia do Heidegger nos ajuda a entender, em partes, o porquê. A parte boa é que há algum tempo começamos a perceber esse caos e  há tentativas de reverter, porque podemos ficar sem nada. Sem amor, sem casa.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;O Outro pode nos destruir sim. O Outro é aquele nos causa profundas inquietações, dúvidas, aquele de quem não podemos nunca ter certeza do que esperar, é nosso buraco. Mas é o Outro que nos tornou humanos no seu cuidado, olhar, desvelo, palavra, que podem ser afetos que acariciam ou que ferem.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4670287550632188674-1337888710646438560?l=tem-que-ser.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/feeds/1337888710646438560/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4670287550632188674&amp;postID=1337888710646438560&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/1337888710646438560'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4670287550632188674/posts/default/1337888710646438560'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tem-que-ser.blogspot.com/2010/03/sobre-cuidado.html' title='Sobre cuidado'/><author><name>Ge</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17637114339907965462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-8BXlMaTi8hE/TgzLiSDv1bI/AAAAAAAAAFo/lDiLrVZO-0E/s220/foto4.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4670287550632188674.post-5968764383479434548</id><published>2010-03-21T02:1
